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Conservação e restauração de livros e
documentos:
Perguntas mais freqüentes
Respostas dadas pela restauradora |
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11. Ocorreu aqui uma grande enchente e
os livros da biblioteca da escola ficaram encharcados. Que fazer para salvá-los? Livros molhados em enchentes, e também em
inundações provocadas por rompimento de canos, entupimento de galerias como costuma acontecer em depósitos de
livros em subsolos, ou ainda pela água usada para apagar o fogo nos incêndios - ,
podem ser recuperados se forem socorridos adequadamente e com urgência. O livro absorve uma quantidade grande de água muito rapidamente. Aqueles datados de antes de 1850, devido ao tipo de papel utilizado pela indústria editorial de então, têm capacidade de absorção de cerca de 80% de seu peso; os editados após aquela data, absorvem cerca de 60 %. Em contrapartida, os primeiros resistem a uma imersão total em água por muito mais tempo que os últimos. Um acervo de livros modernos, pesando dez toneladas, passa a pesar 16 toneladas depois de molhado. O processo de secagem terá que retirar dele 6 toneladas de água! O principal problema dos livros encharcados é o empastelamento. Quando o material começa a secar, o movimento capilar da água no miolo do livro desloca materiais solúveis que se comportam como adesivos e provocam o empastelamento pela aderência das folhas umas às outras. Secando nessas condições, o livro se transforma em um tijolo. Ao mesmo tempo, o papel molhado torna-se rapidamente meio de nutrição para cogumelos e fungos, cujo ataque ao livro vai criar mais um problema. Este e outros agravantes fazem o tempo uma questão crucial. A primeira providência de socorro ao livro molhado é o seu congelamento, um meio de estabilizar a situação, impedindo os efeitos da capilaridade e a proliferação de organismos. Esta solução, apesar de simples, é dificilmente exeqüível quando se trata de grandes acervos, pois demanda grandes frigoríficos. Para pequeno número de livros, um freezer doméstico servirá. Para evitar a formação de cristais grandes de gelo, o congelamento deve ser rápido. Por isto, os livros ou documentos molhados devem ser submetidos a uma temperatura de menos 30 graus centígrados. A etapa seguinte é o descongelamento. Na proporção que o material possa ser tratado, os volumes e documentos são descongelados sem a formação de água, ou seja, o gelo fino que endurece as folhas tem que passar diretamente ao estado gasoso, sem passar pela fase aquosa, e isto pode ser conseguido com pouco calor, a temperaturas baixas, mediante a redução da pressão ambiente. Existem máquinas de secagem a vácuo para variados fins. Este é o processo chamado de "liofilização". Após a secagem por liofilização os livros e documentos estão prontos para serem tratados e restaurados dentro da técnica usual. Estas informações e mais detalhes a respeito do assunto você encontra em McCleary (1987) indicado na página Bibliografia. 12. Que é ácido bórico e para que serve? É um inseticida de uso popular. Ingerido pelo inseto, o ácido bórico ataca e dissolve seu trato digestivo. Pessoas que têm alergia a substâncias usadas na maioria dos inseticidas comerciais costumam ser melhor tolerantes ao ácido bórico. Deve ser aplicado internamente junto a ralos, ao longo dos rodapés, e em bueiros, na parte externa. 13. Não consigo desdobrar um documento velho e ressecado. O que fazer?
Documentos antigos que foram mantidos em envelopes geralmente ficam com suas dobras rígidas. O tratamento deve ser dado em laboratório, onde existem recursos que evitarão inutilizar o documento. A técnica combina basicamente umidificação e pressão. No entanto, a umidificação pode fazer uma tinta lavável, geralmente usada em manuscritos, se espalhar e borrar as letras. Também o grau de umidade que um papel pode suportar varia muito. Por isso a umidade tem que ser cuidadosamente controlada. Também a pressão não pode ser aplicada de uma vez. Deve ser aumentada gradualmente e com segurança, ao longo de vários dias. Quando o problema não é muito sério, e você não tem como obter a ajuda do laboratório de um Arquivo ou Biblioteca, você pode conseguir algum resultado apenas com aplicação suave de pressão, utilizando apenas a própria umidade ambiente. Depois de, com cuidado, abrir o quanto for possível as dobras, sem rasgar o papel, coloque o documento debaixo de um vidro plano fino e leve, sobre um suporte plano, limpo e neutro (uma outra placa de vidro). Acrescente gradualmente, a cada dia, um mínimo de peso ao vidro fino superior (por exemplo, algumas pequenas moedas). Este procedimento poderá desfazer as dobras pelo menos o suficiente para o documento ser guardado em uma pasta suspensa de cartolina desacidificada. 14. Tenho receio de confiar a qualquer um a restauração desse breviário... Antes de qualquer restauração é de grande conveniência microfilmar ou fotografar o documento ou livro a ser restaurado. Acidentes acontecem e os procedimentos de restauração também estão sujeitos a eles. É importante também para julgar o resultado da restauração comparativamente, fotografando-se o "antes" e o "depois". Usando filmes mais rápidos ou mais lentos, mudando os filtros de luz e graduando para mais ou para menos a intensidade da luz, e também variando o ângulo da fotografia e da iluminação, é possível conseguir reproduções que captam todos os detalhes dos originais, mesmo que estes estejam muito esmaecidos e apagadas. Em síntese, deve-se duplicar os documentos a serem restaurados com uso da melhor tecnologia possível. No entanto, em restauração, a segurança se refere mais a cuidados especiais que o próprio restaurador deve tomar para evitar que seu trabalho cause danos ainda maiores ao material. É importante que se trate de um bom laboratório ou de um técnico competente. 15. O que você aconselha para conservação de Videoteipes? O maior problema com suportes magnéticos é a deterioração do adesivo que prende as partículas magnéticas ao filme poliéster, devido à hidrólise decorrente da umidade ou, inversamente, devido ao seu ressecamento. Portanto, assim como os livros, para as fitas também é importante o controle de umidade e temperatura. Mais provavelmente uma atmosfera moderadamente seca e uma temperatura baixa farão melhor pela conservação dos videoteipes. Periodicamente, um dos videoteipes da coleção poderá ser tomado por amostragem a fim de ser examinado à procura de sinais de deterioração. No entanto, há um outro fator a considerar: o fato de que a tecnologia fique ultrapassada e o documento impossível de ser exibido. Por tudo isto, é importante copiar periodicamente o material nos formatos mais modernos. 16. A nossa biblioteca tem amplas janelas, algumas são janelões
que vão até o piso...
Penso que, em lugar de persianas ou cortinas de fitas verticais ou do tipo "black out", o problema poderia talvez ser solucionado melhor com um filme de proteção contra raios ultravioletas, que pouco diminui a claridade natural e por isso permite economia de energia elétrica. Um bom filme reduz os raios ultravioletas em até aproximadamente 95 %, segundo a propaganda de alguns fornecedores. O produto de boa qualidade tem garantia por um tempo relativamente longo, contra ressecamento e formação de gretas e descolamento, perda das suas propriedades como transparência, cor e capacidade de eliminar a radiação ultravioleta, mesmo que exposto diretamente à temperatura elevada e à luz do sol do verão. O filme é primeiro umedecido com água, que ativa a cola acrílica e o fixa ao vidro pelo lado interno da vidraça. Um fornecedor dá as seguintes propriedades de um bom produto: Transmissão de luz: 85% Transmissão de raios ultravioleta:0-4% Espessura do filme: 0.004 Estrutura: camadas de poliester Resistência à tensão: 100 libras por polegada Adesivo: resina acrílica Aderência: 4-5 libras por polegada O filme pode ser removido com acetona ou outros solventes semelhantes. 17. Que é um higrotermógrafo? Um aparelho muito simples, porém muito delicado, que elabora um gráfico mostrando a variação da umidade atmosférica e da temperatura. É muito importante ter esse aparelho no ambiente de bibliotecas e arquivos. O modelo geralmente preferidos é do tipo tambor ou cilindro. Este modelo permite colocar em linha os gráficos de períodos diferentes e ver a evolução do clima no recinto. O modelo do tipo disco não permite esse recurso. 18. Tenho em casa, - herança de meu pai -, uma série de livros brasileiros do final do
século passado e inicio deste... gostaria de contar com seu conselho sobre como
poderia avaliá-los e como encontraria um eventual comprador. Um bom avaliador quanto ao caráter raro dos livros poderá ser o bibliotecário chefe da Seção de Obras Raras de uma biblioteca importante, como deve ser, por exemplo, a biblioteca pública estadual ou a biblioteca de uma grande Universidade. Esses técnicos geralmente conhecem os critérios de avaliação de raridade que ajudam a fazer uma idéia do valor pecuniário de um exemplar. Quanto ao valor propriamente comercial, existem livreiros ávidos por obras raras, que poderão fazer uma oferta a você, por todo o lote ou por exemplar que eles considerem de mais valor. Com certeza existe algum em Florianópolis. Havia em Curitiba, Paraná, não sei se ainda existem, as livrarias Fígaro, à Rua Lamenha Lins, 62-A, 80250-020 e a Livraria Osório Rua Cruz Machado, 463 centro, 80410-170. 19. Como separar no acervo os livros que possam ser "obras raras"? Devo criar uma
coleção especial com elas? Deveria sim, guardar separadamente os volumes de obras raras, e revestir de cuidados especiais a sua conservação e a sua segurança para que não sejam surrupiadas por algum colecionador. O livro é considerado obra rara se, por exemplo, foi impresso na Europa até o século XVIII; impresso no Brasil até 1841; teve edição de tiragem reduzida; edição clandestina; é obra esgotada; exemplar com anotações manuscritas por intelectual importante; exemplar autografado por pessoa de reconhecida projeção, ou também pela beleza da composição tipográfica, do tipo de papel, modelo da encadernação, edição de luxo, etc. o mesmo valendo para coleções especiais. Veja mais sobre o assunto nos livros indicados em Bibliografia 20. Em sua resposta...quando fala de segurança, você se
refere exatamente a que?
Há muitas medidas de segurança a serem tomadas não apenas contra incêndio, inundações, etc. mas também quanto ao roubo de documentos e livros raros, a destacar páginas, e outros procedimentos criminosos por parte do leitor. É importante, além desses cuidados, verificar também se o pesquisador está qualificado para manusear o material que vai pesquisar, ou devidamente autorizado para a consulta que faz. 21. Manter em sacos de plástico o documento, isto oferece algum inconveniente? Os encartes de plástico em pastas são muito utilizados, mas pouca informação encontrei a respeito de sua segurança na preservação de documentos. De minha experiência própria sei que aceleram grandemente o esmaecimento de gravações termostáticas como a do FAX, e que cópias do tipo Xérox aderem ao plástico. Com certeza o plástico influi na umidade e calor que envolve o documento, criando um microclíma. O próprio plástico se transforma em problema de conservação, pois pode tornar-se ressecado, amarelado e quebradiço. A preservação de livros e documentos requer controle de umidade e temperatura, como dito acima (Veja a respeito o e-mail n. 3). Com certeza será difícil manter esse controle dentro das pastas de plástico. A melhor maneira de preservar documentos é deixá-los em posição horizontal em caixa de papelão bem fechada para evitar poeira e insetos. A porosidade do papelão vai permitir o intercâmbio de temperatura e umidade com o meio ambiente. Dentro da caixa os documentos podem, quando necessário, ser separados em pastas de cartolina ou papel incolor e livre de acidez 22. Não posso nem sequer tocar em qualquer folha do livro, e ela se fragmenta. As bordas
estão marrom escuro e a parte interna também escurecida... Você descreve o que pode ser um papel envelhecido que é extremamente ácido. Na situação em que o volume está, você nada pode fazer e deve encaminhá-lo a um bom laboratório de restauração, para o devido tratamento. Como dito em resposta ao e-mail n. 3 acima, livros produzidos de fins do século XVIII até recentemente são as maiores vítimas de deterioração e envelhecimento, e isso se deve à má qualidade da matéria prima e do processamento com produtos agressivos, que deixam um resíduo ácido nas folhas e este resíduo, aliado aos altos valores de umidade e temperatura, causa o enfraquecimento e conseqüente fragmentação do papel. Somente em laboratório é possível reverter um pouco esse prejuízo, mediante banho das folhas do livro para desacidificá-las. 23. Como saber o teor de acidez das
folhas... dito em sua resposta... Há meios muito simples de determinar se o papel de um documento ou as folhas de um livro estão com excesso de acidez. Mas não aconselho a que você tente isto sem a assistência de um especialista, sobretudo devido ao estado que o livro está, segundo sua descrição. A acidez faz o papel ficar amarelado e quebradiço, e também ataca a tinta deixando-a esmaecida, sobretudo se o papel é exposto à luz, ou calor e umidade altos. Quanto à desacidificação, é definitivamente trabalho para ser feito por especialista. 24. Estou de mudança e tenho alguns livros, documentos e lembranças que penso em deixar
na casa de meus pais guardados em caixas de papelão por uns dois anos. Como devo proceder para protegê-los?
Vale a pena colocar bolinhas de naftalina ou cânfora nas mesmas? Tudo o que foi dito acima sobre ambientação aplica-se aqui. Sobre as caixas em que pretende
deixar o material, observe o seguinte: 25. Gostaria de informações sobre vitrines para livros raros. O que posso recomendar com respeito a vitrines para livros raros: 1. Sejam feitas de aço, ou de madeira bem seca. A madeira exala substâncias químicas que atacam os livros e o perigo é maior se a madeira for verde e úmida. No caso do aço, a pintura do interior precisa estar bem seca e curtida (quando não está mais exalando nenhum cheiro). No caso de madeira, não deve ser encerada, mas revestida de fina camada de verniz selador de boa qualidade, e deixada alguns dias em boa ventilação antes de as vitrines serem utilizadas. 2. As vitrines não devem ter lâmpadas em seu interior, nem mesmo lâmpadas frias. A iluminação deve ser a do ambiente e também deve ser moderada. 3. As mesas não são hermeticamente fechadas, pois deve haver alguma fresta para ventilação. Por isso os cuidados com o ambiente geral da exposição (que seja livre de poeira, tenha controle de umidade e temperatura, etc.) têm que ser permanentes. 4. As mesas devem oferecer segurança, pois sempre haverá algum curioso a tentar abrir o tampo e tocar na obra em exposição. Os vidros não podem ser muito finos, pois deve ser evitado o perigo de que se quebrem acidentalmente e os fragmentos danifiquem as obras. 5. Dependendo da iluminação no local os tampos de vidro da vitrine poderão ser inclinados do centro para as laterais, a fim de evitar reflexo de luz ou de imagens que possam prejudicar a visibilidade da obra exposta. Mais informações, recorra aos livros e artigos indicados na página Bibliografia.
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Direitos reservados. Para citar este texto: Maria José Távora - Conservação e restauração de livros e documentos: perguntas mais freqüentes. Site COBRA PAGES, www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2001. ("www.geocities.com/cobra_pages" é "Mirror Site" de COBRA.PAGES)
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