Maturidade e Imaturidade na Prática

Hoje: 06-10-2022

Página escrita por Rubem Queiroz Cobra
Site original: www.cobra.pages.nom.br

A opinião comum possivelmente será de que uma pessoa madura não mente, não é volúvel, mas determinada, não comete qualquer falta antissocial; sabe sintetizar com inteligência o seu pensamento, é capaz de discernir com acerto vários aspectos de uma questão e ter opiniões que permitem conciliá-las; não é loquaz, não faz críticas violentas nem estabelece polêmicas, argumenta com serenidade e nunca está ociosa, mas faz as coisas em tempo, com interesse e sem alarde; sabe comandar sem desrespeitar os subordinados, é amiga das pessoas de modo sincero e honra os vínculos estabelecidos com elas. Torna-se, por isso, alguém de quem todos falam bem e que se gabam de conhecer e nunca está isolada. Ela induz nos outros o desejo de imitá-la, tanto nos seus modos, como na sua sensatez e objetividade. Tem um temperamento amável, como se fosse feliz por ser do modo que é, e seu agir maduro é uma forma de prazer.

Ao contrário, parece ser um traço comum aos tipos imaturos a pressa e a inconsequência no que fazem. Somente aceitam soluções e alternativas em que levem vantagem. Mentem para fugir das responsabilidades. Surrupiam lembrancinhas em hotéis e pousadas ou, se estão ao seu alcance, milhões de reais destinados à educação e à saúde. As ideias que têm lhes infundem uma autoconfiança e uma audácia que agravam seu desajustamento social, e mal escondem sua obsessão por sexo. Ao volante são motoristas irritados, impulsivos, provocadores e atrevidos. Como líderes são arrogantes e agressivos, como governantes veem a necessidade de uma guerra onde acreditam que sua nação foi, de algum modo, desrespeitada.

No Brasil encontramos em nosso convívio maturidade em muitas pessoas, mas que não se generaliza, e os comentários que lemos e ouvimos são, predominantemente, de que o brasileiro, ainda que inteligente e bem-educado, é um sujeito imaturo.

Por que essa situação não é reconhecida e combatida? Parece necessário admitir-se que, simplesmente, a Educação não basta para levar o homem ao seu pleno desenvolvimento pessoal e que deve haver algo antes dela que, por equívoco, tenha sido desprezado até hoje. Me parece então que essa coisa esquecida e desprezada é a “maturidade”. Um indivíduo imaturo pode se recusar a ser ensinado e educado.

Infelizmente a psicologia não vê a maturidade pessoal como um ramo do conhecimento que possa ser investigado e explorado. Minha quase certeza é de que não aceitará considerar a maturidade uma nova disciplina acadêmica ou científica, sobre a qual se poderiam desenvolver pesquisas e experimentações no campo da psicologia experimental, da psiquiatria e da pedagogia.

Então, dois mitos que prevalecem até hoje na mente de todos são:

O mito de que o remédio para imaturidade é a Educação, e o mito de que os possuidores de alto grau de QI, serão naturalmente maduros.

Veja, por favor, as páginas vinculadas: “Educação não basta“, “Os generais de Hitler“, “Identificando o comportamento imaturo“, “O mito do QI“, “Dificuldades da Psicanálise” e “Caminho da maturidade social“.

Rubem Queiroz Cobra

Página lançada em 07-02-2022.

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Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. – Maturidade e imaturidade na prática. Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2022.