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Vida, pensamento e obras de JUAN LUIS VIVES - III

Página escrita por
Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

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PARTE IIIIntrodução. A posição filosófica de Juan Luís Vives, como já salientado, é em geral contra os aristotélicos, porém não anti-aristotélica. Ele aceita o pensamento original de Aristóteles mas condena os rumos que a Escolástica deu a esse pensamento no decorrer da Idade Média. Quanto à reforma social cristã, suas idéias não são de uma comunização, mas para uma aplicação prática dos princípios cristãos, sem se indispor com Roma. Faz uma proposta prática em favor dos pobres: que os não qualificados fossem treinados para algum trabalho e que todos recebessem um salário minimamente decente como paga de sua atividade.

Conhecimento. Vives se opõe ao superficialismo e às distorções do pensamento aristotélico pelos dialéticos medievais, como faz no seu tratado In pseudo dialecticos, de 1519, mas, quanto ao mais, é ele mesmo um aristotélico. Sua teoria do conhecimento estava de acordo com o Sensismo de Aristóteles. No De Anima, de 1538, ele não se preocupa com a essência da alma ou da mente mas limita-se à observação baseada na experiência sensível. Juntamente com outros humanistas como Agricola, que levou o renascimento ao norte da Europa, John Colet, (1466/67-1519), fundador da St. Paul's School, de Londres, que levou o movimento renascentista italiano para a Inglaterra, e Melanchthon, o reformador das escolas alemãs, Juan Luís Vives trabalhou arduamente para mudar o autoritarismo obscurantista da pedagogia que vinha da Idade Média, propondo um ensino objetivo, realizado numa relação entre mestres e discípulos que veio a se tornar a base da pedagogia moderna.

Para Vives, a disposição ao conhecimento é uma qualidade humana, e todos os homens são aptos para aprender com um vigor espontâneo comparável ao que se manifesta na natureza. A inclinação a aprender é característica de todos os homens, sem distinção, e por isso todos devem ter a oportunidade de desenvolver essa propensão natural. Não há matéria do saber para a qual nossa inteligência não possa ter algum domínio, ainda que rudimentar. Como John Locke afirmaria mais tarde, Vives já colocava que o conhecimento chega ao ser humano, em primeiro lugar, através dos sentidos, posição diametralmente oposta a Descartes, que acreditava na existência de idéias inatas.

Educação. Segundo Vives, a educação é o crescimento da sabedoria prática e uma preparação para a perfeição moral, com a qual o homem a de conseguir seu fim último: a união com Deus. É, portanto, um mandamento a ser cumprido com zelo e competência tanto pelos mestres como pelos pais.

A obra de Vives, no que se refere à Educação, precisa ser lida em conjunto com a de Erasmo, o qual é considerado o maior dos humanistas. Isto porque eram muito amigos, comungavam as mesmas idéias, ensinaram na mesma universidade e ambos integravam a corrente humanista da Ciência Nova, reintrodutora dos valores greco-romanos da educação clássica, profundamente reformadora do ensino, e desafiante frente às posições arraigadas da Igreja romana. No entanto, Vives, mais que Erasmo, aprofundou e detalhou as questões pedagógicas, de modo que são as suas idéias sobre a educação que constituem a parte mais interessante do seu legado. Estão sumariadas abaixo as principais recomendações de Vives para a Educação (2).

1) Idade para o aprendizado. A educação tanto quanto a instrução, começa na primeira etapa da vida do homem, e não acaba com o período escolar, mas prolonga se até a velhice. A infância é a idade mais adequada ao ensino, porque a criança tem a memória expedita e livre; então tudo está em desenvolvimento e com facilidade se prendem profundas raízes. Dificilmente se poderá obter depois os mesmos resultados. Por isso, os pais que deixam passar os primeiros anos do filho sem o instruírem em coisas úteis, devem saber que estão perdendo uma oportunidade que não voltará.

2) Educação para todos. Em uma época em que a educação era elitista, Vives se preocupou em que esta fosse oferecida a todo o povo. Uma escola deveria acolher não apenas crianças, mas também adultos e velhos, para que o conhecimento pudesse retirar estes últimos da ignorância e dos vícios que dela decorrem.

6) Educação da mulher. Vives quer que a educação das mulheres seja objeto de reflexão e se busque como lhes oferecer uma instrução de ordem prática.

7) Línguas. Recomenda o estudo das línguas no primeiro período escolar dos sete aos 15 anos, tanto das línguas clássicas como também, das línguas nacionais. O latim devia ser conservado como língua universal, e o próprio Vives escrevia seus tratados utilizando-se dessa língua. Faltavam gramáticas para as línguas nacionais até então pouco utilizadas em obras eruditas. Excetuadas as peças de Shakespeare na Inglaterra escritas ao fim do século XVI, somente mais tarde as obras em línguas nacionais apareceram na literatura sucessivamente em Portugal com os "Lusíadas" de Luís de Camões, em 1572; na França com os "Ensaios" de Michel de Montaigne, em 1580, e na Espanha com o "Dom Quixote" de Miguel de Cervantes, em 1605, entre outras.

8) Educação física. Vives advoga uma formação integral que compreende também a educação física.

9) Dignidade do mestre. O Mestre deve demonstrar amor por sua profissão e por seus alunos. O mestre deve inspirar respeito não com golpes e ameaças, mas com atitudes que despertem admiração pelo seu talento e por suas virtudes. Deve ser o exemplo como agente educativo de honradez e prudência. Considera fundamental e indispensável para essa dignidade que os mestres tenham um bom salário.

11) Papel dos pais. Os preceitos das Sagradas Escrituras mostram que o Senhor pedirá aos pais conta da educação de seus filhos, e por isso, tratando-se do ensino, devem cuidar seriamente sobre este ponto decisivo; As crianças estão sempre propensas a imitar a tudo, principalmente a aqueles que consideram dignos de serem imitados, como seus pais, aios e mestres. Os pais devem, sobretudo, dar bons exemplos, e verificar se há na família pessoa que possa influenciar nocivamente a mente delicada da criança e em tal caso afastá-la do lado desta, sendo possível, ou se não, enviá-la a educar-se fora. Assim herdamos, daqueles dos quais deveríamos receber um espírito sadio, um espírito corrompido, pelos motivos ditos. Os homens mudam pelo contacto e contágio dos amigos preferidos, e não aceitam oposição alguma; mudam devido à sua inclinação aos prazeres. O corpo domina o espírito oprimindo-o com seu peso, a menos que se apoiem nas bases sólidas de bons preceptores e das boas ações; Muito poucos maus se fazem bons, mas sim acontece o contrário, por degeneração da natureza.

13) Escola privada. Os jovens não são devidamente disciplinados e corrigidos pelos seus mestres ou pelos dirigentes das escolas porque estes têm medo da diminuição dos lucros, principalmente quando os alunos são ricos, porque estão preocupados mais com os lucros que com a educação de seus discípulos.

14) Internato. Não é conveniente que o aluno viva na própria escola, onde a alimentação não é tão sadia, e a educação não é tão completa como no próprio lar, a menos que tenham pais de conduta viciosa e desprezível, ou que estes sejam excessivamente condescendentes a ponto de comprometer a índole do jovem.

Falso diploma. Jovens perversos adquirem um grau acadêmico qualquer para agirem com mais liberdade e arrogância absoluta, freqüentemente com o aplauso e alegria dos pais que não percebem onde eles vão parar. Os elogios dos pais podem reforçar o mau comportamento daqueles que, já livres de toda classe de pudor e respeito a seus mestre, aos seus próprios pais, amigos e à pátria inteira, a miúdo recebem dos seus cartas de carinho e admiração, endereçadas a eles como a pessoa distinguida por seu saber.

10) Conseqüência do mau resultado escolar. Havendo mal aproveitamento escolar, transcorrem sem proveito os melhores anos da vida para o aprendizado; o jovem cresce e com ele sua ignorância e ódio ao estudo; retorna ao lar em estado selvático, inculto, rodeado de todos os males, arrogante, descortês, desajustado e com idéias vis, com ânimo propenso aos prazeres e vícios, às vezes atacado de enfermidades em conseqüência de sua vida empestada de impurezas. Quando o pupilo se sente mais livre "recebe com aspereza toda exortação". Vem daí o aborrecimento ao aio ou à aia, quando estes são obstáculos para seus desejos, e não faz sua obrigação mas finge fazer, por medo, e nunca age movido pela beleza da virtude nem ao menos pela aspiração ao elogio.

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Rubem Queiroz Cobra           

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada em
13/01/2002.

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Juan Luís Vives. COBRA.PAGES.nom.br, Internet, Brasília, 2002.
("www.geocities.com/cobra_pages" é "Mirror Site" de www.cobra.pages.nom.br)

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