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THOMAS MORE

Vida, filosofia e obras de Thomas More - III

Página escrita por
Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

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Em 1515 foi escolhido pelo chanceler Cardeal Wolsey para integrar uma embaixada enviada a Bruges, nos Países Baixos, (Flanders, hoje Bélgica) para proteger os interesses de comerciantes ingleses de lã e tecido na revisão do tratado comercial da Inglaterra com aquele país. Ele ficou ausente da Inglaterra por mais de seis meses, período no qual ele fez o primeiro esquema do Utopia, sua obra famosa, completada em Londres, e publicada em Louvain no ano seguinte. No mesmo ano, publica "Letter to Dorp", escrita a seu amigo Martin Dorp, cônego e teólogo em Louvain, com o qual discutia assuntos como a qualidade das universidades de Louvain e de Paris, e a tradução das escrituras diretamente do Grego, que Erasmo pretendia publicar em substituição à versão em latim conhecida por Vulgata.

Em 1517 o tradicional May-Day tornou-se um pesadelo para o Sheriff de Londres, e foi a oportunidade para More mostrar todas as grandes qualidades de sua alma. O May-Day era um dia de divertimento para os ingleses, com muita baderna e também manifestações espontâneas do povo. Os trabalhadores ingleses, instigados por um padre popular, escolheram a data para uma manifestação contra os imigrantes que afluíam a Londres como concorrentes em suas ocupações.

Ante a iminência da repressão armada ordenada pelo Chanceler, More enfrentou a multidão irada com um discurso firme e sensato, e logrou acalmar os ânimos pouco antes do iminente massacre. Algumas décadas depois Shakespeare exaltou o episódio em que More enfrenta as pedras dos amotinados em sua peça teatral Sir Thomas More.

O rei, que apavorado se pusera a salvo fora de Londres, quis aplicar aos amotinados um castigo exemplar, a apesar de que More havia evitado o pior. Devido a amizade da Inglaterra com os países de origem dos trabalhadores estrangeiros, o motim foi considerado uma traição e os amotinados presos condenado à morte e esquartejamento. Treze chegaram a ser executados antes que More, um grupo designado pelo prefeito para acompanhá-lo, se apresentassem ao Rei, vestidos de preto, pedindo clemência. O perdão foi dado apenas depois de uma solene encenação pública organizada pelo Chanceler Wolsey para que o rei e a rainha ouvissem os vários pedidos de clemência, feitos de joelhos pêlos prisioneiros, pela própria rainha, pêlos lordes e pelo chanceler, em Westminster Hall.

Em 1517 More passa a integrar o Conselho do Rei. Deixa o cargo municipal a fim de ocupar-se inteiramente do serviço real. De setembro a dezembro de 1517 discute em Calais e Boulogne pendências resultantes da guerra com a França. Neste mesmo ano tornaram-se conhecidas as 95 teses de Lutero. No ano seguinte escreveu um parecer oficial em defesa do estudo de grego na universidade de Oxford.

Em 1520 ele estava na comitiva do Rei para a missão de paz em Field of Cloth of Gold, perto de Calais, entre Henrique VIII e Francisco I nas negociações de paz com a França. No ano seguinte foi nomeado subtesoureiro e elevado a cavaleiro, e nomeado pelo Rei embaixador para discutir com os comerciantes da Hansa, em Bruges. Em 1522 Foi incumbido de saudar em latim o imperador Carlos V, quando da sua visita a Londres. Recebeu em recompensa de sua dedicação ao rei terras em Oxford e Kent.

Em 1523 escreveu Responsio ad Lutherum vingando o rei pela resposta de Lutero ao Defense of the Seven Sacraments (Defesa dos Sete Sacramentos) de lavra real. Quando o parlamento se reuniu naquele ano em Blackfriars, More foi eleito porta-voz (Presidente) da Casa dos Comuns por recomendação de Wolsey. Em seu discurso de abertura pediu pela liberdade de opinião no Parlamento, o primeiro apelo dessa natureza de que se tem registro.

More comprou o foro de Crosby Hall em 1523, palácio onde havia residido Ricardo III, monarca objeto de sua obra escrita em 1515. Mas estava a construir sua própria casa em Chelsea e breve mudou-se com a família para o novo endereço, vendendo o foro a seu amigo Antonio Bonvisi.

Ele havia comprado um lote de terra em Chelsea, a duas milhas de Londres, um sítio de trinta e quatro acres a cerca de cem metros da margem norte do Tamisa, onde construiu para si uma mansão com uma galeria, capela, biblioteca e um jardim que se estendia ao longo do rio, tudo planejado como um retiro de orações e estudo. Mudou-se de Crosby Hall para Chelsea em 1524. O novo endereço permitia-lhe acesso fácil rio abaixo a Westminster Hall, onde fazia muitos de seus negócios, e rio acima à corte em Hampton Court, onde despachava com o rei. Era igualmente de fácil acesso ao monarca, que às vezes aparecia de surpresa para jantar, ou andava no jardim com seu braço no ombro de More, apreciando sua conversação brilhante.

Mantinha nos jardins animais como macacos, raposas e uma variedade de aves, e decorava sua casa com objetos exóticos que atraiam o interesse de seus convidados. Moravam em sua companhia, além de sua família, também seu pai e as sucessivas esposas que este teve, madrastas às quais More dedicou respeito e afeição, o que causava admiração em Erasmo.

A universidade de Oxford, em 1524, o nomeou seu Intendente Mor (High Steward) e a universidade de Cambridge fez o mesmo em 1525. Também em 1525 foi promovido a chanceler do ducado de Lancaster, função a acumular com seus outros cargos. Nesta função que ocupou até 1529 tinha uma parcela grande do norte da Inglaterra sob seu controle judiciário e administrativo.

Data de 1527 o retrato da família de Thomas More pintado por Holbein. No verão deste ano, More acompanhou Wolsey a Amiens, para concluir negociações de paz com a França.

Últimos anos. Foi no retorno de More, de Amiens, que Henrique VIII abordou-o quanto ao assunto de seu casamento. Mostrou-lhe o trecho da bíblia que condena o casamento de um homem com a mulher de seu irmão, como uma prova de que sua união a Catarina de Aragão, que fora mulher de seu falecido irmão Artur e não havia lhe dado um herdeiro, era incestuoso.

Apesar da dispensa papal, o fato é que todas as crianças que nasceram do sexo masculino morreram, e estava claro no Levíticos (20.21 no texto da Vulgata): "O que tomar a mulher de seu irmão, faz uma coisa ilícita: descobriu a nudez de seu irmão; não terão filhos". Este argumento, básico para toda a disputa que se seguiria com a Igreja Católica, não foi aceito por More, para quem Catarina era a esposa verdadeira do rei. Efetivamente, o rei havia se casado com a ex-mulher, a viuva, e não com a mulher, a esposa, de seu irmão, salvo algo inconfesso eventualmente ocorrido quando solteiro e vivo seu irmão

Tendo sido incumbido, em março de 1528, pelo bispo Tunstall, de Londres, de ler todas os escritos heréticos na língua inglesa e de refutá-los em linguagem simples para informação do povo ignorante, More publicou sete livros de polêmicas entre 1529 e 1533 -- sendo o primeiro e melhor A Dialogue Concerning Heresies (Um diálogo a respeito de heresias).

Como chanceler era seu dever reforçar as leis contra os heréticos e, fazendo assim, provocou os ataques dos escritores protestantes de então. Concordou com as leis anti-heresia que na época eram tidas como segurança do Estado, e não hesitou em castigar os infratores. Como ele mesmo escreveu no capítulo 49 do seu " Apologia " eram os vícios dos heréticos que ele odiava, não suas pessoas; e nunca chegava a rigor maior sem antes fazer todo esforço para que os mais renitentes se retratassem. Reduziu de dezenas a apenas 4 o número de condenados à penalidade suprema devida a esse crime, durante todo o seu tempo no governo.

Junto com o bispo Tunstall, More foi ao congresso de Cambrai em que a paz foi feita entre a França e o Sacro Império Romano em 1529, representando um fracasso da política externa do Cardeal Wolsey. More articulou de modo equilibrado os compromissos da Inglaterra no tratado. Com a queda de Wolsey More o sucedeu como Lorde Chanceler em 26 de outubro de 1529, e foi o primeiro chanceler leigo na história do país. Esta era a mais alta posição política e judiciária no reino, precedida apenas pelo Rei em sua autoridade.

More considerou o tratado de Cambrai a mais importante realização de sua carreira diplomática, e quis que ficasse registrada em seu epitáfio.

A primeira aparição pública de More como chanceler aconteceu na inauguração do novo parlamento em novembro de 1529. Como porta-voz do rei, More fez acusações a Wolsey no seu discurso de abertura

Seu exercício da chancelaria tornou-se memorável pelo sucesso sem paralelo de sua atuação como juiz. Trabalhava tanto que esgotou o número de processos que aguardavam julgamento.

More freqüentemente acompanhava a comitiva real a Woodstock, onde o rei adorava caçar. Lá estava quando recebeu a notícia do incêndio ocorrido em Chelsea, em setembro de 1529.

Agrava-se porém a questão da anulação do casamento real, agora assumindo proporções de rompimento com Roma. More não assinou a carta de 1530 em que os nobres e os prelados da Inglaterra, inclusive Wolsey, faziam pressão sobre o papa para declarar o casamento do rei sem efeito. Devido ao constrangimento por sua posição contrária, tentou renunciar em 1531, quando o clero reconheceu o rei como seu chefe supremo, mas seu pedido não foi aceito.

Em maio do mesmo ano fez circular a Segunda edição do seu A Dialogue Concerning Heresies, 2a. edição (Maio de 1531), salientando assim sua posição ortodóxica. Então, sua oposição ao desejo real do divorcio, sua defesa da supremacia do papa e sua ação contra os hereges terminaram por afastá-lo do rei. Ele renunciou ao cargo de Lorde Chanceler em maio de 1532

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Rubem Queiroz Cobra            

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada em
17/02/99

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Thomas More. COBRA.PAGES.nom.br, Internet, Brasília, 1999.
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