Hoje: 07-07-2026
Página escrita por Rubem Queiroz Cobra
Site original: www.cobra.pages.nom.br
Página escrita por Rubem Queiroz Cobra
www.cobra.pages.nom.br
O herói tinha 15 anos e chamava-se Henrique. Temia que a viagem fosse perigosa, e não queria brincar com o destino; tinha a ideia de que o Brasil fosse uma ex-colônia que havia conseguido sua independência comprando-a com seu ouro e suas pedras preciosas, mas não alcançara o desenvolvimento, a civilização, e a têmpera que tiveram, por exemplo, as colônias inglesas, após lutarem de fato, com extraordinária coragem, contra a Coroa; nunca viajara nem dentro nem fora do país, a menos que contássemos como tal suas viagens no velho bonde para o distante Arquivo Histórico Ultramarino, Palácio da Ega, Calçada da Boa Hora, n.º 30, em cujos livros supunha que a verdadeira história colonial brasileira achava-se registrada. Esperava encontrar documentos também no Brasil e consultá-los, embora esse objetivo fosse na verdade secundário no momento. Havia solicitado ao tio João Vinagre que o levasse em sua viagem, pois ele viera comprar vinhos na Espanha e estava regressando ao Brasil embarcado por aqueles dias e seu navio passaria por Lisboa, a caminho de São Paulo. O tio dissera que lá o caminho para a capital do estado de Minas, onde mantinha seu escritorio de representação de vinículas europeias, passava por São Paulo; isto lhe permitiria, pensou Henrique, conhecer a grande Basílica de Aparecida, interesse que emanava de sua ainda secreta inclinação por tornar-se, futuramente, um sacerdote.
Quando a agência que lhe vendeu a passagem comunicou que o barco havia largado de Cádiz para tocar Lisboa, com o coração aos pulos ele avisou a cada um dos amigos a hora da partida, a fazer por telefone as despedidas. Os abraços ficariam para a volta. Despediu-se dos pais com carinho e seguiu para o cais de Santa Apolônia. Pouca gente estava embarcando, quase somente para a terceira classe.
O tio também fora avisado de que o sobrinho o esperaria no cais para ser ajudado no embarque, que ocorreu sem atropelos. Não demorou e o paquete espanhol levantou ancora para prosseguir sua viaagem, e puderam gozar as manobras do lento afastamento do cais pelo Tejo abaixo. Seriam uns quatorze dias de viagem.
O tempo estava magnífico. Agora, já a uma certa distância do local da ancoragem, tio e sobrinho viam-se perdidos em um mundo de gigantes, principalmente quando passaram lentamente pela tangente de um grande cargueiro que aguardava que se abrisse vaga para entrar e navegar rio acima. Não se via ninguém nas amuradas dos grandes barcos que subiam, toda a marinharia aplicada ao ofício que exigia o cuidado sobre humano de não errar nas delicadas, lentas e desmesuradamente pequenas manobras dos que cruzavam subindo com os que desciam o rio, como o barco em que estavam Henrique e seu tio.
Passar sob a ponte 25 de Março foi ganhar a liberdade, como se pudessem finalmente respirar sob o brilhante sol da tarde, cujos raios porém já sofriam as amputações causadas pelas finas e estiradas nuvens que no horizonte, nas sombras da tarde, avisavam a próximidade da escuridão da noite.
*
O tio era um bom comunicador. Tanto tratava bem os assuntos comerciais, aparentemente convencendo seus clientes com facilidade, como era também capaz de vaticinar os resultados do seu clube de futebol, o Benfica. Uma mulher com um colar de pérolas sobre uma blusa de seda, fumando uma piteira longa, branca e preta, recusou-se a sentar à uma mesa de homens, mas falava do Benfica com paixão, como o melhor time de futebol do mundo. Dava voltas à mesa e falava de perto, inquieta, com cada um dos interlocutores. Andava tirando fotos a todo instante, e ainda não se desvencilhara da câmera que tinha a tiracolo como quase todos os turistas da primeira classe.
—Minha Excelentíssima Senhora! – Quero vê-la eleita a Rainha da Luz do Benfica deste ano! Sois merecedora, sem dúvida! Volte a Lisboa em tempo! –falou um senhor a rir, erguendo seu copo de vinho, conseguindo aprovação de todos já razoavelmente alcoolizados. Era certamente um homem de posses a julgar por suas vestes mas também antiquado no modo como se dirigia a uma senhora.
Naquele instante causou uma ligeira agitação nos passageiros o anúncio feito por um oficial, de que um navio americano de cruzeiro vinha pela frente em sentido oposto e passaria pela esquerda do navio espanhol. Era gigantesco! Ao cruzar mostrou que navegava com mais estabilidade, era uma montanha de luzes muito brilhantes, mas havia poucas pessoas nos seus sucessivos conveses. Uma intensa música provinha do segundo convés onde transcorria um baile.
Não houve muita curiosidade da parte dos americanos em ver o navio espanhol. Havia muitos passageiros recostados nas suas amuradas que mal se voltaram para ver o elegante paquete espanhol em que viajavam Henrique e seu tio João Vinagre.
*
Em Santos, um guichê de turismo lhes indicou como seguir para a Basílica de Nossa Senhora Aparecida e aos primeiros alvores da madrugada já estavam acomodados no ônibus, aguardando ainda alguns passageiros retardatários em deixar o navio; vinha também chegando gente de carro, alguns apenas com bagagem de mão, que depositavam nas redes porta-pacotes suspensas acima das janelas. O veículo era alto e luxuoso, e uma garçonete serviu-lhes café com gotas de licor, mais um pãozinho recheado com creme e informações: A distância entre Santos e Aparecida era de 257,2 km e a duração da viagem de aproximadamente 5 horas.
Rapidamente a madrugada virou dia, as luzes da iluminação pública começaram a ser apagadas. Às 6 horas o motorista conferiu os bilhetes e às seis e trinta horas em ponto o ônibus alto e confortável vibrou com o arranco do motor potente, enchendo os passageiros de confiança em que teriam uma viagem rápida e confortável. Logo deslizava silenciosamente pelo asfalto que os levaria diretamente a Aparecida, a cidade da grande basílica.
O protocolo do registro no hotel próximo à Catedral foi cumprido com rapidez, e o prazo da permanência fixado em 3 dias, prorrogável. Deixaram as malas no apartamento e foram fazer um primeiro contacto com aquele procurado centro de fé. Foram devagar, como se quisessem gravar na memória a imagem da praça e todos os detalhes das ruas, e dos alpendres, das janelas que vistos ao sol, poderiam no dia seguinte perder o seu encanto . Almoçaram em um restaurante próximo ao Templo e continuaram o passeio até mais tarde.
Quando paravam para indagar a respeito de qualquer coisa a um religioso, logo outros peregrinos se juntavam para compartilharem as informações; era uma cidade de peregrinos vindos das mais variadas regiões do país e de muitas partes do mundo. Alguns pequenos grupos formados passavam a caminhar unidos e logo captavam um religioso para guiá-los. A personalidade interessante do tio fazia que, onde quer que estivesse, aglutinasse pessoas, o que fez aquela tarde bastante movimentada para ele e seu sobrinho.
Finalmente decidiram parar no alto do Morro Vermelho, de onde podiam ver, Iluminada de longe num belo espetáculo de luzes, o Templo do outro lado da Via Dutra, espetáculo que deixou aquele grupo com um sentimento de um voto cumprido, embora soubessem que haveria ainda um grosso de coisas para ver.
Alguém sentenciou: “Este morro é um passeio que não se deve perder”.
Henrique, emocionado, sentiu grande alegria em estar ali, onde pensava que receberia da Senhora Aparecida a bênção para o encorajamento e a visão clara do caminho que desejava seguir: ser padre. Pedia a Ela que não deixasse que ele se iludisse e perdesse sua vida por enganar a si mesmo, queria ter por toda sua vida aquela felicidade autêntica e segura que Maria teve ao ser Mãe do filho de Deus, quando suas mãos acariciaram pela primeira vez a cabecinha de Jesus e dele cuidaram; quando aspirou seu perfume de recém-nascido e do leite por ele sugado de seus seios maternais com seus pequenos lábios, e seus braços deram-lhe seu primeiro abraço de aconchego e calor que o levaram aos primeiros sonhos infantis. Tudo isto fizeram que Maria se tornasse a mulher mais feliz e contente que Deus criou.
*
À noite os devotos juntaram mesas no restaurante da Pousada e o assunto foi primeiro a procedência de cada devoto e sua atividade. Com grande magnanimidade Seu Vinagre falou de plantações de videiras, métodos de fabricação, história de marcas, adequação a comidas, marcas, preços e efeitos de bons vinhos, oferecendo uma dose de tinto ou branco que previamente incumbira o garçom de esfriar na geladeira do restaurante.
Após o jantar, apareceram vários músicos que se juntaram ao primeiro grupo. Acompanhavam as músicas marcando o compasso com as palmas da mão, o flamengo, declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, e cantando os melhores e mais populares sambas e tangos brasileiros e argentinos. Um velho cantou modinhas humorísticas que enlouqueceram os ouvintes. O excessivo barulho foi, porém, diminuindo porque os que chegaram com suas famílias por último, haviam assistido a missa da tarde, e começaram a abandonar o salão premidos pelo cansaço, e a exigência de descanso das crianças que necessitavam de silêncio para adormecerem.
Para surpresa de Henrique, na manhã seguinte, o tio perguntou, ao café, se ele gostaria de conhecer a capital do Estado de Minas. A razão é que na véspera havia telefonado para Belo Horizonte, onde tinha seu escritório de representação e venda de vinhos, e onde residia e mantinha um carro com chofer para seus deslocamentos de negócio. O carro chegaria a qualquer momento.
Henrique respondeu depois de aparentemente avaliar o oferecimento do tio: —Prefiro conhecer tudo de Aparecida, tio. Vai tranquilo. Eu vou descer e assistir a missa na Basílica.
O tio foi com o chofer Hugo para a autoestrada que do Rio de Janeiro levava até o norte do país, mas para se deter em Belo Horizonte onde residia e tinha seu escritório e um depósito de bebidas. Ainda na ida passaria por uma importante vinícola que deveria visitar.
*
Grande número de pessoas caminhava pela pista elevada que conduzia às portas de entrada da Grande Basílica. Em meio aos devotos que se apressavam para ainda conseguirem acomodação no templo, também Henrique caminhava apressadamente. Enquanto andava pela comprida e sinuosa passarela também observava as pessoas, uma ou outra já vista hospedada no hotel. Admirou-e, da grande miscigenação do povo. À porta do templo aproximou-se dele um seminarista branco que lhe barrou os passos. Henrique se deteve. Reconheceu Samalael, com quem se divertira, junto também com o tio e os amigos que fizeram, no encontro musical da noite anterior no salão do hotel.
—Vai assistir à missa de 8 horas? Acompanha-me porque penso ainda poder conseguir um lugar para você nos bancos. Veja aquele rapaz que levantou o braço; combinamos que quando você chegar perto ele se levantará e lhe cederá o lugar. Ele estava conosco na festa ontem. Ao fim da missa estarei esperando você nesta porta. Tenho grande necessidade de conversar com você e seu tio.
O ritual da missa constou da Bênção da “Coroa do Advento”, da leitura da Carta de São Paulo aos Tessalonicenses e do Sermão de Dom Orlando Brandes, grande pregador – contra vícios e contra os indivíduos que, por falta de fé, são anciosos e preocupados.
Terminada a prédica as pessoas ficaram de pé e Henrique percebeu que a moça ao seu lado cochichava ao ouvido da mãe uma observação que se referia a ele.
—Mãe. Esse rapaz está me olhando muito.
—Converse com ele para saber o que ele quer. Acho que ele é de bom nível social e você certamente vai gostar se fizerem amizade. Ele é muito distinto!
—Papai não aprova que eu converse com quem não conheço.
—Seu pai precisa calar a boca. Você não quer se casar, filha? Abra relacionamentos novos, ora!
O incenso foi queimado com prodigalidade, espalhando um perfume que é marca das celebrações solenes e infunde profundo respeito nos fiéis.
A distribuição da Comunhão que se seguiu, com inúmeros ministros da Eucaristia presentes entre o povo, emocionou Henrique. Ele nunca vira antes tantos fiéis em massa de gente tão grande que era quase impossível andar entre eles para alcançar os ministros que entregavam as Hóstias no corredor central. Em um panfleto diziam que no pátio havia espaço para estacionamento de 2000 ônibus e 3000 carros que, com certeza, chegavam sempre cheios de romeiros. Havia também muita gente que chegava a pé, partindo de vários pontos de cruzamento da trilha “Caminho da Fé” com caminhos dos sertões de São Paulo e Minas.
Após a comunhão, o cortejo de saída do celebrante com seus acólitos, tendo um à frente levando uma cruz suspensa com varias garotas-coroinhas e seminaristas vestidos com sobrepelizes brancas e rendadas acompanhando de cada lado, veio pela longa passarela central da basílica. Parou para que fosse feita a consagração dos fiéis a Nossa Senhora Aparecida, diante da sua imagem em chapa quadrada amarela acima da porta principal do Templo, Em seguida, apoiando-se em seu cajado dourado, o arcebispo deu a Bênção final. Seguiram-se “vivas” vigorosos e emocionados da comunidade presente. A basílica era um verdadeiro fortim da fé.
*
Após a Missa Henrique pensava ir para o hotel arrumar suas coisas mas o braço forte de Samalael novamente o prendeu junto á porta de saida.
—Aonde vai? Preciso informá-lo do sério perigo que corre um dos meus colegas seminaristas, o José Nogueira Síal, que guardou o lugar no templo, para você, e de como pensamos que você e seu tio poderiam nos dizer como ajuda-lo. Gostei de vocês em nossa festa improvisada no hotel, e certamente saberão o que aconselhar. de grande ajuda. Vocês têm aquele jeito de que gostam de ajudar… Sabe como isso acontecia com meu pai? Era o jeito que ele inclinava a cabeça e punha a mão em concha no ouvido, para ouvir melhor o que lhe estavam dizendo, mas ele não era surdo. Ele ganhava a confiança do outro na mesma hora. Sabendo do que se trata, você pode convidar seu tio para nos encontrarmos? E então estudaremos os três juntos a situação.
—“Tio João não está no hotel, foi a Belo Horizonte” disse Henrique ao seminarista. Ele talvez volte hoje à tarde, mas pareceu-me que achava mais provável que seria amanhã pela manhã. Falarei com ele do seu convite para conversarmos na primeira oportunidade. Mas, se eu também devo ajudar, gostaria de saber logo de que se trata.
—Trata-se da perigosa situação em que está um meu colega, o Síal. Vamos para onde possamos conversar sem que nos escutem e lhe darei um primeiro resumo do problema.
—Podemos fazer um pequeno lanche, antes de começar a examinar nosso assunto. Eu estou bem precisado porque, com receio de perder a oportunidade de falar com você e seu tio, nem tomei o café da manhã…
Henrique, que tomara o café da manhã no hotel na companhia do tio, providenciou os cafés e pediu um sanduíche, Henrique não quis nada além da pequena xícara do líquido fortificante.
—Meu colega, de quem falo, é o José Nogueira Sial, seu pai é protestante alemão, um sujeito irascível e fanático, e o filho suspeita de que ele é culpado de um assassinato na Alemanha Nazista. Ele não suporta que o filho tenha escolhido a religião católica e que pretenda ser padre católico. Meu colega pode estudar aqui, mas só até o momento em que começar a ser chamado padre. O pai prefere vê-lo morto, e ele mesmo matará o filho, como avisou a parentes e amigos, se ele se ordenar sacerdote.
Henrique ficou em silêncio por um instante refletindo. As convolutas da fumaça do forte café que saiam da xícara e vinham desaparecer contra a camisa branca no seu peito, já arrefecidas, como que a lhe recomendar calma. Samalael, após expor o que o preocupava, procurava aplacar com educação a sua fome.
—O que você gostaria que fizéssemos? — perguntou Henrique. —-Não há um corpo de agentes de segurança na Basílica? – pelo menos uns 150, comandados por um tenente coronel?
—-Há mais de cem seguranças, mas acho que a preocupação do reitor está mais em impedir a ação de batedores de carteiras infiltrados entre os fieis.
Samalael diz o seu plano: —Eu imaginei que o Síal poderia voltar com vocês para estudar em Portugal, Espanha ou na Itália, onde estaria distante do pai, com a segurança que aqui ele não terá. Transferência entre seminários redentoristas certamente é possível, disse.
—Precisamos saber se meu tio faria isto porque sendo seu colega Síal ainda menor, certamente haverá muitas restrições para um visto para qualquer destes países.
—-Sial está a poucos meses de completar maturidade. Será no fim deste ano.
Precisavam preencher o tempo da espera da possível volta do seu João Vinagre ainda pela tarde.
Como não havia o que fazer no sentido do projeto da salvação de Síal, sem ouvir Seu Vinagre, e Samalael não queria afastar-se de Henrique, ele próprio propôs que visitassem alguns pontos da Basílica, como motivo para que permanecessem juntos até a chegada do português.
—Vamos começar pela Capela dos Apóstolos da Basílica de Aparecida, que é por ela que se tem acesso à imagem principal, autêntica, que gira por um sistema eletromecânico, para que possa ser vista nas celebrações especiais que acontecem na Capela dos apóstolos, e também para limpeza, troca do manto, coroação e restauração a qual é feita pela restauradora Maria Helena Chartuni, disse o seminarista Samalael. Não sei por quem foi começada, mas o “O Papa João Paulo II, foi o primeiro a abençoar este local. Ela foi terminada como uma das obras do artista sacro Claudio Pastro em 2007 na visita de Bento XVI ao Brasil. (sem a presença do Papa). Quando o Papa Francisco esteve aqui foi lá que ele rezou para Nossa Senhora Aparecida. Nesta capela é rezado o terço com o padre Antônio Maria todos os dias.
Henrique, com grande admiração, exclamou: “Parece que os padres foram humildes no seu trabalho e por isso Deus os favoreceu no projeto da Basílica em toda sua extensão.
—O que você achou da música?
—Muito boa.
—Eu comparo a categoria da música sacra que ouvimos na missa de hoje, à categoria do canto sacro que ouvi na catedral de São Patrik, em Nova York, e na catedral de Monza, na Itália, quando viajei com meu pai. Acho que a Basílica de Aparecida pode competir com aquelas no que diz respeito a música sacra de suas celebrações, disse Salamael. Temos as vozes masculinas de Silvio Lino, de Junior Campos, de Edmar Tassoni, de Alvaro Miguel que são também bons organistas, e femininas boas como as de Suzy Bolcato, Juliana Giantte, Camila Rabelo, bonitas e chiques, e outros que, como estes, são cantores e excelentes organistas, e se dedicam ao serviço da Mãe Aparecida. Sempre que se apresentam em cerimônias filmdas, seus nomes aparecem na tela para conhemento do público.
Os dois rapazes foram ao hotel checar se o tio de Hentique já havia retornado, pois estava ficando tarde. Ja eram mais de seis horas. Então desencontraram-se dele. O tio achou que Enrique estava por perto e saiu com Ugo, o chofer, esperando encontra-lo. E Henrique, não encontrando o tio no hotel nem seu carro estacionado à porta do hotel, concluiu que voltaria só no dia seguinte e aceitou sair novamente com os amigos.
— Se não tiver voltado, Vamos subir ao morro vermelho, jantar por lá e você dorme no meu seminário. Bem cedo, pela manhã vamos novamente esperá-lo no hotel.
Henrique, convencido de que o tio viria só no dia seguinte, concordou com a ideia de subir ao morro vermelho. “La o ar é puro, disse Samael. Vê-se a Basílica em evidência, meio como um castelo de luzes…. Espero que vocês fiquem uns dias. Há um mundão de coisas interessantes para ver.
“Seu” Vinagre acordou tarde, mas disposto a encontrar o sobrinho a qualquer custo, vestiu-se já para sair. O restaurante do Hotel terminava de servir o almoço, mas um garçom permaneceu para servi-lo. Avisado de que ele chegara, o gerente veio sem pressa, pondo em ordem uma ou outra coisa sobre as mesas pelo caminho. Neste momento uma arrumadeira que entrou correndo no salão, o deteve e deu-lhe a notícia de que o rapaz que estavam procurando no dia anterior fora encontrado e entregue à Segurança da Basílica junto com os seminaristas Samalael e Nogueira Sial.
Vamos fazer nosso plano de Volta a Portugal – disse o Sr. Vinagre. Creio que nossa viagem acabou sendo bastante útil para nós dois. Você até foi sequestrado por uma noite! Daria uma história policial! Para mim também valeu a pena vir a esta região do Norte de São Paulo e sul de Minas: descobri ótimos vinhos e bastante baratos. Vão me dar a oportunidade de bons negócios porque as vinícolas são muito bem organizadas. Na verdade, comprando aqui eu nem precisaria voltar à Espanha tão cedo. Se o negócio com o vinho brasileiro por acaso não der certo, então eu retomaria meus fornecedores antigos.
—Eu gostaria de ficar em São Paulo. Estou bastante decidido a estudar para ser padre. Minha mãe disse que estaria triste se eu não voltasse com o senhor para Portugal, mas reconhece que pode ser a maior graça que uma mãe pode receber de Deus, ter um filho sacerdote.
—Ora, não é preciso pensar muito, acrescentou o tio. Pelo menos como um período de experiencia. Eu faria uma experiência com o meu negócio, digamos por um ano, e se não ganhar dinheiro, desisto. E você, se pensar melhor sobre a vida religiosa e desistir, volta comigo na primeira oportunidade, ou volta sozinho depois de atingir a maioridade. Quanto ao amigo do seu amigo, o Síal, não creio que terá dificuldade para ir conosco. Você sabe a idade dele?
—Ele será maior no fim do ano. Mas o maior problema, o que nos deixa todos angustiados, é o pai dele.
—Sem que o pai dele suspeite da minha intenção, lhe oferecerei um emprego na minha empresa, e o terei sempre perto de mim. Conheço a inclinação para a hipocrisia das pessoas cruéis; eu o deixarei encarregado de tratar com a Igreja. Pensar que ter um filho padre será promocional no negócio vai faze-lo mudar de ideia sobre os cristãos e seu proprio filho. —Vamos lá no bar brindar pelo nosso acordo?
—O senhor se importaria de descer antes à basílica, para rezar pedindo a bênção de Nossa Senhora da Aparecida para nossos respectivos projetos?
—Sim! Acho uma boa ideia.
colocada no Site em 08-12-2025
[rodapé titulo=”O Peregrino Lusitano de Aparecida” lançamento=”16-03-2025″]