Alavancas para a Maturidade

Hoje: 28-11-2022

Página escrita por Rubem Queiroz Cobra
Site original: www.cobra.pages.nom.br

Por vários anos empenhei-me em realizar estudos e colocar em discussão minhas ideias sobre Educação. A minha conclusão no que diz respeito ao Brasil, é que as pessoas são em geral inteligentes, mas a maioria (principalmente os políticos que se mostram nas reportagens da TV) carecem de MATURIDADE na maior parte das suas posições. Na campanha eleitoral, na transição de governo e no dia a dia da vida nacional temos fartos exemplos do que afirmo; alunos que desrespeitam seus professores, assaltos, brigas no trânsito que refletem a intolerância e motivos fúteis que os beligerantes nunca conseguem conter, desfalques, fake news etc.

Entendo que é o momento de fazer um apelo insistente aqueles que têm convicções morais sobre o dever de ajudar o próximo, que se interessem por atuar como irmãos e se fazerem voluntários para combater essa IMATURIDADE endêmica que temos entre nós.

Sinto-me responsável em mostrar como isso pode ser feito, e darei toda ajuda que for solicitada sobre em que consiste MATURIDADE e IMATURIDADE e sobre os modos de atuar com sutileza para levar os jovens a se transformarem em pessoas respeitadoras e respeitadas.

Estou muito consciente de que as pessoas desejosas de contribuir com inciativas pessoais pelo aniquilamento da IMATURIDADE social dos brasileiros é certamente muito grande, mas que muitos não veem como fazer isso ou acreditam que não teriam recursos para tomar qualquer iniciativa pessoal. Creio, porém, que muitos poderão gerir pequenos projetos e por isso listo abaixo várias opções que se conduzidas em menores dimensões, ficarão ao alcance de todos, inclusive, dos que tem somente suas duas mãos para atuar nessa grande messe pelo Brasil.  Aos que me enviarem uma mensagem aderindo a essa ajuda educacional caridosa, enviarei em particular, gratuitamente, toda orientação que me solicitarem.

 MÚSICA

O aprendizado de uma arte tem inegável efeito sobre a personalidade de um jovem. Em vários ramos da arte se pode encontrar estímulo para sentimentos e procedimentos maduros que podem transformar um jovem imaturo em uma pessoa séria, responsável, amiga e determinada, transformando-a de pessoa imatura em pessoa madura.

Temos um bom exemplo no conhecido projeto social da escola de música da Rocinha, fundada em 1994 por Hans Koch, professor de música alemão, que decidiu dedicar-se ao trabalho de desenvolvimento social por meio da música.

Em uma reportagem, um aluno destacou entre as vantagens de frequentar a escola de música da Rocinha, que a música traz amadurecimento. A música é por tanto uma boa opção para um trabalho social voluntário, caridoso, de recuperar jovens imaturos.

Escolhida essa atividade social, o benfeitor precisará encontrar um local e definir como fará o seu trabalho, seja para um grupo ou um indivíduo isolado. Poderá em sua atividade de ensino iniciar pelos ritmos que mais atraírem as pessoas que tem em vista ajudar, passará depois a ritmos mais condizentes com o objetivo de amadurecimento do seu aluno.

Fixação. A modificação é certa, e o comportamento maduro com certeza se instalará na personalidade do jovem, mas não há uma garantia de que ele permanecerá uma pessoa madura se não for juntamente com a prática, enfatizada, nos momentos oportunos, a modificação que ocorreu em sua personalidade e explicada ao jovem a vantagem da MATURIDADE alcançada, e a técnica que precisa aprender para manter-se uma pessoa madura. Ele terá que ser ensinado sobre as características da MATURIDADE, em que ela se fundamenta e a manter o desenvolvimento de cada um dos seus 4 pilares. Este período de MATURIDADE obtido durante a experiencia só terá continuidade se houver plena consciência do que ela representa e uma aderência madura à transformação obtida no seu caráter.

TEATRO PEDAGÓGICO E MATURIDADE

O teatro pode ser considerado a “ferramenta de ouro” quando o interesse é aperfeiçoar o comportamento humano, isso devido às oportunidades que ele oferece para transmissão de conceitos formadores da personalidade.

Na montagem da peça há uma etapa em que os atores travam conhecimento com os personagens que irão representar e cujas qualidades de caráter deverão salientar; isto se faz principalmente na primeira reunião geral, entre os atores, o diretor da peça, os técnicos envolvidos nos cenários, na iluminação etc.

Nesta primeira reunião, o coordenador lerá o plano da peça com a indicação provisória das funções técnicas e dos personagens. Essa primeira leitura do plano da peça é para o esclarecimento do texto, o entendimento dos personagens, do estilo, da linguagem, do ritmo da encenação, e do seu objetivo educacional. Explicará que o Teatro Pedagógico lida com problemas críticos que afetam a todos: questões de amor, lealdade e amizade, condição do adolescente sujeito a exploração e desencaminhamento, questões entre pais e filhos etc. Ele deve apontar as ideias importantes que o autor deseja revelar através de sua obra, como no caso, o desenvolvimento da Maturidade de cada participante. Os personagens poderão ser apontados como exemplos de indivíduos maduros ou imaturos, conforme o papel que lhes estiver reservado. É interessante que haja algum tempo livre para discussão do tema da peça e de questões a ela relacionadas. Esse debate que já terá seu próprio valor educativo, terá também uma importância técnica, uma vez que compreender o tema leva a uma melhor leitura do texto, o que por sua vez irá facilitar, futuramente, decorar as falas.

Leituras de mesa. Vencida a primeira etapa, o Coordenador pode reunir-se com o elenco para a primeira leitura de mesa, ou seja, a leitura em comum do texto, cada um com a sua fala, lida como leitura “plana”, no tom normal de uma conversa. A leitura expressiva, com as entonações próprias de cada cena, deve esperar pelo primeiro ensaio no palco, para ficar bem calibrada em relação ao espaço em que o ator vai trabalhar. Para desarmar possíveis conflitos por ressentimentos e abusos de crítica entre os participantes, o coordenador poderá, antes de iniciar a sessão de leitura, preveni-los de que haverá gaguejos, erros de pronúncia, e outras imperfeições, normais na primeira abordagem do texto, mas que, como pessoas sérias e focadas no sucesso da peça, evitarão perder tempo com risos e críticas maliciosas a cada falha dos colegas.” 

O desenvolvedor do projeto já sabe quais personagens da peça deve dar a cada participante e deve discutir isto com o coordenador para que este, nos ensaios, mostre a cada um como deve representar certo defeito de personalidade que faz aquele personagem um indivíduo imaturo, o que lhe acontece de mal devido a sua IMATURIDADE, como esse personagem vai no decorrer da história modificando sua personalidade para melhor e que vantagem tem com a sua mudança, ou mostrar aquele que continua rebelde e o que o destino lhe reserva. O ator aprenderá com seu personagem.

O EXEMPLO DA SOCILA

Maria Augusta Nielsen fundou a “Socila”, Sociedade Civil de Intercâmbio Literário e Artístico, em 1953. Ela ensinou ao brasileiro a ser elegante. Entre os anos 50 e 70, a empresária ditava o que era de bom tom em sociedade. Frequentar a “Socila” virou item obrigatório na agenda das moças bem-nascidas.

Maria Augusta Nielsen, ergueu um império da beleza com filiais em quase todo o país, onde oferecia de cursos de modelo e etiqueta a tratamentos estéticos.

Quando o assunto era elegância, Maria Augusta mostrava que há coisas imutáveis: — “A evolução da moda é natural. Mas há coisas que não mudam, nas atitudes, por exemplo. Você pode impor suas opiniões de maneira elegante. O que falta no país é educação, em todos os sentidos. Conversar com as pessoas com a mão no bolso é um horror.”

Ministrou diversos cursos, entre os quais se destacavam Etiqueta, Vestuário, Maquiagem, Postura e Caminhar, visando sempre destacar a beleza e elegância da mulher. Promoveu festas de debutantes, recepções de eventos, produções de desfiles, showroom, feiras etc. Tudo sempre embasado em fidelidade ao comportamento ético. Seu trabalho consistia essencialmente em ensinar as pessoas a se valorizarem e serem valorizadas através do aumento da autoestima, proporcionando assim maior bem-estar, confiança e consequentemente aumentando a produtividade.

O BAILE DAS DEBUTANTES

Existe uma prática muito querida de todas as famílias e muito apreciada no Brasil, que remonta ao século XVIII: o Baile das Debutantes. É talvez uma ferramenta tão objetiva e prática como o Teatro Pedagógico, já mencionado como ferramenta para alavancar a MATURIDADE nos jovens. Por meio dela, os jovens teriam oportunidade de aprender a empatia, a determinação ou firmeza de propósitos, o permanente apelo à razão, a merecer a confiança e a admiração das pessoas, enfim, tudo que caracteriza a pessoa madura.

Essa prática, hoje afogada na cocaína e na maconha, na cerveja, na luxúria e nos abusos sexuais, poderia, por um simples reconhecimento e apoio mínimo de nossas elites sociais, ser transformada no remédio que precisamos para elevar nossa pátria ao nível de nação responsável, que lhe cabe em razão da sua grandeza natural.

Como dito, no sentido em que foi criado, o baile de debutantes é o coroamento de um projeto educativo independente e sui generis. Bastante semelhante ao que surgiu no século XVIII junto às cortes europeias. Tem como finalidade de educar as meninas para a vida social e a direção do lar. Mas, gradualmente, essa vinculação palaciana se desfez e o baile passou a ser promovido por entidades várias. Manteve-se, porém, associado a um programa educativo bastante disciplinado – quando organizado por igrejas, escolas e entidades filantrópicas, mas, fora dessa vinculação, muitas vezes não passa de uma festa meramente estelar, promovida por clubes e hotéis de luxo, sem qualquer exigência prévia senão o pagamento de taxas exorbitantes aos seus organizadores. A palavra “debutante” vem do francês, e significa iniciante ou estreante.

Na modalidade em que é mais fiel à sua antiga formulação, o baile das debutantes é promovido por uma comissão organizadora, que convida uma ou várias patronesses, e é precedido por uma etapa de ensino prático. O programa compreende, principalmente: um breve engajamento em um trabalho social caritativo; lições de boas maneiras e etiqueta com a realização de chás e coquetéis, nos quais as candidatas são observadas e corrigidas pela patronesse ou pelas senhoras da comissão. São feitas explanações sobre cidadania, política e economia, em visitas guiadas à sede dos Poderes municipais, estaduais, federais, museus e locais históricos.

As jovens recebem a orientação de estarem sempre focadas em como agir com maturidade, com atenção e com seriedade durante as exposições que forem feitas, e no comportamento austero e correto, como demonstração de estarem imbuídas de um desejo verdadeiro de mostrar um comportamento maduro. O que aprenderão na semana do projeto não se vincula a nenhum nível do currículo escolar. Representariam um conjunto de conhecimentos considerados o mínimo necessário para a integração e o início da participação social responsável da jovem.

Rubem Queiroz Cobra

Página lançada em 25-11-2022.

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Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. – Alavancas para a Maturidade. Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2022.