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Universidade de Heidelberg

 

Página escrita por
Rubem Queiroz Cobra.
Site original: www.cobra.pages.nom.br

 

Em 1386 Ruprecht I, Eleitor Palatino (príncipe que podia votar na eleição do Imperador para o Sacro Império Romano-germânico), após obter permissão do Papa Urbano VI, estabeleceu a universidade em sua cidade residencial, Heidelberg.

Situada no Grão-Ducado de Baden, na margem esquerda do Rio Neckar, Heidelberg tornou-se famosa devido à sua universidade – composta por quatro faculdades, teologia, medicina, direito e arte –, fundada nos moldes da Universidade de Paris. Sua biblioteca foi criada por meio de doações dos bispos, reitores e professores. Mais tarde, quando Otto Henry doou seus livros e manuscritos, todo o acervo passou a constituir a "Bibliotheca Palatina" (do Palatinado), considerada a mais valiosa da Alemanha. Santa Catarina foi a Santa padroeira da Universidade, e o dia consagrado a ela, 25 de Novembro, era data de comemorações.

Os primeiros professores vieram de Paris e Praga - expulsos de seus países de origem pelo cisma da Igreja Católica e por conflitos entre diferentes nacionalidades.

Nicolau de Cusa (1401-1464), estudou em Heidelberg, conheceu ali o nominalismo do mestre franciscano inglês Guilherme de Ockham (c. 1280-1349), que negava a validade dos universais (réplicas ideais dos objetos, na filosofia de Platão).

Em 1480, Rudolph Agricola um filósofo e homem de múltiplos talentos – desde a literatura até os estudos sobre jazidas minerais –, viajou a Heidelberg onde formou um círculo de seguidores.

 

Em abril de 1518, os monges agostinianos de Heidelberg realizaram um debate público em seu mosteiro, no qual Martin Lutero, membro da Ordem em Wittenberg, apresentou suas teses teológicas e filosóficas. Desde então, um número crescente de cidadãos e membros da Universidade se declararam a favor dos ensinamentos de Lutero

Por volta de 1556 o Eleitor Ottheinrich  transformou a universidade em uma instituição protestante. A partir de então Heidelberg evoluiu para um centro de ciência e de cultura europeia, impregnada da influências calvinista, e atraiu professores e alunos de toda a Europa. Em 1563, a Faculdade de Teologia contribuíram para a composição do famoso "Catecismo de Heidelberg". Então os dois últimos professores católicos renunciaram às suas cadeiras.

Outros nomes ilustres ligados à Universidade foram la Ramée e Althusius.

Filósofo e humanista francês Pièrre de la Ramée,  de 1568 a 1570 lecionou matemática em Heidelberg,

Johannes Althusius, jurista constitucionalista e filósofo do Direito alemão, por volta de 1595, após complementar seus estudos de Direito e Lógica em Genebra, influenciado pelo calvinismo, foi estudar teologia em Heidelberg..

A idade de ouro da universidade durou até 1618, ano do começo da Guerra dos Trinta Anos, entre católicos e protestantes. As aulas foram suspensas várias vezes no período da guerra.

Em 1622 os católicos venceram em Heidelberg. Vitorioso, o duque Maximiliano da Baviera, líder da Liga Católica, deu a biblioteca da universidade ao papa Gregório XV, e o seu acervo em livros e documentos foi levado no ano seguinte para Roma.

A Universidade, transformada em estabelecimento católico, teve várias disciplinas confiadas a padres jesuítas.

Em 01 de novembro de 1652, após a Paz de Westphalia entre católicos e protestantes, o Eleitor do Palatinado, Carlos Louis (Karl Ludwig)  restaurou a Universidade como uma instituição protestante, e vários acadêmicos importantes foram convidados, entre eles Samuel Pufendorf, professor de Direito Natural e Internacional.

O Príncipe Eleitor, que reconstruiu seu país sobre as ruínas da Guerra dos Trinta Anos, desejando superar os conflitos religiosos funda o "Templo da Concórdia" para o culto comum das três confissões cristãs da época. Conheceu o Tratado teológico-político do filósofo Baruch Spinoza, no qual ele  expõe os dogmas de uma fé comum. O filósofo pareceu-lhe o homem ideal para ensinar Filosofia em sua Universidade. No ano de 1673, encarregou o geólogo Luís Fabritius de escrever a Spinoza oferecendo-lhe a cátedra de professor titular de filosofia. Mas o filósofo, receando ser pressionado pelos calvinistas em seu magistério, declinou do convite.

A decisão de Spinoza foi bastante feliz, porque os esforços para reconstruir e revitalizar a universidade terminaram frustrados, devido à destruição da cidade de Heidelberg pelo exército francês de Louis XIV em 1693. A universidade permaneceu fechada por vários anos. Seu verdadeiro soerguimento só aconteceu quando Heidelberg foi governada pelo Grão-Duque de Baden, Karl Friedrich, em 1803. A universidade foi reorganizada e se tornou uma instituição financiada com recursos públicos. Como homenagem ao Duque seu nome foi reunido ao nome do fundador, na designação da universidade, que passou a se audenominar Ruprecht-Karls-Universität.

Esse avivamento levou à descoberta da cidade por poetas, artistas e intelectuais famosos como Friedrich Hölderlin, Johann Wolfgang von Goethe, o jurista Anton Friedrich Justus Thibaut, impulsionador da criação de um novo Código Civil alemão; Johann Heinrich Voss, que fez uma muito apreciada tradução de Homero; Wilhelm Georg Friedrich Hegel, que lecionou dois anos e lá publicou sua Enciclopédia das Ciências Filosóficas; Max Weber, o fundador das ciências sociais modernas, além do filósofo Karl Jaspers, que lecionou em Heidelberg em dois períodos, antes e depois do regime nazista, e até 1948.

Em 1930, o embaixador americano na Alemanha, Jacob Gould Schurman, que havia estudado em Heidelberg, levantou fundos por meio de doações de amaericanos ricos como Walter P. Chrysler e John D. Rockefeller, para doação de um novo auditório para a Universidade, que foi construído em 1930/1931

A Universidade de Heidelberg" sofreu um grande impacto negativo, quando os nacional-socialistas, liderados por Adolf Hitler tomaram o poder: Como todas as outras universidades, foi forçada a seguir a linha do Partido. A proporção de professores e pesquisadores judeus era elevada. Apesar do quanto haviam contribuído para o brilho e a projeção da universidade, foram expulsos e perderam os seus postos. Em sua maioria foram contribuir para o desenvolvimento científico em outros países. Grande número de alunos também foram excluídos com base na política racial do regime. A escultura de Palas Atena, deusa da sabedoria, da guerra , das ciências e artes, filha de Júpiter, que existia no frontispício da universidade foi substituída pela águia do III Reich.

Os privilégios e o alto nível no Partido, dos defensores do regime infiltrados em Heidelberg, deu a ela a reputação de "universidade nazista".

No período do III Reich, o Eminente paleontólogo Karl Beurlen, desde 1937 presidente da Sociedade Alemã de Geologia  e que posteriormente foi professor na Escola de Geologia do Recife, teve sua obra didática "Die Geologie und Paleontologie" (1943). publicada pela Universidade de Heidelberg, afirma Paulo José Duarte em sua biografia daquele notável cientista (www.cobra.pages .nom.br / geo-beurlen.html).

No final do segundo conflito mundial a Universidade estava exteriormente intacta, mas em grande necessidade de preenchimento de seus quadros, uma vez que, perdida a guerra, os nazistas foram destituídos de todos os cargos e impedidos de publicar e pesquisar, e passaram a ganhar a vida em outras atividades. Graças aos esforços de Karl Jaspers removido de sua cátedra em 1937 pelo governo nazista, e reconduzido ao final da guerra, em 1945, a Universidade reabriu novamente as suas portas em 1946. Sobre a entrada principal, a escultura de Palas Atenea foi recolocada em seu lugar

Rubem Queiroz Cobra

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
24-02-2011

Direitos reservados.
Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Universidade de Heidelberg. Site www.cobra.pages.nom.br, INTERNET, Brasília, 2011.

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