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SPINOZA

Vida, época, filosofia e obras de Baruch Spinoza - III

Página escrita por
Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

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Em 1661 Spinoza sentiu a necessidade de buscar um local de residência mais tranqüilo para melhor meditar as obras que preparava. Refugiou na tranqüila aldeia de Rijnsburg, que era o centro dos colegiantes, nas proximidades de Leyden. Em Rijinsburk, de 1661 a 1662, Spinoza dividiu a morada com o cirurgião Hermann Homam, e ali escreveu "Pequeno tratado sobre Deus, o homem e sua felicidade" e o seu Tractatus de Intellectus Emendatione ("Tratado sobre o melhoramento do Intelecto"). Ele também completou a maior parte da sua "versão geométrica" da obra de Descartes, Principia Philosophiae com o apêndice Cogitata Metaphysica ("Pensamentos metafísicos") e também a primeira parte de sua "Ética", a qual dividiu em cinco partes: A respeito de Deus; A natureza e origem do espírito humano; Natureza e origem das emoções; A escravidão humana, ou a Força das emoções; e Poder do conhecimento, ou Liberdade humana. Nessas obras Spinoza envereda pela contestação ao dualismo cartesiano, e utiliza notas que havia feito nos debates do círculo de Amsterdã. Em Rijnsburg foi visitado, no verão de 1661, pelo acadêmico anglo-alemão Heinrich Oldenburg, que logo seria um dos dois primeiros secretários da Royal Society em Londres. O ano de 1662 é provavelmente aquele em que Spinoza, completa o Tractatus de intellectus emendatione.

Período do Tratado Político. A partir de 1663 e até 1670 Spinoza viverá na pequena aldeia de Voorburg, nas imediações de Haia, e onde seus contactos políticos serão maiores. O mesmo grupo de amigos políticos de Amsterdã, os citados Conrado van Beuningen, Juam Hudde e Conrado Burgh, pode encontrar-se com ele mais facilmente, por virem freqüentemente tratar assuntos políticos em Haia, sede da Assembléia dos Estados Gerais que governava as províncias unidas do estado holandês. Porém trava relações com várias outras figuras importantes, membros da Assembléia, cuja proteção será importante para poder publicar suas obras. Aqui começa o conhecimento e amizade de Spinoza com o chefe do Estado Holandês, Johan de Witt. Consta que Spinoza não os procurava porém os recebia em sua casa onde políticos e pessoas eminentes iam visitá-lo.

Em Vooburg Spinoza alugou seus aposentos em casa do pintor Daniel Tydeman. Não gozou boa saúde no período em que lá residiu. Sofria febre freqüente, e tratava-se com sangrias e extratos de rosa, um antitérmico então em uso. Evitava sair conforme o tempo não estivesse favorável. Permanecer em casa provavelmente motivou-o a aprender desenho, possivelmente com o próprio pintor. Pelo menos dois biógrafos afirmam que tiveram em mãos um livro de desenhos de Spinoza, em que apareciam retratos de muitos homens eminentes seus amigos.

O "Princípios da filosofia" escrito por Spinoza em Rijnsburg apareceu em 1663 em língua latina, com o título Renati des Cartes Principiorum Philosophiae Pars I et II, com o apêndice Cogitata Metaphysica, e no ano seguinte vertido para o holandês pelo amigo Pedro Balling. Foi sua única obra assinada, publicada durante sua vida. Em parte o propósito desse trabalho era evidenciar que conhecia Descartes, o qual ele refutava nas obras que iria completar e publicar. Parece que em meados de 1665 ele estava próximo de completar sua "Ética". Durante os próximos anos, no entanto, ele prefere trabalhar no seu Tractatus Theologico-Politicus o qual, seguindo a mesma cautela então em voga entre os filósofos, ele fez publicar anonimamente em Amsterdã em 1670. Com certeza Spinoza considerava esse trabalho indispensável para desarmar os espíritos, a fim de lançar em seguida a sua Ética.

O "Tratado teológico-político" foi escrito para mostrar que não apenas a liberdade de filosofar era compatível com a piedade religiosa e com a paz do Estado, mas que tirar essa liberdade era destruir a paz pública e inclusive própria piedade. Ele argumenta também que a inspiração dos profetas do Velho Testamento compreendia apenas sua doutrina moral e que em matéria de mundo físico as crenças que tinham eram meramente aquelas próprias do seu tempo e não tinham importância filosófica. Completa liberdade para a especulação científica e metafísica era portanto consistente com tudo que é importante na Bíblia. Os milagres são explicados como eventos naturais mal interpretados e exagerados para maior efeito moral. Buscou demonstrar que a Bíblica, propriamente interpretada, não da nenhum apoio à intolerância religiosa ou para a interferência do clero nos assuntos civis e políticos.

À época em que Spinoza escreveu seu "Tratado", o destino político da Holanda estava em jogo. Parecia inevitável que, quando De Witt deixasse o poder, o príncipe de Orange trataria de ser soberano. Seria o fim da República colegiada e a volta da monarquia desejada pelo partido orangista. Spinoza se preocupa com a constituição do Estado, fosse ele monárquico ou aristocrático, "para que não sucumbisse à tirania e ficassem intactas a paz e a liberdade dos cidadãos", fazendo uma minuciosa exposição e crítica das constituições do tipo monárquico e aristocrático. Exige a participação do povo no Estado e a cooperação regular do povo com a aristocracia. Suas idéias tinham, portanto, enorme importância política, porque favoreciam aos partidários da república, então comandada por Johan de Witt, e contrariavam as pretensões de Guilherme III, príncipe da casa de Orange, de transformar as províncias unidas em uma monarquia, o que contava com o apoio dos calvinistas ortodoxos.

Em maio de 1670 Spinoza mudou-se para Haia, imediatamente depois da publicação do Tratado teológico-político. Vai morar no bairro mais tranqüilo da cidade, onde viviam então numerosos intelectuais e artistas., primeiro em casa de uma senhora viuva, van Velen, e depois, na primavera de 1671, em casa do pintor Hendrick van der Spyck, em Paviljoensgracht, onde ficou até sua morte.

Em Haia os calvinistas ortodoxos, dominantemente monarquistas ou do "partido orangista", levantaram denuncias contra o "Tratado", que em 1669 foi denunciado pelo Conselho da Igreja calvinista de Amsterdã como "um instrumento forjado no inferno por um judeu renegado e o demônio, e publicado com o conhecimento do Senhor De Witt". Para os contemporâneos era evidente que seu autor estava em íntima relação com a pessoa e a política do Chefe da Confederação das Províncias ou Estados Gerais. Suas relações eram muito próximas e conhecidas. Seu biógrafo e contemporâneo Lucas diz que De Witt ouvia a opinião de Spinoza sobre questões políticas importantes, discutia com ele questões de matemática, pois ele mesmo, De Witt, conquistou fama de matemático notável no estudo das seções cônicas e no cálculo de probabilidades, enquanto Spinoza, por sua vez, escreveu um opúsculo sobre o cálculo de probabilidades, motivo pelo qual manteve em correspondência com um tal Van der Meer. Os protestos contra o "Tratado" não alcançaram nenhum resultado enquanto Johan de Witt teve em suas manos o leme do Estado. A obra provocou grande interesse e teve cinco edições sucessivas nos cinco anos seguintes. Mesmo depois do assassinato De Witt em 1672 não se produziu nenhuma intervenção e o livro alcançou ainda duas edições mais devido ao extraordinário interesse que despertou em toda a Europa. Mas quando Guilherme III, para afirmar seu poder, se liga cada vez mais com a ortodoxia calvinista, tem fim a liberdade do "Tratado". Por um édito de 1674 a Assembléia dos Estados Gerais, agora chefiada pelo príncipe de Orange, o proíbe junto com outros livros considerados contrários à religião do Estado.

Ultimos anos.

Certamente Spinoza sentiu a morte do pintor Rembrandt (nascido em Leiden em 1606) ocorrida em Amsterdã, em 1669.
Em 1671 Leibniz, sabendo-o uma autoridade em ótica enviou para Spinoza o seu Notitia opticae promoteae;
Spinoza retribuiu a gentileza enviando-lhe uma cópia do Tractatus Theologico-Politicus que interessou profundamente o filósofo alemão.

Em 1672 os franceses invadiram as Províncias Unidas. Os holandeses abriram os diques do mar e conseguiram manter o inimigo a um dia de marcha de Amsterdã. Johan de Witt e seu irmão foram considerados responsáveis pela invasão e foram linchados por uma multidão em 20 de agosto. Guilherme de Orange foi feito Capitão-General das Províncias Unidas. O linchamento de De Witt levou Spinoza a planejar colocar cartazes denunciado a barbárie - um ato que poderia ter custado sua vida não tivesse ele sido à força impedido de executá-lo pelo senhorio da casa em que morava. Elaborou um cartaz taxando de bárbaros os responsáveis pelo assassinato e pretendia fixá-lo no lugar do crime. Mas seu senhorio van der Spyck fechou a porta impedindo-o de sair, de modo que teve de desistir de seu inútil e perigoso propósito.

No ano seguinte, l673, recebeu um convite da Universidade de Heidelberg. O nobre príncipe eleitor palatino Carlos Luís, que reconstruiu seu país sobre as ruínas da Guerra dos Trinta Anos, pretendendo superar os conflitos religiosos funda um Templo da Concórdia para o culto comum das três confissões cristãs. Spinoza, que em seu Tratado teológico-político expõe os dogmas de uma fé comum, devia parecer-lhe o homem mais indicado para ensinar filosofia em sua Universidade. Encarrega ao geólogo Luís Fabritius de escrever a Spinoza oferecendo-lhe a cátedra de professor titular de filosofia. Porém não fica claro para Spinoza se poderia gozar de completa liberdade de pensamento o que o faz recusar o convite.
A decisão de Spinoza foi sensata porque, de fato, a Universidade de Heidelberg foi fechada no ano seguinte, ao ser ocupada a cidade pelos franceses.

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Rubem Queiroz Cobra          

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada em
26/06/1998

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Spinoza. COBRA.PAGES.nom.br, Internet, Brasília, 1998.
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