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Benjamim Constant

Época, vida e obras de Henri-Benjamin Constant de Rebecque- Parte I

Página de Filosofia Contemporânea
escrita por Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

Parte I - Parte 2


Escritor e filósofo político suíço, Henri-Benjamin Constant de Rebecque nasceu em Lausanne, em uma família protestante de origem francesa,  a 25 de outubro de 1767, filho de Louis-Arnold-Juste Constant de Rebecque e de Henriette-Pauline de Chandieu. Faleceu em Paris em 1830. Seu pai foi comandante de um regimento holandês e ele foi educado por preceptores em Bruxelas e depois na Inglaterra, em Oxford. Em 1778 Benjamin se matricula na Universidade de Erlangen, ao norte de Nuremberg (Alemanha), que possuía cursos em Teologia protestante, Jurisprudência e Filosofia. Expulso de Erlangen, continuou seus estudos em Edinburgo, Escócia, onde conhece as idéias de Adam Smith, e para onde foi na companhia de seu pai. Esta educação predominantemente britânica tornou-se base de seu interesse pelo regime de respeito à liberdade individual, tanto na forma de uma monarquia constitucional como de uma república. Em 1785 seu pai o leva de volta à Suíça, onde ele começa a trabalhar Histoire du Polythéisme. Os dois volumes dessa obra seriam publicados postumamente, em 1832.

Ao final de 1786 ele vai a Paris e no início de março conhece Madame de Charrière, uma senhora holandesa cujo marido suíço tinha algum parentesco com a família Constant. Benjamim teve com essa mulher um relacionamento amoroso por quase dez anos, apesar de ela ser vinte e sete anos mais velha que ele.

Em abril de 1787, ele publicou anonimamente Essai sur les mœurs des temps héroïques de la Grèce, tiré de l’Histoire grecque de M. Gillies, um ensaio sobre os costumes na Grécia antiga. Nesse ano, Constant tenta se casar com Jenny Pourrat. Desenganado, tenta suicidar-se com ópio. No início do ano seguinte, Constant troca Lausanne por Brunswick, onde tornou-se camareiro (chamberlain) na corte do duque de Brunswick, Charles William; lá se casou, em maio de 1789, com Wilhelmina Louise Cramm, dama-de-companhia da duquesa.

Após uma curta viagem com a esposa, Constant retorna a Brunswick. Lá ele redige Sur la révolution du Brabant e assume refutar o Réflexions sur la révolution, de Burke.

Em março de 1793 separa-se da mulher. No ano seguinte, em setembro, ele conhece a rica e famosa escritora Madame baronesa de Staël. Ela o apresenta a Bonstetten, Narbonne, Mathieu de Montmorency, e outros amigos, e o leva a interessar-se pela filosofia política e a integrar-se no círculo que se reunia semanalmente em seu salão. Constant passa uma temporada, no início de 1795, na casa dela em Mézery, próximo a Lausanne. Em maio demitiu-se de seu posto no ducado de Brunswick e passou a viver com a baronesa, em Paris.

Em 15 outubro do mesmo ano, o Comité de Saúde Pública, órgão administrativo da Convenção dominado por Robespierre, exila da França a Madame de Staël e Benjamin a acompanha em seu retorno à Suiça. Nos meses seguintes ele vive em sua companhia, tanto em Lausanne quanto em Coppet.

Em abril de 1796, eles se comprometeram mutuamente a se consagrar um ao outro. Em novembro desse ano Benjamim adquire a propriedade de Hérivaux, em Luzarches. Um jogador inveterado e sempre afogado em dívidas, é possível que Madame de Staël, herdeira de uma das maiores fortunas da França, tenha aberto a bolsa para ajudar o projeto do amante, de adquirir os restos da velha Abadia de Hérivaux com seus jardins, vinhedos e seu bosque, a oito léguas de Paris, e reformar o que restasse aproveitável. Para Benjamin, era imprescindível ter um castelo para bem impressionar os amigos no poder, e ajudar a conseguir a nacionalidade francesa.

Em 1796 Constant publicou dois manifestos em favor do Diretório e combatendo os monarquistas anti-revolucionários: De la force du gouvernement actuel et de la ncessit de se rallier  e Des reactions politiques. Foi um dos criadores do clube constitucional que se reunia em Salm, rival do clube monarquista absolutista de Clichy. Em dezembro ele vai buscar Madame de Staël em Coppet, e a traz para Hérivaux, onde ela se hospeda no início de 1797. Ela voltaria a visitar o local em 1798.

Em 8 junho de 1797, nasceu, em Paris, Albertine de Staël, sua filha havida com a baronesa. Nessa ocasião ele publica Des effets de la Terreur e a segunda edição do De la force du gouvernement actuel et de la nécessité de s’y rallier. Também em meiados desse ano fundou em Paris o Circulo Constitucional. O Círculo apoiou o jacobino (anti-monarquista radical) Paul François Jean Nicolas, visconde de Barras, em 1797 e 1799, nos golpes de 18 do Fructidor (4 setembro de 1797) dos republicanos contra os realistas do Diretório, e de 18 do Brumário (9 de Novembro de 1799), para a derrubada do regime do Diretório e instalação do Consulado, um triunvirato de três cônsules, tendo Napoleão como primeiro cônsul.

Em dezembro de 1799 Constant foi indicado membro do Tribunat, porém desagradou a Napoleon logo no seu primeiro pronunciamento, devido à independência de suas idéias sabidamente influênciadas por Madame de Staël, com cuja colaboração ele havia preparado seu discurso liberal oposicionista.

O ano de 1802 se inicia com sua demissão do Tribunat. Ele então desiste de suas reformas nas ruínas da Abadia de Heriveaux; vende essa propriedade, e adquire Les Herbages, uma pequena casa rústica, próxima a Saint-Martin-du-Tertre, na floresta de Carnelle, acima de Montmorency. A 9 de maio do mesmo ano o embaixador, barão de Staël-Holstein, marido de Madame de Staël, falece no trajeto entre Paris e Coppet. Imediatamente Constant propõe casamento à rica viúva. Madame de Staël, porém, recusou sua proposta, por desejar manter o nome e o título de baronesa, e talvez também pela experiência de ter sido casada com um jogador endividado – o falecido barão –, que se valia de sua fortuna, e do qual se vira obrigada a fazer uma separação formal de bens. Constant passava parte de seu tempo no castelo em que ela vivia com seu pai, Jacques Necker, banqueiro e ex-ministro das finanças de Luís XVI, na Suíça, e parte em viagens com permanência principalmente em Weimar, visitando os amigos do círculo de Goethe e Schiller.

A intransigência de Madame de Staël e de Constant em sua oposição ao poder sempre crescente de Napoleão resultou no exílio de ambos em 1803. Impedida de estar em Paris, em outubro a baronesa decide conhecer a Alemanha e Constant a acompanha. Depois de se deterem alguns dias em Metz onde encontram o amigo Charles de Villers, em dezembro eles chegam em Weimar, onde por alguns meses convivem com Goethe e Schiller, entre outros intelectuais. Em março de 1804 Madame de Staël continua para Berlim, mas Constant retorna de Leipzig à Suiça. No caminho de Genebra é informado da morte do banqueiro Jacques Necker, o pai de Madame de Staël e retorna à Alemanha para lhe dar essa notícia e confortá-la. Encontra-a já de regresso, em Weimar e voltam juntos para Coppet.

Em fins de dezembro de 1805, falece sua antiga protetora, Madame de Charrière.

Constant inicia dois projetos literários em 1806: começa a redigir, o Principes de politique e também o romance Adolphe. É também o ano em que conhece Charlotte von Hardenberg, que conheceu também no ducado de Brunswick – como sua primeira mulher –, e uma divorciada como ele. Apaixonado, casa-se com ela secretamente em fevereiro de 1808. Mas Charlotte, encontrando-se no ano seguinte com Madame de Staël na vila de Sècheron, perto de Genebra, revela o segredo.

A delicada situação quase tem um fim trágico: Madame de Staël deseja que ele a encontre em Lyon, em junho, para a revisão final de seu livro De l’Allemagne. Em Lyon, Charlotte tenta o suicídio, o que é evitado; Constant, arrependido de haver se afastado da baronesa, separa-se de Charlotte e acompanha Madame de Staël que havia alugado residências para si primeiro em Chaumont e depois um esconderijo na fazenda Fossé, onde a polícia a descobre, destroi o livro que havia revisado, e lhe dá ordem de exílio não mais apenas de Paris, mas da França. Constant esteve por cerca de um mês em sua companhia na fazenda, em meados de 1810, desobedecendo ao banimento das proximidades de Paris a que também estava condenado por Napoleão. Mas os estragos no relacionamento com a baronesa parecem definitivos.

En 1810, sem recursos para saldar suas perdas no jogo, e sem a possibilidade de socorro por parte de Madame de Staël que estava para casar-se em segredo com o jovem,  ferido de guerra e oficial reformado, Albert-Jean Michel Rocca, Constant é obrigado a vender sua pequena propriedade de Les Herbages.

Em abril de 1811 ele vai pela última vez jantar em Coppet, onde encontra, na companhia de Madame de Staël, o oficial Rocca. Desentende-se com ele e faz um desafio para baterem-se em duelo, mas depois desiste da provocação. Em maio parte com Charlotte para a Alemanha.

O pai de Constant, Juste de Constant, falece a 2 de fevereiro de 1812. Em dezembro seguinte Constant é nomeado membro correspondente da Société Royale des Sciences de Göttingen.

Em dezembro de 1813 ele redige De l’esprit de conquête et de l’usurpation, publicado em janeiro do ano seguinte; uma segunda edição sai em Londres no mês de março.

Novamente livre para estar em Paris, a partir da derrota de Napoleão, Constant foi recebido na Capital, em 7 de maio de 1814, pelo imperador Alexandre, da Rússia, um dos aliados vitoriosos. A 4 do mesmo mês recebeu do príncipe Bernadotte, da Suécia, a condecoração da Ordem da Estrela Polar.

Publicou, em novembro, em Hanover, o seu De lesprit de con qute et de lusurpation dans leurs rapports avec la civilisation curopenne, um libelo contra Napoleão.

No verão de 1814 ele imprime numerosos textos políticos com a propaganda de suas idéias liberais em favor de uma monarquia constitucional e da liberdade de imprensa, e apaixona-se por Madame Récamier, uma grande amiga de Madame de Staël. Ao fim do ano, em dezembro, ele inicia a redação do De la responsabilité des ministres, que é publicado no início de fevereiro de 1815.

No início dos Cem Dias do segundo e curto período de governo de Napoleão, de quem até então fora combativo adversário, ele deixou Paris. Mas a atração por Madame Recamier, uma paixão não correspondida, o fez voltar. Após uma audiência com o Imperador em 10 de abril, passou a apoiar o seu governo; nomeado para o Conselho de Estado, redigiu o Acte additionnel aux constitutions de l’Empire. Em maio de 1815 publicou o Principes de politiques. Porém, a 21 de junho Napoleão foi derrotado em Waterloo, e obrigado a abdicar.

A volta de Louis XVIII e a restauração da monarquia após a segunda renúncia de Napoleão, fizeram que Constant fosse exilado da França por ordem do rei. Em outubro despede-se de Madame de Récamier e parte para Bruxelas onde, em dezembro, Charlotte vai unir-se a ele após quase dois anos de separação. De Bruxelas o casal segue para Londres em janeiro de 1816. Lá Constant publica, em junho, o Adolphe, um romance autobiográfico, que havia escrito cerca de sete anos antes, e considerado a primeira obra literária de fundo psicológico na literatura universal. Nele o caráter da personagem Eleonora soma as personalidades de Madame de Staël e de Madame de Charrière, falecida em 1805. Em setembro ele retorna a Paris.

Foi candidato à Academia em 1817, e perdeu duas vezes. No mesmo ano perdeu também sua amiga, a baronesa de Staël,  falecida em Paris.

Com seus amigos, em fevereiro de 1818, funda o periódico La Minerve française e pouco depois o La Renomme. Ainda este ano publica o Cours de politique constitutionnelle e 1819 foi eleito para a Câmara dos Deputados por Sarthe, como um político da oposição. Um enérgico defensor da liberdade de imprensa, seus inimigos tentaram a sua destituição com base no fato de ter nascido na Suiça. . Em junho publicou De l’état constitutionnel de la France » no La Renommée.

Em março de 1820 o La Minerve foi suprimido e Constant, revoltado, fez inúmeros discursos na Câmara dos Deputados e apresentou projetos de lei sobre a liberdade de imprensa. Em 27 de junho de 1821, fez um discurso na Câmara contra o tráfego de negros.

Em fins de 1822, Constant esteve preso por um mês e meio, acusado de simpatia com o complô republicano dos carbonários, sociedade secreta que reunia estudantes, intelectuais e políticos liberais importantes, um deles o General Berton, que tentou levantar seu regimento em Saumur – no rio Loire, a sudoeste de Paris –,  e foi preso e guilhotinado. Mas dois anos depois, em março de 1824, Constant foi eleito deputado por Paris. Nesse ano apareceu o primeiro tomo do seu De la religion. Louis XVIII morreu em setembro e seu irmão, Charles X, o sucedeu.

Em maio de 1825, Constant publica, na Encyclopédie progressive, um artigo sobre a evolução das idéias religiosas. Em agosto de 1827 ele foi recebido triunfalmente em uma viagem à Alsácia e, em novembro, publica mais um tomo do seu De la religion.  

Fez uma nova tentativa de ingressar na Academia, em novembro de 1828, que também resultou em fracasso, sendo eleito Prosper de Barante. Em agosto de 1829, publicou Mélanges de littérature et de politique.

Uniu-se a Lafayette em campanha para a coroação de Louis Philippe no trono da França. Em junho de 1830, reeleito deputado por Strasbourg, precisa retirar-se para o campo, por motivo de saúde. Em julho é publicado o último volume de De la religion.

Em fins de julho de 1830 ocorre a revolução chamada dos “Três gloriosos”, e Constant redige uma declaração em favor de Philippe d’Orléans e integra o cortejo que o acompanha até o Palácio da Municipalidade. Carlos X abdica e Louis-Philippe se torna Rei da França. Em agosto Costant foi nomeado para o Cnselho de Estado. Para pagar suas dívidas de jogo recebeu uma doação de 200,000 francos do rei, o que fez dele, mais uma vez, o alvo da crítica de seus inimigos.

Em novembro ele tenta ainda uma vez ser eleito para a Academia, sem sucesso, e esta nova abalou sua saúde.. No dia 19 faz seu último discurso na Câmara. Veio a falecer em 8 de dezembro de 1830, assistido por Charlotte e pelo amigo Coulmann. Seus funerais foram organizados pelo Estado, e foi enterrado a 12 de dezembro em Père-Lachaise.

Ele reuniu seus escritos políticos na Collection corn plete des ouvrages publies sur . . . la France (~ vols., 1818-1820), e no seu Discours a Ia Chambre des Dputs (2 vols., 1827).

Rubem Queiroz Cobra            
Doutor em Geologia e bacharel em Filosofia

Lançada em 17/12/2005

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Direitos reservados. Para citar esse texto: Cobra, Rubem Q. - Benjamin Constant. Cobra Pages - www.cobra.pages.nom.br, Internet, 2005.
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