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A Timidez

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Página escrita por
Rubem Queiroz Cobra
Site original: www.cobra.pages.nom.br

Segundo as queixas de pessoas que se consideram tímidas – e pelos diagnósticos publicados por psicólogos na rede web –, a timidez é uma condição psicológica caracterizada pela incapacidade do indivíduo  de  manter  boa comunicação com as pessoas em algum aspecto do seu relacionamento social. A timidez obviamente representa uma certa deficiência de maturidade pessoal que, em minha opinião, pode ser corrigida.

Os jovens hoje estão conectados por meio de computadores e celulares a sites de relacionamento, a portais de entretenimento, de música, de auto-ajuda disponíveis na Internet. A maioria das pessoas se movimenta mais no mundo virtual da web que no mundo real. Surpreendentemente, porém, parece que nada mudou para os tímidos, senão que dispõem de mais oportunidades para mostrarem sua timidez.

Penso que estou certo ao considerar a timidez como consequência do tímido não saber fazer aquilo que pretende realizar. Por exemplo: tem medo de entrar em um restaurante porque ainda não sabe se comportar em um restaurante; tem medo de pessoas porque ainda não sabe fazer a troca de informações própria de uma conversa agradável; tem medo de dançar em um salão porque não sabe dançar; tem medo de falar em público porque não conhece a técnica para isto. Tem medo de ser observado pelas pessoas porque não sabe se vestir de um modo casual que lhe acrescente simpatia. Tudo isto são coisas que mesmo os indivíduos mais desinibidos precisam aprender.

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É conhecimento comum que a timidez não é a mesma em todos os tímidos. Ela tem objetos variados, assim como também varia a personalidade do tímido. É bastante claro – embora isto não tenha ainda sido discutido em nenhum foro –, que os tímidos caem em pelo menos três categorias bastante distintas.

Éxiste o tipo ressentido de tímido, que padece grande sofrimento por se sentir vítima de rejeição social ao perceber que é excluído dos círculos de amigos, geralmente na Escola. Em outra categoria está o tímido discreto, cuja timidez é mascarada por uma participação social aparentemente normal. Este não se sente rejeitado mas sim incapaz de interagir satisfatoriamente com o seu meio, e estabelece, ele próprio, barreiras para sua interação social.  Há ainda o tímido cuja timidez tem um traço de paranóia, porque sente como se fosse perseguido, hostilizado ou traído pelas pessoas em seu ambiente familiar ou de trabalho.

Creio que a confusão que o assunto provoca na mente da pessoa tímida que busca um conselho vem do fato de ela ser aconselhada como se a timidez fosse sempre o mesmo fenômeno e  uma só a personalidade do tímido.

Há também que separar a timidez da introversão, porque o introvertido evita se expor não por temor, mas porque um chamado interior para a  reflexão torna prazeroso para ele o isolamento.  Seu oposto, o extrovertido, não sente esse apelo e ama socializar-se.

O que procuro fazer nesta e na página seguinte – acessível através do link do número da página – é descrever brevemente três tipos de timidez, e os tipos correspondentes da personalidade tímida.

 

A timidez ressentida.

Na timidez ressentida o tímido padece de ansiedade relativa à sua aceitação social, e sofre por se sentir rejeitado, além de amargar o sentimento de ser, ele próprio, o culpado por essa rejeição. Reclama Queixa-se de que não tem coragem de se aproximar e transacionar com pessoas devido a um forte sentimento de inferioridade, reclama de que sua participação nunca é aceita, e acredita que lhe faltam dotes pessoais e habilidades sociais que não sabe desenvolver.

Na escola,  amedrônta-o o primeiro dia de aula, tem vergonha de se apresentar e de fazer perguntas, Nas aulas, se sente em meio a pessoas hostis, e por causa desse sentimento, não consegue fazer amizades. Detesta educação física e aterroriza-o ter que ler na frente da turma. Acaba contando com a colaboração da professora, que percebe seu embaraço e o deixa um pouco de lado. Quando ja melhor ambientado, quer e tenta se aproximar de uma grupo não consegue, porque os colegas já o têm como sujeito acanhado e incomunicável, e agem como se ele não existisse. Também não consegue se defender se é importunado, e o único lugar onde se sente mais seguro é em casa.

Formas de compensação.

Em todas as deficiências, o deficiente busca uma compensação, e a timidez não faz exceção. A frustração leva o tímido à busca inconsciente de alguma forma de poder.  Irrita-se com os irmãos e principalmente com os pais, estes considerados os culpados pela situação inferior em que acredita estar.  Tem vergonha dos pais, e compensa sua frustração com ofensas e desobediências, cuja consequência é o mal estar geral na família.

Uma timidez que não é compensada de alguma forma, quando o tímido atribui exclusivamente a ele próprio as causas da sua timidez, chega a um extremo de depressão não compensada que se sabe que, em muitos casos, leva ao suicídio.
 

Acabar com a timidez ressentida

 

 

Como a timidez ressentida é sempre evidente, não faltam conselhos ao tímido tais como "É chegada a hora de você tomar as rédeas de sua vida", "Tenha mais confiança em si mesmo", "Não tenha medo do que as outras pessoas vão pensar ou falar a seu respeito". Tais conselhos produzem uma certa esperança no tímido,  e podem levá-lo a erros e exageros, e piorar seu estado.

Alguns se queixam, nos debates sobre timidez na Internet, que se submeteram ao velho método de análise mais medicamentos por vários anos, com diversos médicos e psicólogos, e não melhoraram nada. Acabaram voltando ao mesmo estado de timidez e ainda mais amargurados. Não é preciso ir a fundo nas lembranças do passado, pois existe no presente medidas que podem ser postas em prática, porque – me parece – a timidez vem do simples fato da pessoa não ter a informação correta de como se procede em certas circunstâncias. Se o tímido não buscar informações a respeito, jamais deixará de se sentir.embaraçado e até mesmo incapaz de vencer sua timidez.

 Por outro lado, o tímido ressentido erra sob um aspecto. Espera que o aceitem, que o ouçam, que lhe dêem mostras de consideração como se isto fosse obrigação das outras pessoas. O grupo que o exclui não pode ser censurado por rejeitá-lo. Tem o direito de recusá-lo. Na verdade, ninguém é obrigado .a considerar o outro, a amar o outro, a gostar do outro, nem a aceitá-lo, além do dever de lhe prestar as formas usuais de reconhecimento e cordialidade.

Poder de troca. Porém há uma coisa importante com respeito à natureza humana que o tímido precisa ter em mente. O filosofo Adam Smith baseia toda sua doutrina econômica na forte inclinação que o ser humano tem para a troca de valores. Mesmo nas coisas mais simples esta tendência se manifesta. Um sorriso discreto, oportuno e simpático leva o outro a retribuir com um sorriso, quase como um ato reflexo. 

A conversação: é também uma forma de permuta. É uma barganha de opiniões, de informações, de mostras de apreço, é a arte de desafiar amigavelmente e com inteligência o outro, e escutar sua resposta atentamente. É a natureza do seu desafio que fará que lhe dê atenção. Aqui novamente, estar bem informado. Uma pergunta tal como “Então, o que acha da nossa presidente?” só despertará interesse se a pessoa está falando com um ferrenho opositor ao governo. Caso contrário, cairá no vazio e, desinteressado, seu interlocutor se afastará. Se fizer uma pergunta simples e ingênua, ou simplesmente sem nexo, todos vão rir. Não se elogia uma pessoa antes que apareça, no que ela diz,  menção a alguma coisa elogiável. A página Conversação contém matéria suficiente como introdução ao assunto.

Há mais coisas com respeito à aparência, porque as queixas dos que se sentem tímidos vão além da dificuldade de criar amizade. Incluem também o embaraço que sentem quando são observadas, em situações que ser observada é inevitável, como ao passar diante de uma assembleia no átrio de uma igreja, entrar em um restaurante, ao passear na praia, etc.  Combater a timidez nestas circunstâncias requer aprender a seguir certas convenções. A primeira delas é vestir-se bem.

A aparência. Isto também é uma forma de troca, porque somos objetos estéticos uns para os outro (por isso nos olhamos), de onde o dever de ter uma boa aparência. Mas esse problema precisa ser resolvido por etapas. A primeira consistirá em vestir-se com roupas limpas convencionais, ter os cabelos penteados, a barba feita, calçar sapados atados e engraxados. Muitos modelos da alta costura são imitações vendidas a custo baixo, de modo que, mesmo sem usar roupa de grife, uma pessoa pode estar vestida dentro do estilo da estação. A página Vestir-se bem contém alguma orientação que talvez possa servir aos interessados como introdução ao assunto.

Locais públicos. Quanto ao restaurante, deve começar por certificar-se de que o estabelecimento serve aquilo que ela procura. Entra-se de um modo se o cliente vem só, e de outro se está acompanhado. V.p.f. a página Ao Restaurante, do meu portal Boas-maneiras e Etiqueta,: prazer em conhecer e praticar.

Se o tímido entra em um restaurante de modo correto, pede sua comida com conhecimento, e comporta-se como manda a etiqueta, verá que sua timidez desaparecerá.

Quanto ao serviço religioso, como regra o fiel não deve entrar atrasado, ou vestir-se inadequadamente. Deve ter cuidado, para caminhar sem fazer ruído com os saltos dos sapatos, e sentar-se corretamente, porem sem altivez. Chegando no horário ou mais cedo poderá ocupar um dos lugares da frente, sem estar todo o tempo a olhar à sua volta ou até mesmo para trás, procurando os olhares dos outros, como é comum acontecer. V.p.f. a página Religião: Boas-maneiras e Etiqueta.

 

Verdadeira e a falsa cura

 

 

Vejo alguns perigos no processo de aprendizado contra a timidez, que são principalmente o risco de exagero, quando o tímido começa a sentir que vestir-se bem, por em prática boas maneiras e conhecimentos de etiqueta, e caminhar corretamente, o promovem aos olhos das pessoas, e passa abusar desses recursos de boa apresentação. Podechegar mesmo a alguma forma de vício como expor despudoradamente o corpo, passar a importunar as pessoas com risadas,  e outras formas de vulgaridade que incomodam.

Não pode adotar, como reação à timidez, uma euforia baseada apenas em que afinal ele pode lidar com o problema e que poderá dispensar um aprendizado e valer-se apenas do seu bom senso e vontade de agradar. Isto poderá provocar nos outros uma reação oposta a que espera, e sua fase eufórica ser sucedida por uma fase depressiva que poderá ser muito grave. A super euforia leva a comportamentos desajustados, fora do contexto, e está longe de trazer uma solução tranqüila e completa. Ousar muito, tentar abraçar o mundo com as pernas, acaba levando a mais ansiedade e à síndrome do pânico (medo, tonturas, secura na boca, tremedeiras, doenças imaginárias, etc.).

Depois de adquirir conhecimento nessas particularidades, bastará ao tímido a consciência de que está se comportando de modo corretíssimo, para que encontre no olhar dos outros sinais de admiração, e até mesmo a atenção daquelas pessoas que desejam aprender e vêm em seus modos lições de como proceder.
 

Formação Comportamental

 

 

O tímido pode sair do seu mundo encantado da timidez, do acanhamento, da sua humildade doentia, e do limite que se impõe, e tornar-se apto a ocupar um lugar, por modesto que seja, na sociedade em que vive. Ensinar uma criança ou um jovem a alcançar essa aptidão deve ser o principal objetivo da Formação Comportamental ensinando-lhes tudo o que precisam para se sentirem à vontade em seu universo de relacionamento.



 

A timidez camuflada.

Em algumas pessoas a timidez não se mostra à primeira vista: ela é mascarada por um comportamento na aparência normal. Essa timidez camuflada me parece ser mais comum no adulto, e se distingue muito bem da timidez ressentida, abordada na página precedente, mais comum entre crianças e adolescentes.

O tímido camuflado distingue dois mundos: o seu próprio, que é povoado por pessoas iguais ou inferiores a ele, e um outro mundo, do qual se sente excluído, de pessoas socialmente normais e entrosadas em acontecimentos sociais importantes, e pelas quais sente mal disfarçado desprezo.  Uma característica importante desse tipo de timidez é que o tímido mascarado se Impõe um limite modesto para suas iniciativas, estabelece inconscientemente um nível máximo que pode alcançar  seu progresso social, e nuca avança além dele. É critico e  solitário. Devido a se excluir do mundo social, não tem encontros que pudessem resultar em namoro ou novas amizades. Sua autolimitação lhe permite apenas oportunidades com mulheres de classe social igual ou inferior à sua. Não é atraente por não valorizar o trato de seu físico, de suas vestes, de seus modos.

Tem muita dificuldade para se expressar, para proporcionar carinho, e comumente se queixa de ter sido criado em um ambiente carente de afeto, em meio a brigas e maus tratos. Geralmente é um grande problema para o tímido receber pessoas, falar em público, ou progredir além do seu "limite" como, por exemplo, se lhe é oferecida uma posição de mando no trabalho, é provavel que recuse. Se aceita, em pouco tempo se verá a necessidade de que seja destituído. Sempre que é exposto a situações desse tipo, recua, e então sente-se infeliz e perdedor e volta contra si próprio sua crítica e sua agressividade.

O que a pessoa com essa timidez mascarada deveria desejar seria a sua cura. Mas sua timidez já se transformou em preguiça social, e o que ela quer é evitar situações que poriam à prova as deficiências de sua personalidade.
 

Formas de compensação.

 

O tímido encoberto ou mascarado tem uma personalidade na aparência bastante equilibrada, uma vez que consegue aparentar normalidade em seu relacionamento social e é capaz até de atrair a simpatia.das pessoas. Estas o acolhem e podem  tê-lo na conta de inteligente e muito capaz, e não entendem o porque do seu comportamento evasivo e seu problema de falar em público.

É típico do tímido mascarado que as pessoas não percebam sua timidez. São as formas de compensação que adota que afastam nos outros a impressão de que seja tímido. Um desses recursos pode ser não perder nenhuma oportunidade de se mostrar inteligente e prestativo. Mas, se não tem a aptidão para isso, poderá buscar o comportamento oposto ao da timidez, cultivando seu físico e praticando algum esporte individual em que possa se mostrar destemido.

A pior forma de compensação da timidez, na infância e na adolescência, talvez seja o  "bulling"  Assim é chamada a perseguição que crianças mais atrevidas, com a experiência de agredir que trazem da rua, fazem a outras crianças e adolescentes mais retraídos, inteligentes e sensíveis, buscando quebrar a influência que possam ter junto aos colegas. Buscam forçar a vítima ao isolamento principalmente por ridicularizá-la, criticar seu modo de vestir ou de falar, aspetos de seu físico colocando-lhe apelidos com origem em peculiaridades de suas feições,  da sua etnia, religião, deficiências de movimento ou de expressão verbal. Parecerá ao leitor um paradoxo consideram o autor do bulling um tímido que quer romper com a timidez intimidando os outros. Mas, para mim, isto é o que acontece com toda pessoa violenta. A minha página Boas-maneiras na Escola contém mais matéria sobre o bulling.

 

Acabar com a timidez camuflada.

Sua mascara de normalidade se sustenta até que ele entre em uma crise, como perder a voz quando é pedida sua opinião em um seminário ou é convidado a fazer um discurso em uma solenidade. Nessa hora se instala o pânico, denunciado pelos seus olhos muito abertos, fixados em alguma pessoa presente, e pela sua palidez e bloqueio da sua voz. Não consegue se lembrar das palavras de uso comum em uma saudação, ou na abertura de uma apresentação e, depois de balbuciar alguma coisa, não sabe como concluir sem que alguém venha em seu socorro.

Para vencer a timidez, no caso, remover primeiro a camuflagem. Mesmo que seja boa, ela ilude ao próprio tímido e não lhe permite uma visão honesta da sua personalidade.Partir em seguida para o aprendizado que possa dar ao tímido a segurança que lhe falta, e acabar com o limite entre dois mundos que é a progem da sua timidez.

Combater o medo de falar em público requer conhecimento da língua, do modo de respirar enquanto fala, da postura do corpo adequada, de quais momentos e circunstâncias pedem um discurso, um brinde, uma opinião, ou um aparte, etc. Algumas pessoas têm um talento natural para tudo isto, e aprendem por si mesmas começando por discursar em aniversários, por opinar nas reuniões da escola, etc. Esse aprendizado natural pode no entanto levar a certos vícios, por exemplo, saber falar bem em público somente quando tem alguma coisa a censurar, ou alguém a quem agredir, sendo incapaz de falar quando se trata de elogiar, dizer palavras carinhosas a um homenageado, etc. Pode ainda repetir ou voltar sempre a um mesmo tema, ou falar com certo nervosismo e hesitações.

Melhor, portanto que haja uma preparação consciente, tanto técnica quanto intelectual, para que a pessoa perca o medo de falar em público. Adquirido o conhecimento indispensável, resta então praticar para chegar à espontaneidade e perfeição desejadas. Talvez a minha página Brindes e Discursos possa ajudar, com algumas noções preliminares, aos interessados.

 

Comparação entre o tímido ressentido e o camuflado.

As diferenças entre o tímido ressentido e o tímido mascarado são claras. O primeiro quer ser aceito, o outro quer fugir ao contacto social. O tímido mascarado tem um horizonte definido e nem lhe passa pela cabeça ultrapassá-lo, enquanto o tímido ressentido não estabelece nenhum limite, apenas amarga não saber como tirar as peias que o retêm longe dos demais.

Enquanto o tímido ressentido se ressente de ser tímido e não ter coragem diante do outro e seus sintomas de sua timidez são mais variados, o tímido mascarado tende a ver sua timidez como um problema psicológico restrito, que o incapacita para um procedimento específico. Compartilha com o ressentido o medo de falar em público.

.Tem alguma coisa em comum com o tímido ressentido; por exemplo, o mesmo embaraço para caminhar em frente a uma assembléia, ou sentir-se incapaz de ocupar os primeiros bancos em um templo. A principal diferença entre o tímido ressentido e o tímido mascarado talvez seja esta, que o primeiro é de pronto reconhecido como tímido, enquanto o segundo passa por normal e inclusive é  tido por líder inteligente e diligente, até o momento da sua crise de timidez

 

A timidez paranóica.

Acredito ainda na existência de um terceiro tipo de Timidez, aquela que apresenta traços mais fracos ou mais fortes de paranóica. Ao contrário do ressentido, o tímido paranóico afasta-se das pessoas e se isola acreditando que se aproximam dele apenas por interesse, e será enganado e traído caso experimente uma amizade com estranhos. Pode sempre demonstrar essa sua verdade relatando casos em que não recebeu reconhecimento proporcional pela sua solidariedade. Acredita que é objeto discriminação sistemática sem motivo algum e essa crença é fundamental em todos os aspectos de sua vida. Na política está convencido de que há uma classe de indivíduos que exerce opressão cruel sobre outra menos favorecida,. e torna-se uma voz dissidente em praticamente qualquer circunstância. É caso para estudo psicólógico. 

O tímido paranóico se equilibra através de alguma forma de militância cujo objetivo e ação extrema é uma revolução. A idéia de que uma situação de inferioridade decorre de uma forma de perseguição é tão boa para convencer pessoas menos preparadas que o ativista sempre logra êxito. Na política consegue aprovação para sua tese pelo menos o suficiente para se fazer autoridade municipal, e dai a níveis intermediários do governo. O êxito em alcançar as culminâncias do poder em sua sociedade não é raro. Cativa não apenas uma multidão de paranóicos mas também seduz os tímidos e limitados em geral.

 

Conclusão

.As duas principais causas da timidez são, em minha opinião:

  • o desconhecimento do modo de proceder em uma situação;

  • o fato da pessoa ver na outra uma grandeza elevada muito acima da sua,  colocando-a, como se costuma dizer, em um pedestal, enquanto descrê de si mesma e obstrui seu próprio desenvolvimento pessoal.

Para atacar a primeira causa é preciso aprender as técnicas envolvidas no procedimento que atemoriza o tímido, e para acabar com o sentimento de inferioridade e a timidez diante dos outros, é preciso refletir sobre a vulgaridade das pessoas, ou melhor, sua igualdade.

A superioridade de posses, de riqueza, ou de poder não confere a uma pessoa superioridade essencial sobre outra. Não importa o quanto gastem com seu bem estar nem quanto poder tenham, ou a santidade da sua função, como ser humano ela é essencialmente igual aos demais. Em sua posição ou função social, as pessoas apenas representam um papel ordinário qualquer, papeis já catalogados na história da civilização. As coisas que usam – colares, anéis, roupas de grife, carros esportivos –, são coisas que estão nas vitrines e são compráveis por qualquer indivíduo. Cargos importantes também são compráveis com moedas especiais: indicações de amigos, cotas partidárias negociadas com o governo, etc. Não se pode respeitar uma pessoa por um papel que ela representa ou pela grande quantidade de coisas que ela compra para usufruir.

Pode ser útil mas não me parece que seja o caminho para afastar a timidez, análises para mostrar à pessoa o que no passado lhe faltou para o amadurecimento normal de sua personalidade. Ela pode conseguir  sua cura agora, através de um aprendizado, sem nenhum custo. Não precisa fazer análise de traumas infantis, mas deve simplesmente se concentrar em aprender  o que lhe falta para sua absoluta segurança em seu comportamento social.

Rubem Queiroz Cobra

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
2
6-01-2012

Direitos reservados. Texto impresso original depositado na Biblioteca Nacional. Para citar este texto:
 Cobra, Rubem Q. - A Timidez. COBRA PAGES: www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2012.
(“www.geocities.com/cobra_pages” é “Mirror Site” de COBRA.PAGES)

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