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 Conservação e restauração de livros e documentos:

Perguntas mais freqüentes - IV

Respostas dadas pela restauradora
Maria José Távora Queiroz Cobra

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19. Como separar no acervo os livros que possam ser "obras raras"? Devo criar uma coleção especial com elas?

Deveria sim, guardar separadamente os volumes de obras raras, e revestir de cuidados especiais a sua conservação e a sua segurança para que não sejam surrupiadas por algum colecionador. O livro é considerado obra rara se, por exemplo, foi impresso na Europa até o século XVIII; impresso no Brasil até 1841; teve edição de tiragem reduzida; edição clandestina; é obra esgotada; exemplar com anotações manuscritas por intelectual importante; exemplar autografado por pessoa de reconhecida projeção, ou também pela beleza da composição tipográfica, do tipo de papel, modelo da encadernação, edição de luxo, etc. o mesmo valendo para coleções especiais. Veja mais sobre o assunto nos livros indicados em Bibliografia

20. Em sua resposta...quando fala de segurança, você se refere exatamente a que?

Há muitas medidas de segurança a serem tomadas não apenas contra incêndio, inundações, etc. mas também quanto ao roubo de documentos e livros raros, a destacar páginas, e outros procedimentos criminosos por parte do leitor. É importante, além desses cuidados, verificar também se o pesquisador está qualificado para manusear o material que vai pesquisar, ou devidamente autorizado para a consulta que faz.

21. Manter em sacos de plástico o documento, isto oferece algum inconveniente?

Os encartes de plástico em pastas são muito utilizados, mas pouca informação encontrei a respeito de sua segurança na preservação de documentos. De minha experiência própria sei que aceleram grandemente o esmaecimento de gravações termostáticas como a do FAX, e que cópias do tipo Xérox aderem ao plástico. Com certeza o plástico influi na umidade e calor que envolve o documento, criando um microclíma. O próprio plástico se transforma em problema de conservação, pois pode tornar-se ressecado, amarelado e quebradiço.

A preservação de livros e documentos requer controle de umidade e temperatura, como dito acima (Veja a respeito o e-mail n. 3). Com certeza será difícil manter esse controle dentro das pastas de plástico. A melhor maneira de preservar documentos é deixá-los em posição horizontal em caixa de papelão bem fechada para evitar poeira e insetos. A porosidade do papelão vai permitir o intercâmbio de temperatura e umidade com o meio ambiente. Dentro da caixa os documentos podem, quando necessário, ser separados em pastas de cartolina ou papel incolor e livre de acidez

22. Não posso nem sequer tocar em qualquer folha do livro, e ela se fragmenta. As bordas estão marrom escuro e a parte interna também escurecida...

Você descreve o que pode ser um papel envelhecido que é extremamente ácido. Na situação em que o volume está, você nada pode fazer e deve encaminhá-lo a um bom laboratório de restauração, para o devido tratamento. Como dito em resposta ao e-mail n. 3 acima, livros produzidos de fins do século XVIII até recentemente são as maiores vítimas de deterioração e envelhecimento, e isso se deve à má qualidade da matéria prima e do processamento com produtos agressivos, que deixam um resíduo ácido nas folhas e este resíduo, aliado aos altos valores de umidade e temperatura, causa o enfraquecimento e conseqüente fragmentação do papel. Somente em laboratório é possível reverter um pouco esse prejuízo, mediante banho das folhas do livro para desacidificá-las.

23. Como saber o teor de acidez das folhas... dito em sua resposta...

Há meios muito simples de determinar se o papel de um documento ou as folhas de um livro estão com excesso de acidez. Mas não aconselho a que você tente isto sem a assistência de um especialista, sobretudo devido ao estado que o livro está, segundo sua descrição. A acidez faz o papel ficar amarelado e quebradiço, e também ataca a tinta deixando-a esmaecida, sobretudo se o papel é exposto à luz, ou calor e umidade altos. Quanto à desacidificação, é definitivamente trabalho para ser feito por especialista.

24. Estou de mudança e tenho alguns livros, documentos e lembranças que penso em deixar na casa de meus pais guardados em caixas de papelão por uns dois anos. Como devo proceder para protegê-los? Vale a pena colocar bolinhas de naftalina ou cânfora nas mesmas?

Tudo o que foi dito acima sobre ambientação aplica-se aqui. Sobre as caixas em que pretende deixar o material, observe o seguinte:

01. Que as caixas possam ser fechadas não deixando entrada para poeira e insetos;
02. Não compactar excessivamente o material. A compactação facilita a ação do cupim a partir de fora;
03. Que o local ou cômodo em que o material ficará armazenado, se for externo à residência, tenha portas bem ajustadas de modo a não entrarem roedores;
04. Colocar as caixas onde fiquem ao abrigo de muita luz e calor, que aceleram a ação de ácidos contidos no papel;
05. Evitar umidade, pois o papelão das caixas absorve a umidade e se decompõe, colando-se à parede ou à superfície de apoio;
06. Evitar encostar as caixas na parede;
07. Espanar as caixas regularmente, a fim de que a poeira acumulada não cause o ressecamento do papelão;
08. Pedir que alguém movimente as caixas a certos intervalos de tempo, e examine a situação do local quanto a variações de umidade, infiltrações, alojamento de insetos, etc.;
09. A naftalina é um recurso tradicional para afastar insetos. Com o tempo ela volatiliza e por isso as caixas precisarão ser reabastecidas de tempos em tempos;
10. Em sua correspondência, coloque ocasionalmente uma pergunta a seus familiares sobre as condições em que estão as caixas e o material.

25. Gostaria de informações sobre vitrines para livros raros.

O que posso recomendar com respeito a vitrines para livros raros:

1. Sejam feitas de aço, ou de madeira bem seca. A madeira exala substâncias químicas que atacam os livros e o perigo é maior se a madeira for verde e úmida. No caso do aço, a pintura do interior precisa estar bem seca e curtida (quando não está mais exalando nenhum cheiro). No caso de madeira, não deve ser encerada, mas revestida de fina camada de verniz selador de boa qualidade, e deixada alguns dias em boa ventilação antes de as vitrines serem utilizadas.

2. As vitrines não devem ter lâmpadas em seu interior, nem mesmo lâmpadas frias. A iluminação deve ser a do ambiente e também deve ser moderada.

3. As mesas não são hermeticamente fechadas, pois deve haver alguma fresta para ventilação. Por isso os cuidados com o ambiente geral da exposição (que seja livre de poeira, tenha controle de umidade e temperatura, etc.) têm que ser permanentes.

4. As mesas devem oferecer segurança, pois sempre haverá algum curioso a tentar abrir o tampo e tocar na obra em exposição. Os vidros não podem ser muito finos, pois deve ser evitado o perigo de que se quebrem acidentalmente e os fragmentos danifiquem as obras.

5. Dependendo da iluminação no local os tampos de vidro da vitrine poderão ser inclinados do centro para as laterais, a fim de evitar reflexo de luz ou de imagens que possam prejudicar a visibilidade da obra exposta.

Mais informações, recorra aos livros e artigos indicados na página Bibliografia.

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Direitos reservados. Para citar este texto:
Maria José Távora Cobra - Conservação e restauração de livros e documentos: perguntas mais freqüentes. Site COBRA PAGES, www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2001.
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