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VIVES

Vida, pensamento e obras de JUAN LUIS VIVES - I

Página escrita por
Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

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Introdução. Juan Luís Vives é contado entre os mais completos e influentes humanistas do renascimento intelectuais semeadores de idéias novas e ousadas, apresentadas como descobertas e utopias. Tais idéias, apesar de desprovidas do caráter contestatório e ideológico que teriam depois as correntes filosóficas do iluminismo, e em que pese a profunda espiritualidade e preocupação religiosa de seus autores, eram já idéias marcadas pela crítica iluminista ao governo e à Igreja, que desaprovavam a nova preocupação temporal com o homem, a valorização da observação sistemática da natureza, a experiência controlada, e o estudo de caráter investigativo e educativo em geral.

Um fugitivo da inquisição por ser judeu converso cuja família fora acusada de reincidir no judaísmo –, Vives viu-se obrigado a deixar a Espanha e buscar asilo sucessivamente na França, na Bélgica, na Inglaterra e novamente na Bélgica, onde se integrou em um círculo de amizades ilustres: foi amigo de Erasmo, de Thomas More, de Budé e do Papa Adriano VI. Foi autor de cerca de 60 obras escritas em latim, sobre temas devocionais e apologéticas, obras de filologia, de política e moral; filosofia e psicologia, educação e métodos pedagógicos.

VIDA

Origem. Juan Luís Vives e March, filho de família judia, nasceu em Valência, na província do mesmo nome, na Espanha, a 6 de março de 1492 e faleceu em Bruges, província de Vlaanderen, Bélgica, a 6 de maio de 1540. Foram seus pais Luís Vives Aureliola e Blanca, ou Blanquina, March, parente do poeta Ausias March. Seu avô paterno, Abrafim Abenfacam, havia se convertido ao cristianismo ao final do século XIV. O ano do nascimento de Vives foi dramático para as famílias judias, obrigadas a escolher entre se converterem ao cristianismo ou deixarem a Espanha. Os Vives, já convertidos porém judaizantes, ficaram na Espanha, e Juan Luís recebeu sua primeira formação em Grego e Latim em sua terra natal.

Formação. A família de Vives cuidou que tivesse uma educação esmerada e severa. Teve por mestres intelectuais conhecidos em Valência como Jerónimo de Amiguet, de Tortosa, e Daniel Siroleridano. O primeiro transmitiu-lhe conhecimentos de gramática, e também seus desacordos com o intelectual humanista Élio Antônio de Nebrija, autor da primeira gramática da língua castelhana, que introduzia importantes modificações no ensino e fora adotada nas escolas, incitando Vives a criticar aquele autor em seus primeiros escritos. Influiu também em sua educação seu tio Enrique March, professor de Direito na universidade de Valência.

Devido ao perigo e aos transtornos que uma epidemia de peste trouxe a Valência em 1508, Vives foi, no ano seguinte, então com 17 anos, enviado a Paris, para continuar seus estudos. Ingressando na Sorbone, sobressaiu-se nos estudos de Teologia e Filosofia. Permaneceu em Paris até 1512, quando deixou a França e passou aos Países Baixos (Um grupo de províncias hoje divididas em Bélgica, Holanda, e nordeste da França).

Juventude. Deixando os estudos em Paris, Vives escreveu, em 1513, a biografia de seu ex-mestre, o dialético francês Jean Dilaert. Estabeleceu-se em Bruges, situada na região de Flandres que hoje incorpora a província belga de Vlaanderen mais uma parte da região nordeste da França. Em Bruges, que se transformaria em sua segunda pátria e ponto de partida para as várias viagens que faria no futuro, hospedou-se em casa dos Valladar (Valladaura, Valadares, ou Valdaura), que também eram de origem valenciana, como preceptor dos filhos da família.

Em 1514 fez uma breve viagem a Paris, e é de então a sua obra, Christi Jesus Triumphus. Dizem seus biógrafos que o tema lhe foi sugerido pelos amigos e por seus antigos mestres, e que Paris o atraia, mas o tumulto das ruas e o humor sarcástico de seus habitantes fizeram com que preferisse Flandres.

Um intelectual respeitável, Vives tornou-se amigo de pessoas influentes em Bruges, entre elas o Senhor de Chievres, que seria pouco depois primeiro ministro do imperador Carlos V, e que o tomou, em 1517, para preceptor de seu sobrinho o príncipe Guilherme de Croy então já bispo de Cambrai com apenas 17 anos de idade, e que seria brevemente cardeal arcebispo de Toledo. Em companhia do príncipe Vives viajou por Henao (Hainaut) e pelo Brabante, províncias da atual Bélgica, o que lhe valeu a oportunidade de criar novas amizades e escrever seus trabalhos, entre eles, de 1518, sua primeira obra filosófica De initiis, Sectis et Laudibus Philosophiae.

Vives publicou em Louvain, no início de 1519, seu Adversus Pseudodialecticos, uma crítica aos professores da Sorbonne, denunciando a decadência em que o "nominalismo" escolástico lançara a ciência das universidades européias. Residindo então em Louvain foi nomeado professor de humanidades (ciências naturais e letras) da Universidade em 1519, e no Colégio do Castelo (collegium castrense).

O seu tratado Pseudodialecticos não alcançara a repercussão esperada e tendo ele retornado a Paris em meados do mesmo ano, foi recebido cordialmente por aqueles que ele havia criticado naquela obra. Lá, conheceu a Guilherme Budé, embaixador, bibliotecário real e educador, autor de L'Institution du Prince (1516) que influenciou Francisco I da França para criar, em 1530, o Collège Royal como um centro intelectual humanista que seria depois a Universidade Collège de France -, e também criador da biblioteca real no palácio de Fontainebleau que se tornaria a Biblioteca Nacional da França, e com ele passou a manter correspondência.

Na universidade de Louvain teve por companheiros de magistério Adrian Florensz Boeiens, tutor do futuro imperador do Sacro Império Romano, Carlos V, e mais tarde Papa com o nome de Adriano VI, e Desiderio Erasmo, então já sexagenário, pelo qual Vives sentia grande admiração e do qual se declarou "filho e discípulo". Ambos eram membros do movimento da reforma religiosa e educacional devotio moderna, para promover a alfabetização das massas, com o qual Vives tinha grande afinidade.

Por conselho de Erasmo, Vives iniciou a preparação de um comentário ao De civitate Dei (Cidade de Deus) de Santo Agostinho, que publicaria em Basle (Basileia) em 1522. Porém, apenas havia começado aquele trabalho quando seu discípulo e protetor o Príncipe Guilherme de Croy, ex-bispo de Cambrai, cardeal arcebispo de Toledo, morreu, vítima de um acidente,

Esgotado pelo excesso de estudos e trabalhos, Vives decidiu viajar a Ambers e de lá voltou a Bruges, onde foi acolhido em casa de um certo Pedro de Aguirre, e recebeu um modesto socorro da rainha Catarina da Inglaterra, possivelmente por obra do chanceler Thomas More, a instâncias de Erasmo, amigo de ambos.

Ainda em 1522 publicou De Corrupta Dialéctica e De Corrupta Grammatica. Desta época datam também suas Declamationes Sex (Seis declamações), Declamationes Sullanae, Pompeius Fugiens, e o diálogo Ludas chartarum entre outras obras.

Vives deteve-se em Bruges esperando que pudesse receber algum benefício do Imperador, que ali se encontrava. Porem a indicação do seu nome feita pelo amigo Juan de Vergara, para preceptor de um filho do temível Duque de Alba - que conquistaria Portugal em 1580 -, foi derrotada por outro pretendente. Também Erasmo o propôs para preceptor do infante dom Fernando, irmão de Carlos V, cargo que ele havia deixado por alegando sua precária saúde., e quando esperava que seu amigo, o papa Adriano VI, lhe dispensasse sua proteção, este morreu prematuramente em setembro de 1523. Sentindo-se ao desamparo, Vives retornou pouco depois a Louvain.

Na Corte Inglesa. A sorte de Vives veio a mudar graças a nova ajuda de Tomás More, que o chamou para a corte inglesa, como leitor da rainha Catarina de Aragão, esposa de Henrique VIII, e preceptor da sua filha Maria, princesa de Galles. Vives julgava que a Inglaterra de Henrique VIII poderia vir a representar uma pátria para o humanismo, e nesse sentido fez um elogio ao país e ao seu rei na dedicação dos seus comentários ao livro de Santo Agostinho De civitate Dei, publicado em 1522.

Na Inglaterra, foi bem recebido na corte, inclusive pelo chanceler e cardeal Wolsey, pelo estadista William Blount, Barão de Mountjoy, que fora aluno de Erasmo, e pelos notáveis humanistas ingleses, John Grocyn, vigário da igreja de St. Lawrence Jewry que, de volta da Itália alguns anos antes, começara a ensinar grego em Oxford; o médico Thomas Linacre, então ocupado com seu projeto de fundação da sociedade que depois se tornou o Royal College of Physicians; e John Colet, cônego de St. Martin Maior, o qual, depois de um período na Itália, se fez o introdutor do renascimento italiano na Inglaterra e inaugurou no país um novo método educacional. Na Páscoa de 1523 concluiu o seu conhecido De institutione feminae christianae, que dedicou à rainha, e foi publicado no ano seguinte em Anvers. O livro explicava como uma mulher deveria ser educada, qual deveria ser seu comportamento em diversas ocasiões e o seu foco principal eram as idéias de castidade e virgindade e sexo exclusivamente para a procriação.

Tomas More e seus influentes novos amigo obtiveram para Vives uma cátedra no Colégio do Cardeal, depois Christ Church, de Oxford, onde foi leitor de Latim e jurisprudência a partir de outubro de 1523. Ficou conhecido como educador com o livro De ratione studii puerilis ("Da Razão dos estudos infantis"), escrito a pedido da rainha Catarina para servir como orientação do estudo da princesa Maria Tudor. A obra, que segue a linha do De institutione foeminae christianae, foi publicada em Bruges em 1523. Ainda na mesma linha compôs em 1524 o Satellitium, um livro de máximas para a princesa Maria.

No período em que esteve na Inglaterra (1523-28) fez algumas viagens a Bruges, e numa destas se casou, em maio de 1524, com Margarida Valldaura, sua discípula quando, em seus primeiros anos em Flandres, fora hospede de sua família.

Sua obra famosa, o Introductio ad sapientiam, um guia que aponta as obrigações dos homens com respeito a Deus, a ele próprio e ao próximo, para a perfeição cristã, foi publicada em Louvain, em 1524. O Introductio teve em pouco tempo cinqüenta edições.

No ano de 1525 a Universidade de Alcalá de Henares ofereceu-lhe uma cátedra que vagara por ocasião da morte de Antônio de Nebrija mas Vives recusou-se a aceitá-la porque isto o colocaria novamente ao alcance dos braços da Inquisição. No ano seguinte seu pai morreu na fogueira por condenação daquele Tribunal

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Rubem Queiroz Cobra           

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada em
13/01/2002

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Juan Luís Vives. COBRA.PAGES.nom.br, Internet, Brasília, 2002.
("www.geocities.com/cobra_pages" é "Mirror Site" de www.cobra.pages.nom.br)

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