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 Conservação e restauração de livros e documentos:

Perguntas mais freqüentes - II

Respostas dadas pela restauradora
Maria José Távora Queiroz Cobra

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6. Gostaria de saber se você tem um modelo de projeto para conseguir recursos financeiros para restaurar uma coleção.

Primeira hipótese de solicitação de recursos:

Você mantém a coleção fechada e deseja que alguma Instituição dê suporte financeiro para treinar seu pessoal e capacitá-lo a abrir a coleção e realizar o diagnóstico, e que, a partir do levantamento dos serviços necessários, lhe proporcione mais recursos para a restauração propriamente dita.

Segunda hipótese:

Você pede o orçamento da restauração a um laboratório e então busca ajuda financeira de valor fixo.

Em qualquer das duas hipóteses você terá que fazer uma carta-consulta (de duas a três páginas no máximo, não um projeto propriamente), expondo o valor da coleção, citando as principais obras raras que tiver, com uma descrição do estado geral em que se encontra a coleção, as dificuldades que levam à necessidade de buscar recursos fora do seu próprio sistema, etc.

Na primeira hipótese, o normal é a celebração de um convênio. Parte-se logo para um primeiro convênio com o Órgão que dará o apoio financeiro. Este fará o desembolso na medida do necessário, liberando os recursos para os estudos preliminares, os quais consistirão principalmente no treinamento de funcionários para a elaboração das fichas de diagnóstico de cada volume. O coordenador ou gestor do convênio movimentará a conta bancária e fará a prestação de contas dos recursos recebidos. O convênio poderá ser prorrogado se necessário, e anualmente serão alocadas verbas, à vista do seu relatório sobre o andamento dos trabalhos e de acordo com o programa que você apresentar e for aprovado.

Na segunda hipótese é o simples pedido da ajuda financeira com especificação do montante necessário, o qual é previamente fixado com base no orçamento que você obteve do Laboratório. Ao solicitar o apoio financeiro você já sabe de quanto precisa. O órgão ou empresa que concordou em fornecer os recursos fará uma carta de compromisso de financiamento e irá ela mesma pagar as contas ao Laboratório e mais o que estiver incluído no projeto. Em outras palavras, não há repasse de recursos para você ou sua instituição.

7. A pesquisa em nossa biblioteca aumentou consideravelmente, trazendo preocupação quanto à preservação principalmente dos jornais. Fico em dúvida se o melhor serviço ainda é a microfilmagem ou se já existe algo mais moderno através da informática.

Para preservar uma coleção de jornais, a microfilmagem ainda me parece o melhor procedimento. A finalidade do microfilme é mais e principalmente a de permitir a leitura do documento nas máquinas leitoras de microfilme, evitando que os originais sejam utilizados e sofram danos. Por isso a microfilmagem é um recurso ainda insuperável quando se trata de jornais antigos, de documentos, de códices ou de obras raras. É uma boa idéia utilizá-la para os jornais e documentos, pois os exemplares deixariam de ser manuseados e ficariam assim a salvo do desgaste.

A Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro mantinha um programa de microfilmagem de periódicos em todo o interior do Brasil. Eles mandavam uma equipe fazer a microfilmagem. A propósito, liguei para a Biblioteca Nacional e me informaram que o "Projeto de Microfilmagem de Periódicos" (jornais, semanários, etc.) no interior do país continua atuando. Caso deseje candidatar-se escreva para:

Vera Lucia Garcia Menezes
Divisão de Micro-reprodução
Biblioteca Nacional
Avenida Rio Branco, 219
Rio de Janeiro,
RJ 20.040-008
Telefone (021) 262-8255 Ramal 220
O chefe substituto da Divisão é o Sr. Oliveira.

8. Minha cidade possui vários documentos históricos ainda não catalogados e espalhados, principalmente no Fórum local. Pediram-me que fizesse um projeto para seleção e arquivo desses documentos. A preservação desse futuro arquivo seria através de microfilmagem ou CD-Rom?

O primeiro passo seria o exame preliminar feito por um técnico. das coleções que serão reunidas. Precisam ser avaliadas para que seja possível dimensionar o volume documental presente, e fazer previsões para o futuro, afim de determinar a capacidade do Arquivo em termos de espaço e equipamento.

Os documentos têm que ser avaliados também para fins de mudança do local de origem para o novo local, não apenas em relação ao custo incluído o acondicionamento, mas também a fim de serem separados, para tratamento especial no transporte, aqueles em pior estado. Um projeto responsável não permite que uma única folha se perca na operação de mudança.

Outra questão delicada e controvertida é a decisão de o que guardar e o que descartar. Claro que o ideal seria conservar qualquer papel que vinculasse uma informação não repetida ao nome de um cidadão. Um documento pode vir a ser importante no futuro simplesmente por revelar que alguém esteve em algum lugar numa certa época. Por aí se vê que muito pouca cousa poderá ser posta de lado.

Outros aspectos do projeto dizem respeito à boa adequação do local ao armazenamento, quanto à sua ventilação e iluminação, controle da temperatura e da umidade, controle de insetos daninhos e da poluição, à proteção contra incêndio, às facilidades para socorro em situações de emergência e segurança, locais de exibição e de leitura, e instalações para procedimentos ligeiros de conservação e restauro. Aqui as recomendações são as mesmas que para uma biblioteca. No entanto, o estado da documentação pode exigir que desde o início exista no Arquivo um laboratório de restauração, o que é um item a ser examinado à parte.

Esta seria uma primeira fase. Outra seria a da organização do acervo documental. Como se trata de documentos de vários tipos, a organização do novo Arquivo deverá, em princípio, preservar os corpos documentais separadamente, de acordo com sua origem.

Com tantas facetas a serem examinadas, um projeto de Arquivo, por menos ambicioso que seja, é algo muito complexo, requerendo a assistência técnica de uma equipe competente. Essa equipe deve incluir tanto os profissionais da construção quanto os profissionais da arquivística, desde a fase de desenho do projeto; todos os detalhes precisam ser discutidos pela equipe com ampla compreensão daquelas necessidades fundamentais para o bom funcionamento e segurança do Arquivo.

Existem no Brasil vários cursos universitários de Arquivo. Uma escola ou universidade próxima de você e que tenha um curso desse tipo poderá, talvez, aceitar fazer um convênio para realização do projeto. Se isto não é possível, outra solução seria chamar um técnico do Arquivo Nacional, do Arquivo Estadual, ou Municipal, da Capital mais próxima, para examinar as coleções ou corpos documentais que se cogita reunir no Arquivo. O problema é que as instituições andam se queixando de falta de pessoal e falta de verbas.

9. Livros velhos precisam ser desinfetados de bactérias de doenças contagiosas em câmaras de expurgo?

É sabido que roupas usadas podem conter micróbios de doenças infecto contagiosas, como é o caso do cólera, da varíola e de outras doenças em que o tecido conserva resíduos deixados pelo portador. Mas é bem pouco provável que isto aconteça com livros. Porém, recomendo que seja consultado um serviço de saúde ou o serviço de desinfetação de um hospital para obter uma orientação. Existem as câmaras de expurgo para livros, geralmente utilizadas para matar insetos que roem o papel ou deixam marcas nas páginas de livros e documentos. São câmaras a vácuo onde o material é tratado com inseticidas poderosos, mas não posso afirmar que funcionem nesse caso.

10. Em nossa cidade não existe uma câmara de expurgo e teríamos que enviar os livros para a Capital. Existe uma maneira de evitar isto?

Não existindo a possibilidade de usar uma câmara, o tratamento dos livros pode ser feito, de modo igualmente eficaz, colocando-se lotes de livros em bolhas de plástico. Ambos os métodos requerem a assistência de técnico especializado.

O mais simples a fazer no combate aos insetos é verificar onde se aninham ou de onde provêm, e eliminar essa passagem, e expurgar a coleção mediante simples limpeza, volume a volume, conforme está detalhado acima (Vide a resposta à pergunta n. 3). Ao passar as páginas, o local com a infestação será percebido e a limpeza removerá os insetos. Se a capa dura estiver infiltrada de insetos, pode usar um inseticida seco de origem confiável. Depois de 72 horas remova o excesso do produto com uma trincha bastante macia e limpe o volume externamente com flanela.

É aconselhável fazer sempre um teste com o inseticida, colocando uma pequena quantidade dele sobre um papel do mesmo tipo do papel da capa a ser tratada. Deixe por dois dias e verifique se o inseticida não causou nenhuma mancha ou outro tipo de dano.

Mantendo a temperatura do ambiente baixa e a umidade do ar sob controle, os insetos não farão morada nem visitarão o local.

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Direitos reservados. Para citar este texto:
Maria José Távora Cobra - Conservação e restauração de livros e documentos: perguntas mais freqüentes. Site COBRA PAGES, www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2001. ("www.geocities.com/cobra_pages" é "Mirror Site" de COBRA.PAGES)

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