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SPINOZA

Vida, época, filosofia e obras de Baruch Spinoza - V

Página escrita por
Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

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Spinoza sustentava que existe um sentido no qual as definições podem ser corretas ou incorretas. Uma definição confiável, ele afirmava, deveria deixar clara a possibilidade ou a necessidade, conforme possa ser o caso, da existência do objeto que foi definido. Portanto, uma definição correta é sempre verdadeira e a partir dessa definição se podem deduzir outras verdades; e por via de tais deduções é possível construir um sistema metafísico isto é, uma apresentação do mundo como um todo perfeitamente inteligível. Estava convencido de que cada aspecto da realidade é necessário e que toda possibilidade logicamente coerente deve existir. Portanto é possível demonstrar a metafísica dedutivamente, através de uma série de teoremas derivados, etapa por etapa, de conseqüências necessárias a partir de premissas auto-evidentes, expressas em termos que são auto-explicativos ou definidos com uma correção inquestionável. Porém tal método garante conclusões verdadeiras somente se os axiomas são verdadeiros e as definições corretas. Com este pensamento, voltou-se para o método geométrico à maneira dos Elementos, de Euclides. Sua obra prima, a "Ética", foi escrita desse modo - "Ordine Geometrico Demonstrata". O que Spinoza quer dizer com "prova geométrica" é precisamente que, se aceitamos as definições e os axiomas dados, e desde que as deduções sejam corretamente feitas, então temos que aceitar as conclusões. Cada uma das cinco partes da "Ética", sua obra fundamental, abre com uma lista de definições e axiomas, dos quais são deduzidas várias proposições, ou teoremas. Porém, porque a Ética começa justamente com uma definição básica, a definição de "substância", que é aquilo que necessariamente existe, fica claro que, se rejeitamos sua definição de substância estamos rejeitando todas as deduções que ele faz a partir dela; rejeitando, portanto, todo o seu sistema.

Spinoza recomenda que façamos uma cuidadosa distinção entre as várias formas de conhecimento e confiemos apenas nas melhores.

Primeiro, existe o conhecimento por ouvir dizer, pelo qual, por exemplo, sei o dia de meu nascimento.

Segundo, existe a experiência vaga, o conhecimento "empírico" no sentido depreciativo, como quando um médico sabe de um tratamento, não através da formulação científica de testes experimentais, mas por uma "impressão" de que "costuma" dar certo.

Terceiro, existe a dedução imediata, ou seja, conhecimento a que se chega pelo raciocínio, como quando concluo da imensidade do sol por saber que a distancia diminui o tamanho aparente dos objetos. Este último tipo de conhecimento é superior aos outros dois, mas está ainda sujeito a uma repentina refutação pela experiência direta.

Quarto, a forma mais elevada de conhecimento, que provém da dedução imediata e da percepção direta, como quando vemos imediatamente que 6 é o número que falta na proporção, 2: 4 :: 3: x; ou quando percebemos que o todo é maior que a parte. Spinoza acredita que os homens versados em matemática conhecem Euclides principalmente por essa forma intuitiva; mas confessa tristemente que "as coisas que consegui saber através dessa forma de conhecimento têm sido muito poucas até agora".

Comentando o conhecimento empírico (Segunda forma), Spinoza sustentou que toda experiência dos sentidos e toda generalização não científica a partir dessas experiências é inadequada. Nenhum objeto pode ser isolado do resto da natureza; portanto, ninguém pode afirmar a verdade total sobre ele, uma vez que isto envolveria a natureza inteira. O conhecimento deste tipo foi chamado por Spinoza "opinião" ou "imaginação". Se, no entanto, como acontece na terceira forma, a consciência é dirigida somente para aquelas propriedades que todos os objetos tem em comum, não haverá a distorção que ocorre na experiência dos sentidos. Este tipo de conhecimento é chamado razão. Por esse caminho Spinoza dava conta da possibilidade do conhecimento a priori na geometria, física geral e psicologia geral.

A quarta forma, que é a intuição (6 é o número que falta na proporção, 2: 4 :: 3: x), parece ser adequada ao conhecimento dos objetos individuais. É possível, pela intuição afirmar de qualquer coisa que ela depende de Deus como sua causa completa, imanente. Talvez pelo termo intuição Spinoza referisse a um tipo de experiência mística, o insight acompanhado por uma forte emoção que ele chamou "o amor intelectual de Deus" na dependência de todas as coisas, incluindo o ser humano ele mesmo, no total da natureza.

Substância e Deus. Na primeira parte da "Ética", "Com respeito a Deus", Spinoza, após apresentar as definições e axiomas pertinentes, deduz 36 proposições sobre a natureza de Deus. Destas a mais importante sem dúvida é a 14, que diz: "Além de Deus, nenhuma substância pode ser dada ou concebida". Ela é a proposição panteísta de Spinoza, na qual ele faz Deus idêntico ao universo; tudo que existe, sob qualquer forma, é parte de Deus. Esta proposição conflita com a idéia mais comum de que Deus é transcendente, distinto da sua criação, separado do mundo físico e dos homens. O argumento de Spinoza a esse respeito é o seguinte: Não é possível existirem duas substancias com os mesmos atributos; ora, Deus tem todos os atributos; então não sobra qualquer atributo possível que já não esteja em Deus e portanto nenhuma outra substancia pode existir além de Deus mesmo.

Pensamento e extensão são dois atributos. Existem coisas que são pensamento e existem as coisas do mundo físico que têm a extensão. No entanto, para Spinoza, Deus já possui necessariamente esses dois atributos, pensamento e extensão, porque sua perfeição exige que tenha todos os atributos possíveis. Consequentemente esses atributos não pertencem a uma substância "pensamento" ou a uma substância "coisa física" e sim pertencem a Deus que tem todos os atributos possíveis. Logo, Deus é a única coisa que existe. Necessariamente, as outras coisas só existem em Deus mesmo, como parte d'ELe.

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Rubem Queiroz Cobra          

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada em
 26/06/98

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Spinoza. COBRA.PAGES.nom.br, Internet, Brasília, 1998.
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