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BACON

Vida, época, filosofia e obras de Francis Bacon - I

Página escrita por
Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

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Bacon (1561-1626):é o primeiro de três famosos filósofos cortesãos que se sucedem na corte inglesa: Bacon, Hobbes e Locke. Ao tempo de Bacon surgem obras científicas e filosóficas importantes. Bruno, em 1584, publica "Do Infinito, do Universo e dos Mundos"; o próprio Bacon publica, em 1597, "Ensaios de Moral e de Política" e em 1620, "Novo Organon das Ciências; Campanella, em 1620, publica "Sobre a Sensação das Coisas e a Magia"; e novamente Bacon, em 1623, "Grande Instauração". Campanella publica, em 1623, "A Cidade do Sol"; Galileu, em 1623, "O Mensageiro Celeste"; e Descartes, em 1637, "Discurso sobre o Método".

Francis Bacon viveu à época de Isabel (ou Elizabete) I, que eu considero uma das mais facinantes épocas da História. Nasceu em Londres, na propriedade York House, que ficava na esquina da rua Villiers com a rua Strand, em 22 de janeiro de 1561, filho mais novo de Sir Nicholas Bacon e Anna Cook, a segunda esposa de seu pai. Sir Nicholas ocupava o cargo de Lord Guardião do Selo Real ("Lord Keeper of the Seal"), função geralmente de um sacerdote ou jurista muito culto. O guardião era incumbido da redação dos escritos da corte, e tinha sob sua custódia o selo ou instrumento de imprimir o sinal do Rei sobre o lacre de autenticação dos documentos reais. Sua mãe era intelectual puritana e o vigiava quanto a amizades e leituras, sem no entanto conseguir que fosse um puritano exemplar.

Bacon entrou para o Trinity College, em Cambridge, em 1573, aos 12 anos, e ali estudou por 3 anos as ciências então em voga. Com grande interesse pelos estudos, entediava-se com a filosofia de Aristóteles, ocupando-se de ler livros que acabavam de ser impressos com a invenção da imprensa, e que considerava mais úteis para beneficiar a vida do homem, como o de Rodolfo Agrícola (1494-1555) "Sobre as Coisas Metálicas".

Em 1576 entra, com seu irmão mais velho Anthony, na Gray's Inn, para aprender jurisprudência através da prática e assistência a advogados experientes. Bacon ficou no Trinity College de 1573 a 1575, mas sofreu lá de saúde frágil. devido a uma constituição fraca.

De 1576 A 1579 Bacon esteve na França como membro da comitiva do embaixador inglês Sir Amyas Paulet. Foi chamado de volta devido à morte subta de seu pai, que pouco lhe deixou. Forma-se em Direito em 1582. Para viver depende da atividade como advogado. Neste mesmo ano é advogado assistente, ou substituto, na Gray's Inn.

Em 1584, com 23 anos, tornou-se membro do Parlamento por Melcombe Regis em Dorset. Em 1589 escreveu Letter of Advice to the Queen ("Carta de Aconselhamento à Rainha"), e An Advertisement Touching the Controversies of the Church of England ("Proclame a respeito das controvérsias sobre a Igreja da Inglaterra").

Em 1591 foi nomeado conselheiro da Rainha. Tornou-se amigo de Robert Devereux, conde de Essex, favorito da rainha, no qual Bacon via um jovem promissor. Ofereceu-lhe amigavelmente conselhos de sua experiência. Essex em troca fez o possível para resgatar a boa vontade da rainha para com Bacon, e tentou sem sucesso que ele fosse indicado para a vaga de advogado geral do reino.

Em 1593 tem assento no Parlamento por Middlesex e, por sua atuação destacada no Parlamento, foi convidado para Conselheiro da Coroa. Nesse mesmo ano caiu em desfavor por se opor à cada vez maior solicitação de recursos feita pela coroa para sustentar a guerra contra a Espanha. A rainha Elizabete sentiu-se ofendida.

Sua primeira obra foi "Ensaios", publicada em 1597, juntamente com Colours of Good and Evil e o Meditationes Sacrae, no conjunto considerados "repertório de conhecimentos teóricos das paixões e da natureza humana, aproximando-se do maquiavelismo". Os  Essayes eram 10 em 1597, aumentados para 38 como The Essaies of Sr Francis Bacon Knight em 1612, e para 58 como The Essayes or Counsels, Civill and Morall publicados em 1625.

Em 1598 a situação de seu protetor o Conde de Essex ficou difícil, por ter falhado em uma expedição para captura de galeões espanhóis carregados de tesouros. Bacon trabalhou para que fosse enviado para a Irlanda com a missão de pacificar uma revolta. As coisas não correram melhores para Essex na Irlanda e ele retornou a Londres sem permissão. Os esforços que Bacon possa ter feito para contornar tantos problemas para o amigo não surtiram efeito.

Em meados de 1600 Bacon se achou, como membro do conselho de sábios da Rainha, tomando parte no julgamento informal de seu patrono. Essex compreendeu sua posição sem ressentimentos e depois de absolvido continuou seu amigo.

Em 1601, porém, o conde foi proibido de entrar no Palácio. Passou então a dialogar com contrários à rainha e, sabendo que ia ser preso, reuniu 200 homens que comanda em um atentado para seqüestrar a soberana, de modo a forçá-la a demitir os inimigos que ele tinha na corte. Com o fracasso da rebelião, Essex e os outros lideres do levante foram presos, e Bacon recebeu da Rainha a incumbência de preparar as provas legais de modo a assegurar a condenação por traição no julgamento do Conde. Bacon, que nada sabia do golpe, encarou Essex como um traidor e preparou o relatório oficial dos acontecimentos.

Redigiu então  A Declaration of the Practices & Treasons Attempted and Committed by Robert, Late Earle of Essex (1601). Uma vez que eram notoriamente amigos, a incumbência recebida talvez tivesse o objetivo de também incriminar Bacon, se a recusasse. O Conde foi condenado à morte e executado no mesmo ano.

Para explicar sua atuação contra o amigo, alguns anos depois (1604) Bacon escreveu Sir Francis Bacon His Apologie, in Certaine Imputations Concerning the Late Earle of Essex ("Esclarecimentos acerca das Imputações Relacionadas ao Recém-Falecido Conde de Essex") nos quais se defendia contra a acusação de deslealdade, afirmando que um homem honesto prefere Deus a seu Rei; seu rei a seu amigo". Teria assim apenas cumprido seu dever.

Somente após a morte de Elizabete em 1603, quando o trono passou a Jaime I, a carreira de Bacon progrediu. Por essa ocasião (final do reinado de Isabel I e início do reinado de Jaime I) o primo de Bacon, pelo lado de sua mãe, Robert Cecil, era conde de Salisbury e Ministro Chefe da coroa. Ajudado pela influência de seu parente, Bacon foi feito cavaleiro pelo rei no mesmo ano que este subiu ao trono. No ano seguinte foi confirmado como membro do conselho de sábios e teve assento no primeiro Parlamento do novo reinado, nos debates de sua primeira sessão. Foi designado para a comissão qu estudava a união com a Escócia.

Em 1604, além do já referido Apologie, publicou, Certain Considerations Touching the Better Pacification, and Edification of the Church of England ("Algumas considerações a respeito da melhor pacificação e edificação da Igreja da Inglaterra"). Ao fim de 1605 ele publicou o seu Of the Proficience and Advancement of Learning Divine and Humane (Sobre a proficiência e avanço do conhecimento divino e humano"), dedicado ao Rei.

No verão de 1606, aos 45 anos, Bacon casou com Alice Barnham, de 40 anos, a filha de um conselheiro municipal (alderman) londrino. Não tiveram filhos.

Em 1607, em junho, os esforços de Bacon para convencer os Commons a aceitar a proposta do Rei para união com a Escócia foram recompensados com o posto de solicitador geral (solicitor general).

Em 1609 publicou De Sapientia Veterum Liber ("A Sabedoria dos Antigos"), no qual expunha o que considerava como significado prático oculto incorporado nos mitos antigos. Essa obra tornou-se, junto com os Essayes, seu livro mais popular ainda durante sua vida.

Em 1612, após a morte de seu primo conde de Salisbury, Bacon teve mais oportunidades de influir na administração, através de seus pareceres sobre negócios de estado. Em 1613, o rei nomeou-o Procurador Geral (attorney general), posto em que ficou em conflito com o Juíz do Conselho do Rei, Edward Coke, um jurista contrário ao poder do Rei de interferir na justiça comum. Em 1614 parece Ter escrito o The New Atlantis, sua utopia de longo alcance científico que foi à prensa somente em 1626.

Em 1617 Bacon foi nomeado Guardião do Selo Real, o mesmo cargo que fora uma vez exercido por seu pai. Em janeiro do ano seguinte foi nomeado Lorde Chanceler (Lord High Chancellor) e recebeu o título de Barão de Verulam., e em 1621 visconde de St. Albans. Sua ascensão ao mais alto cargo do reino deveu-se, ao que parece, parte a seu brilhante desempenho na corte, e parte a sua amizade com George Villiers, favorito do rei e que depois foi duque de Buckingham

Entre 1608 e 1620 ele preparou pelo menos 12 rascunhos da sua mais célebre obra, o Instauratio Magna, também conhecido por Novum Organum, publicado em 1620, e escreveu vários outros trabalhos filosóficos menores.

Então, ao mesmo tempo que era objeto de atenção dos intelectuais na Europa, devido a suas obras, Bacon gozava grande proeminência na corte inglesa, por ser homem de confiança do rei, pelo trato agradável e bem humorado, e sua magnanimidade demonstrada em gastos com a promoção de festas para a sociedade além do fausto doméstico. No entanto os ensaios Of Friendship ("Da Amizade") limita-se a falar de relações entre homens e o seu Of Beauty (Da beleza") discute apenas exemplos masculinos, o que pode ser significativo quanto a sua verdadeira personalidade.

Essa projeção lhe trouxe também muitos inimigos. Em 1621, foram levantadas contra ele duas acusações de corrupção diante da Comissão de Justiça que ele próprio presidia.

Dois homens que o haviam presenteado, não ficaram satisfeitos com o resultado da causa que pleiteavam e o denunciaram por aceitação de suborno com respeito a processos em andamento (autorizações para comércio, indústria e monopólios). O fato foi confirmado por testemunhas. Bacon não pode defender-se de pronto porque coincidiu de estar doente na ocasião da denúncia. Quando pode fazê-lo, admitiu os presentes recebidos mas alegou que não haviam feito diferença sobre o curso do processo. Pretendeu desculpar-se com o Rei mas este recusou-se a recebê-lo. Renunciou ao cargo esperando que isto fosse suficiente.

A sentença foi de prisão na Torre de Londres e multa de quarenta mil libras, além da proibição de exercer cargos do Estado e de ter assento no Parlamento. Chegou a ser encarcerado., mas a sentença foi reduzida e nenhuma multa foi paga e somente por quatro dias esteve detido na Torre. Porém, nunca mais exerceu cargos ou teve assento no Parlamento. Foi banido da corte, o que significava proibição de estar a menos de 12 milhas de raio da residência do soberano. Recolheu-se a uma propriedade sua, Gorhambury, próxima a St. Albans. O banimento o impedia de ir a certos locais que freqüentava, como visitar a biblioteca de seu amigo o intelectual inglês Charles Cotton, e até de consultar seu médico. O tesoureiro real passou a atrasar o pagamento de sua pensão e os nobres punham dificuldades para recebê-lo.

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Rubem Queiroz Cobra            
 

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada em
 01/03/1997
Última revisão 12/04/1999

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Francis Bacon. Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 1999.
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