Agnaldo Cobra

Hoje: 26-10-2021

Página escrita por Rubem Queiroz Cobra
Site original: www.cobra.pages.nom.br

Este ano de 2002 é o ano do centenário de dois mineiros ilustres, Juscelino Kubtschek de Oliveira e Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), também é o ano do centenário de outro mineiro de menor cenário, porém não menos competente e honesto, Agnaldo Nogueira Cobra. Somente os que conviviam com ele se assombravam com sua capacidade de trabalho, sua incansável presteza em auxiliar as centenas de pessoas em dificuldades as mais diversas, através de aconselhamento, apoio a projetos que podiam beneficiar os mais pobres, tudo fazendo com extrema discrição. Quase sempre apenas os que ele beneficiava sabiam da ajuda dele recebida. Falo de Agnaldo Nogueira Cobra.

Agnaldo Nogueira Cobra, cuja linhagem, sem quebra de masculinidade, leva a ancestrais portugueses do século XVI, no casamento simplificou o nome para Agnaldo Cobra. Nasceu na fazenda Santo Antônio da Cachoeirinha, propriedade de seus avós, no interior do município de Baependi que foi desmembrada para constituir Caxambu, há cem anos, em 1902. A sua família mudou-se para Belo Horizonte, trabalhou com o Dr. Israel Pinheiro da Silva na Secretaria da Agricultura de Minas Gerais onde construiu uma fama de eficiência, extrema cordialidade e caridade no atendimento aos que o procuravam, destacando-se seu trabalho de encaminhamento de menores aos institutos de ensino agrícola mantidos pela Secretaria. Abreviava o almoço em casa, para retornar ao gabinete antes dos demais, e despender com tranquilidade uma hora na leitura atenta de todos os títulos relativos aos assuntos da Secretaria, recortando o artigo e colando-o em um livro próprio. Esse trabalho fazia de pé, o jornal aberto sobre uma longa mesa de reunião no centro do salão. Aquela leitura diária o deixava melhor informado que ninguém, dos assuntos tanto técnicos quanto políticos e legislativos, relativos à Secretaria.

Quando o engenheiro Israel Pinheiro foi encarregado pelo Presidente Juscelino Kubtschek de Oliveira da construção da Nova Capital, Brasília, chamou-o para auxiliar imediato em seu gabinete de campanha, no sítio da construção. Tendo obtido o título de Técnico de Administração, assumiu, mais tarde, e por vários anos, cargos no Gabinete do Governador do Distrito Federal, inclusive a Chefia da Divisão de Administração do Palácio Buriti. Foi Sócio Benemérito da “Campanha de Erradicação de Invasões” destinada ao assentamento de indigentes invasores de áreas públicas. Em 1975 foi agraciado com a comenda da Ordem do Mérito de Brasília, no Grau de Oficial e recebeu, em 1978, a medalha da Ordem do Mérito Buriti, que lhe foi conferida pelo Governador Elmo Serejo Farias.

Tiveram-lhe grande estima todos os governadores do Distrito Federal, a começar do próprio Israel Pinheiro, – à época da construção e depois, como primeiro prefeito da Nova Capital -, particularmente Plínio Catanhede; Aimé Alcebíades da Silveira Lamaison; Hélio Prates da Silveira; Elmo Serejo Farias e José Aparecido de Oliveira. Em sua homenagem o Banco Regional de Brasília designou Agnaldo Cobra o troféu disputado em 4 de setembro de 1977, na Sociedade Hípica, no torneio comemorativo do aniversário de sua fundação, sendo vencedor o cavaleiro Carlos Alberto Recch, montando o cavalo Bibelô. Por ocasião de seu falecimento, compareceram ao funeral no Campo da Esperança o Governador José Aparecido e o Chefe do Gabinete Civil Guy de Almeida e grande número de amigos e colegas. Declarou o governador: “Não é só o GDF que perde um funcionário modelo. É a Nação que se empobrece no seu patrimônio moral e humano” (Correio Brasiliense de 13/02/1986). Seu epitáfio assinala que foi “homem dedicado ao trabalho, simples e caridoso”.

Agnaldo Cobra casou com Anna Augusta de Queiroz, nascida a 11 de fevereiro de 1909 em Belo horizonte, filha de Fortunato Queiroz So-brinho, natural de Passagem de Mariana, e de Maria Inês de Almeida Queiroz, natural de São Paulo de Muriaé, Minas Gerais, neta paterna de Honório de Magalhães Queiroz e Maria Augusta de Souza, e neta materna de José Luiz Ribeiro, natural de Matozinhos, Minas Gerais, e de Inês Maria Paulino; Anna Augusta é citada na obra Velhos Troncos Mineiros, de autoria do Cônego Raimundo Otávio da Trindade, como pentaneta, pela linha masculina, de João de Magalhães e de sua mulher Maria da Conceição Queiroz, naturais de Santiago de Faia, Conselho e Comarca de Cabeceiras de Basto, arcebispado de Braga, Portugal. O casal teve a felicidade de festejar as Bodas de Ouro a 29 de dezembro de 1982, em Brasília.

Rubem Queiroz Cobra

Página lançada em 11-08-2002 (Domingo, dia dos pais).

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Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. – CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE AGNALDO COBRA. Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2002).