Pensamentos Esparsos

Hoje: 01-08-2021

Página escrita por Rubem Queiroz Cobra
Site original: www.cobra.pages.nom.br

Esta página contém textos breves, relativos a temas variados, com os quais procuro instigar os leitores a desenvolver sua consciência de valores, no sentido do aprofundamento da sua maturidade pessoal. Algumas notas são pensamentos sobre questões que ainda são mistérios e dúvidas para nossa compreensão; algumas outras são críticas ao que me parece prejudicial para nossa imagem diante das nações mais desenvolvidas do mundo.

(O plano de fundo é uma aquarela de Jeannine Cobra.)

Na Política
Cartilhas de Imaturidade dos Governos

Se desejar saber com certeza o que é a “imaturidade coletiva”, o leitor poderá começar por ler algum dos volumes da “Cartilha de Imaturidade das Instituições Públicas dos Governos da República Federativa do Brasil Continental e de suas possessões no Atlântico Sul”. A que atualmente está em confecção, parece que suplantará a qualquer outra das editadas desde os primórdios de nossa história. É a mais rica, mais completa e também a mais divertida das muitas dezenas de cartilhas do gênero, deixadas pelos governos anteriores. Tem um encarte especial sobre a “Convenção dos Imaturos realizada em 22-04-2020”, já publicado em todas as mídias.

25/05/2020 R.Q.Cobra

Ideia de Brasil

Todo brasileiro sabe que o Brasil é visto no exterior como um país atrasado que, no entanto, é muito alegre, e onde o povo é festeiro e feliz, dança o samba e joga o futebol, e na primeira semana de convívio com um estrangeiro visitante, é muito hospitaleiro. Mas no concerto das nações, ninguém leva a sério um país que nunca teve um prêmio Nobel, nem mesmo nos campos de menor prestígio desse prêmio. Tornou-se recentemente o líder mundial da corrupção, mas já vai se esquecendo desse galardão.

Emendas Parlamentares

Sempre achamos normal que, por meio de “emendas individuais” feitas à proposta orçamentária da União, parte das verbas anuais fosse parar nos bolsos dos deputados ou senadores, para a construção de estradas , saneamento, postos de saúde e pontes em seus feudos eleitorais. A mim, isto sempre causou um certo desconforto. É injusto e criminoso que um município receba verbas e outro ‒, que não tenha a simpatia de algum parlamentar ‒, continue com esgoto a céu aberto. Alem disso, apesar do gasto com os milhares de funcionários encarregados da “fiscalização” do dinheiro doado, as obras que os parlamentares prometem a seus eleitores nas campanhas eleitorais nunca existirão, ou nunca serão acabadas, como é mostrado no noticiário das prisões de corruptos que ocorrem diariamente. O “crime das emendas” é praticado pelo Governo na mesma linha de motivos pelos quais ele presenteia partidos políticos com ministérios e estatais: a necessidade de comprar apoio dos “cabeças hediondas” do Parlamento. Ao fim de 2019, como de hábito, os senhores deputados e senadores brigaram pelo aumento da verba tão cobiçada das “emendas parlamentares”, mas o barulho não acordou os brasileiros do sono hipnótico em que vivem já por décadas.

(R.Q.Cobra, 01-2020)

ADENDO: O General Augusto Heleno Ribeiro Pereira expressou pensamento semelhante ao desta página ‒ quanto ao aspecto particular do prejuízo que representam para os Ministérios as emendas parlamentares ‒ em conversa acidentalmente divulgada em 18 de fevereiro de 2020. Espero que o bom General Augusto Heleno sustente com coragem sua posição para que esse acidente possa ser lembrado como o início do combate à prática nociva das emendas parlamentares.

O Juiz de Garantias

O pensamento socialista-comunista no qual nossa Constituição está vazada, e a impunidade que da Carta emana, tiveram origem no próprio caldeirão de corruptos em que foi gerada. Imaginem o que aconteceria aos réus se o tal “trânsito em julgado”, cuja finalidade “pétrea” é isentar o corrupto de ser preso até que o crime seja prescrito, fosse revogado! Sábios e precavidos, para se prevenirem contra esse desastre os “cabeças hediondas” já aprovaram a criação de mais uma instância, a dos Juízes de Garantias para “controle da legalidade nas investigações criminais, os quais, através de intrigas e de muita morosidade, poderão levar uma investigação a prolongar-se por décadas sem que haja condenação sequer na Primeira Instância. É extraordinária essa invenção porque nem a perda de elegibilidade haverá para o réu (Lei do colarinho branco), por não ocorrer julgamento e condenação. Apesar de que seja uma boa ideia a instituição dos juízes de Garantia, no Brasil ela não nasce no meio jurídico mas sim na Casa Grande da corrupção.

(R.Q.Cobra)

Saudades do lago dos cisnes

“Quebrar o pescoço do cisne foi, para mim, o objetivo do Presidente Jair Bolsonaro quando nomeou o seu ministro das relações exteriores, contrariando as expectativas dos diplomatas que se acreditavam na vez. E parece que desejou o mesmo ao tentar nomear seu filho para a nossa representação em Washington. “Quer quebrar o estereótipo de nobreza e chiquê da belle carrière, pensei, trazendo-a à realidade de ser a simples carreira burocrática que ela é. O ex-chanceler Fernando Henrique Cardoso, quando Presidente da República, trouxe esse viés de nobreza e exclusividade para outras funções públicas que apelidou “carreiras de estado”. Com esse preciosismo envergonhou e humilhou os demais servidores delas excluídos que ele considerou simples serviçais, rebaixando seus salários, e chamou publicamente os aposentados de vagabundos (ou seja, sem nenhuma nobreza). Fazer o próprio povo compreender a problemática internacional e se manifestar a respeito com interesse e maturidade me parecia ser o que o Presidente desejava.

(R.Q.Cobra)

Rodrigo Maia; os “cabeças hediondas” o incomodam.

Há apenas umas poucas semanas, em 25 de abril, eu comemorava solitariamente o primeiro ato oficial (a defenestração de uma propaganda gaiata do Banco do Brasil) indicando uma preocupação do governo Bolsonaro em mudar o retrato caricato do povo brasileiro por outro de gente séria, comprometida com um ideal de moralidade e progresso. Tivemos agora outra manifestação que reforça poderosamente a primeira. Desta vez foi o que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia disse em seu pronunciamento, ao fim da votação vitoriosa por uma nova Previdência, no dia 10 de julho: …”Eu, muitas vezes, fico ali acompanhando os discursos… E, a cada discurso que eu ouço, eu tenho cada vez mais .convicção de que a posição de reformar o Estado brasileiro é a posição correta.”(Parece que, nesse ponto, Rodrigo Maia reclama da falta de seriedade e de maturidade mental de alguns colegas e, para mim, está claro o quanto isto o incomoda)

“… Mas nós vamos precisar construir, daqui para a frente, uma relação diferente, em que o diálogo e o respeito prevaleçam em relação a qualquer tipo de ataque…

“Acho que uma Constituição com ratos, Deputada Fernanda, não é o que precisamos mostrar do Parlamento para o Brasil.(Palmas.)… O caminho é o respeito à posição de cada um dos deputados, para que possamos, mesmo na divergência, construir um Parlamento forte e construir uma agenda que de fato reduza as desigualdades e a pobreza neste País, para que ele volte a gerar emprego. Muito obrigado pela confiança de todos. Que Deus nos ilumine.”

(R.Q.Cobra)

Ministros hediondos

A prática velhaca e criminosa de trocar ministérios pelo apoio no Congresso, entregando a máquina pública a pessoas incompetentes e corruptas, nunca foi criticada como forma imoral e hedionda de governar. Porém, Governos assim podem ser chamados, sem perigo de erro, de “hediondos”. O governante faz o que quer, dependendo apenas de criar novos ministérios, e de trocá-los pelo apoio de que precisar. Em nosso país, o Supremo Tribunal Federal, por incauto ou por respeitar o silêncio da Constituição, nunca se debruçou sobre esta questão de grande implicação moral. Até recentemente o Brasil, preso a esta forma de fazer política, contava com 40 ministros hediondos!… e várias cabeças hediondas já gritam no Congresso que, se não ganharem um ministério, não votarão com o governo. Se, para reformar a Previdência, o governo recorrer à compra de votos, o Brasil continuará um país não confiável para os investidores, e o seu povo rebelde a todas as leis que o Parlamento hediondo aprovar.

(R.Q.Cobra)

Está raiando a maturidade?

No dia 25 de abril de 2019 noticiou-se a proibição de um vídeo do Banco do Brasil, no qual a instituição representa o brasileiro em um caleidoscópio gaiato de narcisistas e anormais amalucados, convidando os jovens a se juntarem ao seu bando de investidores. Essa proibição tem um grande simbolismo, e precisa ser celebrada anualmente pelo povo brasileiro como o primeiro passo institucional − dado por um ato do seu presidente Jair Bolsonaro −, rumo à seriedade e à maturidade que, por séculos, nos tem faltado. Viva o 25 de abril! ‒ disse para mim mesmo.

(R.Q.Cobra)

Coisas da Filosofia
O peso dos segredos

“Prezada confidente, cada mentira carrega o peso da verdade que esconde, e cada verdade oculta torna – se um segredo. O peso de chumbo dos segredos desordena o pensamento e atormenta a alma. — Se você se sente à beira da loucura ‒ como afirma ‒ é porque esconde pesadíssimos segredos. Você me diz que comandou um assalto, e também ludibriou muitas pessoas! Procure confessar esses crimes a um espírito superior, a um anacoreta santo, siga seus conselhos, e encontrará o perdão e a paz. Sem isto, viverá um eterno desespero” ‒ escreveu o ancião.

(05-08-2020 R.Q.Cobra)

Maturidade

Em um de seus aspectos − o poder de discriminação −, a Maturidade é a percepção das partes para melhor conhecer o todo; a Imaturidade é tomar uma parte pelo todo.

(R.Q.Cobra)

Segredo do homem

O pensamento está traçado nas configurações neurais – o dano aos neurônios deforma o pensamento; o sentimento nasce da química dessas mesmas associações – cheirar uma droga, por exemplo, desorganiza o pensamento e desestabiliza os sentimentos do indivíduo. O mistério do homem está nessa transubstanciação de fenômenos físico-químicos em consciência de conceitos, imagens, e discursos, acompanhados de sentimentos como os de tristeza ou alegria – e isto representa um mistério que só Deus conhece.

(R.Q.Cobra)

Nosso primeiro sentimento

“Perante qualquer coisa que de súbito nos afeta, não somos responsáveis por nosso primeiro sentimento – espontâneo e intuitivo -, mas somos responsáveis por, de imediato, submetê-lo à razão.”

(R.Q.Cobra)

Pecados gloriosos

“O mundo de Segretti – pensou ele –, era certamente um daqueles enigmas que Deus nos coloca: deixa que o mal se cubra de esplendor!”

(R.Q.Cobra)

O Homem inacabado

“O homem é um projeto acabado? ou está ainda a ser pensado? ou é um projeto incompleto, descartado e abandonado pelo Criador?”

(R.Q.Cobra)

Prepotência dos anões

“Tudo que está em um universo infinitamente grande é, necessariamente, infinitamente pequeno. Então, por que o orgulho e a prepotência, se o universo infinito em que estamos nos faz a todos infinitamente pequenos?”

(R.Q.Cobra)

Coisas da Ciência
Napes ou mantos

As famosas placas geológicas são mesmo placas? Não, não são, porque placas são porções rígidas de substâncias, tal como as placas de concreto, placas de bronze, placas de acrílico, de ferro, etc. As “placas” da crosta terrestre são plásticas, dobráveis, suas partes deslizam com velocidades diferentes, e portanto deveriam ser chamadas lençóis, ou capas, mantos, ou seria melhor que conservassem o nome que tinham antes do modismo das “placas”, quando eram conhecidas na geologia com o nome francês de “nappe”, que quer dizer toalha de mesa, que se deixa franzir em dobras.

(R.Q.Cobra)

Rubem Queiroz Cobra

Página lançada em 09-02-2019.

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Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. – Esparsos. Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2019.