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Escolher e oferecer VINHOS
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A cerâmica, a roda e o azeite estão, - mais o linho, o trigo e o vinho -, na raiz da civilização. Antigamente, e ainda no início da Época Moderna, o vinho era produzido nas lagariças, com que muitas casas – das pessoas mais abastadas – eram dotadas. Era guardado em jarros de cerâmica ou em tonéis de madeira e, como ainda não havia garrafas nem rolhas, era levado para a mesa de refeição em barriletes e pequenas ânforas. Não havia conhecimento suficiente para uma padronização dos vinhos, nem conhecimento dos fatores do solo que contribuem para melhorar a qualidade das uvas. Com a tecnologia de então, somente nos países que reuniam condições muito especiais era encontrado o bom vinho. Mas, apesar de todas essas dificuldades, saber oferecer um bom vinho a um convidado, e elogiar com conhecimento um bom vinho que era oferecido, sempre foi uma prova de civilidade, e algo que hoje se inscreve legitimamente nas Boas-Maneiras.É matéria que interessa principalmente às boas-maneiras à mesa, ao planejamento e agendamento das providências para o casamento no que diz respeito a jantares de homenagem e à recepção, aos brindes, e à perfeição de uma refeição completa. Vinho brasileiro e vinho estrangeiro. Contribuiu para que o vinho se tornasse acessível ao brasileiro o desenvolvimento relativamente rápido da indústria vinícola no Brasil durante o governo militar, na onda da grande expansão da agricultura, da agroindústria e da pesquisa agropecuária que ocorreu naquele período. O vinho, durante muito tempo produzido apenas no Sul do país por imigrantes europeus, ganhou produção moderna em grande escala, hoje inclusive no Nordeste e com produtos de qualidade crescentemente melhor. Por esse motivo a pessoa de menos posses não precisa se preocupar com os altos preços dos vinhos estrangeiros que vê nas prateleiras dos supermercados. É mesmo conveniente lembrar que a Europa somente manda para o Brasil o que não consegue colocar nos Estados Unidos e no Canadá e vende aqui por 5 a 10 Euros a garrafa, um produto que lá não venderia nem por um único dólar. Acrescente a isso até 140 % de imposto de importação e outros, e o comprador estará pagando uma exorbitância por um vinho ordinário, apenas por que é importado. Outro aspecto é o da honestidade. Se uma vinícola estrangeira substitui parte de seu equipamento, ou reforma o local onde esse equipamento funciona, as primeiras partidas de vinho da produção seguinte terá por destino, com certeza, os supermercados de um país tido por "menos exigente". E o mesmo acontece quando o clima, sempre problemático nos principais países produtores, provoca diferenças na qualidade do vinho e causa uma safra ruim. Podemos nos orgulhar da nossa indústria vinícola e da competência dos técnicos da EMBRAPA e de outros organismos de pesquisa e controle do vinho no Brasil. Se os brasileiros adquirirem os conhecimentos necessários para serem consumidores exigentes, as empresas nacionais sem dúvida estarão à altura da demanda. Medo do vinho. Os bons efeitos do vinho são proverbialmente conhecidos. Recentemente pesquisas na área de saúde indicaram uma nova propriedade benéfica, na prevenção da obstrução arterial. Porém, o vinho pode despertar reações orgânicas adversas, se é tomado impropriamente, tal como vinho doce com comida salgada, vinho deteriorado, etc. Provado e tomado corretamente, praticamente não existe prejuízo algum para quem o consome. Existem também pessoas alérgicas, e outras que têm problemas de saúde, para as quais o vinho é prejudicial. "Vinho dá dor de cabeça" ainda é uma frase comum. "Ele passou mal por causa do vinho", é outra. Essas frases deviam ser modificadas para "Vinho dá dor de cabeça, quando não se sabe escolhê-lo e como e quando tomá-lo". A pessoa perderá o medo dos efeitos do vinho se buscar, e puser em prática, os conhecimentos básicos sobre essa bebida e com certeza, se adotar o costume de consumi-lo, se sentirá recompensada com o novo hábito. Vinho e água. Pode-se dizer que a regra número um para se tomar vinho é que ele é bebido alternadamente com a água. Onde houver uma garrafa de vinho, deve haver uma jarra de água preferencialmente bem fria ou gelada, para ser tomada moderadamente, a espaços, ao longo da refeição. A principal razão para isso é que o vinho pode ser refrescante, mas não é hidratante. Ao contrário, o álcool que ele contém é um diurético, ou seja, provoca a eliminação da água do organismo e a conseqüente quebra do balanço de líquidos do corpo, principal causa da dor de cabeça e da ressaca. Outro motivo é querer remover com a água o sabor da comida na boca, a intervalos durante a refeição, quando se deseja gozar separadamente o sabor de um vinho muito especial. O anfitrião ou o garçom oferecerão ou encherão primeiro os copos de água, e só depois encherão o copo de vinho. Quando você dispõe a louça, os talheres e os copos na mesa de refeição, deve colocar no mínimo dois copos: um maior para água e outro para o vinho. Servir o vinho à mesa sem esse cuidado indicará falta de conhecimento do assunto. Vinho e comida. O vinho integra a refeição como se fosse um dos molhos servidos, e por isso existem vinhos mais adequados para cada tipo de prato. O vinho é secundário à refeição, e por isso a Etiqueta tem por regra que não se leva o vinho à boca logo após levar a comida. Esta precisa antes ser mastigada, para em seguida receber o vinho que então se mistura a ela e faz seu trabalho de enobrecer o paladar do que se come. É óbvio que o vinho servido à mesa não se destina a ser apreciado isoladamente. Por isso o vinho só poderá ser elogiado depois de aferido o seu desempenho junto à comida, e não logo após uma degustação isolada. A página Os pratos e os vinhos contem o que comumente é aconselhado sobre quais pratos e quais vinhos fazem boa combinação. São exceções o vinho especial para o qual a comida é um acompanhamento, e os vinhos aperitivos que têm a função estimulante de criar a fome e a sede que serão satisfeitas com a refeição e as bebidas à mesa. Que é um "vinho bom". É bom o vinho que tem um paladar agradável, não é amargo nem ácido, nem queima a boca como o álcool ou trava a língua com seu tanino (é macio ou redondo); exala um cheiro (tem aroma, nos vinhos brancos, ou buquê, nos vinhos tintos) semelhante ao cheiro de uma fruta ou da uva da qual foi feito (é frutado e quanto melhor o vinho, mais duradoura a sensação olfativa); e é medianamente encorpado (tem densidade, grossura, corpo, espessura, perceptíveis ao paladar em grau comparável ao do café forte). Porém a acidez pode ser aumentada no vinho utilizando-se uvas verdes. Esse é um costume principalmente português, a fim de ter um vinho que acompanhe bem o bacalhau, o chamado Vinho Verde. Os portugueses também aumentam o tanino e consequentemente a adstringência do vinho, fermentando a uva com casca. A bebida assim preparada é apreciada por algumas pessoas para o acompanhamento de carnes muito suculentas e gordurosas. Que é um "vinho ruim". A falta das qualidades acima indicadas faz que o vinho queime a mucosa da boca com sua acidez ou grau alcoólico elevado, anule o paladar com sua adstringência (efeito do tanino da casca da uva) ou seu gosto amargo, e ofenda o olfato com cheiro de vinagre, de álcool ou de qualquer natureza estranha (de ervas, de cortiça, rançoso, etc.), ou que ele seja, ao contrário, aguado e sem aroma algum, e de pouco ou nenhum sabor. O álcool próprio do vinho não domina os outros elementos de modo que o seu cheiro predomine sobre o buque. Quando isto acontece, com certeza houve adição de álcool ou de cachaça ao vinho, um procedimento que não é proibido, mas que faz diferença para a saúde de quem toma. Escolhendo o vinho. O dono da casa deve oferecer um vinho escolhido com o mesmo cuidado e apreço que tem sua esposa ao cuidar dos pratos para um jantar que o casal oferece a amigos. Os elogios pela refeição serão para ela, os elogios pela boa qualidade da bebida serão para ele. A escolha do vinho para comprar (sem que você possa prová-lo antes) envolve basicamente quatro fatores: a confiabilidade do produtor, a uva utilizada, o solo da região onde é cultivada, o índice pluviométrico dessa região no ano da colheita – sem levar em conta o preço. O vinho "honesto". É o vinho corretamente fabricado, de modo que um resultado ruim que eventualmente ocorra não será por culpa do fabricante, mas por problemas imprevistos quanto à qualidade da uva, pela ação bacteriana menos eficaz na fermentação devido a alterações do clima, e outros fatores que possam ocorrer alheios à sua vontade. Escolher o vinho de um fabricante tradicional e respeitado é uma garantia de que o vinho não fará mal ao consumidor, ainda que, em uma determinada partida ou safra, venha a ser pouco saboroso. Portanto, vinho honesto não quer dizer que ele seja bom, mas que provavelmente o será, porque seu fabricante tem reputação de honestidade. Escolhendo pela uva. A uva precisa ser doce, para dar um bom vinho. Quando é pouco doce, é necessário acrescentar açúcar ao mosto (uvas amassadas e postas a fermentar), a fim de fomentar a fermentação e ter um vinho de bom paladar. Os chamados vinhos suaves ou doces são obtidos de uvas muito doces.A pesquisa agropecuária no Brasil adaptou ao nosso clima e condições do solo muitas variedades européias que deram certo, e conservam seus nomes europeus. Para escolher um vinho com chances de acertar é fundamental conhecer pelo menos as principais variedades de uvas. O conhecimento sobre a qualidade das safras (ano em que os vinhos de uma certa região tiveram melhor qualidade por influência de fatores favoráveis do tempo) e o terroir (relação entre qualidade dos solos das regiões vinículas e os tipos das uvas que lá são produzidas) geralmente é para consultores e especialistas (sommeliers e enólogos) O que indicam a garrafa e o rótulo. Embora não possa indicar os vinhos bons, o formato da garrafa poderá ser um sinal de que ele não é dos bons. Existem basicamente dois tipos clássicos de garrafas: a que é reta e cilíndrica, chamada Bordalesa – cujo formato facilita reter a borra depositada pelos vinhos –, e a chamada Borgonhesa, que tem a parte superior cônica, sem nenhum ressalto entre o bojo e o gargalo, e é utilizada para vinhos que não deixarão resíduos. Garrafas cuja forma não é a do modelo tradicional para aquela linha de produto (de formato quadrado, com goteira, dotadas de alças, torcidas, etc.), podem ser uma tentativa de atrair o consumidor inexperiente. O rótulo da frente e o de trás precisam ser lidos com cuidado. Eles indicam se o vinho vem de uma seleção (mistura de uvas), ou se é de apenas um tipo de casta ou cepa), ou se é a combinação de duas ou três castas (o corte). Indicará o fabricante e também qual o aditivo para conservação do vinho que foi usado. Vinhos de pouca produção e boa qualidade geralmente não precisam de conservantes, mas não são encontrados em supermercados. Alguns detalhes a mais estão na Nota garrafas, rótulos e rolhas, . Experimentando o vinho. Quando, no restaurante, o garçom apresenta ao cliente a garrafa do vinho solicitado, este tem alguns segundos para aprová-lo, e por isso é bom que peça algum vinho que já conheça. Então basta conferir se realmente se trata do produto que solicitou. Não é o momento para experiências. Em seguida ele deverá testar o vinho daquela garrafa em particular e pode começar pela condição da rolha. Aprovada a marca, o garçon abre a garrafa e apresenta a rolha ao cliente. A rolha dá pistas para o estado em que está o vinho. Se ela está molhada (e manchada, se for vinho tinto) no máximo até a metade, isto quer dizer que a garrafa foi mantida deitada, como devido, com a rolha sendo constantemente umedecida. Se a cortiça estiver ressecada, provavelmente o sabor do vinho está alterado por oxidação, já que uma rolha nessas condições permitirá a entrada de ar na garrafa. O ar carrega fungos e bactérias. Alguns fungos alojados na rolha passam ao vinho um cheiro de cogumelo, ou cortiça, cheiro rançoso, cheiro de plantas, e outros. Alguns enólogos – especialista que opina sobre vinhos para fins comerciais –, referem-se a cheiros assustadores como "cheiro de rato", de "suor de cavalo", de "queijo estragado", de gerânios, etc. O cheiro de queijo é causado pelo ataque ao açúcar remanescente no vinho pela bactéria da fermentação lática. Não havendo da parte do cliente objeções após o exame da rolha, o garçom coloca
um pouco de vinho no seu cálice. Como visto na Página Ao Restaurante, cabe
ao anfitrião, provar a boa condição do vinho antes que seja servido aos seus convidados. Evidentemente, ele
não precisa seguir à risca o ritual de um enólogo, assim como não imitaria um provador oficial de café antes
de tomar um cafezinho. Portanto, não vai meter o nariz dentro do copo para sentir o buquê, nem levantar o
cálice para olhar o vinho contra a luz, nem outro qualquer gesto espetacular de "entendido". Ao contrário, não
fará mais que oscilar um pouco o copo para provocar maior exalação das essências, e sentir o perfume, estimar
a densidade ou corpo do vinho, e sorver um pouco dele para sentir o paladar. Estes procedimentos, feitos com
discrição, serão suficientes para o diagnóstico. Por meio deles, verifica a limpidez do vinho, se está turvo
ou contem impurezas; avalia se o vinho é "macio" ou "redondo", isto é, se tem um bom teor de glicerina
natural. A presença do glicerol, cujo teor no vinho varia de
Feita a prova visual, o anfitrião volta ao o teste olfativo, já iniciado com o exame da rolha. Procura sentir e identificar o cheiro (se diz bouquet do vinho tinto, e aroma, do vinho branco) que o vinho libera com mais intensidade quando é agitado levemente no cálice. Além dos cheiros já mencionados, o odor de vinagre (ácido acético) indicará que o vinho foi oxidado e não serve para consumo; o cheiro de álcool indicará que não é um vinho puramente de uva, mas que, na sua fabricação, teve adição de álcool ou de açúcar de cana; a falta de aroma indicará que o vinho passou do prazo e está "morto". Algumas pessoas apreciam o aroma "foxado" ou aroma forte de uva. As variedades labruscas apresentam teor mais elevado de antranilato de metila, substância que produz esse aroma, por isso ele é mais comum nos vinhos mais populares. Para um jantar formal, um vinho fortemente foxado deve ser evitado, verificando-se a uva da qual foi feito. Finalmente, após os testes olfativo e visual, o anfitrião faz a prova do paladar ou degustação. Verifica a acidez do vinho, se tolerável ou excessiva. Os ácidos geralmente presentes no vinho são o tartárico, o málico e o cítrico, que são trazidos pela própria uva, e mais os ácidos succínico, lático, acético e pirúvico que são produzidos durante a fermentação. O tanino proveniente das sementes, da casca e bagaço é mais forte nos vinhos tintos, mas são quase inexistente nos vinhos brancos. O excesso de tanino nos vinhos tintos torna-os de paladar desagradavelmente rascantes. Os microorganismos sensíveis ao vinho tendem a morrer quando o teor alcoólico aumenta na fermentação, como é o caso dos fungos: o problema é que eles morrem, mas deixam gosto e cheiro de mofo no vinho. Filtros de diatomáceas incorretamente utilizados pela indústria podem deixar no vinho o gosto de argila, que é muito parecido ao gosto de cortiça causado por fungos. Se o mesmo gosto estiver em mais de uma garrafa da mesma partida, é possível que o problema seja com o filtro, porque a contaminação com fungos tende a ser isolada. Como o restaurante pode nada ter que ver com a ocorrência de algum desses problemas, quando o anfitrião os detecta ao fazer a prova do vinho, deve objetar ao garçom ou somelier (o especialista responsável por servir vinhos) o problema constatado e pedir que ele prove para conferir se a reclamação procede. Ele poderá argumentar em contrário, se achar que o cheiro detectado é próprio de algum aditivo usado pela marca de vinho pedida pelo freguês. Não sendo esse o caso, o somelier reconhecerá o problema e trocará a garrafa. É, porém, uma seríssima questão de boas-maneiras que esse entendimento seja feito com discrição, pois, como dito acima, é muito provável que o estabelecimento não tenha culpa, mas efetuará a troca, e haverá de devolver toda a partida ao fornecedor. Quando uma senhora é a anfitriã, em lugar de fazer a degustação, ela geralmente solicita ao somelier para fazê-la. Ele tem um copinho especial para essa tarefa. Ajuda do sommelier. O empregado que lhe apresenta a carta de vinhos pode não ser um garçom comum, mas o sommelier ou encarregado dos vinhos, chefe dos vinhos. Ele geralmente se veste diferente do resto da equipe de atendentes. O sommelier pode ter uma pequena taça rasa de metal, o tastevin ou tate-vin pendurada por uma fita ou uma corrente ao pescoço, a qual serve exatamente para provar o vinho e é a sua ferramenta de trabalho. Ele apresenta ao cliente o vinho solicitado, apoiando o fundo da garrafa na palma de sua mão esquerda, enquanto levanta levemente o gargalo com a mão direita. O cliente pode solicitar prviamente ao sommelier que escolha o vinho para ele, e que o prove. Ao fazê-lo, deve indicar a faixa de preços que lhe convém, e isto pode ser feito apontando na carta de vinhos o preço conveniente que estiver ao lado de alguma marca, e dizer a ele confidencialmente: "nesta faixa de preços". Mas, atenção: somente peça essa ajuda depois de escolher o que vai comer, para que o sommelier saiba o que deve aconselhar como combinação perfeita entre os pratos e o vinho.
Temperatura do vinho. O vinho é mais agradável ao paladar quando tomado em torno de 15 graus centígrados os tintos, e mais frio, entre 5 e 12 graus, os vinhos brancos. Nos países quentes como o nosso, deixar o vinho adquirir a temperatura ambiente (chambrer) que geralmente é alta, vai torná-lo desagradável. Este é um problema face a outra recomendação relativa aos vinhos tintos: a garrafa destes deve ser aberta pelo menos uma hora antes do consumo. Apenas o conhaque é tomado na temperatura ambiente, e inclusive, nos climas frios, ele é aquecido nas mãos, motivo de seu copo tender para a forma esférica e não ter pé. Uso do decanter. [masc.] Jarra com formato especial para decantar líquidos, permitindo que se depositem no fundo partículas, por força da gravidade, e que a parte líquida possa ser vertida, ficando as impurezas retidas na parte bojuda antes do gargalo estreito, Fig. 76. Também usado para arejar uma bebida, como o vinho, ou para purificá-lo de impurezas, antes de ser servido.
Vinho3- escolha Apresentação. Gesto típico com que o garçom apresenta ao cliente a garrafa do vinho solicitado, apoiando o fundo da garrafa na palma de sua mão esquerda, enquanto levanta levemente o gargalo com a mão direita. Se é identificada como o produto desejado, o garçom é autorizado a abri-la para que o vinho seja degustado. Como dispõe apenas de alguns segundos para aprová-lo, é bom que peça algum vinho que já conheça. Então basta conferir se realmente se trata do produto que solicitou. Não é o momento para experiências. Garrafa. Existem basicamente dois tipos clássicos de garrafas: a longa, reta e cilíndrica, chamada Bordalesa – cujo gargalo estreito permitia reter no bojo a borra depositada pelos vinhos de Bordeaux –, e a chamada Borgonhesa, que tem a parte superior cônica, sem nenhum ressalto entre o bojo e o gargalo, utilizada para vinhos como os da Borgonha, que não deixavam resíduos, Fig. 77. Alguns vinhos têm garrafas achatadas em forma de um disco e com gargalo curto, alguns outros vêm em garrafas de bojo quase esférico e gargalo alongado, mas a grande maioria se apresenta nas duas formas tradicionais, a bordalesa e a borgonhesa Como comprar. Embora não possa indicar infalivelmente os vinhos bons, o formato da garrafa poderá ser um sinal de que ele não é dos bons. O fundo da garrafa pode ser plano ou ter uma reentrância curta ou profunda, que permitirá ao garçom segurar a garrafa pela base com o apoio do polegar. Esse detalhe que encarece a garrafa pode sinalizar um conteúdo de melhor qualidade, em relação ao contido nas de fundo plano. Garrafas cuja forma não é a do modelo tradicional para aquela linha de produto (de formato quadrado, dotadas de alças, torcidas, etc.), podem ser uma tentativa de atrair o consumidor inexperiente. Algumas garrafas apresentam uma goteira fina ao redor da boca, que não é a goteira tradicional situada a dois a três milímetros abaixo. Essa alteração em geral não aparece nas garrafas dos melhores vinhos. Além desses indícios, a escolha do vinho para comprar (sem que se possa prová-lo antes) envolve basicamente quatro fatores: a confiabilidade do produtor (é uma marca tradicional?), a uva utilizada (é a da sua preferência?), o solo da região onde é cultivada (tem fama de ser bom para o cultivo da uva?), o índice pluviométrico dessa região no ano da colheita (choveu pouco no ano da produção?) – sem levar em conta o preço. Rótulos. O rótulo principal, chamado de frente, e o rótulo de trás – este geralmente menor –, trazem muitas informações sobre o produto e precisam ser lidos com cuidado. O de frente indica o nome do produtor, a região de origem, onde o produto foi engarrafado e se o vinho vem de uma seleção (mistura de uvas), ou de apenas um tipo (vinho varietal), ou ainda se é a combinação de castas buscando somar qualidades (o corte). O rótulo secundário ou de trás conterá mais detalhes sobre o fabricante, o endereço do distribuidor ou importador, dará mais informações sobre as uvas utilizadas, o aditivo para conservação do vinho – se algum tiver sido empregado –, e o com que prato faz uma associação ideal. Vinhos de pouca produção e boa qualidade geralmente não precisam de conservantes, mas não são encontrados em supermercados. Vinho4- teste Rolhas. A rolha é na quase totalidade dos vinhos feita de cortiça, sendo poucas as marcas que utilizam rolhas de material plástico que imita a cortiça. Com certeza os fabricantes de bons vinhos preferirão para estes o tipo tradicional, de cortiça. A cortiça para as rolhas é produzida em Portugal. Ela é a casca do sobreiro, uma manta tão grossa quanto o comprimento de uma rolha., e que essa árvore renova a cada nove anos. A rolha tem impresso o nome do fabricante, possivelmente as armas da família, e alguns códigos. No restaurante, o garçom abre a garrafa do vinho solicitado pelo cliente, e lhe apresenta a rolha para que a examine. As condições da rolha são indicadores para a condição em que está o vinho. Se ela está molhada (e manchada, se for vinho tinto) no máximo até a metade, isto quer dizer que a garrafa foi mantida deitada, como devido, com a rolha sendo constantemente umedecida. Se a cortiça estiver ressecada e esfarelar ao ser removida ou apertada entre os dedos, provavelmente o sabor do vinho está alterado por oxidação, já que uma rolha nessas condições permitirá a entrada de ar na garrafa. O ar carrega fungos e bactérias. Alguns fungos alojados na rolha passam ao vinho um cheiro rançoso, ou de cogumelo, cortiça, cheiro de plantas, e outros. Um problema com a rolha de cortiça é que elas ressecam, perdem a aderência ao gargalo, e como resultado o ar penetra na garrafa oxidando e inutilizando o vinho. Por esse motivo as garrafas não podem ser guardadas em posição vertical, nas adegas. Porém as rolhas também reagem com o vinho e podem passar gosto de cortiça para o líquido, quando a garrafa é guardada por muito tempo na posição inclinada. Ao comprar uma garrafa de vinho é conveniente fazer pressão com o polegar sobre a rolha, para ver se ela está firmemente presa, ou se resvala alguns milímetros para dentro da garrafa, sinal de que a oxidação do vinho com certeza já aconteceu. As fissuras das rolhas, se a capa de estanho ou alumínio não está bem ajustada, vai abrigar microorganismos principalmente os fungos, responsáveis pela contaminação que dá ao vinho gosto de terra, ou de rolha (que pode ser confundido com cheiro semelhante provocado por fungos alojados na rolha). Uma das coisas a examinar na rolha é a correspondência dos dizeres desta com os rótulos pois, no caso de vinhos caros, a garrafa rotulada poderá ser reutilizada para um vinho barato em uma falsificação grosseira, mas a rolha, inutilizada da primeira vez que foi sacada da garrafa, teria que ser substituída. Por esse motivo o garçom deve remover a ponta da capa do gargalo e abrir a garrafa na presença do cliente. Aparência. Antes de encher o copo do cliente, o garçom coloca um pouco de vinho no seu cálice para que ele o prove quanto à aparência, o cheiro e o gosto. Quanto à aparência, verifica a limpidez do vinho, se está turvo ou contem impurezas; avalia se o vinho é “macio” ou “redondo”, isto é, se tem um bom teor de glicerina natural. A presença do glicerol, cujo teor no vinho varia de 5 a 10 g/L) -, é indicada pela aderência e escorrimento de algumas gotas do vinho na superfície interna do copo (às vezes criando linhas verticais) depois que é levemente agitado no movimento do teste. Temperatura. O vinho é mais agradável ao paladar quando tomado em torno de 15 graus centígrados os tintos, e mais frio, entre 5 e 12 graus, os vinhos brancos. Nos países quentes como o nosso, deixar o vinho adquirir a temperatura ambiente (chambrer) que geralmente é alta, vai torná-lo desagradável. Este é um problema, face a outra recomendação relativa aos vinhos tintos: a garrafa destes deve ser aberta pelo menos uma hora antes do consumo. Nos climas quentes apenas o conhaque é tomado na temperatura ambiente, e inclusive, nos climas frios, ele é aquecido nas mãos, motivo de seu copo tender para a forma esférica e não ter pé. Cheiro. Através do teste olfativo, o consumidor procura sentir e identificar o cheiro liberado pelo vinho (se diz bouquet para o tinto, e aroma para o branco). Quando ele é agitado levemente no cálice exala um cheiro semelhante ao cheiro de uma fruta (é frutado e quanto melhor o vinho, mais duradoura a sensação olfativa). O odor de vinagre (ácido acético) indicará que o vinho foi oxidado e não serve para consumo; o cheiro de álcool indicará que não é um vinho puramente de uva, mas que, na sua fabricação, teve adição de álcool ou de açúcar de cana; a falta de aroma indicará que o vinho passou do prazo e está “morto”. Alguns vinhos apresentam o aroma “foxado”(V.p.f.) ou aroma forte de uva, comum nos produtos mais populares. As variedades labruscas apresentam teor mais elevado de antranilato de metila, substância que produz esse aroma. O cheiro de queijo é causado pelo ataque ao açúcar remanescente no vinho pela bactéria da fermentação lática. Degustação. É o teste final, que se faz após os testes olfativo e visual. Consiste na prova do paladar ou gosto do vinho. É bom o que tem um paladar agradável, não é amargo nem ácido, nem queima a boca como o álcool ou trava a língua com seu tanino (é macio ou redondo); e é medianamente encorpado (tem densidade, grossura, corpo, espessura, perceptíveis ao paladar em grau comparável ao do café forte). Através dele verifica-se principalmente a acidez da bebida. O gosto é afetado pelos ácidos geralmente presentes no vinho: o tartárico, o málico e o cítrico, que são trazidos pela própria uva, e mais os ácidos succínico, lático, acético e pirúvico que são produzidos durante a fermentação. É afetado também pelo tanino proveniente das sementes e da casca; é mais forte nos vinhos tintos, e quase inexistente nos vinhos brancos. O excesso de tanino nos vinhos tintos torna-os de paladar desagradavelmente rascante. Os microorganismos sensíveis ao vinho tendem a morrer quando o teor alcoólico aumenta na fermentação, como é o caso dos fungos. O problema é que eles morrem, mas deixam gosto e cheiro de mofo no vinho. Filtros de diatomáceas incorretamente utilizados pela indústria podem deixar no vinho o gosto de argila, que é muito parecido ao gosto de cortiça causado por fungos. Se o mesmo gosto estiver em mais de uma garrafa da mesma partida, é possível que o problema seja com o filtro, porque a contaminação com fungos tende a ser isolada. A acidez pode ser aumentada no vinho utilizando-se uvas verdes. Esse é um costume principalmente português, a fim de ter um vinho que acompanhe bem o bacalhau, o chamado Vinho Verde. Os portugueses também aumentam o tanino e consequentemente a adstringência do vinho, fermentando a uva com casca. A bebida assim preparada é apreciada por algumas pessoas para o acompanhamento de carnes muito suculentas e gordurosas. Álcool. O álcool próprio do vinho não domina os outros elementos de modo que o seu cheiro predomine sobre o buquê. Quando isto acontece, com certeza houve adição de álcool ou de cachaça ao vinho, Esse procedimento que não é proibido, porém faz diferença para o paladar e a saúde de quem o toma. Recusar. De má qualidade é o vinho que queima a mucosa da boca com sua acidez ou grau alcoólico elevado, anula o paladar com sua adstringência e amargor (efeito do tanino da casca da uva); e ofende o olfato com cheiro de álcool, de vinagre, ou de qualquer natureza estranha (de ervas, de cortiça, rançoso, etc.), ou que seja, ao contrário, aguado e sem aroma algum, e de nenhum sabor. Se o vinho não está em condições de consumo, o cliente de um restaurante pode recusá-lo. Esta recusa precisa da chancela do sommelier (o especialista responsável por servir vinhos). Cheiros de rolha, de mofo – que se assemelha a cheiro de papelão –, de ácido acético, que é cheiro de vinagre, são muito distintos e claros, e o cliente não precisa recear estar enganado ao fazer sua reclamação. Deve supor que o restaurante devolverá a garrafa aberta ao fornecedor. É, porém, uma seriíssima questão de Boas-maneiras que esse entendimento seja feito com discrição, pois é muito provável que a culpa não seja do estabelecimento. ============ Vinho5- servir
É o anfitrião que cuida do serviço do vinho. O dono da casa deve oferecer um vinho escolhido com o mesmo cuidado e apreço que terá a sua esposa ao cuidar dos pratos para um jantar que oferecem a amigos. Os elogios pela refeição serão para ela, os elogios pela boa qualidade da bebida serão para ele. Cabe ao anfitrião, provar a boa condição do vinho antes que seja servido aos seus convidados. Evidentemente, ele não precisa seguir à risca o ritual de um enólogo – especialista que opina sobre vinhos para fins comerciais –, assim como não imitaria um provador oficial de café antes de tomar um cafezinho. Portanto, não vai meter o nariz dentro do copo para sentir o buquê, nem levantar o cálice para olhar o vinho contra a luz, nem outro qualquer gesto espetacular de “entendido”. Ao contrário, não fará mais que oscilar um pouco o copo para provocar maior exalação das essências, e sentir o perfume, estimar a densidade ou corpo do vinho, observar as gotas de glicerol, e sorver um pouco dele para sentir o paladar e a temperatura. Estes procedimentos, detalhados abaixo, serão suficientes para o diagnóstico, e poderão ser realizados com discrição. O anfitrião não serve o vinho a um convidado segurando a garrafa com o polegar apoiado no cone da sua base, como os garçons no restaurante, mas pelo bojo, próximo ao gargalo. Ele deve cuidar permanentemente para que nenhum copo esteja vazio, particularmente os das senhoras que tradicionalmente não se servem jamais do vinho elas próprias. Como norma de Boas-maneiras, não se deixa a uma mulher o trabalho de abrir uma garrafa de vinho. Ao abrir, não remove a folha de metal que capeia a ponta do gargalo da garrafa. Em uma situação formal, evita-se fazer ruído ao retirar a rolha. Antes de servir, ele deverá testar o vinho daquela garrafa em particular e pode começar pela condição da própria rolha, como acima descrito. Depois coloca um pouco de vinho em seu próprio copo antes de começar a servir, para verificar se a qualidade do vinho corresponde ao seu desejo. O anfitrião serve ele próprio o vinho aos convidados, mas pode delegar a um homem a um dos convidados servir o seu lado da mesa. Contrariamente aos pratos, que são servidos à direita, os vinhos são servidos pela esquerda de cada convidado. Nunca encher o copo até às bordas. Copos. Os copos de vinho no seu modelo clássico têm corpo bojudo suspenso por uma haste cuja base se expande em um círculo de diâmetro aproximadamente igual ao diâmetro da boca do copo. Diferem entre si, o que é destinado ao vinho tinto com uma vez e meia o volume do que é destinado ao vinho branco; o copo para água que acompanha os copos de vinho tem o dobro da capacidade do copo de vinho branco. O copo para o vinho do Porto é uma e meia vez o copo do licor e tem a metade do volume do destinado ao vinho branco em uma mesma coleção. Outra distinção existe para os copos de vinho tinto, aqueles com paredes mais abauladas, para valorizar vinhos de aromas mais fortes, tipo borgonha, chamado copo borgonhês, e o de paredes menos curvas, ou mesmo em funil, o copo bordalês, para um vinho tipo bordeaux, considerado menos aromático, Fig. 78. Entraram em moda copos de haste excessivamente longa e bojo volumoso, o que obrigou os donos de restaurantes do mundo inteiro a renovar seus cristais, com prejuízos para si e enormes lucros para os fabricantes. É admirável o que conseguem as técnicas de comercialização (marketing), pois não era de se esperar que copos em total desproporção com o tamanho dos talheres e da louça sobre a mesa, pudessem alcançar tal sucesso de vendas. Decanter. [masc.] Jarra com formato especial para decantar líquidos, permitindo que se depositem no fundo partículas, por força da gravidade, e que a parte líquida possa ser vertida, ficando as impurezas retidas na parte bojuda antes do gargalo estreito, Fig. 76. Também usado para arejar uma bebida, como o vinho, ou para purificá-lo de impurezas, antes de ser servido. Vinho-e-comida. A Etiqueta tem por regra que não se leva o vinho à boca enquanto a comida é mastigada, mas após a deglutição. O que fica de sabor da comida soma-se ao sabor do vinho e esta mistura faz seu trabalho de enobrecer o paladar do que se come. Para isto, os vinhos servidos devem acompanhar com propriedade cada prato de uma refeição completa. É óbvio que o vinho servido à mesa com a refeição não se destina a ser apreciado isoladamente. Ele integra a refeição como se fosse um dos molhos servidos, e por isso são buscados os vinhos mais adequados para cada tipo de prato. A inadequação, tanto tira o sabor da comida como também faz o próprio vinho parecer inútil e fora do contexto, e pode, inclusive, produzir náuseas (vinho doce com comida salgada). A combinação não é apenas quanto ao paladar, mas é também quanto às propriedades digestivas da bebida em relação aos pratos. Levadas ambas em consideração, basicamente os vinhos tintos secos combinam com massas e carnes vermelhas (carne de gado) e com carnes brancas de animais de caça (marreco, lebre, etc.)(prato principal, de digestão mais demorada), e o branco seco com peixes, frutos do mar, e com as carnes brancas em geral, como carne de vitela, porco e frango (primeiro prato, que é o mais leve). Carnes brancas que sejam produto de caça, como dito, pedem vinho tinto. Os vinhos doces (preferencialmente os meio-doce ou demi-sec) são servidos após a parte salgada da refeição completa: acompanham a sobremesa. Em qualquer situação, tanto os petiscos e pratos, como o vinho, são servidos primeiro os vinhos mais fracos (menos alcoólicos) e de sabor delicado (menos rascantes) e depois os mais fortes e densos (encorpados); e nessa sequência, se não estão na mesma categoria de preço e qualidade, o tinto deve ser o vinho de mais valor. Quando uma variedade de vinhos estrangeiros é servida em uma refeição, além das regras de combinação e sucessão, existe ordem também com respeito às características de nacionalidade da bebida: serve-se primeiro o de pior procedência e depois o melhor. Se a idéia for servir um vinho nacional e outro importado (porque se deseja homenagear um convidado estrangeiro, p. ex.), é preferível que o nacional seja o branco, e o importado seja o tinto. O Champagne pode ser servido com todos os pratos da refeição: o chamapagne seco tanto como aperitivo como para acompanhar o primeiro prato e o prato principal, e o champagne meio seco (demi-sec) para os brindes ao final e a sobremesa. O vinho do Porto vai bem tanto com a sobremesa quanto com o prato de queijos, que intermedeia entre os pratos salgados e a sobremesa. Vinhos rosados podem acompanhar tanto os pratos que pedem o vinho branco quanto os que pedem o tinto, supostamente por representar uma mescla das propriedades dos dois vinhos. Mas tal fusão de propriedades é na realidade difícil de acontecer, e a mistura contribui na verdade apenas para confundir as regras de combinação e sucessão e não para neutralizá-las. O vinho rosado, por este motivo, não é admissível em uma recepção, almoço ou jantar formais. =============== Efeitos do vinho. Um dos possíveis efeitos do vinho, devido ao seu percentual de álcool, é a retenção de água no organismo. O nível alto de álcool no sangue causa a diminuição da eliminação de água (urina); ao longo do tempo o corpo se adapta a esse excesso de água, que se torna permanente. Assim, o alcool que pode até ter uma ação diurética em pequenas doses e causar desidratação, tomado habitualmente com certo exagero causará efeito contrário sobre o organismo. Além dos efeitos do álcool, há a considerar os efeitos dos aditivos empregados na fabricação do vinho . É uma prática universal a adição de sulfito ao vinho para ajudar sua conservação. Somente se no rótulo constar a afirmação "Sem sulfito" se pode saber que o vinho está livre desse produto químico. Na opinião de muitos fabricantes, além de comprometer a saúde do consumidor, a ação esterilizadora dos sulfitos destrói a vitalidade do vinho tirando o seu aroma. Algumas pessoas são mais sensíveis ao sulfito que o utras. As que não toleram essa sustância química têm dor de cabeça, enjôos e inclusive reações alérgicas significativas. É considerado o principal responsável pela ressaca, que é a dor de cabeça e indisposição que sistematicamente atingem aquela pessoa quando toma vinho. A adição do sulfito é importante para a indústria do vinho devido ao seu poder de matar bactérias e seu efeito anti-oxidante. Não é, no entanto, um produto inteiramente estranho ao vinho, porque no próprio processo de fermentação alguns sulfitos se formam em pequena quantidade, e por isso existem naturalmente no produto. Por esse motivo não há, praticamente, vinho inteiramente livre de sulfitos. Pessoas que ao testarem vinho contendo sulfitos experimentam os sintomas próprios das reações alérgicas, devem se abster de tomar vinho até que sua situação fique esclarecida, principalmente se é uma pessoa sujeita a crises de asma. Vinhos que contem mais açúcar necessitam doses ligeiramente maiores de sulfitos, e isto pode explicar porque algumas pessoas toleram melhor o vinho tinto que os vinhos brancos e os vinhos doces em geral. Um substituto para o sulfito como estabilizador do vinho é o sorbato de potássio que também tem a propriedade de deter a fermentação, mas, na opinião de muitos, ele agrega cheiros desagradáveis e gosto ruim ao vinho. O vinho pode provocar rubor facial em algumas pessoas, o que não representa alergia. A dor de cabeça também pode ser causada por outras substâncias além dos sulfitos, e que também são produtos da fermentação, na fabricação do vinho. O acetaldeído formado durante a fermentação alcoólica, é considerado um possível responsável por dores de cabeça quando presente em grande quantidade no vinho. Mas ele é produzido em maior quantidade quando é feita a adição de sulfito, quantidade que pode decair conforme o grau de aeração do vinho. Com o envelhecimento do vinho esses compostos podem ser neutralizados. Por isso, tomar vinho novo de certas uvas que requerem envelhecimento (praticamente todos os vinhos tintos e os da uva Chardonnay) pode ser causa de dor de cabeça e ressaca. Mas a dor de cabeça pode ser simplesmente devida à propriedade de dilatação dos vasos sangüíneos que é peculiar ao vinho. A mistura de bebidas, ou tomar vinho doce como acompanhamento de comida salgada, causa mal-estar e náuseas. O tratamento da dor de cabeça e da ressaca pode ser um analgésico que não irrite o estômago (evitar aspirina), alguns copos de água ou então uma sopa (às vezes preferível, por repor o sal e o potássio perdidos na desidratação), e um cafezinho expresso para contrair os vasos dilatados que causam a dor de cabeça. Mas estes são conselhos caseiros e não substituem a opinião de um médico. Para prevenir uma ressaca, não tome vinho com o estômago vazio, não o tome com saladas e sim com comidas ricas em gordura e proteína, e sobretudo beba pouco. Vinho6- efeitos Os bons efeitos do vinho são proverbialmente conhecidos. Recentemente pesquisas na área de saúde indicaram uma nova propriedade benéfica, na prevenção da obstrução arterial. Porém, o vinho pode despertar reações orgânicas adversas se é tomado impropriamente. “Vinho dá dor de cabeça” ainda é uma frase comum; “Ele passou mal por causa do vinho”, é outra. Essas frases deviam ser modificadas para “Vinho dá dor de cabeça, quando não se sabe escolhê-lo e como, e quando, tomá-lo. Provado e tomado corretamente, praticamente não existe prejuízo algum para quem o consome. Existem também pessoas alérgicas, e outras que têm problemas de saúde para os quais o vinho é prejudicial.. Vinho-e-água. Pode-se dizer que a regra número um para se tomar vinho é que ele é bebido alternadamente com a água. Onde houver uma garrafa de vinho, deve haver uma jarra de água preferencialmente bem fria ou gelada, para ser tomada moderadamente, a espaços, ao longo da refeição. A principal razão para isso é que o vinho pode ser refrescante, mas não é hidratante. Ao contrário, o álcool que ele contém é um diurético, ou seja, provoca a eliminação da água do organismo e a conseqüente quebra do balanço de líquidos do corpo, principal causa da dor de cabeça e da ressaca. Outra função da água é remover o sabor da comida na boca, a intervalos durante a refeição, quando se deseja gozar separadamente o sabor de um vinho muito especial. O anfitrião ou o garçom oferecerão ou encherão primeiro os copos de água, e só depois encherão o copo de vinho. Quando se dispõe a louça, os talheres e os copos na mesa de refeição, deve-se colocar no mínimo dois copos: um maior para água e outro para o vinho. Servir o vinho à mesa sem esse cuidado indicará falta de conhecimento do assunto. Conservantes. Além dos efeitos do álcool, há a considerar os efeitos do sulfito, um anti-oxidante adicionado ao vinho para matar bactérias e ajudar na sua conservaçãoO sulfito é considerado também o principal responsável pela ressaca, que é a dor de cabeça e a indisposição que atingem a pessoa mais sensível quando toma vinho. Pessoas que experimentam reações alérgicas ao testarem vinho contendo sulfitos, devem se abster de tomá-lo, principalmente se está sujeita a crises de asma. Vinhos que contem mais açúcar necessitam dose ligeiramente maior de sulfitos, e isto pode explicar porque algumas pessoas toleram melhor o vinho tinto que os vinhos brancos e os vinhos doces em geral. Na opinião de muitos fabricantes, além de comprometer a saúde do consumidor, a ação esterilizadora dos sulfitos no vinho destrói o seu aroma. Este produto não é, no entanto, inteiramente estranho ao vinho, porque no próprio processo de fermentação alguns sulfitos se formam em pequena quantidade, e por isso existem naturalmente no produto. Por esse motivo não há, praticamente, vinho inteiramente livre de sulfitos. Um substituto para o sulfito como estabilizador do vinho é o sorbato de potássio que também tem a propriedade de deter a fermentação, mas, na opinião de muitos, ele agrega cheiros desagradáveis e gosto ruim ao vinho. Mas a dor de cabeça pode ser simplesmente devida à dilatação dos vasos sangüíneos que o vinho provoca. O tratamento pode ser um analgésico que não irrite o estômago (evitar aspirina), alguns copos de água ou então uma sopa quente (às vezes preferível, por repor o sal e o potássio perdidos na desidratação), ou apenas um cafezinho expresso para contrair os vasos dilatados
R.Q.Cobra
Rubem Queiroz Cobra Lançada em 26/11/2003 |
Direitos reservados. Texto impresso original depositado no Escritório de
Direitos Autorais da Biblioteca Nacional.
Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Escolher e oferecer vinhos. Site www.cobra.pages.nom.br, INTERNET,
Brasília, 2003 ("www.geocities.com/cobra_pages" é "Mirror Site" de www.cobra.pages.nom.br).
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