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SPINOZA

Vida, época, filosofia e obras de Baruch Spinoza - IV

Página escrita por
Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

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A situação de Spinoza em Haia ficou perigosa em maio de 1673, quando ele foi para Utrecht (então sob ocupação francesa) com vistas a uma possível negociações de paz. Spinoza recebeu um convite do chefe supremo do exército francês, o grande Condé, que havia ocupado a maior parte de Holanda, para que o filósofo lhe fizesse uma visita em seu quartel general de Utrecht. O oficialato francês em campanha desejava de Spinoza um esclarecimento sobre a situação religiosa da Holanda, que supunham não era puramente protestante e estava cheia de católicos e de sectários de várias correntes. Spinoza aceita o convite e empreende a viagem a Utrecht através das tropas inimigas com a aprovação dos regentes holandeses que viram com esperança a probabilidade de se fazer a paz, e aquela era a ocasião para sondar as perspectivas por meio de uma conversação, não comprometedora, com o general inimigo. Mas a missão de Spinoza não teve êxito, porque Condé havia partido de Utrecht e Spinoza esperou inutilmente seu regresso durante algumas semanas. No seu retorno, várias semanas depois, ele foi recebido mal pela desconfiada população de Haia, correndo rumores de que era espião francês.

Em Haia Spinoza começou a compor uma gramática hebraica (Compendium Grammatices Linguae Hebraeae), mas não a terminou; em lugar disso, ele retomou o trabalho de redação da "Ética". Apesar de toda a cautela guardada ao preparar sua Ética, transpirou que preparava uma publicação cheia de idéias revolucionárias. Os representantes da Igreja calvinista iniciaram a luta em toda Holanda contra o livro, e apelaram ao governo para impedir sua publicação. Quando em 1675 termina essa obra, não consegue publicá-la. Havia se difundido o rumor de que estava no prelo um livro seu sobre Deus, no qual tratava de demonstrar que Deus não existia. Alguns teólogos apoiados por certos cartesianos que queriam limpar-se de toda suspeita de simpatizar com Spinoza, o acusam ante o príncipe de Orange. "O assunto toma dia a dia um vulto mais grave", escreve Spinoza a Oldenburg. Porém a obra circulou em cópias manuscritas entre seus amigos mais íntimos.

Spinoza não para de escrever. Empreende alguns trabalhos menores, faz anotações à margem do "Tratado teológico-Político", e trabalha em sua gramática da língua hebréia que antecipa posições da moderna filosofia do linguagem, além de um opúsculo sobre o arco-íris, publicado depois de sua morte. Mas o trabalho fundamental dos dois últimos anos de sua vida foi o" Tratado Político", no qual expõe sua teoria do Estado e projetos de constituições para os estados monárquicos e aristocráticos, e que não viveu para completar.

Depois que a Ética ficou conhecida, Spinoza foi procurado por muitas pessoas importantes. Destes, o mais notável foi Gottfried Wilhelm Leibniz, o qual era, como Spinoza, um dos mais destacados racionalistas da época. Ambos os filósofos haviam trocado exemplares de obras suas alguns anos antes ( vide acima) e por último Leibniz havia tentado em vão conseguir uma cópia manuscrita da Ética. Vindo de Paris, Leibniz visita a Spinoza em Haya em 1676. Na ocasião Leibniz, nascido em 1646, contava 29 anos. Falaram sobre as leis cartesianas do movimento, sobre uma nova forma da prova ontológica proposta por Leibniz, ocasião em que Spinoza lhe mostra o manuscrito de sua Ética e lê para o colega algumas partes. De acordo com Leibniz, nessa visita eles conversaram longamente muitas vezes. Outro ilustre visitante foi Ehrenfried Walter von Tschirnhaus (em 1675), um cientista e filósofo que se interessava especialmente pela teoria do método. Com Tschirnhaus trocou uma correspondência sobre questões filosóficas relativas ao conhecimento, com grande interesse por parte de Tschirnhaus que mais tarde publicaria uma Medicina do Espírito ou Psicologia. médica.

De declarações de quase todos os que o visitaram ou com ele conviveram se pode compor os traços gerais da personalidade de Spinoza. Leibniz diz da figura de Spinoza que ele tinha uma cor azeitonada, o que é comum aos povos do Mediterrâneo. Tinha traços típicos portugueses e espanhóis conforme a descrição de seu principal biógrafo, o citado Colerus, que o apresenta de mediana estatura, rosto moreno, cabelos negros e ondulados e sobrancelhas largas e negras.
Segundo os donos da casa onde alugou seus aposentos suas maneiras eram tranqüilas e reservadas; às crianças da casa ele aconselhava obediência aos pais, e que assistissem aos serviços religiosos. Estando em casa passava a maior parte do tempo recolhido ao seu trabalho, se bem que gostasse de conversar com o senhorio sobre variados assuntos enquanto se dava ao prazer de fumar um cachimbo. Sua simplicidade impedia que suas maneiras reservadas fossem tomadas por alguém como pretensão de superioridade. Vestia-se bem e disse do estereótipo dos filósofos: "Uma aparência suja e descuidada não nos transforma em sábios". Diz um seu biógrafo que no ambiente refinado do quartel general francês onde foi recebido, se admiraram da natural distinção de seu porte. O marechal francês Charles Saint Dénis, Senhor de Saint Evremont, hóspede do príncipe de Orange, Guilherme III, ateu e autor de memórias, logo que chega à Holanda, em 1665, visita a Spinoza em Voorburg e o descreve: "Spinoza era de mediana estatura e de fisionomia agradável. Seu saber, sua discrição e sua independência faziam que todas as pessoas inteligentes de Haia o apreciassem e buscassem seu convívio". Se diz geralmente que Spinoza não só ensinou sua filosofia, como também que ele próprio a seguiu. Viveu suas próprias máximas: "Dos prazeres fazer uso só do necessário para conservar a saúde. Adquirir dinheiro ou outros bens só na medida necessária para subsistir e conservar nossa saúde e para adaptar-se a uma vida social que não seja contraria a nossos fins". Aceita a alegria como um bem em si e rechaça a tristeza porque nos deprime. "Quanto maior é a alegria que nos invade, tanto maior é a perfeição que alcançamos".

Spinoza morreu inesperadamente em 21 de fevereiro de 1677. Havia chamado ao médico Jorge German Schuller, de seu círculo de amizades, um alemão nascido em Wesel em 1651 que exercia sua profissão em Amsterdã e era aficionado aos experimentos de alquimia. Schuller estava presente quando faleceu. Seu corpo foi sepultado na Nieuwe Kerk (Igreja Nova), no Spuy, a igreja da aristocracia cristã. Faleceu solteiro sem deixar herdeiros, e seus pertences foram leiloados. A lista de objetos foi conservada e inclui 160 títulos de livros.

Seguindo instruções do filósofo, vários amigos prepararam seus manuscritos secretamente para publicação e os enviaram a um editor em Amsterdã. A Opera Posthuma ( Ethica, Tractatus politicus, Tractatus de intellectus emendatione, Epistolae, Compendium Grammatices Linguae Hebrae e também suas cartas foram publicados antes do fim do ano de 1677. O seu "Sobre o arco-íris" e o seu "Sobre o cálculo das oportunidades" foram impressos juntos em 1687. O "Pequeno tratado sobre Deus, o homem e sua felicidade" somente foi conhecido quando publicado bem mais tarde, em 1852.

Teoria do Conhecimento. A filosofia de Spinoza é considerada uma evidente resposta ao dualismo da filosofia de Descartes (1596-1650) a qual, na opinião dele, fazia o mundo impossível de ser entendido. Era impossível explicar a relação entre Deus e o mundo, ou entre o espírito e o corpo, ou apresentar fatos devidos a uma vontade livre.

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Rubem Queiroz Cobra          
 

Aberta em 26/06/98
Última revisão 26/06/98

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Spinoza. COBRA.PAGES.nom.br, Internet, Brasília, 1998.
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