Caminho da Maturidade Social

Hoje: 06-10-2022

Página escrita por Rubem Queiroz Cobra
Site original: www.cobra.pages.nom.br

A imaturidade é a doença crônica que apequena a nós brasileiros. Com o desejo sincero de escrever algo que contribuísse para reverter esse mal e colaborasse para o engrandecimento do nosso país, não tive dúvida de que era na erradicação da imaturidade que eu deveria me concentrar. Chegar a um livro em que eu pudesse reunir o essencial sobre maturidade e imaturidade social tornou-se, durante alguns anos, o meu objetivo. Minhas primeiras conclusões apareceram em meu site Cobra Pages em 26/11/2008 com o título Maturidade Mental e Maturidade Pessoal.

Os tópicos apresentados neste livro foram pesquisados e incorporados ao meu site Cobra Pages ao longo de vários anos. Conforme aprofundava minha pesquisa, a página publicada foi revisada sucessivamente, em 20/11/2011 e 18/2/2015, para alterações no título, atualização e melhor distribuição da matéria. Meu estudo acompanhou desde as descobertas da neurofisiologia no fim dos anos oitenta até as arrojadas pesquisas mais recentes. Minha ideia foi inicialmente a de propor aos Orientadores Educacionais que criassem uma atividade extracurricular que chamei de Formação Comportamental, a qual consistiria em práticas destinadas a alargar a compreensão dos alunos sobre os problemas sociais, e os educariam para um comportamento aprimorado e maduro. Lições do essencial da psicologia fariam, também, parte do programa, e isso não seria nenhuma novidade, pois essa disciplina estava incluída nos currículos escolares em países da Europa e nos Estados Unidos.

Em 1988, atendendo cortesmente a um pedido meu, a American Psychological Association (APA) enviou-me alguns dados que então eram recentes. A Associação tinha como afiliados seus, em 1986, um total de 929 professores de psicologia de escolas secundárias. Juntamente com essa informação, a APA enviou a cópia de um relatório apresentado por Rachel G. Ragland, da Universidade de Columbia, na convenção da APA realizada em agosto de 1987, em Nova York. A autora ressalta o rápido crescimento da psicologia como parte do ensino de segundo grau nos vinte anos precedentes. Informa que os professores são, em sua maioria, formados em estudos sociais com mestrado em educação ou orientação, mais que em psicologia, e que seu ensino coloca o autoconhecimento e a autocompreensão tão importantes quanto o desenvolvimento da capacidade para o relacionamento interpessoal.

Agradeço aos psicólogos de Belo Horizonte que se dispuseram a me ouvir quando lá fui, na fase em que trabalhava a primeira ideia sobre o problema da imaturidade coletiva, que foi a minha campanha pelo ensino da psicologia nas escolas. Entre eles, contei com a atenção do psiquiatra Halley Alves Bessa e do seu primo psicólogo Pedro Parafita de Bessa, ambos líderes a nível nacional da luta pela difusão da psicologia, da sua regulamentação como profissão e da criação dos cursos de psicologia nas universidades.

Em Brasília fui igualmente bem recebido pela equipe de orientadores educacionais para duas palestras no Colégio Marista, no colégio Santo Antônio, no Dom Bosco e outros. Minhas palestras eram gratuitas, mas era um prazer falar para ouvidos atentos de pessoas inteligentes, geralmente interessadas nos progressos da Pedagogia. Após os contatos havido, eu percebi com mais clareza que, na época, faltaria um número suficiente de professores e técnicos com conhecimento e experiência para o ensino de uma disciplina que, no Brasil, praticamente estava ainda em seu nascedouro. Entendi que o problema do atraso do País, comparado a outras nações, não seria solucionado por meio do ensino, portanto sua solução não estava na área pedagógica. Parece ter raízes no caráter do próprio brasileiro.

Grandes novidades surgiram nos anos 1980 no campo da neurofisiologia, particularmente quanto ao funcionamento do cérebro, com respeito à motivação, aos vícios, à determinação no agir, à depressão etc. Era, portanto, um vasto conjunto de elementos a serem apreciados quanto à sua influência no comportamento humano e a profissão de psiquiatra se enriquecia de novas ferramentas de terapia.

Meus estudos, para que pudessem incorporar essas novidades ao meu projeto, envolveram uma viagem de dupla finalidade aos Estados Unidos, feita para visitar meus filhos que lá estudavam e para conhecer um pesquisador de renome, o Dr. Conan Kornetsky, neurocientista da Universidade de Boston, cujas pesquisas haviam sido mostradas em um vídeo por uma TV brasileira. Essa visita ensejou um contato compreensivo e amigável da parte do cientista, hoje já falecido. Na ocasião, ele aprofundava sua pesquisa sobre as sinapses nervosas. Fica aqui consignado o meu agradecimento a ele pela sua acolhida e pelo presente que ele me fez de vários trabalhos, seus e de colegas, publicados sobre o assunto. Agradeço também à Dra. Ann McKee, do Laboratório de Psicologia Experimental da mesma Universidade, que foi igualmente atenciosa, chegando a despender algumas horas do seu tempo para me demonstrar suas pesquisas de elementos químicos, como o magnésio, no funcionamento do cérebro de camundongos. Entre risos, mostrou-me em suas mãos os sinais das mordidas dos bichinhos ao serem manipulados por ela.

As descobertas neurofisiológicas que se sucediam apontavam um futuro muito mais ativo para a psicologia em ação comum com a psiquiatria habilitada ao estudo de interferências fisiológicas no cérebro com chances de promover a eficácia maior de suas aptidões. Em um esforço maior no combate à imaturidade que permeia todas as camadas sociais no País, a Pedagogia, pelo seu passado assoalhado de investigações e grandes descobertas pedagógicas realizadas por notáveis educadores e teóricos da educação, como Jean-Jacques Rousseau, Maria Montessori, Johann Pestalozzi, Jean Piaget, Paulo Freire e John Dewey, que defendia a democracia e a liberdade de pensamento como instrumentos para a maturação emocional e intelectual das crianças, terá um papel insubstituível no que diz respeito às práticas de treinamento mental.

Outra poderosa aliada seria a religião. As mais estruturadas poderão criar cursos paroquiais orientados para os tópicos mais diretamente envolvidos na maturidade social, como a “empatia”, que se opõe ao racismo, ao preconceito, ao orgulho e tantos outros vícios característicos da imaturidade.

A todos que me ouviram, me ajudaram com seu aconselhamento e generosamente me estimularam com críticas favoráveis, fica aqui registrado o meu profundo agradecimento.

Veja, por favor, as páginas vinculadas: “Maturidade e Imaturidade na Prática“, “Identificando o Comportamento Imaturo“, “Educação Não Basta“, “O Mito do QI“, “Os Generais de Hitler“, “Dificuldades da Psicanálise“.

Rubem Queiroz Cobra

Página lançada em 07-02-2022.

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Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. – Caminho da Maturidade Social. Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2022.