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 Conservação e restauração de livros e documentos:

Perguntas mais freqüentes - III

Respostas dadas pela restauradora
Maria José Távora Queiroz Cobra

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11. Ocorreu aqui uma grande enchente e os livros da biblioteca da escola ficaram encharcados. Que fazer para salvá-los?

Livros molhados em enchentes, e também em inundações provocadas por rompimento de canos, entupimento de galerias como costuma acontecer em depósitos de livros em subsolos, ou ainda pela água usada para apagar o fogo nos incêndios - , podem ser recuperados se forem socorridos adequadamente e com urgência.

O livro absorve uma quantidade grande de água muito rapidamente. Aqueles datados de antes de 1850, devido ao tipo de papel utilizado pela indústria editorial de então, têm capacidade de absorção de cerca de 80% de seu peso; os editados após aquela data, absorvem cerca de 60 %. Em contrapartida, os primeiros resistem a uma imersão total em água por muito mais tempo que os últimos. Um acervo de livros modernos, pesando dez toneladas, passa a pesar 16 toneladas depois de molhado. O processo de secagem terá que retirar dele 6 toneladas de água!

O principal problema dos livros encharcados é o empastelamento. Quando o material começa a secar, o movimento capilar da água no miolo do livro desloca materiais solúveis que se comportam como adesivos e provocam o empastelamento pela aderência das folhas umas às outras. Secando nessas condições, o livro se transforma em um tijolo. Ao mesmo tempo, o papel molhado torna-se rapidamente meio de nutrição para cogumelos e fungos, cujo ataque ao livro vai criar mais um problema. Este e outros agravantes fazem o tempo uma questão crucial.

A primeira providência de socorro ao livro molhado é o seu congelamento, um meio de estabilizar a situação, impedindo os efeitos da capilaridade e a proliferação de organismos. Esta solução, apesar de simples, é dificilmente exeqüível quando se trata de grandes acervos, pois demanda grandes frigoríficos. Para pequeno número de livros, um freezer doméstico servirá. Para evitar a formação de cristais grandes de gelo, o congelamento deve ser rápido. Por isto, os livros ou documentos molhados devem ser submetidos a uma temperatura de menos 30 graus centígrados.

A etapa seguinte é o descongelamento. Na proporção que o material possa ser tratado, os volumes e documentos são descongelados sem a formação de água, ou seja, o gelo fino que endurece as folhas tem que passar diretamente ao estado gasoso, sem passar pela fase aquosa, e isto pode ser conseguido com pouco calor, a temperaturas baixas, mediante a redução da pressão ambiente. Existem máquinas de secagem a vácuo para variados fins. Este é o processo chamado de "liofilização".

Após a secagem por liofilização os livros e documentos estão prontos para serem tratados e restaurados dentro da técnica usual.

Estas informações e mais detalhes a respeito do assunto você encontra em McCleary (1987) indicado na página Bibliografia.

12. Que é ácido bórico e para que serve?

É um inseticida de uso popular. Ingerido pelo inseto, o ácido bórico ataca e dissolve seu trato digestivo. Pessoas que têm alergia a substâncias usadas na maioria dos inseticidas comerciais costumam ser melhor tolerantes ao ácido bórico. Deve ser aplicado internamente junto a ralos, ao longo dos rodapés, e em bueiros, na parte externa.

13. Não consigo desdobrar um documento velho e ressecado. O que fazer?

Documentos antigos que foram mantidos em envelopes geralmente ficam com suas dobras rígidas. O tratamento deve ser dado em laboratório, onde existem recursos que evitarão inutilizar o documento.

A técnica combina basicamente umidificação e pressão. No entanto, a umidificação pode fazer uma tinta lavável, geralmente usada em manuscritos, se espalhar e borrar as letras. Também o grau de umidade que um papel pode suportar varia muito. Por isso a umidade tem que ser cuidadosamente controlada. Também a pressão não pode ser aplicada de uma vez. Deve ser aumentada gradualmente e com segurança, ao longo de vários dias.

Quando o problema não é muito sério, e você não tem como obter a ajuda do laboratório de um Arquivo ou Biblioteca, você pode conseguir algum resultado apenas com aplicação suave de pressão, utilizando apenas a própria umidade ambiente. Depois de, com cuidado, abrir o quanto for possível as dobras, sem rasgar o papel, coloque o documento debaixo de um vidro plano fino e leve, sobre um suporte plano, limpo e neutro (uma outra placa de vidro). Acrescente gradualmente, a cada dia, um mínimo de peso ao vidro fino superior (por exemplo, algumas pequenas moedas). Este procedimento poderá desfazer as dobras pelo menos o suficiente para o documento ser guardado em uma pasta suspensa de cartolina desacidificada.

14. Tenho receio de confiar a qualquer um a restauração desse breviário...

Antes de qualquer restauração é de grande conveniência microfilmar ou fotografar o documento ou livro a ser restaurado. Acidentes acontecem e os procedimentos de restauração também estão sujeitos a eles. É importante também para julgar o resultado da restauração comparativamente, fotografando-se o "antes" e o "depois". Usando filmes mais rápidos ou mais lentos, mudando os filtros de luz e graduando para mais ou para menos a intensidade da luz, e também variando o ângulo da fotografia e da iluminação, é possível conseguir reproduções que captam todos os detalhes dos originais, mesmo que estes estejam muito esmaecidos e apagadas. Em síntese, deve-se duplicar os documentos a serem restaurados com uso da melhor tecnologia possível. No entanto, em restauração, a segurança se refere mais a cuidados especiais que o próprio restaurador deve tomar para evitar que seu trabalho cause danos ainda maiores ao material. É importante que se trate de um bom laboratório ou de um técnico competente.

15. O que você aconselha para conservação de Videoteipes?

O maior problema com suportes magnéticos é a deterioração do adesivo que prende as partículas magnéticas ao filme poliéster, devido à hidrólise decorrente da umidade ou, inversamente, devido ao seu ressecamento. Portanto, assim como os livros, para as fitas também é importante o controle de umidade e temperatura. Mais provavelmente uma atmosfera moderadamente seca e uma temperatura baixa farão melhor pela conservação dos videoteipes. Periodicamente, um dos videoteipes da coleção poderá ser tomado por amostragem a fim de ser examinado à procura de sinais de deterioração.

No entanto, há um outro fator a considerar: o fato de que a tecnologia fique ultrapassada e o documento impossível de ser exibido. Por tudo isto, é importante copiar periodicamente o material nos formatos mais modernos.

16. A nossa biblioteca tem amplas janelas, algumas são janelões que vão até o piso...

Penso que, em lugar de persianas ou cortinas de fitas verticais ou do tipo "black out", o problema poderia talvez ser solucionado melhor com um filme de proteção contra raios ultravioletas, que pouco diminui a claridade natural e por isso permite economia de energia elétrica. Um bom filme reduz os raios ultravioletas em até aproximadamente 95 %, segundo a propaganda de alguns fornecedores. O produto de boa qualidade tem garantia por um tempo relativamente longo, contra ressecamento e formação de gretas e descolamento, perda das suas propriedades como transparência, cor e capacidade de eliminar a radiação ultravioleta, mesmo que exposto diretamente à temperatura elevada e à luz do sol do verão. O filme é primeiro umedecido com água, que ativa a cola acrílica e o fixa ao vidro pelo lado interno da vidraça. Um fornecedor dá as seguintes propriedades de um bom produto:

Transmissão de luz: 85%

Transmissão de raios ultravioleta:0-4%

Espessura do filme: 0.004

Estrutura: camadas de poliester

Resistência à tensão: 100 libras por polegada

Adesivo: resina acrílica

Aderência: 4-5 libras por polegada

O filme pode ser removido com acetona ou outros solventes semelhantes.

17. Que é um higrotermógrafo?

Um aparelho muito simples, porém muito delicado, que elabora um gráfico mostrando a variação da umidade atmosférica e da temperatura. É muito importante ter esse aparelho no ambiente de bibliotecas e arquivos. O modelo geralmente preferidos é do tipo tambor ou cilindro. Este modelo permite colocar em linha os gráficos de períodos diferentes e ver a evolução do clima no recinto. O modelo do tipo disco não permite esse recurso.

18. Tenho em casa, - herança de meu pai -, uma série de livros brasileiros do final do século passado e inicio deste... gostaria de contar com seu conselho sobre como poderia avaliá-los e como encontraria um eventual comprador.

Um bom avaliador quanto ao caráter raro dos livros poderá ser o bibliotecário chefe da Seção de Obras Raras de uma biblioteca importante, como deve ser, por exemplo, a biblioteca pública estadual ou a biblioteca de uma grande Universidade. Esses técnicos geralmente conhecem os critérios de avaliação de raridade que ajudam a fazer uma idéia do valor pecuniário de um exemplar.

Quanto ao valor propriamente comercial, existem livreiros ávidos por obras raras, que poderão fazer uma oferta a você, por todo o lote ou por exemplar que eles considerem de mais valor. Com certeza existe algum em Florianópolis. Havia em Curitiba, Paraná, não sei se ainda existem, as livrarias Fígaro, à Rua Lamenha Lins, 62-A, 80250-020 e a Livraria Osório Rua Cruz Machado, 463 centro, 80410-170.

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Direitos reservados. Para citar este texto:
Maria José Távora Cobra - Conservação e restauração de livros e documentos: perguntas mais freqüentes. Site COBRA PAGES, www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2001.
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