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VIVES

Vida, pensamento e obras de JUAN LUIS VIVES - II

Página escrita por
Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

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Outra importante obra de Vives foi o tratado De subventione pauperum, dedicado ao burgomestre do Senado de Bruges, em 6 de Janeiro de 1526, obra publicada em 1528 e que teve grande repercussão em seu tempo. Nele Vives propõe a assistência aos pobres, com a instituição de um salário para todo cidadão, em pagamento por trabalhos em várias especialidades das mais simples, cujo fruto seria vendido para custeio do sistema. Era uma idéia diferente da proposta por More no seu Utopia, que seria uma pensão dada gratuitamente aos pobres e desempregados, com o objetivo de evitar que praticassem crimes para sobreviver, medida que More considerava menos onerosa para o Estado que manter polícias e prisões.

Outras obras de 1526 foram De Europae dissidiis et bello turcico, cujas idéias estavam na linha do europeísmo moderno e De conditione vitae christianorum sub Turca ("Sobre a condição de vida dos cristãos submetidos aos Turcos).

Durante o período passado na Inglaterra sua atividade literária foi intensa, até que eclodiu drama da separação do rei e da rainha. Sua posição crítica ao divorcio de Henrique VIII e Catarina de Aragão o levou à prisão por breve período em 1527. Vives, no entanto, foi cauteloso, e evitou ser condenado à morte como o foi o caso do amigo Thomas More que seria executado em 1535, e de outros que ficaram radicalmente contra a paixão do rei por Ana Bolena e seu divórcio de Catarina.. Obrigado a deixar a Inglaterra, retornou a Bruges, para a casa da família de sua mulher, e reassumiu o ensino. Ali recebeu a visita de Inácio de Loiola, que haveria de fundar, mais tarde, a companhia de Jesus.

Vida em Flandres. A partir de seu regresso da Inglaterra, a vida de Vives é uma rotina de escrever e lecionar, sem fatos extraordinários que pudessem marcá-la, salvo algumas viagens a Paris. Escreve sucessivos trabalhos de caráter acético, a começar do De officio mariti publicado em Bruges em 1528, onde enumera os deveres dos esposos, uma complementação ao De institutione de 1524. Dedicou o De officio a Dom Juan Borja, terceiro duque de Gandia e pai de São Francisco Bórgia.

Em 1529 a peste atacou Bruges, levando-o a refugiar-se em Liles e Paris por vários meses, retornando para reassumir suas aulas na universidade Louvain.

Nesse ano os restos mortais de sua mãe Blanca, que falecera em 1508, o ano da peste em Valência, foram desenterrados para serem queimados publicamente sob a acusação de que, em vida, havia judaizado por influência da família. O processo em que foi condenada é um dos mais de 125.000 processos da Inquisição espanhola. (1).

Do período entre 1529 e 1533 são, entre outras, as obras: Isocratis Orationes Duae e De concordia et discordia in humano genere (1529), esta dedicada ao imperador Carlos V; o De pacificatione (1529), dedicada a Alfonso Manrique, arcebispo de Sevilha; o Descripio Clipei Christi (1530) e o Oratio Virginis Dei parentis (1530).

É de 1531 a sua monumental obra prima, publicada em Antuérpia, De disciplinis libri xx ("Vinte livros sobre as Disciplinas"). Como anuncia o título, essa obra, que faz de Vives um respeitável pedagogo, compõe-se de vinte livros ou capítulos. Sete são sobre a corrupção das Artes ou disciplinas, e estão sob o título geral De Causis Corruptorum Artium. Nestes Vives ataca os aristotélicos de então, apontando as causas principais que determinaram a decadência dos estudos filosóficos. Considera negativos e prejudiciais o abuso das disputas; os textos em uso, obscuros e desconexos; o dogmatismo dos mestres, o freqüente apelo à autoridade como critério de verdade, o uso comum de resumos e desconhecimento dos textos originais, a falta de método, etc. avareza, arrogância de mestres ignorantes, as freqüentes guerras, a corrupção nas Universidades, falta de uma verdadeira instrução do Latim e do Grego, perversão da lógica por seu uso como instrumento de indução, ignorância das ciências naturais, declínio do estudo da Filosofia Moral, e um método degenerado de estudo das Leis.

Outros cinco, sob o título De Tradendis Disciplinis, são sobre o ensino das disciplinas, com base em pensadores antigos como Aristóteles, Plutarco, e Quintiliano, e também em mestres contemporâneos como Erasmo. Os restantes oito livros, entre eles o De prima Philosophia sive de intimo naturae opificio, o De explanatione eiusque essentiae, o De instrumento probabilitatis e o De disputatione, tratam das disciplinas do conhecimento propriamente ditas, e neles Vives advoga o uso da língua nacional nas escolas, pede a construção de academias, apoia a educação das mulheres e recomenda a restruturação dos métodos de ensino. Aqui Vives se esforça por determinar os meios e procedimentos que devem constituir um método pedagógico racional para cada uma das disciplinas integrantes da divisão do conhecimento em sua época. Ressalta a importância de dar à ciência da educação uma firme base psicológica.

No De disputatione, de modo particular, Vives dedica vários parágrafos a comentar os males que ocasionam as discussões estéreis, em que não se pretende buscar a verdade mas mostrar que se tem razão e, em que cada um dos contendores se esforça mais "em cimentar a fama do seu talento que em afirmar a verdade". No entanto, a crítica bem intencionada é sempre proveitosa, porque não pretende destruir a um adversário mas sim ajudar o companheiro. Em reconhecimento de sua obra o imperador lhe concedeu uma pensão de 150 ducados.

É de 1532 o seu De Instrutione, um tratado sobre o ensino dedicado a D. João III de Portugal, obra que teria inspirado ao monarca a criação da Universidade de Coimbra. Do mesmo ano são seus três livros de Rethoricae sive de recte rationes dicendi, 1532), também com idéias inovadoras.

Últimos anos. Aos anos Vives padecia dolorosos ataques de gota. A inexistência de analgésicos obrigava-o à imobilidade, embora ainda pudesse escrever. Seu médico foi Amatus Lusitanus, judeu português cujo nome cristão-novo era João Rodrigues, chegado a Antuérpia em 1533, e que ali clinicava com sucesso. Além da artrite, Vives sentia-se deprimido com a péssima situação política da Europa devido às guerras religiosas.

Seu tratado a respeito da propriedade privada apareceu em 1535, em Bruges com o título De communione rerum. Foi o ano da execução na Torre de Londres, de seu amigo e protetor Thomas More.

Uma ligeira melhora de sua moléstia permitiu que viajasse a Paris em 1536. Lá permaneceu por um ano divulgando sua teoria pedagógica e também explicando o Poeticon Astronomicon de Higinio, e publicou uma edição desta obra. Publicou também em Paris, no mesmo ano de 1536, o seu De conscribendis epistolis.

Retornando à Bélgica (Flandres) passou várias temporadas em Breda, entre 1537 e 1539 em casa do príncipe Enrique de Nassau e de sua esposa a marquesa de Canhete.

É de 1537 a sua obra Interpretatio in bucolica Virgilii.

Seu grande tratado De anima et vita libri três ("Três livros sobre a alma e a vida"), publicado na Basiléia em 1538 e no qual assenta sua filosófica capital, completa a Introductio ad sapientiam que havia publicado em Louvain em 1524. Esse tratado valeu a Vives o ser considerado o precursor da concepção biológica da psicologia científica moderna. O tratado é considerado importante marco na história das idéias e métodos psicológicos.

Também de 1538 são os seus diálogos intitulados Exercitatio linguae latinae, publicados nesse ano em Basiléia; constituem a obra pedagógica mais importante de Vives e a que foi mais vezes reeditada e traduzida.

Ao tratado De anima se seguiram o Censura de Aristotelis operibus, mais o Exercitatio linguae latinae e o De veritate fidei christianae.

Durante o ano de 1539 agravou-se a sua enfermidade e retornou a Bruges.

Ao falecer, em 6 de maio de 1540, Vives preparava uma apologia geral do cristianismo De veritate fidei christianae, que ficou inacabada mas foi postumamente editada por um discípulo em 1543 com uma dedicação ao papa Paulo III. São de 1540, ano do seu falecimento, as obras Ad Catonem maiorem sive de senectute Ciceronis quae dicitur, Anima Saenis praelectio e inquisitio sapientiae dialogus, e Ad animi exercitationmen in Deum commentatiumculae.

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Rubem Queiroz Cobra           

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada em
13/01/2002.

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Juan Luís Vives. COBRA.PAGES.nom.br, Internet, Brasília, 2002.
("www.geocities.com/cobra_pages" é "Mirror Site" de www.cobra.pages.nom.br)

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