O que é o QI

Hoje: 05-10-2022

Página escrita por Rubem Queiroz Cobra
Site original: www.cobra.pages.nom.br

Vigorou e ainda tem seus adeptos a opinião de que o grau de maturidade é simplesmente reflexo do QI (Quociente de Inteligência) do indivíduo.

Os testes de quociente de inteligência (QI), aos quais nos referimos antes, foram o primeiro instrumento para aferimento da capacidade mental do indivíduo. Porém, acessava apenas parte das aptidões da mente, nomeadamente o “discernimento”, pois estavam focados na capacidade de discriminação e na racionalidade e favoreciam grandemente as pessoas com grande aptidão para a matemática. As demais aptidões, supunha-se que o indivíduo as teria bem desenvolvidas pelo fato de possuir um alto QI, o que provou-se ser um engano.

A prova mais contundente de que essa assertiva é um erro é extremamente clara, e serve para liquidar de vez com esse mito de que a maturidade depende do QI da pessoa e, em última análise, não reflete mais que sua capacidade de raciocínio.

 Isso vemos exemplificado com clareza na situação que viveu a Alemanha governada por Hitler, no segundo quarto do século XX. O alto QI ajudava a classificação dos alemães em arianos, que, segundo os nazistas, era a raça superior que dominaria o mundo e consideravam as pessoas vulgares como raça impura, a ralé da sociedade.

Nas décadas seguintes, o Quociente de Inteligência aferido por meio de testes servia para reunir alunos de maior capacidade de aprendizado e lhes ministrar um ensino mais avançado. Na psicologia aplicada, o QI também facilitava selecionar os mais aptos para uma função específica. Essas práticas foram consideradas indutoras de preconceito pelos esquerdistas comunistas brasileiros, juntamente com a distinção de raças, sexo etc. e passaram a sofrer restrições. Os negativistas cresceram em número, o que não significa negar que haja diferenças de aptidão mental entre as pessoas.

Por volta do ano de 1940, um método matemático de uso comum na estatística, a determinação das Medidas de Posição ditas “Separatrizes”, entre elas o Centil (ou Percentil, “p”), foi adotado na avaliação do QI.

Nesse cálculo o aumento gradual de dificuldade das questões do teste guarda correspondência com o aumento do valor de 1 a 100 do percentil. O percentil médio de 50 corresponde ao ponto de dificuldade média que o indivíduo comum pode solucionar no teste. A esse ponto médio é atribuído o QI 100. Quem alcança no teste 65p (15p acima da média 50) terá 115 de QI, 80p; QI 130, 95p; QI 145 etc. O que se sair mal no teste, com uma avaliação correspondente a 35p, por exemplo, estará 15p abaixo da média de 50p, ou seja, 15p abaixo de 100, e terá QI 85. Se estiver 30p abaixo, terá QI 70.

É curioso o fato de que o teste é validado pelos seus próprios resultados: ele só terá valor se, na sua aplicação a um grande grupo, a maioria das pessoas (em torno de 70%) de fato obtêm uma avaliação média de QI 100 ou próxima dela para mais ou para menos (entre QI 85 e QI 115). É necessário também que a distribuição das avaliações caia em percentuais iguais, de um lado e de outro da mediana. Por exemplo, adotando-se um intervalo de 15 percentis: 1% das avaliações no primeiro e no último intervalo; 2% no segundo e no penúltimo; 14% no terceiro e no antepenúltimo; 33% no intervalo à esquerda da mediana e 33% no intervalo à direita. Resultados assim dão uma curva assintótica regular em formato de sino (representa a distribuição gaussiana ou normal dos dados) em um gráfico cartesiano.

Outra mudança ocorreu também em relação às questões antes mais simples – levando-se em conta a rapidez das respostas –, que modernamente são mais críticas, envolvendo relações de maior complexidade, possibilitando medir com mais confiabilidade os QI’s muito acima de 130 em crianças e adultos.

A pergunta “um alto QI será garantia de maturidade pessoal?” já está solucionada com inúmeros exemplos em que a resposta que se apresenta é: “não! Não é garantia”. Mas ainda persiste na cabeça de muitos que se ocupam dessa temática a simplificação de que a maturidade consiste apenas em ações inteligentes.

Rubem Queiroz Cobra

Página lançada em 07-02-2022.

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Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. – O que é o QI. Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2022.