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Kurien Jacob

 

 

Página escrita por
Rubem Queiroz Cobra.
Site original: www.cobra.pages.nom.br

 

O Dr. Jacob iniciou sua carreira como paleontólogo.

Em 1937 Kurien Jacob é bacharel e mestre no Departamento de Botânica da Universidade de Lucknow (Norte da Índia, próxima à fronteira com o Nepal), e autor de um trabalho sobre uma planta fóssil que foi apresentado à Academia de Ciências da Índia por intermédio de outro cientista, membro da Academia.

Combinando essa data com sua idade aparente em 1962, quando o conheci, calculo que teria recebido o titulo de Mestre com uns 25 anos, e teria nascido por volta de 1912.

Foi diretor do Serviço Geológico da Índia, em Calcutá, e nesta posição se encontra em 1949, conforme referências a ele feitas na Revista Nature (05 March 1949), daquele ano, quando também se filia ao Instituto Nacional de Ciências da Índia. É admitido no Instituto na qualidade de Paleobotânico

Na primeira metade da década de 1960 esteve vinculado à UNESCO, como consultor, e trabalhou principalmente no Brasil. Contava aparentemente 45 a 50 anos de idade em 1962 – quando é Consultor da SUDENE-Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste. Estava no Recife com sua mulher, China Jacob, e suas duas filhas, Mamy e Aminy. Seu filho Cherien estudava nos Estados |Unidos, mas veio visitá-lo no Recife, e lhe fui apresentado. Sua esposa era botânica, especializada, com doutorado em pólen.

Homem bem apessoado, moreno como a maioria dos indianos, descendia, segundo disse, de família judia. Tinha o rosto afilado, terminando por um pequeno e pontudo cavanhaque, não muito espesso. Caminhava sempre com aprumo, e nunca foi visto em mangas de camisa, apesar do calor do Nordeste. Usava um terno de tecido leve, com o jaquetão trespassado e sempre abotoado. Tinha dificuldade para dirigir porque estava acostumado ao trânsito na Índia, que flui em sentido contrário ao transito nas ruas e estradas no Ocidente. Dispunha de um veículo da SUDENE, tipo Rural, dirigido pelo motorista Xavier.

Porque e como vim a conhecer o Dr. Kurien Jacob dizem respeito a uma situação especial em minha vida profissional.

Graças a uma resposta favorável dada na carta que recebi do Dr. Francisco Pinto, diretor da Mineração Trindade, o braço de exploração mineral da Cia Belgo Mineira eu estava deixando o cargo de professor assistente da Escola de Geologia da Universidade do Recife para retornar à Belgo.

Ocorreu-me visitar o professor João Batista de Vasconcelos Dias, também professor na Escola, função que acumulava com a chefia da Divisão de Geologia da SUDENE, instalada em um casarão no início da avenida Rui Barbosa junto com outros departamentos da mesma Superintendência. Perguntei-lhe se eu poderia conseguir passagens aéreas doadas pela SUDENE, para Belo Horizonte, para mim e minha mulher (eu estava recém-casado) uma vez que aquela Superintendência vinha dando certo apoio aos professores do Curso de Geologia após a greve dos alunos e o conseqüente fechamento do curso pela CAGE- Campanha de Formação de Geólogos que o havia criado, e mantido a Escola nos anos precedentes. Disse que estava retornando a Minas, e esperava reassumir a posição de geólogo na Cia. Belgo Mineira.

Dr. João Batista, naquele seu jeito calmo e prudente de tratar qualquer assunto, escutou-me e, depois que lhe falei dos meus planos e dos motivos que me levavam a deixar o Recife, fez a indagação inesperada: “Você gostaria de trabalhar na SUDENE, porém sem deixar a Escola de Geologia?” Indaguei dele como seria possível fazer um trabalho de campo para a Superintendência e ao mesmo tempo lecionar. Ele me disse que faria em acordo com a Escola de para que eu lecionasse no primeiro semestre do ano e pudesse fazer o mapeamento geológico de interesse da SUDENE no segundo semestre. No período dedicado às aulas eu faria também o trabalho de escritório do mapeamento. Ouvida minha mulher, cuja família vivia toda no Recife, aceitei a oferta. Imediatamente. Dr. João Batista me colocou para trabalhar com o técnico da UNESCO, consultor de geologia, Dr. Kurien Jacob, para mapear o Noroeste do Ceará.

Dentro de poucos dias fiz a primeira viagem com o Dr. Jacob. Ele se fazia acompanhar de um jovem geólogo interessado em águas subterrâneas, de nome Albert Mente, um indonésio que havia estudado na Holanda, e que também era da UNESCO. 

Depois de passarmos por Fortaleza, onde nos hospedamos no Hotel Iracema (hoje Ed. São Pedro), e almoçamos no Clube Náutico (Em Fortaleza, na época, os restaurantes ficavam restritos aos clubes e hoteis) com um casal de técnicos da UNESCO, seguimos para Aprazível, próximo a Sobral. Daquele ponto fizemos várias viagens curtas, para um primeiro conhecimento da área. Acredito que Dr. Jacob tivesse estado lá antes, porque mostrou-me seletivamente os afloramentos mais representativos das formações ígneas e sedimentares da área.

 


Dr. Kurien Jacob (centro) e Ms. Pierre Taltasse, Supervisores da UNESCO, no pátio do palacete na Praça do Entroncamento, esquina da Av. Rui Barbosa com a rua das Creoulas, Recife, primeira sede da SUDENE-Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, em 1960 (gentileza do Dr. Albert Mente).

 

Dr. Jacob, além de extremamente cortês, era também um homem generoso.
Estávamos certa vez hospedados na pensão em Viçosa do Ceará, e pela madrugada ocorreu o incêndio de um barraco na rua de casebres, próxima à pensão. Ele, ao saber do fato, foi até o local fazer uma doação em dinheiro à mulher que havia perdido sua casa de palha e todos os seus pertences.

Também nas pequenas coisas era atencioso e gentil. Passei a compartilhar do curry feito por sua mulher e que ele levava em um pequeno pote de vidro. Aquele tempero contendo fatias de limão tornou-se indispensável para adição à péssima comida das pequenas pensões pelo caminho.

Deu-me de presente um belo pufe indiano, e uma carteira de couro gravado com motivos da Índia, após o jantar de despedida que ofereci a ele e à sua família no tradicional Restaurante Leite, na véspera de sua viagem de volta a Paris, quando a consultoria da UNESCO deixou de interessar à Superintendência. O maior favor que lhe devo foi o de fazer gestões junto à UNESCO para que eu obtivesse um estágio nos Estados Unidos, em 1963-1964.

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Depois de retornar à Índia, Dr. Kurien Jacob foi o quarto presidente da Geological Society of Índia, fundada em 1958 em Bangalore.

A Geologia Marinha somente teria começado na Índia efetivamente depois da International Indian Ocean Expedition, lançada pela UNESCO de 1960 a1965. O Instituto Nacional de Oceanografia (NIO) foi criado no ano de 1965. Dr. Kurien Jacob foi o primeiro geólogo envolvido no programa, seguido por outros pioneiros, que elaboraram o mapa de recursos minerais do Oceano Índico. e foram responsáveis pela criação do Departamento de Ciências Marinhas, no Centro de Estudos de Ciências da Terra, da Cochin University, em Trivandrum. Seus nomes são mencionados na sinopse do volume "Quatro Décadas de Geociências Marinhas da Índia - uma retrospectiva", do Geological Survey of Índia (Serviço Geológico da Índia) em Mangalore, de março de 2001.

Por Volta de 1970 Kurien Jacob fez uma visita ao Scripps (Instituição Scripps de Oceanografia), para um curso de sensoriamento remoto e estudo da estrutura e das atividades da Instituição, em proveito do Instituo congênere criado na Índia. O Scripps é um dos mais antigos, maiores e mais importantes centros de investigação científica marinha em todo o mundo. É parte integrante da Universidade da Califórnia, e está situado na costa do Pacífico, junto a San Diego.
 

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No diário de sua viagem à Índia, o oceanógrafo holandês radicado nos Estados Unidos, Bernard Lodewijk Oostdam, relata sua visita ao Dr. Kurien Jacob, em Cochin. O cientista passou primeiro pela casa do geólogo, onde sua esposa – “a very charming old lady” (uma senhora idosa muito simpática), diz ele – lhe ensinou onde ficava o escritório do seu marido. No ano dessa visita, 1978, Dr. Jacob era professor no Departamento de Geologia Marinha da Universidade de Cochin. O viajante descreve-o como um senhor de idade, muito simpático, com quem mantém longa conversação sobre os projetos científicos do Departamento. Jacob disse-lhe que nos últimos dois anos estivera ocupado em organizar o Departamento de Geologia Marinha da Universidade. O principal estudo na ocasião era a erosão das praias. Fora criado um grupo para lidar com o problema e bolders estavam sendo depositados na orla das praias para protegê-las.

Rubem Queiroz Cobra

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
01-03-2011

 

Direitos reservados.
Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Kurien Jacob: resumo biográfico. Site www.cobra.pages.nom.br, INTERNET, Brasília, 2011.

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