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Vida, época, filosofia e obras de Leibniz - I

Página de Filosofia Moderna
escrita por Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br
)

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A época (1646-1716).

A época de Leibniz é principalmente a segunda metade do século XVII. A França é então o centro das artes e das ciências e, apesar de alemão, Leibniz escreverá a quase totalidade das suas obras em francês e latim. Sua vida inteira transcorreu no reinado de Luís XIV, o "Rei Sol". Este monarca, de imenso prestígio na Europa, nasceu em 1638 e sucedeu o pai, Luís XIII, em 1643. Até 1661 esteve sob a regência do Cardeal Mazarino. Rigoroso, patrono das artes e da indústria, Luís XIV impôs unidade à França e, com as guerras de 1667 e 1697, estendeu as fronteiras do reino para o leste às expensas de principados alemães de domínio dos Habsburgos e depois engajou a França numa coligação hostil para garantir o trono da Espanha para seu neto, falecendo em 1715.

Ao tempo do nascimento de Leibniz, os principados alemães viviam um pós-guerra de grande penúria. O Sacro Império Romano, do qual faziam parte, havia sido palco de sangrentas disputas no século que se seguiu à Reforma protestante, basicamente porque o imperador manteve-se católico, mas vários príncipes se fizeram protestantes. A mais grave consequência dessa contenda foi a Guerra dos Trinta anos (1618-48), que esfacelou o Império, embora o título de Sacro Império Romano tenha continuado em uso.

Os acontecimentos na Inglaterra influiriam igualmente no destino de Leibniz. O ano de seu nascimento foi também o ano em que terminou a guerra civil inglesa (1642-1646). Puritanos e presbiterianos escoceses, que haviam se aliado com o parlamento contrário ao Rei Carlos I, saem vitoriosos sob o comando de Oliver Cromwell, que proclamou a República. Carlos I, julgado e condenado pelo Parlamento, foi executado em 1649. Surge a obra prima de Thomas Hobbes, "O Leviatã" publicada em 1651. Cromowell dissolveu o Parlamento a que havia servido, proclamou-se Protetor da Inglaterra e governou com poderes absolutos até morrer em 1658.

Sem apoio dos reis da Europa, o herdeiro inglês filho de Carlos I nada pode fazer até a morte de Cromwell Então os ingleses, inclusive os generais do próprio exército de Cromowell, temendo a desintegração do país com a sua sucessão (um filho seu tentou governar a Inglaterra após a morte do pai), levam o Parlamento a convidar Carlos a retornar à Inglaterra em 1660. Governou como Carlos II de 1660 a 1685, dominado pelo Parlamento. Leibniz fará um trabalho importante para a continuação dessa linha sucessória.

Primeiros anos. O Barão Gottfried Wilhelm Leibniz, ou Leibnitz, nasceu em Leipzig, na Saxônia, Alemanha oriental, em 1 de julho de 1646 (21 de junho pelo calendário antigo), em uma família luterana piedosa e culta. Seu pai, Friedrich Leibniz era professor universitário de Ética (filosofia moral) em Leipzig e morreu em 1652. Sua primeira formação vem das leituras na biblioteca do pai (Platão, Aristóteles, Virgílio, São Tomás, etc.). Para ler esses autores aprendeu grego por si mesmo, e também latim lendo o historiador Titus Livius. Entrou para a Nicolai School em 1653.

Juventude. Leibniz estudou filosofia na Universidade de Leipzig de 1661 até 1666, com Jacob Thomasius, -- que deve ser o mesmo que, juntamente com Johannes Sauerbrei escreveu De foeminarum eruditione (1671) em defesa da mulher, -- e matemática com Johann Kühn um especialista em Euclides. Entrou, então, em contacto com textos dos cientistas, filósofos e matemáticos que haviam revolucionado a ciência e a filosofia: Bacon (1561-1626), Hobbes (1588-1679), Galileu (1564-1642) e Descartes (1596-1650). Leibniz sonhava reconciliar esses pensadores modernos com Aristóteles e os Escolásticos. Com certeza leu também Giordano Bruno (1548-1600) e Raimundo Lúlio (1235-1316) pois, enquanto estuda Lógica, ele concebe a idéia de um "alfabeto do pensamento humano" muito parecido com a "Arte Combinatória" daqueles autores, e que seria título também de uma de suas obras futuras. As combinações das letras do alfabeto que busca divisar expressariam o conhecimento, e a análise das palavras permitiria novas investigações.

Sua tese de bacharelado em Filosofia apareceu em maio de 1663: Disputatio metaphysica de principio individui ("Argumentação metafísica sobre o princípio individual"), em parte inspirada no nominalismo luterano (a teoria de que os universais não têm realidade e são apenas nomes) e enfatizando o valor existencial do indivíduo, que não se explica nem somente pela matéria nem somente pela forma, mas antes pelo seu ser total (entitate tota). Este sentido unitário é o primeiro germe da sua futura concepção das "mônadas", outra idéia sem dúvida derivada de sua leitura de Bruno. Durante o verão ele passa três meses na Universidade de Jena, onde conhece Erhard Weigel (1625-1699). Para o bacharelado em Direito, em fevereiro de 1664, Leibniz defende a tese Specimen quaestionum philosophicarum ex jure collectarum.

Completado o curso de Direito, Leibniz candidatou-se ao doutorado em Leis, mas foi recusado, devido a sua pouca idade. No mesmo ano, 1666, escreveu Dissertatio de Arte Combinatoria, no qual formulou um modelo que é o precursor teórico de computação moderna: todo raciocínio, toda descoberta, verbal ou não, é redutível a uma combinação ordenada de elementos tais como números, palavras, sons ou cores.

Em 1667 fez estudos de matemática em Jena. Preocupado em propor a união das religiões protestante e católica, Leibniz trabalhou então no Demonstrationes Catholicae. É de 1667 o seu Nova Methodus Discendae Docendaeque Jurisprudentine.

Na universidade em Altdorf - da cidade livre de Nürnberg (Cerca de 50 km a sudoeste de Leipzig) recebeu o título de doutor com a tese Disputatio Inauguralis de Casibus Perplexis in Jure (Sobre Casos Intrigantes), escrito em 1666, como também a oferta de uma cátedra que, no entanto, recusou. La conheceu em 1667 Johann Christian, o Barão de Boyneburg, ilustre estadista alemão da época, que o tomou ao seu serviço e o introduziu na corte do príncipe eleitor, o arcebispo de Mogúncia (Mainz, 20 a 30 Km a sudoeste de Frankfurt, na front. c/ a França), Johann Philipp von Schönborn, onde se ocupou de assuntos de direito e política.

Ainda em 1667 Leibniz escreveu Nova Methodus Discendae Docendaeque Jurisprudentine dedicado ao príncipe-eleitor, um trabalho no qual mostrava a necessidade de uma filosofia e uma aritmética do direito e uma tabela de correspondência jurídica. Criou assim um sistema lógico de catalogação que continha os princípios da informática. Por causa desse trabalho foi incumbido de fazer a revisão do "corpus juris latini" que era a consolidação do direito romano vigente então. Em 1670 Leibniz é conselheiro da Alta Corte de Justiça da Mogúncia.

Em 1670 escreveu “Marii Nizolii de Veris Principiis et vera ratione philosophandi” , composto por uma Dissertatio Praeliminaris (Disertação sobre o estilo filosófico de Nizolio) e a Epistola ad exquisitissimae doctrinae virum [Jacobum Thomasium] de Aristotele recentioribus reconciliabili. Nizzoli (Marius), lat. Nizzolius (1498-1576), fora professor na universidade de Parma, autor de Observationes in M. T. Ciceronem, de 1535. Ele combateu Aristóteles e o método e a escolástica na obra De veris Principiis, et vera ratione philosophandi contra pseudo-philosophos libri IV (Parme, 1553), e Leibniz comenta que ele, como muitos outros, atribuia a Aristóteles erros que eram dos escolásticos. Em 1670 inicia também os rascunhos para uma Scientia Generalis e a Characteristica relacionada à primeira.

Em 1671 ele publica sua Hypothesis physica nova, em duas partes, contendo suas reflexões sobre a difícil teoria do ponto, relacionada a problemas na ótica, espaço e movimento. Ele afirma que o movimento depende, como na teoria do astrônomo alemão Johannes Kepler, da ação de um espírito (Deus). Suas especulações de então levaram-no a situar a alma em um ponto - o que depois desenvolveria como idéia de "mônada" - e a desenvolver o princípio da razão suficiente (nada acontece sem uma razão).

Vida em Paris. Em 1672 o arcebispo príncipe-eleitor envia o jovem jurista em uma missão em Paris onde chega no fim de março. O objetivo da missão era convencer Luís XIV a conquistar o Egito, aniquilar a Turquia para evitar novas invasões da Europa, via Grécia, pelos infiéis. Uma vantagem, no entender do prelado, é que o projeto poderia unir a cristandade e Leibniz, com vistas a essa união, voltou a trabalhar no seu Demonstrationes Catholicae. Mas, como Luís XIV continuava uma ameaça para o Sacro Império, o projeto do arcebispo era também uma estratégia para desviar o poderio militar da França de uma ameaça à Alemanha. Para essa missão, Leibniz preparou um memorial para ser entregue a Luís XIV: De Expeditione Aegyptiaca Regi Franciae Proponenda Justa Dissertatio com uma sinópse Consilium Aegyptiacum.

Enquanto em Paris, Leibniz trava conhecimento com representantes proeminentes do Catolicismo, interessando-se pelas questões motivo de polêmica entre católicos e protestantes. Em setembro conhece a Antoine Arnauld (1612-1694), teólogo expoente do Jansenismo, - movimento católicos não ortodoxo que pretendia uma forma rigorista de moralidade, e cujos seguidores, considerados hereges pela Igreja Católica, negavam a liberdade de vontade e que Cristo houvesse morrido por todos os homens. Com ele discute sobre controvérsias religiosas, a possibilidade da união das igrejas, filosofia e matemática. Arnauld era conhecido pelos seus ataques aos jesuítas, e demitido da Sorbone em 1656, por heresia, refugiou-se na abadia de Port Royal des Champs e mais tarde, em 1682, em Bruxelas, Bélgica, onde escreveria suas idéias. Leibniz queria o apoio de Arnauld para a reunificação da Igreja cristã. Conhece também o matemático holandês Christian Huygens (1629-1695) que lhe mostrou seus estudos sobre a teoria das curvas. Sob a influência de Huygens dedica-se com afinco aos estudos matemáticos. Investigou as relações entre a soma e a diferença de seqüências finitas e infinitas de números. Lendo as aulas de geometria de Barrow 1630-1677), ele criou uma regra de transformação para calcular quadraturas, obtendo a famosa série infinita para /4:

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Rubem Queiroz Cobra            

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada em
18/05/97
Última revisão 11/09/2000

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Leibniz. Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2000. ("Geocities.com/cobra_pages" é "Mirror Site" de COBRA.PAGES)

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