Maria José Távora

Hoje: 28-07-2021

Página escrita por Rubem Queiroz Cobra
Site original: www.cobra.pages.nom.br

Maria José Távora, é restauradora, formada em Pedagogia. Foi ao visitar os Arquivos da cidade de Mariana em uma viagem de recreio, há três décadas passadas, que descobriu a Restauração como nova área de interesse. O Instituto do Patrimônio Nacional realizava então a recuperação de alguns prédios históricos na antiga Vila, o que lhe deu a ideia de que um trabalho semelhante fosse criado também para os documentos coloniais em vias de destruição.

A campanha que criou, no início da década de oitenta, pela conscientização no País da necessidade de salvar seus documentos históricos, teve o apoio do Conselho Nacional de Pesquisa, que custeou o envio de cartas assinadas por ela às autoridades federais, estaduais e municipais em todo o País, solicitando informações sobre a situação da documentação colonial em suas instituições. A Fundação Pró-Memória, que existia então, emprestou-lhe espaço e apoio logístico em sua sede em Brasília para a análise e arquivamento das informações recebidas.

Foram possivelmente inspiradas por sua campanha algumas providências que começaram a ser tomadas por diferentes entidades públicas. Em 1984 surgiu o Laboratório do Ministério da Justiça, no prédio anexo, onde fez, a convite da Diretora, uma exposição inicial sobre documentação colonial no Brasil e sua importância histórica, e a campanha que fazia no sentido de que fosse preservada. Foi convidada a integrar o quadro dos técnicos desse Laboratório, depois ampliado e instalado no prédio da Imprensa Nacional. Como repercussão de sua atividade e do interesse do Presidente da Fundação Pro – Memória, foi criado no Arquivo Nacional o projeto Pró-Documento.

A Autora especializou-se em restauração de livros e documentos na Fundação Ricardo Espírito Santo Cardoso, inclusive com prática em douração, e um ano mais tarde no Laboratório da Biblioteca Nacional de Lisboa. Visitou Laboratórios de Conservação e Restauração em Bibliotecas de vários países.

Foi encarregada dos trabalhos de conservação dos livros da Biblioteca Presidencial do Palácio da Alvorada e em seguida do acervo da Biblioteca Particular do Presidente Juscelino Kubitschek em seu Memorial em Brasília. Posteriormente passou ao Laboratório do Centro de Documentação da Universidade de Brasília, em cuja criação colaborou.

No Laboratório de Restauração e Conservação de Livros e Documentos do Centro de Documentação da Universidade de Brasília trabalhou os livros da Seção de Obras Raras da Biblioteca da Universidade.

A Genealogia foi um interesse que surgiu em função da ocupação de restauradora. Recebeu de muitos historiadores locais a contribuição em livros de genealogia e historiografia local, área a que se dedicam muitos arquivistas, sacerdotes, e professores em cada pequena cidade do interior. Chegou a possuir uma biblioteca com apreciável número de volumes nessa especialidade, os quais doou à Biblioteca da Universidade de Brasília. Seus dois livros de genealogia – Um Comerciante do Século XVIII e Contribuição à Genealogia e História dos Távora no Brasil –, são o resultado de sua pesquisa conduzida paralelamente à atividade de restauração e conservação de livros a que se dedicou.

Maria José Távora tem a responsabilidade técnica dos textos sobre restauração de COBRA PAGES. Suas obras:

DOCUMENTAÇÃO COLONIAL, LEMBRANÇA DE UMA CAMPANHA, 1987 (esgotado)

UM COMERCIANTE DO SÉCULO XVIII, 1999

PEQUENO DICIONÁRIO DE CONSERVAÇÃO E RESTAURAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS, 2003 (esgotado – 3ª edição pronta para impressão)

CONTRIBUIÇÃO À GENEALOGIA E HISTÓRIA DOS TÁVORA NO BRASIL, 2009