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SPINOZA

Vida, época, filosofia e obras de Baruch Spinoza - VIII

Página escrita por
Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

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Religião. No "Tratado teológico-político" e no "Breve Tratado acerca de Deus, o homem e sua felicidade suprema" Spinoza expõe suas idéias sobre a religião. Seu modo de considerar a religião e seu papel no Estado é claramente coincidente com o daquele grupo de amigos de cujas convicções religiosas e políticas, bem definidas, ele compartilha como "colegiante". A posição que tinham em comum, de tolerância frente à rivalidade das seitas, o amor e obediência a Deus como somente o que importava, constitui também o núcleo do pensamento de Spinoza a respeito da religião. Cristo é considerado por Spinoza como a sabedoria divina que rege o mundo. Mostrando a influência do pensamento de Descartes, os colegiantes pretendem que a fé religiosa "é um conhecimento claro e distinto da verdade na mente de cada homem, pelo qual adquire uma convicção tal do ser e das qualidades das coisas que lhe resulta impossível duvidar delas".

Spinoza não aceita-a divindade de Cristo, mas dá-lhe o primeiro lugar entre os homens. "A eterna sabedoria de Deus... mostrou-se em todas as coisas, mas principalmente na mente do homem, e principalmente em Jesus Cristo." "Cristo .foi enviado para ensinar não só aos judeus mas a toda a raça humana"; daí "Ele acomodou-se à compreensão do povo... e ensinava mais freqüentemente por meio de parábolas." Considera que a ética de Jesus é quase sinônimo de sabedoria; reverenciando-O nós nos elevamos ao "amor intelectual de Deus".

Foi esperança de Spinoza que a religião judaica e a cristã, - que na verdade seriam uma só -, quando fossem afastados o ódio e as incompreensões e quando a análise filosófica encontrasse o âmago e a essência ocultos dessas crenças rivais, haveriam de unir-se. Mas, em seu tempo assim não era, e por isso diz: "Admiro-me com freqüência de que pessoas que se ufanam de professar a religião cristã, ou seja, a religião do amor, da alegria, da paz, da temperança e da caridade para com todos os homens, briguem tão rancorosamente e manifestem um ódio tão amargo uns para com os outros. Esquecem que isso, mais do que as virtudes que professam, oferece um critério decisivo para o julgamento de sua fé."

O primeiro passo para essa união, na opinião de Spinoza, seria a concordância em relação a Jesus. Uma figura tão nobre, livre do cerceamento de dogmas, que levam apenas a divisões e disputas, atrairia todos os homens; e talvez em seu nome, um mundo dilacerado por lutas suicidas de palavras e armas, pudesse afinal encontrar uma unidade de fé e uma possibilidade de fraternidade.

O pensamento de Spinoza no "Tratado teológico-político" enfoca três aspectos da religião: a Bíblia, sua própria defesa contra a acusação de ser ateu, e a separação entre Igreja e Estado. Com respeito à Bíblia, Spinoza ataca o dogma da revelação que interpreta a Bíblia como uma mensagem de Deus para os homens. Sua polêmica com o ¡judaísmo era de grande atualidade dado o valor que o calvinismo atribuía ao Antigo Testamento. Aplicando pela primeira vez na história a crítica histórica às Escrituras, busca demostrar a origens dos livros bíblicos e funda a ciência bíblica. Opõe-se à interpretação bíblica racionalista de Maimónides. É principio fundamental de Spinoza que a Bíblia só deve ser interpretada no contexto da própria Bíblia, pelas suas possíveis contradições, reafirmações, etc. e de modo algum pela verdade racional da filosofia. Neste particular, as colocações de Spinoza coincidiriam de certo modo com o pensamento ortodoxo, e contrariando o liberalismo. Mas esta interpretação pode mostrar apenas o sentido próprio da Bíblia, impedindo que se a submeta à prova da razão.

Spinoza não podia aceitar que o taxassem de ateu porque acreditava em Deus, apenas era um Deus não personificado, não humanizado, e sintético com a natureza. Spinoza quer demostrar que sua fé coincide com todas as religiões no principio do amor e da obediência a Deus. Chegou a pensar que, com a tolerância dos colegiantes e a neutralidade dos regentes, haveria a possibilidade de uma religião comum que poderia unir a todos os homens.

Busca, finalmente, na sua obra, defender a liberdade de pensamento contra os pregadores fanáticos. Talvez por influência sua Johan de Witt lutava pelo direito do Estado, tentando tirar totalmente das autoridades eclesiásticas sua jurisdição nos assuntos temporais. Em 1656 Johan de Witt havia promulgado um decreto proibindo que se confundisse teologia e filosofia.

Educação A filosofia da educação de Spinoza é determinista e estóica, compreendendo que Deus não é uma personalidade caprichosa absorvida nos assuntos particulares dos homens mas sim a ordem invariável que sustenta o universo.

Precisamente porque as ações dos homens são determinadas pelas suas lembranças, a sociedade tem de formar os cidadãos manipulando suas esperanças e receios, para alcançar uma certa dose de ordem social e cooperação. Quer nossas ações sejam livres ou não, nossas motivações ainda são a esperança e o medo. Aquele que considera todas as coisas como determinadas não se pode queixar, ainda que possa resistir; pois "percebe as coisas sob uma certa luz de eternidade" e compreende que suas desventuras não são acasos no esquema total; que elas têm alguma justificativa na eterna seqüência e estrutura do mundo. Com esse espírito, ele se ergue dos prazeres caprichosos da paixão para a elevada serenidade da contemplação, que vê todas as coisas como partes da ordem e do desenvolvimento eternos; aprende a sorrir diante do inevitável e "quer receba o que lhe é devido agora ou dentro de mil anos, permanece contente".

O determinismo conduz a uma vida moral melhor: ensina-nos a não desprezar ou ridicularizar ninguém, a não ficar zangado com ninguém; os homens "não são culpados"; e ainda que punamos os canalhas, será sem ódio; nós os perdoamos porque não sabem o que fazem. Acima de tudo, o determinismo fortalece-nos para acolher as duas faces da fortuna com igual espírito; lembramo-nos de que todas as coisas sucedem conforme as leis eternas de Deus.

Principais trabalhos.

Tractatus de Deo et Homine Ejusque Felicitate (escrito por volta de 1662, publicação póstuma em 1852);
Tractatus de Intellectus Emendatione (escrito em 1662, primeira edição em 1677);
Renati des Cartes Principiorum Philosophiae Pars I et II, More Geometrico Demonstratae, per Benedictum de Spinoza (1663);
Ethica in Ordine Geometrico Demonstrata (escrito em 1662-75, primeira edição em 1677);
Tractatus Theologico-Politicus (escrito em 1665-70, primeira edição em 1670);
Tractatus Politicus (incompleto, escrito a partir de 1665, primeira edição em 1677);

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Rubem Queiroz Cobra          
 

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada em
26/06/98

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Spinoza. COBRA.PAGES.nom.br, Internet, Brasília, 1998.
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