Matias Aires

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Página escrita por Rubem Queiroz Cobra
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Matias Aires (1705-Desc). Um iluminista brasileiro nascido em São Paulo, Mathias Aires Ramos da Silva de Eça (1705-1770) deu uma contribuição sua para a História da Psicologia com as suas obras “Reflexões sobre a vaidade dos homens” (1752) e o Problema de architetura civil demonstrada (1777). Nelas, ele expressa alguns aspectos do novo espírito do Século das Luzes aplicado ao estudo do homem: a tendência à introspecção; o interesse pela investigação das relações homem-sociedade; a recusa da tradição cultural anterior; a procura de novas verdades sobre o homem e a confiança na ciência moderna como método de conhecimento. O Reflexões teve 5 edições entre 1752 e 1786.

Matias Aires, considerado filósofo moralista e filósofo psicólogo, reconhecido por historiadores portugueses como uma “das mais valiosas contribuições do Brasil colonial para o cabedal literário da metrópole”, foi educado em Portugal, para onde viajou com os pais aos 11 anos de idade.

Estudou humanidades no Colégio de Santo Antão dos padres jesuítas, diplomou-se na Universidade de Coimbra. Estudou na França, Direito civil e canônico, tendo estudado também hebraico, física e matemática. projetou-se como letrado e filósofo sob Dom João V, o megalômano imitador de Luiz XIV, e viveu até a época pombalina; assistiu ao terremoto de 1 de novembro de 1755 de Lisboa e ao processo dos Távoras e da marquesa de Alorna pelo atentado ao rei. O seu Discurso congratulatório pela felicíssima convalescença e real vida d’El Rei D. José que fora vítima de um atentado atribuído aos Távora é uma oração de cumprimento e ação de graças ao Rei pela sua recuperação dos ferimentos recebidos naquele atentado. Escreveu também Philosophia rationalis; Letres bohemiennes; Discours panegyrique sur la vie et actions de Joseph Ramos da Silva; Carta sobre a fortuna; e várias outras obras, algumas de filosofia, em francês e latim, hoje desaparecidas e conhecidas apenas por citações em outros autores.

Morreu em Lisboa entre 1759 e 1770.

Pensamentos seus: “O nosso engenho todo se esforça em por as coisas em uma perspectiva tal, que vistas de um certo modo, fiquem parecendo o que nós queremos, que elas sejam, e não o que elas são.”

“O discurso é como um instrumento lisonjeiro, por meio do qual vemos as coisas, grandes ou pequenas, falsas ou verdadeiras.”

“O nosso pensamento não se acomoda às coisas, acomoda-se ao nosso gosto. O amor, a vaidade, e o interesse são os moldes em que as coisas se formam e configuram para se apresentarem a nós.”

Considerava que todas as ações humanas derivavam do amor próprio, na vaidade.

Rubem Queiroz Cobra

Página lançada em 15-01-2011.

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Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. – Matias Aires. Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2011.