Viagem pelo Amazonas

Hoje: 22-05-2022

Página escrita por Rubem Queiroz Cobra
Site original: www.cobra.pages.nom.br

Naimon Yoseph Schwarts um jovem empregado na indústria de joias de seu pai, em São Paulo e o caçula de três irmãos, decidiu conhecer a Amazônia. Naimon preparou-se para uma viagem com grande expectativa de ver coisas exóticas, conhecer povos indígenas e observar com atenção cada ponto do trajeto. Pensou que uma viagem assim precisaria ser bem aproveitada. Contando com a aprovação dos pais, tomou um avião em São Paulo e desembarcou em Belém, a tempo de adquirir uma cabine no “Le solitaire des eaux”, pequeno navio de 120 toneladas movido a motor diesel, que lhe indicaram como barco seguro, apesar de que o mais adequado para conhecer verdadeiramente a Amazonia seria uma “gaiola”.

O navio sairia de Belém com uma carga de máquinas no porão para serem entregues no Porto de Afuá e em outros pontos ao longo do Amazonas, terminando seu percurso em Manaus de onde regressaria a Belém.

Depois de se instalar em sua cabine, foi juntar-se a um pequeno grupo de passageiros junto à ponte de navegação. De onde estavam, tinha-se uma boa visão das margens do rio e podia-se ver por inteiro o capitão ao leme do grande barco, ao lado de uma bússola de bom tamanho, montada sobre uma coluneta de metal pintada de branco. Firme à roda do leme, o capitão mostrou-se irritado com os moleques que se juntavam nas laterais do barco para acompanhar as manobras de desatracamento, a nado ou utilizando minúsculos barquinhos, e gritando por dinheiro. Irritado, murmurou entre os dentes:

– Eles vêm pegar onda na marola que fazemos, e pedem que lhes demos qualquer coisa para si.

Voltando-se para os passageiros do pequeno grupo junto da ponte, — local a que habitualmente acorriam os que faziam pela primeira vez aquela viagem –, continuou:

– Moram em casebres de madeira, sobres palafitas, nas margens dos rios e canais, como vocês podem ver.

– Me surpreende a variedade de barcos, disse Naimon, o mais próximo do capitão. São vários tipos das “pequenas”, alguns parecem um caiaque.

– Sim, disse o capitão. Vão de “pequenas montarias”, menores que o caiaque para uma pessoa, até navios duas vezes maiores que este. Há também os batelões e regatões que carregam comidas e gêneros, e comercializam com os ribeirinhos ao longo do caminho.

 No final da tarde o capitão avisou aos passageiros que, quando já estivessem no rio Amazonas, seriam alcançados por um grande espetáculo da natureza chamado “Pororoca”, que é o encontro das violentas águas do mar, na maré alta, com as velozes águas do rio. Disse que foi informado pelo rádio da marinha que a velocidade da pororoca estava maior que a velocidade do barco e que não teria como evitá-la.

– O navio vai sacudir muito. Mantenham-se em suas cabines, enquanto durar a agitação das águas, disse o capitão. — Não há o que temer. A onda vai nos apanhar por trás e o choque será menor. Seremos apenas impulsionados por ela.

Naimon assustou-se com aquela informação porque sabia que a pororoca tem ondas que avançam com velocidade de 30 km/h e altura que pode alcançar a 6 metros, e causavam enormes estragos, inclusive, afundamento de barcos.

– Em quanto tempo seremos alcançados por ela? Perguntou ele, ao capitão.

– Nossa velocidade seria superior à pororoca se estivéssemos viajando no mesmo sentindo que correm as águas do rio. Mas, como nós estaremos em rumo contrário à correnteza, ficaremos com a velocidade reduzida para uns 15 km/h. Seremos apanhados por volta da meia noite e vou procurar um porto para proteger o navio.

Ao final da sua explicação o capitão alteou a voz e repetiu para que todos escutassem “não há perigo algum!”.

As feições dos passageiros indicavam dúvidas, desacordo ou concordância, conforme suas experiências do passado. Mas os ânimos estavam abatidos e não faltavam histórias desanimadoras.

— Mantenham-se atentos a viagem! Há riquezas na Amazônia para as quais os amazonenses ainda não têm olhos, como espécies de peixes ornamentais, passos exóticos que os ribeirinhos vendem a preço de nada, bichinhos ornamentais muito ambicionados pelos japoneses, americanos principalmente.

O capitão colocou o barco em velocidade de cruzeiro conseguindo assim, livrar-se dos ambulantes.

– Por aqui o povo se alimenta de comida de branco e comida de índio: peixe, palmito do mato, alguma raiz como mandioca e cará, e frutas como o açaí, manga, coquinho do buriti e jambo. Fora isto o caboclo tira o palmito do mato para consumo próprio, mas também vende para fabriquetas que veremos ao longo de todo o trajeto. Alguns ainda tem pequenas hortas. No mais se viram comendo açaí e outras frutas que a floresta lhes dá.

Jacob, disse um passageiro apresentando-se a Naimon. – Simão Jacob. E você, vai até Manaus?

Percebendo que podia ser um judeu paulista como ele, porque não costumava simpatizar-se com a gente de sua própria raça, não disse seu nome completo: — queria manter-se cordial e circunspecto. – respondeu novamente Naimon:

— Pretendo ir até os confins da Amazonia… até o Acre. Mas posso mudar de ideia. Parece que essa viagem pode ser muito perigosa. Todos estão bastante assustados.

Seu modo reticente parece não ter agradado a Jacob. Ele voltou-se para outros passageiros ao seu lado.

— O que acho mais perigoso são os acidentes com os barcos, que são muitos. Saeed, um amigo, me contou que viajando no rio Amazonas, já havia adormecido, e era por volta de uma hora da madrugada, quando o desastre aconteceu. Disse ele que acordou com um estrondo e um impacto, e foi jogado do barco para dentro d’agua, como se não fosse maior que uma formiga! – contou ele. Haviam batido num pesqueiro de aço e as duas embarcações estavam afundando… Houve uma gritaria danada, de pessoas, de animais, de galinhas alvoraçadas, todo mundo se debatendo, se afogando ao redor. Eram gritos de desespero e pedidos de socorro. Na escuridão não se enxergava direito.

De repente, uma pessoa agarrou-o pelo pé me puxando-o para o fundo. Institivamente deu um safanão bem forte e se livrou. Viu depois que era uma mulher. Esse meu amigo ficou boiando noite adentro. Um barco que passou içou-o para bordo e o salvou.

O Le solitaire des eaux não se deteve ao chegar à curva do canal frente a Macapá, para passar às águas do Grande Rio. Como não dispunha de cabines para mais passageiros e nenhuma carga para desembarcar naquele movimentadíssimo porto, foi fundear mais acima, no porto de Mazagão.

No caminho cruzou com alguns comboios de barcos puxando intermináveis filas de toras de madeira dentro d’agua e por uma gigantesca serraria com chaminés enormes cuspindo fumaça. E também com balsas enormes que carrega mercadorias do Amazonas para o Pará e vice-versa, algumas canoas a vela, e muitos barcos de pescas. Foram muitas horas de navegação, mas sem incidente.

Já era noite, mas apenas parte dos passageiros se recolheu. Jacob preferiu ficar vigilante, de olho no Capitão, na expectativa da chegada da pororoca. Só foi dormir quando, pelo rádio, a Capitania dos Portos desfez o aviso de perigo. A pororoca fora das mais brandas de que se tinha notícia. Os passageiros que haviam se recolhido nada sentiram que lhes perturbassem o sono. Aliviados, todos saíram de suas cabines para gozarem a manhã magnífica daquele dia. O sol comandava todo o espetáculo. O sol não é tímido. Tem majestade e comanda o espetáculo. Uma iluminação forte e cálida deixou as matas nas margens iluminadas por raios de luz com tons dourados, meio amarelados, criando uma espécie de aura em volta, algo misterioso, realmente espetacular. Aquela luz realçou o colorido da mata de arvores imensas e enormes copas, alternadas com açaizeiros típicos da região. Mas o tempo é traiçoeiro, a qualquer momento, pode passar de um dia com forte sol para uma tempestade que parece formada do nada.

Por volta da meia noite os passageiros foram acordados por um grande estrondo que levantou a popa e causou a sensação de que o barco iria afundar, a custo foram tranquilizados pelo contramestre e o capitão. Correram todos das cabines para as amuradas, alguns já lançando mão das boias salva vidas do alto da amurada, viram o solitaire cercado de toras de madeira imensas e grossas que vinham puxadas por um barquinho motorizado só que o barqueiro fez uma curva muito fechada em um dos desvios do rio e perdeu o controle dos troncos flutuantes. A forte batida no casco do solitaire foi inevitável, daí o estrondo e a sacudidela que apavorou a todos. O Pará sofre com os madeireiros, a grilagem sistemática de terras públicas mais a devastação e a constante violência que vem a reboque.

Boca do Jari foi a próxima cidade no itinerário para Manaus. O atracamento foi apenas para desembarque e embarque de passageiros feito de qualquer jeito, em passarelas precárias carregando suprimentos em sacos de plástico de Supermercados. Naimon Yoseph tinha grande curiosidade sobre o lugar. Mas, não havia vestígios dignos de nota do antigo “projeto do Jari” do magnata americano Daniel Keith Ludwig, iniciado em 1967.  Ele havia pretendido criar indústrias e serviços que haveriam de trazer progresso imediato para a região. O Capitão falou muito ligeiramente, e com tão grande pouco caso do gigantesco empreendimento, que levou Naimon a calar-se. O judeu tentou apenas reconhecer o que lera em revistas e jornais anos atrás. O Capitão era certamente daquela classe de fanáticos de opositores ao megaempreendimento industrial idealizado pelo bilionário norte-americano. O magnata mandou construir uma fábrica de celulose no Japão, na cidade de Kobe, que fora rebocadas até as proximidades do atual distrito de Monte Dourado no Rio Amazonas.

Passaram pelo canal Norte, entre o continente e a ilha de Gurupá e atracaram em Almeirim para entrega de óleo de lubrificação para motores, peças para reparo de serras industriais e veículos. Era uma operação que deveria ser curta, porém subiram a bordo três senhores bem-vestidos, de terno e gravata, indubitavelmente ricos proprietários de madeireiras que eram comuns nas redondezas da cidade. Conversaram com o capitão, que aceitou levar maços de grandes tábuas para Belém, quando estivesse de volta. Mediram os espaços no porão que ficariam reservados para o embarque dessa carga. Acertaram um adiantamento que não podia ser grande, devido aos riscos para o navio na sua viagem até Santarém e retorno a Mazagão para o carregamento.

A navegação foi mais rápida a partir de Santarém. O navio achava-se grandemente aliviado de seu peso após as várias cargas de grandes volumes serem desembarcados pelo caminho. Mas Santarém deixou de presente insetos peçonhentos que passaram sorrateiramente para o navio quando este lá esteve atracado. A chamada “barata d’água”, bichos de grande e variados tamanhos, que causam nojo e são iguais às baratas domésticas, que têm menor tamanho, mas causam igual repugnância. Os três grumetes da tripulação passaram o dia em que a praga foi descoberta a bordo, e mais dois outros a desentocar os insetos.

Depois de atracar em Santarém, numa noite, uma grande gaiola se aproximou do cais apesar de estarmos ancorados numa de suas extremidades, ela ao encostar, não conseguiu evitar abalroar nosso costado. Empurra daqui segura de lá e após alguns instantes de grande apreensão os dois barcos se separaram. A gaiola depois de pegar alguns passageiros, seguiu seu caminho.

As “gaiolas” estão sempre além do que seria uma lotação segura. Os mais apressados nem esperam o barco atracar. Impossível fiscalizar. Tudo aqui depende do barco em primeiro lugar. E os rios, além de via de comunicação, dão a comida, o peixe, e outras vitaminas. A Capitania calcula em cerca de cento e vinte mil barcos a navegar pelo amazonas. Deve ser muito mais que isso. Imagina se os carros de movimentadas estradas como São Paulo e Santos, fossem barcos em um rio. Penso que a estrada de água do Amazonas seja igual em viaturas aquáticas.

Por isso os homens não quiseram adiantar nenhum dinheiro a mais, como insistiu em pedir o comandante. Escondido pela porta semiaberta da ponte, Naimon acompanhou a discussão, levado pelo pendor à análise dos traços faciais, e dos sutis repuxos da musculatura do rosto, das súbitas alterações na cor da face, e da gesticulação que marcava como um compasso as diversas entonações da voz dos quatro homens, ele concluiu que estavam sendo absolutamente honestos em seus argumentos.

O Solirtaire navegou até o Parque Nacional de Monte Alegre. Algumas viaturas rurais aguardavam ali um número expressivo de passageiros que deixaram o navio e iriam ocupar lugares nos veículos. Alguns abraçavam quem os aguardava, como amigos ou parentes que se reencontravam com risos e abraços e beijos. Havia os que logo deixaram o local em caminhonetes novas e velozes, enquanto outros retardavam a conversa na areia da praia para atualizarem os que chegavam falando de como iam passando suas férias no parque. Um grupo de senhores, segurando contra o peito os seus chapéus, trocavam cumprimentos cerimoniosos de boas-vindas.

Porto é lugar perigoso. Ao longo dos rios quase nunca existem verdadeiros atracadouros. São na maioria das vezes frágeis trapiches com apenas uma tábua. As pessoas perdem coisas; caem na água e morrem muitos por conta dessa falta de interesse dos habitantes em montar um trapiche seguro. Mas apesar dos perigos, todos estavam a salvos e felizes.

Ainda eram muitos os passageiros que continuariam a viagem enquanto outros embarcavam com destino a Manaus. Desinteressado da cena que fora muito comum durante toda a viagem até ali, Naimon foi para o outro lado do barco observar o rio e a densa vegetação da outra margem.

 Foi surpreendido pelos gritos de uma jovem junto à amurada. Marimbondos a atacavam e ela se defendia brandindo seu chapéu contra os ferozes insetos que a volteavam tentando picá-la. Mergulhando no assoalho, Naimon pegou-a e rasgou a sua saia, e passou a defendê-la com lambadas no ar, o que fez os bichos se juntarem no pano como um forro negro. Tomou dela o chapéu e empurrou-a para dentro de uma cabine que estava aberta. Fechou a porta e em poucos minutos exterminou os poucos insetos que se prenderam na saia.

Sentado à beira do beliche, Naimon não viu o seu rosto oculto pelos seus cabelos em desordem escondendo suas feições, mas examinou-lhe as coxas e as pernas e viu que sua rapidez em socorrê-la, evitara que fosse picada. Mas notou que suas pernas eram muito brancas e bem torneadas, o que seria para ele, inesquecível lembrança. Vestiu-a novamente com a saia e recomendou que se acalmasse e fosse para sua cabine descansar. Ela subiu a escada segurando a roupa sem botões e ele voltou para a amurada onde os antigos e os novos passageiros ainda conversavam, tendo aos seus pés suas bagagens.

O capitão notou um grosso rolo de fumaça negra que subia para as nuvens além do parque, e já bem alto, muito além da linha do horizonte.

—- Vejam lá! Para plantarem o que comer, os moradores abatem a mata e vendem a madeira ilegal a preços vis. Facilitam as coisas para os espertalhões.

A pior doença aqui não é a malária, mas sim a preguiça. Todo brasileiro acha que só o governo é que deve providenciar os serviços públicos e isto é uma Lei natural no país todo. Por que será que todos pensam assim? Precisaria ser promulgada uma Lei da solidariedade?

Em uma de minhas rotas mais ao norte, continuou o capitão, vi no município de Oiapoque batidos todos os recordes de imundície e desorganização, enquanto, do outro lado do rio, bem à frente, a vila francesa de Saint Georges, primava pela limpeza, organização e civilidade.

Dispersou-os a vibração do navio que se afastava do trapiche lentamente. A viagem fora reiniciada. 

Despediram-se do Pará, com uma festa a bordo e muita dança. Uma mulher disse que nunca faltava cantores e tocadores de violão em qualquer viagem e que o repertorio era geralmente música sertaneja. No pequeno espaço disponível arrastavam-se as sandálias nos pés de casais ou de viajantes solitários em animados forrós, como um grande carnaval limitado a um minúsculo espaço. Um delicioso jantar completou a festa, constante de pastel de palmito ou carne, arroz e salada de tomate e muita cerveja em latinhas. Em seguida houve uma breve estadia em Óbidos, no estreito do mesmo nome, para entrega de grandes quantidades de encomendas dos Correios. Chegados a Manaus, Naimon apressou-se em reservar passagem aérea para o Rio Branco, deixando para os dias que teria que esperar pelo voo, para conhecer a cidade.

Na verdade, passou o tempo fazendo contacto com comerciantes; havia trazido cartas de recomendação para patrícios bem-sucedidos em Manaus. Estava ansioso por chegar em Rio Branco, seu destino.

Na capital do Acre procurou também por dois ou três patrícios que lhe haviam sido indicados como figuras proeminentes do comércio e da indústria locais.

Alguém deixou um bilhete na portaria do hotel onde com uma delicada letra feminina estava escrito. “Preciso urgentemente falar com você para lhe dar uma notícia de interesse do seu negócio. É grave! – Estava assinado Suzana e indicado um telefone. “A quem atender diga que me conhece da viagem no Le solitaire des Eaux.” dizia mais: “Nos conhecemos na viagem no Le solitaire des Eaux.

Naiman foi pontual. Estava envolvido por um misto de curiosidade e expectativa por aquele encontro, e não se preocupava muito com o que pudesse ser de grave relativo aos seus negócios. Conversara com várias passageiras no navio, mas pensou que todas se dirigiam a Manaus.

Uma jovem de longos cabelos pretos o aguardavam sentada no banco do jardim, na praça que tinha um grande obelisco em homenagem aos heróis da conquista do Acre. Assim que viu Naimon entrar na praça ela se pôs de pé e começou a caminhar em passos leves e um pouco hesitantes, os olhos fitos nele, ainda distante.

— Suzana?

— Sou a fada das abelhas, respondeu ela com um sorriso. Descobri por acaso você aqui no Acre, e você não me reconheceu.

— Você se escondeu. Não a vi mais no barco!

— Eu estava muito envergonhada… — Para salvar minha vida você me deixou quase sem roupa. – Sentaram-se no banco. Mas preciso que você saiba que o seu interesse comercial vai chocar-se com os do meu pai, e que ele estava disposto a tirar você do negócio. Felizmente, consegui que as coisas mudassem…

— Como se chama ele?

— Simão Jacob — respondeu ela, em tom de quem faz uma advertência sobre um sujeito perigoso. —-O Gerente do banco, amigo dele, cortaria o seu crédito. Ele ficou sabendo que você estava secretamente armando contra ele, porque no mercado aqui, — de traições, assassinatos etc. –, não existem segredos. Mas, você pode conversar com ele e encontrar meios de conviverem em paz.

Você já pode ficar tranquilo. Eu perguntei a meu pai em uns dias atras, quando ele falou que ia tirar você do caminho, se ele teria coragem de fazer tão grande a mal a um rapaz que havia salvado a vida da sua filha. Nem ele, nem mamãe sabiam, e mamãe, depois que lhes contei o que poderia ter sido uma tragédia acontecida comigo no barco, disse:

 –Nesse caso tudo muda de figura…  

Depois de conversarem os dois sozinhos no escritório por muito tempo, papai abriu a porta, já com outro semblante, e falou:

–Traga o seu amigo para jantar hoje conosco. Vou fazer dele o sócio de que ando necessitando ter.

Rubem Queiroz Cobra

Página lançada em 19-11-2021.

Direitos reservados.
Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. – Viagem pelo Amazonas. Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2021.