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 Conservação e restauração de livros e documentos:

Perguntas mais freqüentes - I

Respostas dadas pela restauradora
Maria José Távora Queiroz Cobra

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Vez por outra recebo uma pergunta sobre restauração ou conservação de livros e documentos. Listo abaixo as perguntas que mais freqüentemente me são feitas, e uma breve resposta a cada uma. Claro que estas recomendações são oferecidas sem qualquer conhecimento detalhado da situação ou condição do material. De fato, seria irresponsabilidade alguém dar opinião ou recomendar qualquer tratamento sem ver o material a ser preservado ou restaurado. Por esse motivo as respostas são escritas em termos gerais, apenas procurando indicar que existem soluções possíveis para muitos dos problemas de restauração e conservação. Recomendo insistentemente que você procure um bom técnico com experiência em restauração de livros e documentos se o material a restaurar é importante e valioso.

1. Você conhece algum local onde aprender a restaurar livros?

A respeito de locais em que se fazem restaurações de documentos, existem alguns bons, no Rio: Biblioteca Nacional, Arquivo Nacional, Fundação Casa de Rui Barbosa; em Belo Horizonte: CCECOR - Centro de Conservação de Obras Raras; em São Paulo: Museu Lasar Segall, o Museu Paulista e a Biblioteca Municipal Mario de Andrade; em Brasília: Laboratório da Imprensa Nacional e Laboratório do CEDOC da UnB.

Fora do Brasil existem centros muito modernos como o Laboratório de Restauração da Biblioteca Nacional em Lisboa, o da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, Serviço de Encadernação e Restauro do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, a Oficina de Restauro do Arquivo Histórico Ultramarino, a Oficina de Restauro da Fundação Calouste Gulbenkian, e, dependendo da 2a. língua que você falar, o Laboratório Central de Restauração em Madri, a Biblioteca do Congresso em Washington, Estados Unidos, e outros em Firenze (Florença), em Roma, etc.

2. Gostaria de saber se você oferece curso nessa área e se há possibilidade de fazer um curso com você.

Presentemente estou sob contrato com o Centro de Documentação da Universidade de Brasília - CEDOC. No laboratório do CEDOC fazem estágio os alunos dos cursos de Arquivologia e Biblioteconomia da Universidade.

3. Você pode resumir uma orientação geral para os meus livros, alguns com mais de um século de impressos?

Livros produzidos de fins do século XVIII até recentemente são as maiores vítimas de deterioração e envelhecimento, e isso se deve à má qualidade da matéria prima e do processamento com produtos agressivos, o que, aliado aos altos valores de umidade e temperatura, propiciam o enfraquecimento e conseqüente fragmentação do papel. Somente em laboratório é possível reverter um pouco esse prejuízo, mediante banho das folhas do livro para desacidificá-las.

Como medida de conservação de acervos aconselha-se a higienização permanente das instalações. Se a coleção está em estantes de madeira, melhor passá-la para estantes de aço. Retirar os volumes das prateleiras, proceder a limpeza das mesmas (as prateleiras) com um pano ligeiramente úmido (não bater o pó).

Fazer a limpeza do miolo do volume com uma trincha bastante macia, página por página, se possível em uma "capela" ou em local ventilado, utilizando máscara e luvas cirúrgicas, para evitar problemas de alergia ou contaminação por fungos. Essa operação NÃO deve ser feita com aspirador de pó, pois a sucção poderá danificar irreparavelmente uma folha já fragilizada.

Fazer a limpeza dos cortes dos volumes com flanela de cor branca, seca, ou com uma trincha estreita e macia, tendo o cuidado de manter o volume bem fechado (em laboratório usa-se a chamada "prensa vertical"), para que o pó não infiltre ou aconteçam rasgos nas páginas. Se os cortes estiverem muito enegrecidos, sujos de gordura ou com marcas deixadas por insetos pode fazer a limpeza com uma lixa fina (por exemplo: Norton, amarela, n. 100), em movimentos suaves ao longo do corte. Proteja a capa do atrito da lixa inserindo uma folha de papel como uma orelha entre a beirada da capa e o corte ou miolo do volume.

Depois dessa operação de limpeza, se o volume tem capa de couro, ou apenas a lombada em couro, passar um pano ou flanela secos para retirar a poeira e em seguida aplicar uma cera incolor própria à base de cera de abelha ou carnaúba, sempre em movimentos circulares com os dedos o que facilita a penetração da cera. Mas verifique antes se o estado do couro suportará essa operação. Não a faça se o couro estiver muito ressecado e já formando pó (Neste caso é necessário um fixativo o que é trabalho de laboratório).. Cuidado para não sujar ou destacar a impressão a ouro acaso existente no dorso do volume. Existe uma cera incolor a venda em são Paulo de nome COLT que é de muito boa qualidade para esse fim ou então a cera americana FREDELKA, específica para encadernações. Tomar cuidado nessa operação para não atingir as partes de papel do volume. Colocar o volume em pé ligeiramente aberto e no dia seguinte dar o polimento com flanela para remover o excesso de cera e dar brilho.

Climatização é a forma mais eficiente de conservação. Para tanto se faz necessário que a ambientação permaneça estável, com valores em torno de 18 a 20 graus cent. de temperatura e 55 a 60% de umidade relativa do ar. Geralmente se faz necessário um sistema combinado de refrigeração e de desumidificação, pois os parâmetros climáticos das regiões tropicais (grande parte do Brasil) estão muito distantes, positivamente, dos valores ideais. Porém, nas épocas secas, poderá ser necessário elevar a umidade ambiente ao nível indicado.

Também causam bastante dano aos materiais usados nos livros, os raios ultravioletas presentes tanto na luz solar (ação mais rápida) como na iluminação artificial (normalmente de ação mais lenta). Entre outros malefícios, eles contribuem para a oxidação da celulose do papel, pela ação fotoquímica. É preciso observar a incidência de uma e de outra e minimizar tanto a incidência da luz solar, fechando janelas, quanto da luz artificial, diminuindo a exposição do acervo à luz elétrica.

Os livros quando muito comprimidos nas prateleiras, obrigam a sua retirada de maneira incorreta, o que danifica as lombadas e fatalmente leva ao dano da encadernação.

Mais informações, recorra aos livros e artigos indicados na página Bibliografia

4. Uma pessoa aconselhou a tratar o livro empastelado com gasolina, e não deu certo. Que pode ser feito?

Desconheço qualquer técnica presentemente em uso para recuperar livros empastelados. Se você sabe da existência de livros ou documentos empastelados (páginas coladas) alerte o responsável para que não descarte nem dê por definitivamente perdido esse material. Está em pesquisa um método com o uso de raios gama que pode trazer a solução. O material deve ser conservado com os mesmos cuidados proporcionados aos demais documentos e livros, a fim de aguardar a divulgação dessa técnica. Não jogar fora livros empastelados que possam ser valiosos!

5. Gostaria de restaurar (capas) alguns livros antigos. Poderia me dar dicas para este trabalho? Onde encontro o material necessário?

Espero que a seguinte orientação geral sobre restauração de livros sirva de ponto de partida para você:

Toda restauração, é feita após um diagnóstico técnico. É tarefa para um especialista e requer a infra-estrutura de um laboratório. Se no momento você não dispõe dessas condições, pode mandar fazer caixas de material desacidificado ( não ácido), no tamanho próprio de cada livro, e assim mantê-lo protegido. No lado da caixa correspondente ao dorso pode indicar o título, data, etc.

Para qualquer pequeno reparo que deseje fazer, use material livre de acidez: emprega-se normalmente como adesivo a metil-celulose e como reforço o chamado "papel japonês". Para mais que isso seria conveniente que fizesse primeiro um estágio em um laboratório de restauração de livros e papeis.

Sobre locais onde estagiar para aprender técnicas de restauração, veja, por favor, a resposta à pergunta n.1.

Mais informações, recorra aos livros e artigos indicados na página Bibliografia.
 

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6. Gostaria de saber se você tem um modelo de projeto para conseguir recursos financeiros para restaurar uma coleção.

Primeira hipótese de solicitação de recursos:

Você mantém a coleção fechada e deseja que alguma Instituição dê suporte financeiro para treinar seu pessoal e capacitá-lo a abrir a coleção e realizar o diagnóstico, e que, a partir do levantamento dos serviços necessários, lhe proporcione mais recursos para a restauração propriamente dita.

Segunda hipótese:

Você pede o orçamento da restauração a um laboratório e então busca ajuda financeira de valor fixo.

Em qualquer das duas hipóteses você terá que fazer uma carta-consulta (de duas a três páginas no máximo, não um projeto propriamente), expondo o valor da coleção, citando as principais obras raras que tiver, com uma descrição do estado geral em que se encontra a coleção, as dificuldades que levam à necessidade de buscar recursos fora do seu próprio sistema, etc.

Na primeira hipótese, o normal é a celebração de um convênio. Parte-se logo para um primeiro convênio com o Órgão que dará o apoio financeiro. Este fará o desembolso na medida do necessário, liberando os recursos para os estudos preliminares, os quais consistirão principalmente no treinamento de funcionários para a elaboração das fichas de diagnóstico de cada volume. O coordenador ou gestor do convênio movimentará a conta bancária e fará a prestação de contas dos recursos recebidos. O convênio poderá ser prorrogado se necessário, e anualmente serão alocadas verbas, à vista do seu relatório sobre o andamento dos trabalhos e de acordo com o programa que você apresentar e for aprovado.

Na segunda hipótese é o simples pedido da ajuda financeira com especificação do montante necessário, o qual é previamente fixado com base no orçamento que você obteve do Laboratório. Ao solicitar o apoio financeiro você já sabe de quanto precisa. O órgão ou empresa que concordou em fornecer os recursos fará uma carta de compromisso de financiamento e irá ela mesma pagar as contas ao Laboratório e mais o que estiver incluído no projeto. Em outras palavras, não há repasse de recursos para você ou sua instituição.

7. A pesquisa em nossa biblioteca aumentou consideravelmente, trazendo preocupação quanto à preservação principalmente dos jornais. Fico em dúvida se o melhor serviço ainda é a microfilmagem ou se já existe algo mais moderno através da informática.

Para preservar uma coleção de jornais, a microfilmagem ainda me parece o melhor procedimento. A finalidade do microfilme é mais e principalmente a de permitir a leitura do documento nas máquinas leitoras de microfilme, evitando que os originais sejam utilizados e sofram danos. Por isso a microfilmagem é um recurso ainda insuperável quando se trata de jornais antigos, de documentos, de códices ou de obras raras. É uma boa idéia utilizá-la para os jornais e documentos, pois os exemplares deixariam de ser manuseados e ficariam assim a salvo do desgaste.

A Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro mantinha um programa de microfilmagem de periódicos em todo o interior do Brasil. Eles mandavam uma equipe fazer a microfilmagem. A propósito, liguei para a Biblioteca Nacional e me informaram que o "Projeto de Microfilmagem de Periódicos" (jornais, semanários, etc.) no interior do país continua atuando. Caso deseje candidatar-se escreva para:

Vera Lucia Garcia Menezes
Divisão de Micro-reprodução
Biblioteca Nacional
Avenida Rio Branco, 219
Rio de Janeiro,
RJ 20.040-008
Telefone (021) 262-8255 Ramal 220
O chefe substituto da Divisão é o Sr. Oliveira.

8. Minha cidade possui vários documentos históricos ainda não catalogados e espalhados, principalmente no Fórum local. Pediram-me que fizesse um projeto para seleção e arquivo desses documentos. A preservação desse futuro arquivo seria através de microfilmagem ou CD-Rom?

O primeiro passo seria o exame preliminar feito por um técnico. das coleções que serão reunidas. Precisam ser avaliadas para que seja possível dimensionar o volume documental presente, e fazer previsões para o futuro, afim de determinar a capacidade do Arquivo em termos de espaço e equipamento.

Os documentos têm que ser avaliados também para fins de mudança do local de origem para o novo local, não apenas em relação ao custo incluído o acondicionamento, mas também a fim de serem separados, para tratamento especial no transporte, aqueles em pior estado. Um projeto responsável não permite que uma única folha se perca na operação de mudança.

Outra questão delicada e controvertida é a decisão de o que guardar e o que descartar. Claro que o ideal seria conservar qualquer papel que vinculasse uma informação não repetida ao nome de um cidadão. Um documento pode vir a ser importante no futuro simplesmente por revelar que alguém esteve em algum lugar numa certa época. Por aí se vê que muito pouca cousa poderá ser posta de lado.

Outros aspectos do projeto dizem respeito à boa adequação do local ao armazenamento, quanto à sua ventilação e iluminação, controle da temperatura e da umidade, controle de insetos daninhos e da poluição, à proteção contra incêndio, às facilidades para socorro em situações de emergência e segurança, locais de exibição e de leitura, e instalações para procedimentos ligeiros de conservação e restauro. Aqui as recomendações são as mesmas que para uma biblioteca. No entanto, o estado da documentação pode exigir que desde o início exista no Arquivo um laboratório de restauração, o que é um item a ser examinado à parte.

Esta seria uma primeira fase. Outra seria a da organização do acervo documental. Como se trata de documentos de vários tipos, a organização do novo Arquivo deverá, em princípio, preservar os corpos documentais separadamente, de acordo com sua origem.

Com tantas facetas a serem examinadas, um projeto de Arquivo, por menos ambicioso que seja, é algo muito complexo, requerendo a assistência técnica de uma equipe competente. Essa equipe deve incluir tanto os profissionais da construção quanto os profissionais da arquivística, desde a fase de desenho do projeto; todos os detalhes precisam ser discutidos pela equipe com ampla compreensão daquelas necessidades fundamentais para o bom funcionamento e segurança do Arquivo.

Existem no Brasil vários cursos universitários de Arquivo. Uma escola ou universidade próxima de você e que tenha um curso desse tipo poderá, talvez, aceitar fazer um convênio para realização do projeto. Se isto não é possível, outra solução seria chamar um técnico do Arquivo Nacional, do Arquivo Estadual, ou Municipal, da Capital mais próxima, para examinar as coleções ou corpos documentais que se cogita reunir no Arquivo. O problema é que as instituições andam se queixando de falta de pessoal e falta de verbas.

9. Livros velhos precisam ser desinfetados de bactérias de doenças contagiosas em câmaras de expurgo?

É sabido que roupas usadas podem conter micróbios de doenças infecto contagiosas, como é o caso do cólera, da varíola e de outras doenças em que o tecido conserva resíduos deixados pelo portador. Mas é bem pouco provável que isto aconteça com livros. Porém, recomendo que seja consultado um serviço de saúde ou o serviço de desinfetação de um hospital para obter uma orientação. Existem as câmaras de expurgo para livros, geralmente utilizadas para matar insetos que roem o papel ou deixam marcas nas páginas de livros e documentos. São câmaras a vácuo onde o material é tratado com inseticidas poderosos, mas não posso afirmar que funcionem nesse caso.

10. Em nossa cidade não existe uma câmara de expurgo e teríamos que enviar os livros para a Capital. Existe uma maneira de evitar isto?

Não existindo a possibilidade de usar uma câmara, o tratamento dos livros pode ser feito, de modo igualmente eficaz, colocando-se lotes de livros em bolhas de plástico. Ambos os métodos requerem a assistência de técnico especializado.

O mais simples a fazer no combate aos insetos é verificar onde se aninham ou de onde provêm, e eliminar essa passagem, e expurgar a coleção mediante simples limpeza, volume a volume, conforme está detalhado acima (Vide a resposta à pergunta n. 3). Ao passar as páginas, o local com a infestação será percebido e a limpeza removerá os insetos. Se a capa dura estiver infiltrada de insetos, pode usar um inseticida seco de origem confiável. Depois de 72 horas remova o excesso do produto com uma trincha bastante macia e limpe o volume externamente com flanela.

É aconselhável fazer sempre um teste com o inseticida, colocando uma pequena quantidade dele sobre um papel do mesmo tipo do papel da capa a ser tratada. Deixe por dois dias e verifique se o inseticida não causou nenhuma mancha ou outro tipo de dano.

Mantendo a temperatura do ambiente baixa e a umidade do ar sob controle, os insetos não farão morada nem visitarão o local.

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11. Ocorreu aqui uma grande enchente e os livros da biblioteca da escola ficaram encharcados. Que fazer para salvá-los?

Livros molhados em enchentes, e também em inundações provocadas por rompimento de canos, entupimento de galerias como costuma acontecer em depósitos de livros em subsolos, ou ainda pela água usada para apagar o fogo nos incêndios - , podem ser recuperados se forem socorridos adequadamente e com urgência.

O livro absorve uma quantidade grande de água muito rapidamente. Aqueles datados de antes de 1850, devido ao tipo de papel utilizado pela indústria editorial de então, têm capacidade de absorção de cerca de 80% de seu peso; os editados após aquela data, absorvem cerca de 60 %. Em contrapartida, os primeiros resistem a uma imersão total em água por muito mais tempo que os últimos. Um acervo de livros modernos, pesando dez toneladas, passa a pesar 16 toneladas depois de molhado. O processo de secagem terá que retirar dele 6 toneladas de água!

O principal problema dos livros encharcados é o empastelamento. Quando o material começa a secar, o movimento capilar da água no miolo do livro desloca materiais solúveis que se comportam como adesivos e provocam o empastelamento pela aderência das folhas umas às outras. Secando nessas condições, o livro se transforma em um tijolo. Ao mesmo tempo, o papel molhado torna-se rapidamente meio de nutrição para cogumelos e fungos, cujo ataque ao livro vai criar mais um problema. Este e outros agravantes fazem o tempo uma questão crucial.

A primeira providência de socorro ao livro molhado é o seu congelamento, um meio de estabilizar a situação, impedindo os efeitos da capilaridade e a proliferação de organismos. Esta solução, apesar de simples, é dificilmente exeqüível quando se trata de grandes acervos, pois demanda grandes frigoríficos. Para pequeno número de livros, um freezer doméstico servirá. Para evitar a formação de cristais grandes de gelo, o congelamento deve ser rápido. Por isto, os livros ou documentos molhados devem ser submetidos a uma temperatura de menos 30 graus centígrados.

A etapa seguinte é o descongelamento. Na proporção que o material possa ser tratado, os volumes e documentos são descongelados sem a formação de água, ou seja, o gelo fino que endurece as folhas tem que passar diretamente ao estado gasoso, sem passar pela fase aquosa, e isto pode ser conseguido com pouco calor, a temperaturas baixas, mediante a redução da pressão ambiente. Existem máquinas de secagem a vácuo para variados fins. Este é o processo chamado de "liofilização".

Após a secagem por liofilização os livros e documentos estão prontos para serem tratados e restaurados dentro da técnica usual.

Estas informações e mais detalhes a respeito do assunto você encontra em McCleary (1987) indicado na página Bibliografia.

12. Que é ácido bórico e para que serve?

É um inseticida de uso popular. Ingerido pelo inseto, o ácido bórico ataca e dissolve seu trato digestivo. Pessoas que têm alergia a substâncias usadas na maioria dos inseticidas comerciais costumam ser melhor tolerantes ao ácido bórico. Deve ser aplicado internamente junto a ralos, ao longo dos rodapés, e em bueiros, na parte externa.

13. Não consigo desdobrar um documento velho e ressecado. O que fazer?

Documentos antigos que foram mantidos em envelopes geralmente ficam com suas dobras rígidas. O tratamento deve ser dado em laboratório, onde existem recursos que evitarão inutilizar o documento.

A técnica combina basicamente umidificação e pressão. No entanto, a umidificação pode fazer uma tinta lavável, geralmente usada em manuscritos, se espalhar e borrar as letras. Também o grau de umidade que um papel pode suportar varia muito. Por isso a umidade tem que ser cuidadosamente controlada. Também a pressão não pode ser aplicada de uma vez. Deve ser aumentada gradualmente e com segurança, ao longo de vários dias.

Quando o problema não é muito sério, e você não tem como obter a ajuda do laboratório de um Arquivo ou Biblioteca, você pode conseguir algum resultado apenas com aplicação suave de pressão, utilizando apenas a própria umidade ambiente. Depois de, com cuidado, abrir o quanto for possível as dobras, sem rasgar o papel, coloque o documento debaixo de um vidro plano fino e leve, sobre um suporte plano, limpo e neutro (uma outra placa de vidro). Acrescente gradualmente, a cada dia, um mínimo de peso ao vidro fino superior (por exemplo, algumas pequenas moedas). Este procedimento poderá desfazer as dobras pelo menos o suficiente para o documento ser guardado em uma pasta suspensa de cartolina desacidificada.

14. Tenho receio de confiar a qualquer um a restauração desse breviário...

Antes de qualquer restauração é de grande conveniência microfilmar ou fotografar o documento ou livro a ser restaurado. Acidentes acontecem e os procedimentos de restauração também estão sujeitos a eles. É importante também para julgar o resultado da restauração comparativamente, fotografando-se o "antes" e o "depois". Usando filmes mais rápidos ou mais lentos, mudando os filtros de luz e graduando para mais ou para menos a intensidade da luz, e também variando o ângulo da fotografia e da iluminação, é possível conseguir reproduções que captam todos os detalhes dos originais, mesmo que estes estejam muito esmaecidos e apagadas. Em síntese, deve-se duplicar os documentos a serem restaurados com uso da melhor tecnologia possível. No entanto, em restauração, a segurança se refere mais a cuidados especiais que o próprio restaurador deve tomar para evitar que seu trabalho cause danos ainda maiores ao material. É importante que se trate de um bom laboratório ou de um técnico competente.

15. O que você aconselha para conservação de Videoteipes?

O maior problema com suportes magnéticos é a deterioração do adesivo que prende as partículas magnéticas ao filme poliéster, devido à hidrólise decorrente da umidade ou, inversamente, devido ao seu ressecamento. Portanto, assim como os livros, para as fitas também é importante o controle de umidade e temperatura. Mais provavelmente uma atmosfera moderadamente seca e uma temperatura baixa farão melhor pela conservação dos videoteipes. Periodicamente, um dos videoteipes da coleção poderá ser tomado por amostragem a fim de ser examinado à procura de sinais de deterioração.

No entanto, há um outro fator a considerar: o fato de que a tecnologia fique ultrapassada e o documento impossível de ser exibido. Por tudo isto, é importante copiar periodicamente o material nos formatos mais modernos.

16. A nossa biblioteca tem amplas janelas, algumas são janelões que vão até o piso...

Penso que, em lugar de persianas ou cortinas de fitas verticais ou do tipo "black out", o problema poderia talvez ser solucionado melhor com um filme de proteção contra raios ultravioletas, que pouco diminui a claridade natural e por isso permite economia de energia elétrica. Um bom filme reduz os raios ultravioletas em até aproximadamente 95 %, segundo a propaganda de alguns fornecedores. O produto de boa qualidade tem garantia por um tempo relativamente longo, contra ressecamento e formação de gretas e descolamento, perda das suas propriedades como transparência, cor e capacidade de eliminar a radiação ultravioleta, mesmo que exposto diretamente à temperatura elevada e à luz do sol do verão. O filme é primeiro umedecido com água, que ativa a cola acrílica e o fixa ao vidro pelo lado interno da vidraça. Um fornecedor dá as seguintes propriedades de um bom produto:

Transmissão de luz: 85%

Transmissão de raios ultravioleta:0-4%

Espessura do filme: 0.004

Estrutura: camadas de poliester

Resistência à tensão: 100 libras por polegada

Adesivo: resina acrílica

Aderência: 4-5 libras por polegada

O filme pode ser removido com acetona ou outros solventes semelhantes.

17. Que é um higrotermógrafo?

Um aparelho muito simples, porém muito delicado, que elabora um gráfico mostrando a variação da umidade atmosférica e da temperatura. É muito importante ter esse aparelho no ambiente de bibliotecas e arquivos. O modelo geralmente preferidos é do tipo tambor ou cilindro. Este modelo permite colocar em linha os gráficos de períodos diferentes e ver a evolução do clima no recinto. O modelo do tipo disco não permite esse recurso.

18. Tenho em casa, - herança de meu pai -, uma série de livros brasileiros do final do século passado e inicio deste... gostaria de contar com seu conselho sobre como poderia avaliá-los e como encontraria um eventual comprador.

Um bom avaliador quanto ao caráter raro dos livros poderá ser o bibliotecário chefe da Seção de Obras Raras de uma biblioteca importante, como deve ser, por exemplo, a biblioteca pública estadual ou a biblioteca de uma grande Universidade. Esses técnicos geralmente conhecem os critérios de avaliação de raridade que ajudam a fazer uma idéia do valor pecuniário de um exemplar.

Quanto ao valor propriamente comercial, existem livreiros ávidos por obras raras, que poderão fazer uma oferta a você, por todo o lote ou por exemplar que eles considerem de mais valor. Com certeza existe algum em Florianópolis. Havia em Curitiba, Paraná, não sei se ainda existem, as livrarias Fígaro, à Rua Lamenha Lins, 62-A, 80250-020 e a Livraria Osório Rua Cruz Machado, 463 centro, 80410-170.

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19. Como separar no acervo os livros que possam ser "obras raras"? Devo criar uma coleção especial com elas?

Deveria sim, guardar separadamente os volumes de obras raras, e revestir de cuidados especiais a sua conservação e a sua segurança para que não sejam surrupiadas por algum colecionador. O livro é considerado obra rara se, por exemplo, foi impresso na Europa até o século XVIII; impresso no Brasil até 1841; teve edição de tiragem reduzida; edição clandestina; é obra esgotada; exemplar com anotações manuscritas por intelectual importante; exemplar autografado por pessoa de reconhecida projeção, ou também pela beleza da composição tipográfica, do tipo de papel, modelo da encadernação, edição de luxo, etc. o mesmo valendo para coleções especiais. Veja mais sobre o assunto nos livros indicados em Bibliografia

20. Em sua resposta...quando fala de segurança, você se refere exatamente a que?

Há muitas medidas de segurança a serem tomadas não apenas contra incêndio, inundações, etc. mas também quanto ao roubo de documentos e livros raros, a destacar páginas, e outros procedimentos criminosos por parte do leitor. É importante, além desses cuidados, verificar também se o pesquisador está qualificado para manusear o material que vai pesquisar, ou devidamente autorizado para a consulta que faz.

21. Manter em sacos de plástico o documento, isto oferece algum inconveniente?

Os encartes de plástico em pastas são muito utilizados, mas pouca informação encontrei a respeito de sua segurança na preservação de documentos. De minha experiência própria sei que aceleram grandemente o esmaecimento de gravações termostáticas como a do FAX, e que cópias do tipo Xérox aderem ao plástico. Com certeza o plástico influi na umidade e calor que envolve o documento, criando um microclíma. O próprio plástico se transforma em problema de conservação, pois pode tornar-se ressecado, amarelado e quebradiço.

A preservação de livros e documentos requer controle de umidade e temperatura, como dito acima (Veja a respeito o e-mail n. 3). Com certeza será difícil manter esse controle dentro das pastas de plástico. A melhor maneira de preservar documentos é deixá-los em posição horizontal em caixa de papelão bem fechada para evitar poeira e insetos. A porosidade do papelão vai permitir o intercâmbio de temperatura e umidade com o meio ambiente. Dentro da caixa os documentos podem, quando necessário, ser separados em pastas de cartolina ou papel incolor e livre de acidez

22. Não posso nem sequer tocar em qualquer folha do livro, e ela se fragmenta. As bordas estão marrom escuro e a parte interna também escurecida...

Você descreve o que pode ser um papel envelhecido que é extremamente ácido. Na situação em que o volume está, você nada pode fazer e deve encaminhá-lo a um bom laboratório de restauração, para o devido tratamento. Como dito em resposta ao e-mail n. 3 acima, livros produzidos de fins do século XVIII até recentemente são as maiores vítimas de deterioração e envelhecimento, e isso se deve à má qualidade da matéria prima e do processamento com produtos agressivos, que deixam um resíduo ácido nas folhas e este resíduo, aliado aos altos valores de umidade e temperatura, causa o enfraquecimento e conseqüente fragmentação do papel. Somente em laboratório é possível reverter um pouco esse prejuízo, mediante banho das folhas do livro para desacidificá-las.

23. Como saber o teor de acidez das folhas... dito em sua resposta...

Há meios muito simples de determinar se o papel de um documento ou as folhas de um livro estão com excesso de acidez. Mas não aconselho a que você tente isto sem a assistência de um especialista, sobretudo devido ao estado que o livro está, segundo sua descrição. A acidez faz o papel ficar amarelado e quebradiço, e também ataca a tinta deixando-a esmaecida, sobretudo se o papel é exposto à luz, ou calor e umidade altos. Quanto à desacidificação, é definitivamente trabalho para ser feito por especialista.

24. Estou de mudança e tenho alguns livros, documentos e lembranças que penso em deixar na casa de meus pais guardados em caixas de papelão por uns dois anos. Como devo proceder para protegê-los? Vale a pena colocar bolinhas de naftalina ou cânfora nas mesmas?

Tudo o que foi dito acima sobre ambientação aplica-se aqui. Sobre as caixas em que pretende deixar o material, observe o seguinte:

01. Que as caixas possam ser fechadas não deixando entrada para poeira e insetos;
02. Não compactar excessivamente o material. A compactação facilita a ação do cupim a partir de fora;
03. Que o local ou cômodo em que o material ficará armazenado, se for externo à residência, tenha portas bem ajustadas de modo a não entrarem roedores;
04. Colocar as caixas onde fiquem ao abrigo de muita luz e calor, que aceleram a ação de ácidos contidos no papel;
05. Evitar umidade, pois o papelão das caixas absorve a umidade e se decompõe, colando-se à parede ou à superfície de apoio;
06. Evitar encostar as caixas na parede;
07. Espanar as caixas regularmente, a fim de que a poeira acumulada não cause o ressecamento do papelão;
08. Pedir que alguém movimente as caixas a certos intervalos de tempo, e examine a situação do local quanto a variações de umidade, infiltrações, alojamento de insetos, etc.;
09. A naftalina é um recurso tradicional para afastar insetos. Com o tempo ela volatiliza e por isso as caixas precisarão ser reabastecidas de tempos em tempos;
10. Em sua correspondência, coloque ocasionalmente uma pergunta a seus familiares sobre as condições em que estão as caixas e o material.

25. Gostaria de informações sobre vitrines para livros raros.

O que posso recomendar com respeito a vitrines para livros raros:

1. Sejam feitas de aço, ou de madeira bem seca. A madeira exala substâncias químicas que atacam os livros e o perigo é maior se a madeira for verde e úmida. No caso do aço, a pintura do interior precisa estar bem seca e curtida (quando não está mais exalando nenhum cheiro). No caso de madeira, não deve ser encerada, mas revestida de fina camada de verniz selador de boa qualidade, e deixada alguns dias em boa ventilação antes de as vitrines serem utilizadas.

2. As vitrines não devem ter lâmpadas em seu interior, nem mesmo lâmpadas frias. A iluminação deve ser a do ambiente e também deve ser moderada.

3. As mesas não são hermeticamente fechadas, pois deve haver alguma fresta para ventilação. Por isso os cuidados com o ambiente geral da exposição (que seja livre de poeira, tenha controle de umidade e temperatura, etc.) têm que ser permanentes.

4. As mesas devem oferecer segurança, pois sempre haverá algum curioso a tentar abrir o tampo e tocar na obra em exposição. Os vidros não podem ser muito finos, pois deve ser evitado o perigo de que se quebrem acidentalmente e os fragmentos danifiquem as obras.

5. Dependendo da iluminação no local os tampos de vidro da vitrine poderão ser inclinados do centro para as laterais, a fim de evitar reflexo de luz ou de imagens que possam prejudicar a visibilidade da obra exposta.

Mais informações, recorra aos livros e artigos indicados na página Bibliografia.

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 Vez por outra recebo uma pergunta sobre restauração ou conservação de livros e documentos. Listo abaixo as perguntas que mais freqüentemente me são feitas, e uma breve resposta a cada uma. Claro que estas recomendações são oferecidas sem qualquer conhecimento detalhado da situação ou condição do material. De fato, seria irresponsabilidade alguém dar opinião ou recomendar qualquer tratamento sem ver o material a ser preservado ou restaurado. Por esse motivo as respostas são escritas em termos gerais, apenas procurando indicar que existem soluções possíveis para muitos dos problemas de restauração e conservação. Recomendo insistentemente que você procure um bom técnico com experiência em restauração de livros e documentos se o material a restaurar é importante e valioso. Eu não estou ligada a nenhuma firma ou empresa de vendas ou consultoria.

Se você tem alguma pergunta que não foi respondida nos livros e artigos indicados na bibliografia e que também não está entre essas perguntas mais freqüentes, mande-me um e-mail

1. Você conhece algum local onde aprender a arte de restaurar?

A respeito de locais em que se fazem restaurações de documentos, existem alguns bons, no Rio: Biblioteca Nacional, Arquivo Nacional, Fundação Casa de Rui Barbosa; em Belo Horizonte: (CCECOR - Centro de Conservação de Obras Raras; em São Paulo: Museu Lasar Segall, o Museu Paulista e a Biblioteca Municipal Mario de Andrade; em Brasília: Laboratório da Imprensa Nacional e Laboratório do CEDOC da UnB.

Fora do Brasil existem centros muito modernos como o Laboratório de Restauração da Biblioteca Nacional em Lisboa, o da Fundação Ricardo Espirito Santo Silva, Serviço de Encadernação e Restauro do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, a Oficina de Restauro do Arquivo Histórico Ultramarino, a Oficina de Restauro da Fundação Calouste Gulbenkian, e, dependendo da 2a. língua que você falar, o Laboratório Central de Restauração em Madri, a Biblioteca do Congresso em Washington, Estados Unidos, e outros em Firenze (Florença), em Roma, etc.

2. Gostaria de saber se você oferece curso nessa área e se há possibilidade de fazer um curso com você.

Presentemente estou sob contrato com o Centro de Documentação da Universidade de Brasília - CEDOC. No laboratório do CEDOC fazem estágio os alunos dos cursos de Arquivologia e Biblioteconomia da Universidade.

3. Você pode resumir uma orientação geral para os meus livros, alguns com mais de um século de impressos?

Livros produzidos de fins do século XVIII até recentemente são as maiores vítimas de deterioração e envelhecimento, e isso se deve à má qualidade da matéria prima e do processamento com produtos agressivos, o que, aliado aos altos valores de umidade e temperatura, propiciam o enfraquecimento e conseqüente fragmentação do papel. Somente em laboratório é possível reverter um pouco esse prejuízo, mediante banho das folhas do livro para desacidificá-las.

Como medida de conservação de acervos aconselha-se a higienização permanente das instalações. Se a coleção está em estantes de madeira, melhor passá-la para estantes de aço. Retirar os volumes das prateleiras, proceder a limpeza das mesmas com um pano ligeiramente úmido (não bater o pó). Fazer a limpeza do miolo do volume com uma trincha bastante macia, página por página, se possível em uma "capela" ou em local ventilado, utilizando máscara e luvas cirúrgicas, para evitar problemas de alergia ou contaminação por fungos. Essa operação NÃO deve ser feita com aspirador de pó, pois a sucção poderá danificar irreparavelmente uma folha já fragilizada.

Fazer a limpeza dos cortes dos volumes com flanela de cor branca, seca, ou com uma trincha estreita e macia, tendo o cuidado de manter o volume bem fechado (em laboratório usa-se a chamada "prensa vertical"), para que o pó não infiltre ou aconteçam rasgos nas páginas. Se os cortes estiverem muito enegrecidos, sujos de gordura ou com marcas deixadas por insetos pode fazer a limpeza com uma lixa fina (por exemplo: Norton, amarela, n. 100), em movimentos suaves ao longo do corte. Proteja a capa do atrito da lixa inserindo uma folha de papel como uma orelha entre a beirada da capa e o corte ou miolo do volume.

Depois dessa operação de limpeza, se o volume tem capa de couro, ou apenas a lombada em couro, passar um pano ou flanela secos para retirar a poeira e em seguida aplicar uma cera incolor própria à base de cera de abelha ou carnaúba, sempre em movimentos circulares com os dedos o que facilita a penetração da cera. Mas verifique antes se o estado do couro suportará essa operação. Não a faça se o couro estiver muito rececado e já formando pó (Neste caso é necessário um fixativo o que é trabalho de laboratório).. Cuidado para não sujar ou destacar a impressão a ouro acaso existente no dorso do volume. Existe uma cera incolor a venda em são Paulo de nome COLT que é de muito boa qualidade para esse fim ou então a cera americana FREDELKA, específica para encadernações. Tomar cuidado nessa operação para não atingir as partes de papel do volume. Colocar o volume em pé ligeiramente aberto e no diaseguinte dar o polimento com flanela para remover o excesso de cera e dar brilho.

Existe uma cera incolor a venda em São Paulo de nome COLT que é de muito boa qualidade para esse fim ou então a cera americana FREDELKA, específica para encadernações. Tomar cuidado nessa operação para não atingir as partes de papel do livro. Colocar o livro em pé ligeiramente aberto e no dia seguinte dar o polimento com flanela para remover o excesso de cera e dar brilho.

Climatização é a forma mais eficiente de conservação. Para tanto se faz necessário que a ambientação permaneça estável, com valores em torno de 18 a 20 graus cent. de temperatura e 55 a 60% de umidade relativa do ar. Geralmente se faz necessário um sistema combinado de refrigeração e de desumidificação, pois os parâmetros climáticos das regiões tropicais estão muito distantes, positivamente, dos valores ideais. Nas épocas secas é imprescindível elevar a umidade ambiente ao nível indicado.

Também causam bastante dano aos materiais usados nos livros os raios ultravioletas presentes tanto na luz solar como na iluminação artificial, pois contribuem para a oxidação da celulose, pela ação fotoquímica. É preciso observar a incidência de uma e de outra e minimizar a permanecia tanto da luz solar, fechando janelas e diminuindo a exposição do acervo a luz artificial.

Os livros quando muito comprimidos nas prateleiras, obrigam a sua retirada de maneira incorreta, o que danifica as lombadas e fatalmente leva ao dano da encadernação.

Mais informações, recorra aos livros e artigos que estão no arquivo Bibliografia

4. Gostaria de restaurar (capas) de alguns livros antigos. Poderia me dar dicas para este trabalho? Onde encontro o material necessario?

Espero que a seguinte orientação geral sobre restauração de livros sirva de ponto de partida para você:

Toda restauração, é feita após um diagnóstico técnico. É tarefa para um especialista e requer a infra-estrutura de um laboratório. Se de momento você não dispõe dessas condições, pode mandar fazer caixas de material desacidificado ( não ácido), no tamanho próprio de cada livro, e assim mante-lo protegido. No lado da caixa correspondente ao dorso pode indicar o título, datas, etc.

Para qualquer pequeno reparo que deseje fazer, use material livre de acidez: emprega-se normalmente como adesivo a metil-celulose e como reforço o chamado "papel japonês". Para mais que isso seria conveniente que fizesse primeiro um estágio em um laboratório de restauração de livros e papeis.

Sobre locais onde estagiar para aprender técnicas de restauração, veja, por favor, a resposta à pergunta n.1.

Mais informações, recorra aos livros e artigos indicados no arquivo Bibliografia

5. Gostaria de saber se você tem um modelo de projeto para conseguir recursos financeiros para restaurar uma coleção.

Primeira hipótese de solicitação de recursos:

Você mantém a coleção fechada e deseja que alguma Instituição dê suporte financeiro para abri-la e realizar o diagnóstico, e a partir do levantamento dos serviços necessários, lhe proporcione mais recursos para a restauração propriamente dita.

Segunda hipótese:

Você abre a coleção, organiza uma equipe para fazer fichas de diagnóstico, pede o orçamento da restauração a um laboratório e então busca ajuda financeira de valor fixo.

Em qualquer das duas hipóteses você terá que fazer uma carta-consulta de duas a três páginas no máximo (Não um projeto propriamente), expondo o valor da coleção, citando as principais obras raras que tiver, com uma descrição do estado em que se encontra a coleção, as dificuldades que levam à necessidade de buscar recursos fora do seu próprio sistema, etc.

Na primeira hipótese, o normal é a celebração de um convênio. Parte-se logo para um primeiro convênio com o Órgão que dará o apoio financeiro. Este fará o desembolso na medida do necessário, liberando os recursos para os estudos preliminares, os quais consistirão principalmente na elaboração das fichas de diagnóstico para cada volume. O coordenador ou gestor do convênio movimentará a conta bancária e fará a prestação de contas dos recursos recebidos. O convênio poderá ser prorrogado se necessário, e anualmente serão alocadas verbas, à vista do seu relatório sobre o andamento dos trabalhos e de acordo com o programa que você apresentar e for aprovado.

Na segunda hipótese é o simples pedido da ajuda financeira com especificação do montante necessário, o qual é previamente fixado com base no orçamento que você obteve do laboratório. Ao solicitar o apoio financeiro você já sabe de quanto precisa. O órgão ou empresa que concordou em fornecer os recursos fará uma carta de compromisso de financiamento e irá ela mesma pagar as contas do laboratório e mais o que estiver incluído no projeto. Em outras palavras, não há repasse de recursos para você ou sua instituição.

6. A pesquisa em nossa biblioteca aumentou consideravelmente, trazendo preocupação quanto à preservação principalmente dos jornais. Fico em dúvida se o melhor serviço ainda é a microfilmagem ou se já existe algo mais moderno através da informática.

Para a coleção de jornais, a microfilmagem ainda me parece o melhor procedimento. (Escanear inclui muito risco de falhas e os suportes de poliester dependem de adesivos para as partículas magnéticas os quais ainda não são confiáveis). A microfilmagem é um recurso insuperável quando se trata de jornais antigos, de documentos, de códices ou de obras raras. A finalidade do microfilme é mais e principalmente a de permitir a leitura do documento nas máquinas leitoras de microfilme, evitando que os originais sejam utilizados e sofram danos. É uma boa idéia utilizá-la para os jornais e documentos, pois os exemplares deixariam de ser manuseados e ficariam assim a salvo do desgaste.

A Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro mantinha um programa de microfilmagem de periódicos em todo o interior do Brasil. Eles mandavam uma equipe fazer a microfilmagem. A propósito, liguei para a Biblioteca Nacional e me informaram que o "Projeto de Microfilmagem de Periódicos" (jornais, semanários, etc.) no interior do país continua atuando. Caso deseje candidatar-se escreva para:

Vera Lucia Garcia Menezes
Divisão de Micro-reprodução
Biblioteca Nacional
Avenida Rio Branco, 219
Rio de Janeiro,
RJ 20.040-008
Telefone (021) 262-8255 Ramal 220
O chefe substituto da Divisão é o Sr. Oliveira.

7. Minha cidade possui varios documentos historicos ainda nao catalogados e espalhados, principalmente no Forum local. Pediram me que fizesse um projeto para compilacao, selecao e arquivo desses documentos. A preservaçao desse futuro arquivo seria atraves de microfilmagem ou CD-Rom?

Existem no Brasil vários cursos universitários de Arquivo. Uma escola ou universidade próxima de você e que tenha um curso desse tipo poderá aceitar fazer um convênio para realização do projeto. Se isto não é possível, outra solução seria chamar um técnico do Arquivo Nacional, do Arquivo Estadual, ou Municipal, de São Paulo para examinar as coleções ou corpos documentais que se cogita reunir no Arquivo. O problema é que as instituições andam se queixando de falta de pessoal e falta de verbas.

O primeiro passo seria o exame preliminar das coleções feito por um técnico porque sem essa avaliação não será possível dimensionar o volume documental presente e futuro, afim de determinar a capacidade do Arquivo projetada para algumas décadas.

Os documentos têm que ser avaliados também para fins de mudança do local de origem para o novo local e separados, para tratamento especial no transporte, aqueles em pior estado. É necessária a previsão de gastos em material de acondicionamento para a mudança e o depósito provisório. Um projeto responsável não permite que uma única folha se perca na fase de transporte.

Outra questão delicada e controvertida é a decisão de o que guardar e o que descartar. Claro que o ideal seria conservar qualquer papel que vinculasse uma informação não repetida ao nome de um cidadão. Um documento pode vir a ser importante no futuro simplesmente por revelar que alguém esteve em algum lugar numa certa época. Por aí se vê que muito pouca cousa poderá ser posta de lado.

Outros aspectos do projeto dizem respeito à boa adequação do local do armazenamento quanto à sua ventilação e iluminação, controle da temperatura e da umidade, controle de insetos daninhos e da poluição, à proteção contra incêndio, às facilidades para situações de emergência e segurança, locais de exibição e de leitura, e instalações para procedimentos ligeiros de conservação e restauro. Aqui as recomendações são as mesmas que para uma biblioteca. No entanto, o estado da documentação pode exigir que desde o início exista no Arquivo um laboratório de restauração, o que é um item a ser examinado à parte.

Esta seria uma primeira fase. Outra seria a da organização do acervo documental. Como se trata de documentos de vários tipos, a organização do novo Arquivo poderá, em princípio, preservar os corpos documentais separadamente, de acordo com sua origem.

Com tantas facetas a serem examinadas, um projeto de Arquivo, por menos ambicioso que seja, é algo muito complexo, requerendo a assistência técnica de uma equipe competente. Essa equipe deve incluir tanto os profissionais da construção quanto os profissionais da arquivística, na fase de desenho do projeto, e todos os detalhes serem discutidos com ampla compreensão daquelas necessidades fundamentais para o bom funcionamento e segurança do Arquivo.

8. Livros velhos precisam ser desinfetados de bactérias de doenças contagiosas em câmaras de expurgo?

É sabido que roupas usadas podem conter micróbios de doenças infecto contagiosas, como é o caso do cólera, da varíola e de outras doenças em que o tecido conserva resíduos deixados pelo portador. Mas é bem pouco provavel que isto aconteça com livros. E se for o caso, é duvidoso que câmaras de expurgo possam fazer a higienização. Melhor consultar um serviço de saúde ou o serviço de desinfetação de um hospital para obter uma orientação. As câmaras de expurgo são geralmente utilizadas para matar insetos que roem o papel ou deixam marcas nas páginas de livros e documentos. São câmaras a vácuo onde os livros são tratados com inseticidas poderosos.

9. Em nossa cidade não existe uma câmara de expurgo e teríamos que enviar os livros para a Capital. Existe uma maneira de evitar isto?

Não existindo a possibilidade de usar uma câmara, o tratamento dos livros pode ser feito, de modo igualmente eficaz, colocando-se lotes de livros em bolhas de plástico. Ambos os métodos requerem a assistência de técnico especializado.

O mais simples a fazer no combate aos insetos é verificar onde se aninham ou de onde provêm e eliminar essa passagem. Tratar a coleção, volume a volume, mediante simples limpeza conforme está detalhado abaixo (Vide a resposta à pergunta n. 3). Ao passar as páginas, o local com a infestação será percebido e a limpeza removerá os insetos. Se a capa dura estiver infiltrada de insetos, pode usar um inseticida seco de origem confiável. Depois de 72 horas remova o excesso do produto com uma trincha bastante macia e limpe o volume externamente com flanela.

É aconselhável fazer sempre um teste com o inseticida, colocando uma pequena quantidade dele sobre um papel do mesmo tipo do papel a ser tratado. Deixe por dois dias e verifique se o inseticida não causou nenhuma mancha ou outro tipo de dano. Mesmo que o produto se revele seguro, é bom evitar seu contacto direto com o material. Panos embebidos com o inseticida, separados por uma folha de plástico, por exemplo. Tudo cuidadosamente inserido no envoltório de plástico hermeticamente fechado, deixe o inseticida atuar por 72 horas.

Mantendo a temperatura do ambiente baixa e a umidade do ar sob controle, os insetos não farão morada nem visitarão o local (vide também a respeito a resposta n. 3).

9. Em nossa cidade ocorreu uma grande enchente e os livros da biblioteca da escola ficaram encharcados. Que fazer para salvá-los?

Livros molhados em enchentes, e também em inundações provocadas por rompimento de canos, entupimento de galerias como costuma acontecer em depósitos de livros em subsolos, ou ainda pela água usada para apagar o fogo nos incêndios - , podem ser recuperados se forem socorridos adequadamente e com urgência.

O livro absorve uma quantidade grande de água muito rapidamente. Aquele datados de antes de 1850, devido ao tipo de papel utilizado pela indústria editorial de então, têm capacidade de absorção de cerca de 80% de seu peso; os editados após aquela data, absorvem cerca de 60 %. Em contrapartida, os primeiros resistem a uma imersão total em água por muito mais tempo que os últimos. Um acervo de livros modernos, pesando dez toneladas, passa a pesar 16 toneladas depois de molhado. O processo de secagem terá que retirar dele 6 toneladas de água!

O principal problema dos livros encharcados é o empastelamento. Quando o material começa a secar, o movimento capilar da água no miolo do livro desloca materiais que se comportam como adesivos e provocam o empastelamento pela aderência das folhas umas às outras. Secando nessas condições o livro se transforma em um tijolo. Ao mesmo tempo, o papel molhado torna-se rapidamente meio de nutrição para cogumelos e fungos, cujo ataque ao livro vai criar mais um problema. Este e outros agravantes fazem o tempo uma questão crucial.

A primeira providência de socorro ao livro molhado é o seu congelamento, um meio de estabilizar a situação, impedindo os efeitos da capilaridade e a proliferação de organismos. Esta solução, apesar de simples, é dificilmente exeqüível quando se trata de grandes acervos, pois demanda grandes frigoríficos. Para pequeno número de livros, um freezer doméstico servirá. O congelamento deve ser rápido, para evitar a formação de cristais grandes de gelo. Por isto, os livros ou documentos molhados devem ser submetidos a uma temperatura de menos 30 graus centígrados.

A etapa seguinte é o descongelamento sem formação de água. Na proporção que o material possa ser tratado, os volumes e documentos são descongelados sem a formação de água, ou seja, o gelo fino que endurece as folhas tem que passar diretamente ao estado gasoso e isto pode ser conseguido com pouco calor, a temperaturas baixas, mediante a redução da pressão ambiente. Existem máquinas de secagem a vácuo para variados fins. Este é o processo chamado de "liofilização".

Após a secagem por liofilização os livros e documentos estão prontos para serem tratados e restaurados dentro da técnica usual.

Estas informações e mais detalhes a respeito do assunto você encontra em McCleary (1987) indicado no arquivo Bibliografia.

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Direitos reservados. Para citar este texto: Maria José Távora Cobra - Conservação e restauração de livros e documentos: perguntas mais freqüentes. Site COBRA PAGES, www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2001. ("www.geocities.com/cobra_pages" é "Mirror Site" de COBRA.PAGES)

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