COBRA PAGES
e seus
objetivos
--
Quem somos

reg.

COBRA PAGES: páginas em Educação e Cultura
Filosofia Moderna -  Filosofia Contemporânea - Filosofia no Brasil - Temas de Filosofia - Psicologia e Educação - Teatro Pedagógico - Higiene - Boas Maneiras e Etiqueta - Contos - Restauro - Genealogia - Geologia - Livros do Autor - CONTACTO

 

PMF-perguntas
mais freqüentes

ÍNDICE & BUSCA

 
 
 

NOVIDADES DO SITE

SPINOZA

Vida, época, filosofia e obras de Baruch Spinoza - VI

Página escrita por
Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

anterior << Páginas 1 2 3 4 5 6 7 8 >> próxima                     
 

Spinoza chama de substancia aquilo que verdadeiramente existe, o ser interior ou a essência. Substancia então é aquilo que eterna e imutavelmente é, aquilo que pode ser pensado como tendo existência completamente independente e do qual todo o resto participa como forma ou modo transitório. Porque não pode ser explicada por nenhuma outra coisa, ela deve ser sua própria causa, ou "necessariamente existente". Como tal, pode haver apenas uma única substância, e Spinoza a identifica com Deus e ao mesmo tempo com a Natureza inteira. Spinoza assim aporta ao panteísmo.

Mas, ainda assim, Spinoza não exclui que haja um Criador e a coisa criada. Spinoza concebe a natureza, que é Deus, sob um duplo aspecto. Como um processo ativo e vital, que chama "natura naturans", natureza criadora; e como o produto passivo desse processo, "natura naturata" natureza criada, a matéria e o conteúdo da natureza, suas florestas e ventos e águas, suas colinas e campos e miríades de formas externas. E assim explica essas duas naturezas contidas na substância (que seria Deus ou uma natureza geral): Se duas coisas, dois universos, tiverem os mesmos atributos, então trata-se da mesma coisa, ou do mesmo universo, ou da mesma substância, como visto. No entanto, a substância única, que contem todos os atributos, pode mostrar diferenças, não nos atributos, porém no que Spinoza chama "modos". Um modo (ou modificação) é uma propriedade mais restrita do universo, o modo como um atributo aparece em um nível inferior. Modos variam, aparecem e desaparecem.

Um modo é uma coisa ou acontecimento individual, qualquer forma ou aspecto especial, que a realidade assume transitoriamente; você, seu corpo, seus pensamentos, seu grupo, sua espécie, seu planeta, são modos; tudo isso são formas, modos, quase que literalmente estilos, de alguma realidade eterna e invariável que está por trás e por baixo deles. Por exemplo, a forma de um objeto, se redondo, se tem superfície irregular, se quadrado, etc., é uma modificação ou "modo" do atributo "extensão". Os modos, como pensamento de Deus, são modelos que acomodam as coisas nas formas em que as conhecemos de corpos, de fatos, de acontecimentos. Por isso as coisas são transitórias, existem como movimento, enquanto a matéria, temporariamente, se integra no "modo" ou modelo de cada coisa; são a natureza naturante Natura naturans, e os corpos são a coisa formada, Natura naturata. Mas esta é somente mais uma maneira de falar porque substancia (essência) e modos (acidente), a ordem eterna (essência) e a ordem temporal (acidente), a natureza ativa ou natura naturans (essência) e a natureza passiva ou natura naturata (acidente), Deus (essência) e o mundo (acidente), todas essas classificações são, para Spinoza, coincidentes e dualidades sinônimas. Cada uma divide o universo em essência e acidente.

Corpo e Espírito. Todas as coisas, ainda que em grau diverso, são animadas. Vida ou mente é um aspecto ou fase de tudo que conhecemos, assim como a extensão material ou corpo é um outro aspecto, uma outra fase. São essas as duas fases ou atributos (como os denomina Spinoza) através dos quais percebemos a ação da substancia ou Deus. Nesse sentido, Deus, o processo universal e realidade eterna por trás do fluxo das coisas, pode ser considerado como tendo uma mente e um corpo. Nem a mente nem a matéria são isoladamente Deus; mas os processos mentais e os processos moleculares que constituem a história dupla do mundo eles sim, suas causas e leis, são Deus. A vontade de Deus é antes a soma de todas as causas e de todas as leis e o intelecto de Deus é a soma de todas as mentes. "A mente de Deus", como Spinoza a concebe, "é toda a mentalidade que está espalhada pelo espaço e pelo tempo, a consciência difusa que anima o mundo". Portanto, Deus não é transcendente ao universo, nem pode ter personalidade, providencia, livre vontade e propósitos. Então, mesmo o homem bom, apesar de que ame a Deus, não pode esperar que Deus o ame em retorno.

A substância, que é única na visão de Spinoza, tem uma infinidade de atributos. Por "atributos" entenda-se "aquilo que o intelecto pode perceber da substância, como constituinte de sua essência". Desses atributos somente o pensamento e a extensão são conhecidos do homem. Aplicando esse esquema metafísico ao ser humano, Spinoza argumenta que o corpo do homem é um modo sob a extensão, um modo complexo devido a sua unidade, que vem da manutenção de um modelo constante de relações entre partes cambiantes. O espírito humano é, similarmente, um sistema mantendo o mesmo modelo de relações enquanto mudando as partes. No homem não há senão uma entidade, que é vista interiormente como mente, e exteriormente como matéria. O que existe na realidade é a mistura inextricável, a unidade de ambas, mente e matéria. A mente e o corpo não agem um sobre o outro, porque não há outro. "O corpo não pode determinar que a mente pense; nem pode a mente determinar que o corpo fique em movimento ou em repouso, ou em qualquer outro estado", pela simples razão de que "a decisão da mente e o desejo e determinação do corpo... são uma só coisa". Pois não existem dois processos nem duas entidades. Não há senão um processo, visto interiormente como pensamento e exteriormente como movimento.

E o mundo todo é dessa forma unamente duplo; onde quer que haja um processo "material" externo, ele será apenas um lado ou aspecto do processo real, que a um exame mais amplo, mostraria incluir também um processo interno que é correlativo, em graus diferentes e variados, ao processo mental que vemos dentro de nós. Esse processo "mental" e interior corresponde em cada estágio ao processo "material" e externo; "a ordem e conexão das idéias é a mesma que a ordem e conexão das coisas." Isto quer dizer que o universo é um todo espacial que é consciente em toda sua extensão, e "Todas as coisas..., como ele diz, "são vivas"- uma posição conhecida como panpsiquismo.

Da mesma forma que a emoção é parte de um todo, - do qual as mudanças nos sistemas circulatório, respiratório e digestivo são a base -, a idéia, juntamente com as modificações "corpóreas", é parte de um processo orgânico complexo. Ate mesmo as sutilezas infinitesimais da reflexão matemática têm repercussão no corpo e, inversamente "não pode acontecer nada ao corpo que não seja percebido pela mente, e consciente ou inconscientemente por ela captado" diz Spinoza. "Substância pensante e substância extensa são uma coisa única, compreendida ora através deste, ora através daquele atributo" ou aspecto. "Certos judeus parecem ter percebido isso, ainda que confusamente, pois disseram que Deus e seu intelecto e as coisas concebidas pelo seu intelecto eram uma só coisa.

Vontade e liberdade. Depois de eliminar a distinção entre corpo e mente, Spinoza nega que haja "faculdades" na mente, ou entidades tais como intelecto ou vontade, muito menos imaginação ou memória. A mente consiste das próprias idéias em seu processo e associação. Intelecto é meramente um termo para uma série de idéias; e vontade um termo para uma série de ações ou volições. A vontade é primeiramente pensamento de um curso de ações a ser seguido e, quando não há fatores contrários, a ação em questão inevitavelmente se segue. A ilusão de uma determinada escolha surge da ignorância do indivíduo das causas precedentes do pensamento e da ação. Assim, "vontade e intelecto são uma só e a mesma coisa"; pois uma volição é apenas uma idéia que, pela riqueza de associações (ou talvez pela ausência de idéias rivais), permaneceu tempo suficiente no consciente para passar à ação. Cada idéia transforma-se em ação a menos que seja sustada na transição por uma idéia diferente; a idéia é, ela própria, o primeiro estágio de um processo orgânico unificado do qual a ação externa é o desfecho.

anterior << Páginas 1 2 3 4 5 6 7 8 >> próxima

Rubem Queiroz Cobra          

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada em
 26/06/1998

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Spinoza. COBRA.PAGES.nom.br, Internet, Brasília, 1998.
("Geocities.com/cobra_pages" é "Mirror Site" de COBRA.PAGES)

 Utilize a barra de rolagem desta janela de texto para ver as NOVIDADES DO SITE
 
Obrigado por visitar COBRA PAGES