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THOMAS MORE

Vida, filosofia e obras de Thomas More - I

Página escrita por
Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

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São Thomas More, mártir, patrono dos advogados, Lorde Chanceler da Inglaterra, escritor e filósofo, nasceu em Londres, a 7 de fevereiro de 1477, - o ano seguinte ao da impressão do primeiro livro na Inglaterra, - e morreu decapitado em Tower Hill, a 6 de julho de 1535 por recusar o anglicanismo. Foi reconhecido no início do século XVI como o maior jurista, humanista cristão e intelectual clássico de seu tempo.

Infância e juventude. Thomas foi o único filho sobrevivente de Sir John More, e de sua primeira mulher Agnes, filha de Thomas Graunger. Seu pai, um próspero e influente advogado nos tribunais, elevado a Cavaleiro e Juiz da bancada do Rei, era um homem ativo e espirituoso; casou quatro vezes, a última vez às vésperas de completar 70 anos.

More nasceu em Milk Street, uma área residencial próspera do movimentado bairro comercial da cidade, onde seu pai viveu a maior parte de sua vida, não se conhecendo mais a exata localização da casa.

Seus primeiros estudos, entre os 7 e 12 anos, foram na St. Anthony's School, em Threadneedle Street, que estava entre as melhores escolas primárias de Londres. O Diretor da escola impressionou-se com o desempenho escolar e a liderança de Thomas More entre os colegas e quis projetá-lo socialmente. Valendo-se de sua amizade com John Morton, Arcebispo de Canterbury e Lorde Chanceler da Inglaterra e com a aprovação e a ajuda do influente pai do jovem, conseguiu que o Arcebispo admitisse Thomas entre seus criados. Dos 12 aos 14 anos, como um pajem no palácio do Arcebispo, More conheceu as mais altas personalidades do reino e aprendeu lições incomparáveis de política e trato social.

Reconhecendo a inteligência e o bom caráter de seu jovem criado, o Chanceler disse certa vez aos seus convivas: "Esta criança aqui, que serve a mesa, será um grande homem, quem viver verá". Por volta de 1491 enviou-o a estudar em Oxford, onde More se alojou no Canterbury Hall (posteriormente absorvido pelo Christ Church).

Nessa universidade More esteve por dois anos, de 1491 a 1493, entre os 14 aos 16 anos de idade. Seu pai lhe dava uma mesada suficiente só para sua manutenção e, sem poder gastar com diversões, aplicava-se exclusivamente ao estudo, dominando o Latim e estudando exaustivamente Lógica. Em Oxford fez inúmeros amigos os quais elogiavam seu domínio do grego e sua eloqüência tanto em latim como em inglês. Além dos clássicos ele estudou francês, história e matemática, e aprendeu a tocar flauta e viola.

Oxford estava dividida pela nova disputa que nascera no Renascimento italiano: o valor da língua e dos escritos da Grécia antiga. O novo interesse pela língua grega foi trazido para Oxford por professores de formação italiana. More ficou do lado dos que desejavam aprender o grego, cujo professor era o erudito William Grocyn, que de volta da Itália alguns anos antes, começara a ensinar grego em Oxford, e de Thomas Linacre, que, assim como Grocyn, havia estudado na Itália. Do mesmo lado estava outro ilustre aluno de Grocyn, o jovem John Colet que mais tarde seria o confessor e guia espiritual de More. Inspirados no Humanismo, esses homens se colocavam apaixonadamente contra o reacionarismo medieval. Ficaram conhecidos como "Os Reformadores de Oxford". Sem nenhuma dissensão com Roma, eles no entanto desejavam uma aplicação prática dos princípios cristãos, e este foi o credo que inspirou Thomas More a escrever o seu Utopia, sua obra prima.

Ao fim de dois anos, alarmado com o rumo que tomava a educação do filho, e desejando que este fizesse estudos de resultados práticos, Sir John More fez com que interrompesse seus estudos em Oxford e o trouxe de volta a Londres para o estudo do Direito.

Em 1494, agora sob os olhos atentos do pai, More começou obedientemente sua iniciação nos mistérios de decretos e processos penais.

O ensino das Leis canônicas e das Leis civis era próprio das grandes universidades, mas as escolas de Corte de justiça, as chamadas "Inns of Court", e suas afiliadas, as escolas de prática forense , as "Inns of Chancery", é que realmente produziam advogados praticantes em Londres. Havia quatro "Inns of Court": a Lincoln's, a Gray's, a Inner Temple, e a Middle Temple, e várias "Inns of Chancery". Cada escola era uma sociedade altamente organizada com uma administração complexa, com vários funcionários de diferentes áreas e graus de autoridade, postos honoríficos e um Conselho de mestres.

De 1494 a 1495, Thomas More fez estudos preparatórios na New Inn. Apesar desta escola ser uma das mais exigentes em Londres, More agiu de modo a continuar seus estudos de grego, filosofia, literatura e teologia. Muito aplicado aos estudos, More, tornou-se mestre (reader) na própria New Inn por dois anos.

Aos 18 anos, após o tempo devido de permanência em New Inn, passou para a Lincoln's Inn, uma escola que lhe daria melhores oportunidades de aprendizado e prática, uma das quatro mencionadas sociedades oficiais que preparavam para a admissão nos tribunais, onde seu pai também havia estudado, e que era considerada a melhor escola de Direito da Inglaterra.

Em 1497 More foi apresentado ao humanista holandês Erasmo (Desiderius Erasmus), escritor de várias obras literárias que incluem o famoso "Elogio da Loucura". Erasmo era cerca de doze anos mais velho que More. O encontro se deu provavelmente em casa de Lorde Mountjoy, aluno e patrono daquele grande intelectual holandês. A intima amizade de More com Erasmo começou logo; e mais tarde Erasmo fez várias demoradas visitas ao amigo em sua casa em Chelsea. Foi na casa de More que Erasmo escreveu o seu famoso livro, além de um trabalho em co-autoria com o próprio More. Os dois amigos trocaram correspondência regularmente até que a morte os separou. More, Maquiavel e Erasmo têm sido considerados os pioneiros da Filosofia Política.

De Tomas More disse Erasmo que ele não era alto nem baixo, caminhava com o ombro direito mais levantado que o esquerdo, e parecia nascido para a amizade. Sempre com uma expressão de alegria amigável no rosto, estava sempre pronto a se divertir, fosse com o prazer de ouvir os intelectuais, ou com a ignorância alheia; como se conversar fosse, para ele, a melhor coisa da vida; tinha sempre um dito espirituoso e todos se deliciavam com sua prosa.

Terminou seus estudos em 1501, aos 23 anos, e no devido tempo começou sua experiência nos tribunais. Durante esse tempo de estudos e de professorado, More levava uma intensa vida de orações, buscando decidir sua verdadeira vocação na vida. Escrevia poesias em inglês e latim e lia com interesse as obras de Pico de Mirândola. Vários amigos dos tempos de Oxford vieram para Londres, o que ensejou More a prosseguir no seu interesse pela língua e literatura grega, ocupando-se com eles na tradução de textos clássicos. Com William Lily, versado em grego, More rivalizava na tradução de epigramas (um dito mordaz e picante) da antologia grega para o latim, e a obra conjunta foi publicada em 1518 (Progymnasnata T. More et Gul. Liliisodalium).

Irritado com as amizades do filho, que na sua opinião o levavam a grande perda de tempo, o juiz John More reduziu sua mesada a quase nada. Então, e por quatro anos, More residiu em uma cela no mosteiro dos rigorosos monges cartuxos de hábito branco, junto à Lincoln's Inn, em busca de formação espiritual, e para testar sua forte inclinação pelo sacerdócio.

Nesta época é clara, também, sua preocupação com uma ordem social cristã. Ele pronunciou, entre 1499 e 1503, uma série de conferências na igreja de sua paróquia, a igreja de St. Lawrence Jewry, sobre o De civitate Dei, de Santo Agostinho, palestras que atraíram a audiência de muitos intelectuais.

Erasmo conta que nesses quatro anos, de 1501-1504, More participava dos exercícios espirituais dos monges e usava um tipo de cilício, - uma camisa de pêlos pontudos colada à pele como mortificação, - da qual nunca se desfez totalmente, entregando-se a uma vida de oração e penitência. Lia avidamente as Escrituras Sagradas e os Padres da Igreja, não dormia mais que quatro ou cinco horas, e tinha como leito uma prancha de madeira e um pedaço de tronco por travesseiro.

Não conseguia decidir se juntava-se aos Cartuxos ou aos Franciscanos Observantes, ou mesmo se desejava realmente a vida religiosa. Ao final, provavelmente com a aprovação de seu diretor espiritual o padre Colet, desistiu de ser padre ou religioso. Decidiu que serviria melhor a Deus como leigo. No entanto, nunca deixou o hábito de levantar cedo, orações prolongadas, jejum e de usar a camisa de pêlos. Desde então Deus permaneceu o centro de sua vida.

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Rubem Queiroz Cobra            

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada em
17/02/99

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Thomas More. COBRA.PAGES.nom.br, Internet, Brasília, 1999.
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