COBRA PAGES
e seus
objetivos
--
Quem somos

reg.

COBRA PAGES: páginas em Educação e Cultura
Filosofia Moderna -  Filosofia Contemporânea - Filosofia no Brasil - Temas de Filosofia - Psicologia e Educação - Teatro Pedagógico Higiene - Boas Maneiras e Etiqueta - Contos - Restauro - Genealogia - Geologia - Livros do Autor - CONTACTO

 

PMF-perguntas
mais freqüentes

ÍNDICE

 
 
 

NOVIDADES DO SITE

A existência de Deus - I

Página escrita por
Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

Páginas 1 2 >> próxima                                    

 

Esta não é uma página religiosa! A questão da existência de Deus e do Seu poder é também objeto da Filosofia. Seu estudo constitui a Teologia Racional, ou Teologia Natural, que Leibniz chamou Teodiceia. Na Teologia Natural são discutidas as ideias do ateísmo, panteísmo, teísmo e da origem e finalidade do universo. É neste campo que pretendo examinar as provas da existência de Deus, importante questão que está a despertar agudo interesse em nossos dias e que, exatamente pela sua importância, não poderia faltar a um Portal de temas filosóficos.

1. Provas ou apenas antinomias?

Dos esforços de vários filósofos para construírem provas a favor ou contra a existência de Deus, resultaram vários argumentos lógicos com a assinatura de algumas das maiores figuras da História da Filosofia. Porém, Kant, em sua crítica à Teologia Racional, descarta a todos esses argumentos chamando-os antinomias, ou seja, o dito pelo não dito. Mas, para mim, esses argumentos abrem um caminho lógico inédito, para uma prova que não é de ordem apenas metafísica.

2. O argumento ontológico.

Talvez o mais debatido entre os filósofos medievais e modernos, o argumento ontológico procura provar a existência de Deus a partir do próprio conceito de Deus.

"Ontologia" é a Filosofia do “Ente” ou “Ser”; – discute a natureza comum que é inerente a todos e a cada um dos seres. “Ontos” significa, em grego antigo, indivíduo ou Ser, e "logia" significa estudo.. Portanto, "ontologia", considerando-se o gênero humano, é o estudo filosófico investigativo, do indivíduo como “Ser humano”, pelo que é e em comparação com os demais seres vivos. Portanto, uma prova ontológica da existência de Deus é aquela que O toma como um “Ser” existente, e escolhe um dos Seus atributos ônticos, ou ontológicos, para dele fazer derivar uma prova lógica da Sua própria existência.

A palavra Deus anuncia um Ser perfeito,  ela somente se aplica a um Ser que tenha o atributo de perfeição. O argumento é que a um Ser perfeito não poderá faltar a existência, logo Deus existe. Este argumento remonta a Santo Anselmo, filósofo, teólogo e arcebispo católico de Canterbury no século XI, e por isso é conhecido como “Prova de Santo Anselmo”. Ele sustenta que, uma vez que apreendemos mentalmente o conceito de Deus, podemos ver que a não-existência de Deus é impossível.

Um outro argumento ontológico parecido foi também utilizado pelo filósofo francês René Descartes, que acreditava em idéias inatas. Segundo ele, o homem tem a idéia inata do que é a perfeição, e somente um Ser perfeito poderia ter colocado essa idéia em sua mente. E a conclusão é a mesma de Santo Anselmo: a um Ser perfeito não poderia faltar a existência, logo Deus existe.

A principal objeção ao argumento ontológico é que a existência desse Ser perfeito permanece uma hipótese no mundo das idéias, sem vínculo com o mundo real. Alguma coisa no mundo real teria que corresponder a esse Ente imaginado, ou a seus predicados, como garantia de sua existência.

3. O argumento Cosmológico.

O argumento cosmológico consiste na enumeração de causas dos fenômenos até se chegar a uma causa não causada, que seria Deus, um Criador que transcende o tempo, que não tem começo nem fim.

Esta é uma prova que parte do concreto, do que existe e, por essa razão é a mais popularmente aceita. Aponta Deus como causa primeira e necessária para a existência do cosmos – o universo ou mundo – que conhecemos. Remonta a Aristóteles.´

 A dificuldade deste argumento é que, se perguntamos pela causa da existência do universo, podemos igualmente indagar o que causou Deus existir. E se Deus não precisou de uma causa para existir, então também o universo poderia, igualmente, não precisar de uma causa para estar aí como está.

O filosofo Emmanuel Kant considera este argumento inaceitável porque, segundo ele,  não há motivo algum para se suspender a aplicação da categoria de causalidade, interrompendo uma seqüência de causas em uma causa sem outra causa antecedente.


4. O argumento teleológico.

A terceira suposta prova da existência de Deus é o chamado "o argumento teleológico", que procura provar a existência de Deus pelo fato de que o universo é ordenado e que todos os seres da natureza cumprem algum fim, servem para alguma coisa. O argumento é que só uma inteligência criadora poderia ter adequado as coisas à realização de certas finalidades, colocando os planetas em suas rotas em meio a gigantescas galáxias, até a organização microscópica dos menores seres vivos. Isto não teria acontecido por acaso mas sim, pensado por um Ser sapientíssimo, Deus.

Contra este argumento Kant diz que a teleologia é um método empregado para descrever a realidade, e que de um simples método de organizar o conhecimento não se pode extrair qualquer outra conseqüência. Afirma que, do conceito de fins, não podemos tirar nenhuma outra conseqüência senão que tal ou qual forma é adequada a um fim.

5. O milagre: uma falsa prova.

Há ainda o argumento do milagre, cujo debate Locke, Hume e outros filósofos trouxeram para a filosofia, criticando-o como duvidoso, falso e mesmo ridículo.

O significado de Milagre é, de acordo com a palavra latina miraculu, alguma coisa maravilhosa, que não se explica pelas leis da natureza, acontecimento admirável, espantoso. No sentido teológico, milagre tem sido empregado para qualquer manifestação da presença ativa de Deus na história humana, uma definição que ignora os modos como essa manifestação pode ocorrer, como desejo mostrar a seguir.

Usando os instrumentos da filosofia quero discutir, sem preconceitos, se milagres são possíveis, uma vez que a sua verdade haveria  de fazer deles a mais convincente prova de que Deus existe.



NOTA: Esta página (e a seguinte) desenvolve conteúdo do capítulo 16 do livro
Filosofia do Espírito (1997), do mesmo autor. O tema foi explorado
também no conto Diálogo com um ateu.

Páginas 1 2 >> próxima

Rubem Queiroz Cobra

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada em 06-12-2009

 

Direitos reservados. Texto impresso original depositado na Biblioteca Nacional.
Para citar este texto da Internet:
Cobra, Rubem Q. - Provas da existência de Deus. COBRA PAGES: www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2009.
(“www.geocities.com/cobra_pages” é “Mirror Site” de COBRA.PAGES)

Utilize a barra de rolagem desta janela de texto para ver as NOVIDADES DO SITE
Obrigado por visitar COBRA PAGES