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O PADRE VIEIRA

Vida, época, filosofia e obras do Padre Vieira - IV

Página escrita por
Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

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Em Lisboa voltou a pregar na Capela Real, com outros pregadores reais. Seu tema era principalmente a corrupção dos políticos, de cujos efeitos acabava de sofrer no Brasil. O rei que andara doente à época da chegada de Vieira, em nada se sentiu atingido pelo cáustico moralista, e atendeu plenamente às reivindicações que lhe apresentou Vieira. Foi instituída administração conjunta do Pará e Maranhão, o que deveria minorar os problemas enfrentados pelos jesuítas e, mais ainda para satisfação de Vieira, caberia a André Vidal de Negreiros, herói pernambucano na luta pela libertação de Pernambuco, e que já estava nomeado para o governo do Maranhão, governar conjuntamente as duas províncias.

Reunidos o futuro governador, Antônio Vieira e altos funcionários, assentou-se o regime definitivo dos índios livres, em um estatuto próprio que fixava o quando deveriam receber como salário mínimo pelo seu trabalho, e outras disposições solicitadas pelos jesuítas no sentido de proteger os silvícolas. André Vidal partiu em 1654 e Antônio Vieira algum tempo mais tarde. O rei o proibiu de embarcar mas, tendo Vieira lhe proposto que ouvissem a opinião dos jesuítas sobre ficar ele em Lisboa ou retornar ao Brasil, e tendo esses decidido, por maioria, que seria melhor para a Ordem que retornasse ao Brasil, o soberano aquiesceu em autorizar sua partida.

Sedição do Maranhão. No norte, as lides de Vieira voltaram a ser as viagens visitando as aldeias, ensinando e pregando, algum tempo lhe estava ainda para o devaneio.

Em janeiro de 1661, no Pará, a Câmara representou aos missionários pedindo com urgência que se pudesse com urgência arregimentar índios no mato, para o trabalho escravo, Rebateu Vieira dizendo que as causas dos problemas econômicos eram bem diversos

Entretanto surgiu novo conflito, suscitado por uma imprudência de Vieira, do qual tiraram seus opositores grande partido. Foi o caso do chefe da aldeia de Maracaná, a cargo dos jesuítas, no Pará. O índio vivia em concubinato com uma cunhada, um mal exemplo que os padres queriam suprimir. Vieira escreveu-lhe uma carta amável, solicitando que viesse ao colégio onde, chegando, foi desarmado e preso em ferros em uma cela, passando depois ao calabouço do forte de Gurupá. Ao protesto dos índios seguiu-se o da câmara, associando-se a ele as ordens monásticas. O escândalo uniu os padres de outras ordens aos colonos e no inquérito a que se procedeu pelo Ouvidor Geral, em São Luís, os prelados do Carmo, S. Antônio e Mercês, que chegavam do Pará, depuseram em concordância com a representação dos índios.

Ao declarar-se a sedição no Maranhão, Antônio Vieira fazia caminho de Belém a S. Luís. Já próximo da cidade, recebeu carta do governador colocando-o a par da revolta e recomendando que não entrasse em São Luís. Pôs se de volta a Belém onde pretendia acalmar os índios para que não fugissem para os matos, assustados com as notícias que se espalhavam .

Menos de um mes passado, também no Pará rebentou a comoção contra os padres. Como em São Luiz, também em Belém o povo assaltou o colégio e pôs em custódia os jesuítas. Antônio Vieira ficou apartado dos companheiros em uma pequena igreja . Uma índia, Mariana Pinto, que depois foi irmã, conseguia passar a Vieira alguma ligeira refeição, até que entre homens armados o embarcaram para São Luís. Da canoa foi transposto para a caravela que, em 1661 levou todos os padres para a Europa. Vieira não descansava nunca; nesta viagem compôs e proferiu um dos seus mais belos sermões, o do Rosário, que fez ouvir, no domingo 9 de outubro, a seus companheiros na aventura marítima, gente de bordo e passageiros.

Terceira viagem à Europa. Em 1661, Vieira foi expulso para Portugal. Deteve uma situação a ele favorável na Corte, mas que depois reverteu-se inteiramente em contrário. Falecido D. João IV em 1656, e porque falecera também D. Teodósio, primeiro na ordem da sucessão, sucedeu ao pai D. Afonso VI, com 13 anos de idade, sob regência de sua mãe, Da. Luiza de Gusmão (1656-1683). A rainha regente era contrária a entregar o reino a esse filho por sua notória incapacidade para governar; era a favor de que fosse aclamado o irmão mais moço, D. Pedro.

Vieira encontra seu lugar na corte, como em épocas passadas, mais ainda quando a regente, no embate das intrigas e paixões em que a corte refervia, tanto necessitava do conselho e auxílio de homem tão experimentado como o missionário recém chegado do Maranhão. Vieira que muito bem conhecia a vida desregrada do jovem príncipe, pois que toda preparação para reinar havia sido dada a D. Teodósio, coloca-se ao lado da rainha.

Porém já no ano seguinte, em 1662, alguns nobres amigos do herdeiro se puseram a seu lado e o levaram a estabelecer seu governo em Alcântara. Diante desse golpe, não teve outra alternativa a rainha senão passar a D. Afonso os selos do Estado. Os partidários de D. Pedro foram punidos, e Vieira que foi desterrado para o Porto.

Nesse mesmo ano a princesa Catarina de Bragança, irmã de D. Afonso, casou com Carlos II da Inglaterra. Em troca de um rico dote, e de favoritismo comercial, a Inglaterra forneceu armas e soldados para a guerra contra a Espanha. As defesas portuguesas foram então organizadas por um militar alemão, Friedrich Hermann von Schönberg.

Afonso VI era considerado débil mental, e o país governado por Luiz de Vasconcelos e Souza, conde de Castelo Melhor até 1667. Em seu reinado os portugueses, sob o comando de Shönberg, obtiveram várias vitórias contra a Espanha, que em 1668 reconheceu a independência de Portugal. Foi casado com Maria Elizabeth Francesca de Sabóia (princesa francesa) que conspirou com seu irmão Pedro para afastar Castelo Melhor e anular o casamento com Afonso VI. Ela casou com Pedro em 1668, e Afonso VI foi persuadido a passar o trono para seu irmão que poderia ter um herdeiro e foi declarado regente. Desde então o rei foi mantido prisioneiro em Sintra, onde morreu.

No Brasil Vieira havia assentado as bases do que pretendia seria sua grande obra sobre a interpretação dos profetas, que na verdade nunca chegou a publicar. No desterro do Porto retoma seu trabalho intelectual. Faz a revisão de dezesseis volumes de Sermões para dar ao prelo e continua a rascunhar o Clavis prophetarum. Era Vieira bem vigiado pelos partidários de D. Afonso aos quais deixá-lo no Porto pareceu inconveniente. Cogitaram de desterrá-lo para Angola, mas se concluiu por deixá-lo preso no Colégio da Companhia em Coimbra.

Processo na Inquisição. Por falta de amigos na corte, foi aprisionado pela Inquisição que vinha preparando um processo contra ele havia algum tempo. As investigações sobre Vieira arquivadas no Santo Ofício foram reabertas. O decreto do Conselho Geral ordenou ao Tribunal de Coimbra mandasse ir à mesa o jesuíta e o interrogasse sobre o seu escrito *As Esperanças de Portugal em que anunciava a ressurreição de D. João IV, e por seu exagerado interesse em favor dos judeus e cristãos novos. Não pode ser ouvido porque estava doente, do impaludismo contraído no sertão amazônico, cujas crises freqüentemente o prostravam. Ultimamente os incômodos se agravaram de complicações bronquiais, com hemoptises que faziam temer ao doente a tuberculose, doença vulgar na Companhia, devido às macerações e canseiras da vida missionária, e cujo contágio era facilitado pela vida em comunidade. Em maio os médicos aconselhavam a mudança de ares. Determinaram os superiores fosse o doente para residência do Canal, junto a Buarcos.

Respondeu Vieira que era certo haver feito um papel, em que anunciava a ressurreição de D. João IV, o qual mandara para ser apresentado e servir de consolo à Rainha viúva. Baseava seus dizeres no Gonsalianes Bandarra, a quem todos tinham por profeta, se não em sentido canônico, mas no sentido que era o terem se cumprido as coisas profetizadas. E esclareceu o seu interesse meramente em favor da economia do reino, na questão hebraica.

Apesar de não encontrar nele falta grave, e mesmo antes de ser julgado, determinou a Inquisição sua prisão no cárcere do Santo Ofício, onde ficou por 26 meses até a véspera do natal de 1667. Continuou preso no Colégio da companhia em Coimbra, e mais tarde, por pedido seu, foi autorizado transferir-se para o noviciado em Lisboa. Pouco depois o Provincial da companhia requereu lhe fossem as penas perdoadas, e isto foi atendido ficando em vigor unicamente a obrigação de não tratar o réu das proposições suspeitas.

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Rubem Queiroz Cobra            

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada em
28/03/1997

 

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Padre Antônio Vieira. COBRA.PAGES.nom.br, Internet, Brasília, 1997.
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