Hoje:

John Dewey

CONTACTO              

 

Página escrita por
Rubem Queiroz Cobra
Site original: www.cobra.pages.nom.br

Um dos fundadores da corrente filosófica do pragmatismo, o filósofo americano John Dewey nasceu aos 20 de outubro de 1859 in Burlington, no estado de Vermont, filho do comerciante Archibald Sprague Dewey e de sua mulher Lucina Artemisa Rich Dewey,  que era de uma família tradicional e filha de um juiz local. Faleceu em Nova York, aos 93 anos, em 1952.

John Dewey fez seus primeiros estudos nas escolas públicas de Burlington, concluindo o ensino médio aos quinze anos, em 1874. Após, frequentou o curso de Filosofia da Universidade de Vermont, de 1875 a 1879, ano de seu bacharelado, juntamente com seu irmão Davis Rich Dewey,

Na universidade, Dewey foi influenciado pela filosofia de Immanuel Kant (1724- 1804) e pelas obras dos empiristas ingleses e dos filósofos escoceses. Seu primeiro ensaio, publicado no "Jornal de Filosofia Especulativa" (Abril, 1882) intitulado Os pressupostos metafísicos do materialismo, seguiu a linha idealista kantiana.

Havia poucos empregos para pessoas formadas em Burlington, pois em toda parte levavam vantagem os formados nos centros acadêmicos de maior fama no país. Dewey passou três meses de ansiosa procura por trabalho, até que, ainda em 1879, uma prima, Clara Wilson, diretora de uma escola secundária em Oil City, na Pennsylvania, lhe ofereceu um lugar de professor. Em Oil City Dewey lecionou Latim, Álgebra e Ciências por dois anos. Mas, compreendendo que, para avançar em sua carreira, precisaria fazer estudos em uma universidade de grande prestígio nacional, voltou a Vermont, a fim de se preparar para a Universidade Johns Hopkins. Para se manter, lecionou, de 1881 a 1882, no Seminário Lake View, em Charlote, uma escola na zona rural relativamente perto de Burlington. Nos fins de semana,  tomava aulas de filosofia com seu ex-professor Henry Augustus Pearson Torrey, seu grande incentivador para esse projeto.

Em 1881 publicou The Metaphysical Assumptions of Materialism.

Dewey não teve mais que a dificuldade financeira, para entrar na universidade Johns Hopkins. A bolsa de estudos que solicitou não foi concedida. Precisou de um empréstimo em família (uma tia ajudou-o) para conseguir os 500 dolares que precisava para custear os estudos. Então, deixou o ensino e cursou a Universidade por dois períodos acadêmicos, de 1882 a 1884.

Em seus estudos em Johns Hopkins Dewey teve por mestres George Sylvester Morris, professor de História da Filosofia e um profundo conhecedor da filosofia de Hegel, que se fez seu amigo e protetor. Estudou Logica com Charles Sanders Peirce (1839-1914), e Psicologia com o professor  e famoso psicólogo Granville Stanley Hall (1844-1924).

Com o incentivo Henry Torrey, seu ex-professor e amigo em Vermont, Dewey escreveu três ensaios filosóficos (1882a; 1882b; 1883) que foram aceites para publicação no “Journal de Filosofia Especulativa”, cujo editor, William Torrey Harris, saudou-os como frutos de um pensador de primeira linha.

Doutorou-se pela Johns Hopkins em 1884 com a tese A  Psicologia de Kant (The Psychology of Kant) que se diz nunca foi publicada e se perdeu (Understanding John Dewey, de J. Campbell, Open Court, Ilinois,1948, p.8).

Após receber o grau de Doutor, Dewey teve o convite oferta de um posto como instrutor em filosofia e psicologia na Universidade de Michigan, em Ann Harbour. O convite partiu de Morris que lecionava anualmente um semestre na Universidade de Michigan e então havia passado a professor permanente naquela Universidade, e Presidente do Departamento de Filosofia.

Em seus dois primeiros anos em Michigan, Dewey não só ensinou, mas também produziu o seu primeiro grande livro, Psicologia Aplicada (Applied Psychology-1887). Conheceu e se casou, em 1886, com uma de suas discípulas, Harriet Alice Chipman (1859-1927), interessada em pedagogia, ela própria uma ex-professora do ensino médio.

Tiveram vários filhos: Frederick Archibald, nascido 1887; uma filha, Evelyn Riggs de 1889; Archibald Sprague nascido em 1891; Morris em 1892; Gordon Chipman 1896; Lucy Alice, 1897. Jane Mary, 1900. Morris faleceu com pouco mais de dois anos e Gordon Chipman com pouco mais de três. O casal Dewey também adotou um menino italiano, de oito anos, Sabino.

Em 1888 Dewey passou a lecionar filosofia na Universidade de Minnesota mas já no ano seguinte, em 1889, retornou a Michigan, confided a ocupar a cadeira de Filosofia, vaga com o falecimento de Morris.

O Interesse de Dewey na Educação começou durante seus anos em Michigan. La ele conheceu dois filósofos que seriam importantes em sua vida, futuramente. O primeiro foi James Hayden Tufts,(1862-1942) com quem ele lecionou junto, por vários anos, em Michigan e posteriormente em Chicago e escreveu com ele o livro Ética. O outro companheiro de magistério e amigo foi George Herbert Mead (1863-1904).

A paternidade e a experiência de vários anos de ensino fez que o interesse de Dewey pela educação se juntasse ao seu interesse pela filosofia e a psicologia. Suas leituras e observações revelaram que a maioria das escolas prosseguiam ao longo de linhas antiquadas de prática pedagógica e foram deixando de absorver no ensino as últimas descobertas da psicologia infantil, e o respeito às mudanças da ordem social democrática. A busca de uma filosofia de educação para corrigir essas falhas tornou se uma grande preocupação para ele e acrescentou uma nova dimensão ao seu pensamento.

Em 1889-1900 foi Presidente da Associação Americana de Psicologia (American Psychological Association).

Dewey deixou Michigan em 1894 para tornar-se professor de filosofia e diretor do departamento de filosofia, psicologia e pedagogia na Universidade de Chicago. Suas realizações nessa Universidade de Chicago logo lhe trouxeram fama nacional.

Em 1896, Dewey publicou O Conceito de Arco Reflexo na Psicologia (The Reflex Arc Concept in Psychology). Neste mesmo ano, obteve autorização para a criação de uma escola-laboratório independente do departamento de pedagogia da Universidade, na qual as teorias educacionais e práticas sugeridas pela psicologia e filosofia, poderiam ser testadas. A Escola começou a funcionar imediatamente e se tornou famosa. Como escola-laboratório (comumente conhecida como a Escola de Dewey), serviu a ele próprio para desenvolver, testar e modificar suas idéias psicológicas e educacionais. Foi a primeira escola experimental da história da educação. Atraiu grande atenção e reputação para a Universidade de Chicago, como um centro principal do pensamento educacional progressista. Dirigindo a escola experimental auxiliado por sua esposa Alice Chipman Dewey, e escrevendo continuadamente sobre teoria educacional, Dewey tornou-se um dos maiores nomes de toda a Pedagogia.

Uma declaração inicial de sua posição filosófica na educação, Meu Credo Pedagógico (My Educational Creed) apareceu em 1897 três anos depois de sua chegada a Chicago.

Em 1897 foi eleito para o Conselho Administrativo da Casa de Caridade da Associação Hull-House Association, em Chicago, fundada por Jane Addams, Prêmio Nobel da Paz de 1931. Naquela instituição, que abrigava favelados, teve a oportunidade de conhecer tratamento dos problemas sociais e econômicos causados pela urbanização, pelo rápido progresso tecnológico e pelo crescente afluxo de imigrantes (gangsters, lei seca , etc). Com isto, teve contacto amplo com operários, sindicatos, políticos de esquerda e radicais orientações de diferentes.

Em 1899 publicou o famoso livro A Escola e a Sociedade (The School and Society) no qual demonstra um entusiasmo especial pela psicologia da aprendizagem. Em 1899 também foi eleito presidente da Sociedade Americana de Psicologia (American Psychological Association), o que o projetava como um especialista nesse campo. A Criança e o Currículo foi publicado 1902.

Em ambos os trabalhos destacou a relação funcional entre as atividades de sala de aula de aprendizagem e experiências da vida real e analisou a natureza social e psicológica do processo de aprendizagem. Duas obras mais, Como Pensamos (How We Think), de 1910, e Democracia e Educação, de 1916, foram re-elaborações alguns temas, em maior detalhe e mais sistematicamente.

Publicou, em 1903, Estudos de Lógica (Studies in Logical Theory), em Chicago.

O trabalho de Dewey em Chicago foi interrompido em 1903, quando, sem consultar Dewey, o presidente da Universidade, William Rainey Harper, determinou a incorporação da escola-laboratório à escola de formação universitária para professores. A fusão não só tirou o controle da escola das mãos de Dewey, como transformou o laboratório experimental em uma instituição de formação de professores. John Dewey e Harriet entenderam que não havia nenhum recurso, senão se demitirem.

Dewey escreveu a William James de Harvard e James M. Cattell na Universidade de Columbia, informando-os de sua decisão de deixar a Universidade de Chicago.

Devido à grande reputação, Cattell não teve dificuldade em persuadir o Departamento de Filosofia e Psicologia da Universidade de Columbia a lhe oferecer um posto. A partir de 1904, por vinte e seis anos, Dewey foi professor no Departamento de filosofia daquela Universidade. Foi feito um arranjo para que Dewey lecionasse também no Colégio de formação de professores, para que tivesse um adicional ao seu salário universitário. Por ironia, esse segundo posto foi o que permitiu a Dewey ver a difusão de suas ideias educacionais em todo o mundo, difundidas por seus alunos do Colégio. Entre estes estava William Heard Kilpatrick (1871–1965), educador progressista e interprete das idéias de Dewey, que o havia considerado o melhor aluno que teve em seu magistério.

De 1905 a 1906 John Dewey foi o presidente da Sociedade Americana de Filosofia (the American Philosophical Society ).

A produção acadêmica de Dewey na Universidade de Columbia foi enorme. Seu pensamento abrangeu uma vasta gama de tópicos, incluindo a lógica e a teoria da psicologia do conhecimento, educação, filosofia social, artes plásticas e religião. Ele falava com autoridade sobre educação, e seu interesse nos assuntos do momento fazia que sempre fosse solicitado a opinar e escrever para jornais, em especial The New Republic. Por causa de sua habilidade em analisar e interpretar os acontecimentos, ele logo foi classificado como um dos melhores comentaristas americanos e críticos sociais. Seus artigos focados em problemas nacionais e internacionais atingi\m um vasto público.

Publicou, em 1908, Ética (Ethics), obra escrita em co-autoria com James Tufts; em 1910 publicou Como Pensamos  (How We Think) e A Influência de Darwin na Filosofia (The Influence of Darwin on Philosophy; em 1916 apareceram o Democracia e Educação (Democracy and Education) e Ensaios em Lógica Experimental (Essays in Experimental Logic). 

Em 1919 fez conferências no Japão, e em 1919 e 1921, conferências na China

Em 1920 publicou Reconstrução em Filosofia (Reconstruction in Philosophy); em 1922, o livro   Natureza Humana e Conduta (Human Nature and Conduct).

Em 1924  visitou escolas na Turquia.

Seu livro Experiência e Natureza (Experience and Nature), publicado em 1925, reúne de forma sistemática os aspectos mais importantes de sua filosofia e é geralmente considerado como seu opus magnum.

Em 1926  fez uma viagem para visitor escolas no México. Em 1927 foi lançado O Público e seus Problemas (The Public and its Problems). Nesse ano, ocorreu o falecimento de sua mulher Alice Chipman Dewey.

Viajou em 1928 para visitor escolas na Russia Soviética; e em 1929 publicou A Busca da Certeza (The Quest for Certainty). e o Natureza e Experiência (Experience and Nature) em segunda edição revisada.

Dewey se aposentou em 1930, ano em que publicou Individualismo, Velho e Novo (Individualism, Old and New), mas foi imediatamente nomeado professor emérito de filosofia em residência na Universidade de Columbia e manteve esse posto até seu octogésimo aniversário em 1939.

 Em 1932, publicou uma segunda edição revisada do Ética (Ethics) e também Como Pensamos (How we Think). Em 1934, Uma  fé comum ( A Common Faith) e Arte como Experiência ( Art as Experience); em 1935  Liberalismo e Ação Social (Liberalism and Social Action).

Em 1937  coordenou a Comissão que foi ao México investigar possíveis crimes de Trotsky e concluiu por sua inocência.

Em 1938 publicou Lógica, a Teoria da Investigação (Logic: The Theory of Inquiry) e também Experiencia e Educação ( Experience and Education); em 1939, Liberdade e Cultura (Freedom and Culture) e Teoria de Valor (Theory of Valuation).

Em 1946 casou com a viúva Roberta Lowitz Grant, de 42 anos e o casal adotou dois órfãos de guerra belgas.

Esteve associado com a Columbia por 47 anos, primeiro como professor e depois como professor emérito de filosofia. Durante seus 25 anos de ensino ativo, sua fama e a importância do que ele tinha a dizer atraiu para suas aulas milhares de estudantes do país e do exterior.

Com a idade de noventa anos, Dewey publicou, em colaboração com a Arthur F. Bentley, sua última obra filosófica de grande repercussão:  O que Conhece e o que é Conhecido (1949). Faleceu a 1º de junho de 1952 em Nova York.

2

O PENSAMENTO de John Dewey

I – Progressismo

Dewey tem sido geralmente reconhecido como um dos mais renomados filósofos da educação. Em torno da passagem do século XIX para o século XX, seu nome tornou-se sinônimo do “movimento de educação progressista”.

O termo Progressismo, em sentido amplo, significa busca do progresso em todas as frentes da atividade humana, nas reformas  políticas, no jornalismo, na religião, etc. O movimento de reforma progressita, foi iniciado nos Estados Unidos, e tornou-se mundial, e mudou a mentalidade entre os profissionais de todas as áreas. No campo da Educação, influenciou professores universitários, administradores, orientadores e autoridades educacionais, dando origem ao movimento da Escola Nova. 

O movimento Progressista ambicionava grandes mudanças na política, na educação em todos os níveis, na industria, nas organizações públicas e privadas e na reforma de mentalidade profissional de médicos, professores das escolas e universidades, por maior interesse na ciência e na tecnologia. Como o progressismo no Brasil foi impulsionado pelo comunismo, mesmo aqueles que não pertenciam ao partido socialista, ou comunista, mas aceitavam ou apoiavam os princípios socialistas ou marxistas, também se diziam “progressistas”.

A "Educação Progressista" tomou a forma de uma reação à metodologia da educação publica da época, que obedecia a um modelo clássico de relação entre o mestre e o aluno, com a imposição de matérias de estudo, disciplina e Moral,  proposto pelo filósofo alemão Johann Friedrich Herbart (1776-1841) que teve muitas gerações de seguidores, a partir da Alemanha. Não é de surpreender, portanto, que, quando Dewey foi para a Universidade de Chicago em 1894, foi para chefiar o “Departamento de Psicologia, Filosofia e Pedagogia”. Estas matérias eram consideradas logicamente relacionados, de acordo com Herbart. Assim, no mesmo departamento, Dewey encontrou as três áreas em que ele tinha interesse, todas reunidas. Para preencher o esquema tripartite que ele abraçou no início de sua carreira, em 1909, Dewey iria publicar seu texto Princípios da Moral na Educação. Este livro estava focado na ética filosófica. 

Aquilo com que Dewey  não concordava é  que, uma vez que as matérias relacionadas a esses temas não despertavam interesse natural nas crianças, então os professores tivessem que fazer as crianças se interessarem no assunto. Forçar o interesse nos aluno para ele era inaceitável. Em vez disso, os professores deveriam aproveitar o interesse das crianças para ensinar-lhes novas ideias.

Foi provavelmente desde a época do seu primeiro emprego, no período em que lecionou na escola média na Pensilvânia, que Dewey se imbuiu do espírito progressista, e passou a preparar sua contribuição futura para a Nova Educação, que o movimento desejava implantar no país.

Para Dewey, o aprendizado era principalmente uma atividade que surge da experiência pessoal de lidar com um problema. Este conceito de aprendizagem tem implícita uma teoria da educação muito diferente da prática escolar herbartiana na qual os alunos recebiam passivamente informações pré-digeridas pelos professores e livros didáticos. Assim Dewey argumentou  –, as escolas não fornecem verdadeiras experiências de aprendizagem, mas apenas o acumular um sem fim de fatos, que enchem a mente dos alunos, que logo se esquecerão deles.

Para ele o processo educativo deve começar da identificação dos interesses da criança, que pautarão a interação do pensar e e do fazer na experiência da criança em sala de aula. O professor deve ser um guia para os alunos, ao invés de lhes impor teorias e doutrinas áridas e desinteressantes para ele.

O objetivo da escola é o crescimento da criança em todos os aspectos do seu ser, e não o crescimento bitolado em áreas específicas. Inseria-se assim, no movimento progressista que encontrava em suas ideias o que incorporar como “Filosofia Progressista da Educação”. Tais concepções, no entanto, eram conhecidas na Europa desde o século XVIII, colocadas já por Rousseau (1712-1778), passando depois por Pestalozzi (1746-1827) e outros.

Para Dewey havia um grande desperdício pelo fato da escola não utilizar as experiências que a criança obtém, de maneira completa e livre, fora dela. Quando a criança entra na sala de aula ele tem que excluir de sua mente uma grande parte das idéias, interesses e atividades que predominam em sua casa e em seu ambiente de relacionamento. A escola não é capaz de utilizar essa experiência do aluno ele, por sua vez, é incapaz de aplicar no dia a dia, em sua vida, o que ele está aprendendo na escola. 

Ele trata desta dicotomia entre as experiênciasdo aluno na escola e fora da escola em seu livro  Escola e Sociedade, de 1899.

O Movimento de Educação Progressista foi tão agressivo, que praticamente varreu do cenário educacional as práticas tradicionais de ensino, fundamentadas principalmente na doutrina do Herbart, e até meados do século XX, se considerou que o modelo progressista fosse a única maneira de ensinar nas escolas. Para o movimento progressista a Moral é dispensável, pois pode ser substituída pelo civismo. Para a boa conduta, não é preciso observar o Decálogo – os 10 mandamentos – porque basta o indivíduo ter a consciência de que o convívio entre os humanos somente é possível se algumas regras forem respeitadas para o bem comum. Porém, ainda ao tempo de Dewey, e pelo próprio Dewey, o ensino progressista foi severamente criticado.

As práticas educativas do progressismo foram responsabilizadas pelo fracasso de muitas escolas americanas no ensino das profissões liberais e por negligênciar disciplinas básicas como matemática, ciências e Moral. Os críticos também culparam Dewey e suas idéias progressistas pela ênfase insuficiente na disciplina escolar.

Apesar de que a própria fé de Dewey na educação progressista nunca vacilou, ele veio a perceber que o zelo de seus seguidores introduziu uma série de excessos e defeitos na Educação. De fato, em Experiência e Educação (1938), ele criticou duramente os educadores por desconsiderarem o ensino sistemático e organizado em favor da mera atividade por parte dos alunos, e por estarem, os próprios professores, descuidados da sua formação profissional, não passando, assim, de professores medíocres. Assim, quando deixou a Universidade de Chicago, também relegou a segundo plano seu interessse pela Educação Progressista e passou a dedicar-se apenas à Filosofia.

Em sua obra sobre a educação, nomeadamente a sua Escola e Sociedade (1899) e A Criança e o Currículo (1902), Dewey apresentou e defendeu que deveriam ser lembrados os princípios básicos da filosofia da educação que ele havia concebido.

*

II - Filosofia. Dewey foi o fundador da corrente instrumentalista do pragmatismo na Filosofia.

A Verdade em idéias e crenças, que sejam para nós parte de uma nova experiência, existe apenas na medida em que estas estejam em relação satisfatória com outras idéias e crenças que já são partes de nossa experiência. Qualquer idéia é Verdade na medida em que nos levar de qualquer parte da nossa experiência para qualquer outra parte dela, ligando as coisas satisfatoriamente, trabalhando de forma segura, simplificando, economizando trabalho. Isto quer dizer que a idéia é Verdade instrumentalmente.

Esta definição de Verdade resvala para o empirismo, para a metodologia científica, porque nas ciências, uma idéia somente é verdadeira se, nascida de alguns processos observáveis simples pode, em seguida, ser generalizada, tornando-se aplicável em todos os tempos, em condições idênticas, e produzindo grandes resultados.

Este processo apontado por Dewey para a generalização é o modo comum que as pessoas têm de lidar com opiniões conflitantes, suas e dos outros. Todas têm um estoque de velhas opiniões já existentes. Se alguém as contradiz, ou elas descobrem que suas opiniões se contradizem, ou desejos surgem em contradição com as suas idéias antigas, o resultado é uma inquietação e mal-estar. As pessoas então tentam escapar deste desconforto, modificando sua opinião anterior ou rejeitando a nova idéia como falsa.

*

III - Psicologia. Contribuições de Dewey para a psicologia também foram notáveis. Muitos dos artigos que escreveu na época agora são aceitos como clássicos na literatura psicológica e lhe garanta um lugar seguro na história da psicologia. Mais significativo é o ensaio "O Conceito de Arco Reflexo na Psicologia", que é geralmente tomada para marcar o início da psicologia funcional, isto é, um que incide sobre o organismo total em seus esforços para ajustar ao ambiente.

Orientação filosófica de Dewey tem sido rotulado como uma forma de pragmatismo, embora Dewey se parecia favorecer o termo "instrumentalismo",  ou "experimentalismo." O William James, Principles of

 

IV – Democracia

Em uma democracia, de acordo com Dewey, as escolas devem agir para garantir que cada indivíduo tem a oportunidade de escapar das limitações do grupo social em que ele nasceu, a entrar em contacto com um ambiente mais amplo, e para ser libertado da efeitos das desigualdades económicas. As escolas também devem fornecer um ambiente no qual os indivíduos podem compartilhar na determinação e alcançar seus objetivos comuns de aprendizagem, para que em contato uns com os outros os alunos podem reconhecer sua humanidade comum: "

Ele concebeu a democracia não como uma mera forma de governo, mas sim como um modo de associação que fornece os membros de uma sociedade com o máximo de oportunidade para experimentação e crescimento pessoal. Uma Sociedade democratica, portanto, é aquele em que as barreiras de qualquer, cor, religião tipo de classe, raça, política ou nacionalidade entre os grupos são minimizados, e numerosos significados, valores, interesses e objetivos são realizadas em comum.

 

Rubem Queiroz Cobra

R.Q.Cobra
Página publicada em 11-11-2011

 

Direitos reservados.
Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Filosofia da Educação. Site www.cobra.pages.nom.br, INTERNET, Brasília, 2011

Utilize a barra de rolagem desta janela de texto para ver as NOVIDADES DO SITE
Obrigado por visitar COBRA PAGES  

Todos os links desta página devem estar funcionando. Se há um link nesta página que não está funcionando, por favor, avise-me. Insira em sua mensagem o TÍTULO da página onde encontrou o link defeituoso. Fico-lhe antecipadamente agradecido pela cortesia de sua colaboração.
Rubem Queiroz Cobra