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Vida, época, filosofia e obras de Leibniz - VII

Página de Filosofia Moderna
escrita por Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br
)

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VI. Deus. Porque há acordo entre as mônadas é necessário Deus como autor delas. A prova de que Deus existe é a harmonia preestabelecida. Segundo Leibniz, é preciso provar a possibilidade da existência de Deus, e só depois disto é que se pode assegurar a sua existência por meio da prova ontológica, pois Deus é o ens a se. A prova a priori consiste na afirmação de que, se Deus é possível, existe. E a essência divina é possível, diz Leibniz, porque, como não encerra nenhuma negação, não pode ter nenhuma contradição; portanto Deus existe. (Cf. Discours de métaphysique, 23 e Monadologie, 45).

A prova a posteriori é experimental. Ela consiste na afirmação: se o ens a se é impossível, também o são todos os entes ab alio; uma vez que estes existem unicamente por esse aliud que é, justamente, o ens a se; se não existe o ente necessário não ha entes possíveis portanto, nesse caso, não haveria nada. Pois bem: estes existem, uma vez que os vemos. Logo existe o ente a se.

As duas proposições acima enunciadas, reunidas, compõem a demonstração leibniziana da existência de Deus. Se o ente necessário é possível, existe; se não existe o ente necessário, não há nenhum ente possível. Este raciocínio funda-se na existência, conhecida a posteriori, dos entes possíveis e contingentes. A fórmula mínima do argumento seria esta: Há algo, logo há Deus.

Outra prova são as coisas contingentes: tudo que existe deve ter uma razão suficiente da sua existência; nenhuma coisa existente tem em si mesma tal razão; portanto existe Deus como razão suficiente de todo o universo.

Deus é a mônada perfeita, puro ato, nada contem de passivo. No cume da hierarquia das mônadas está Deus, que é acto puro. Ao contrário, a mônada criada não pode jamais libertar-se da passividade pois, ao contrário, seria ato puro como Deus. A absoluta perfeição na mônada criada permanece sempre um esforço, jamais é ato. Tal tendência vai ao infinito, pois a mônada não realiza jamais a sua completa perfeição. Em Deus desapareceria a distinção entre verdades de fato e verdades de razão, porque Deus conhece atualmente toda a série infinita de razões suficientes que fizeram que cada coisa seja aquilo que é.

VII. O bem e o mal. Sem dúvida o problema do mal preocupou muito a Leibniz, e me parece foi a questão mais criticada de sua doutrina, em conexão com a idéia do "melhor dos mundos possíveis" (em VIII). Dedicou ao assunto dois extensos trabalhos, o "Confissão do Filósofo", escrito em 1672, e o Théodicée, escrito em 1709. O mal, drgundo ele, manifesta-se de três modos: metafísico, físico e moral.

O mal metafísico é a imperfeição inerente à própria essência da criatura. Só Deus é perfeito. Falta alguma coisa ao homem para a perfeição, e o mal está nessa falta, pois o mal é a ausência do bem, na concepção neoplatônica e agostiniana. O mal metafísico nasce, portanto da impossibilidade de que o mundo seja completo e infinito como o seu criador. O mundo, como finito, é imperfeito para distinguir-se de Deus. O mal metafísico, sendo a imperfeição, ele é inevitável na criatura.

O mal físico tem a sua justificação para dar ocasião a valores mais altos (por exemplo, a adversidade dá ocasião a que exista a fortaleza de ânimo, o heroísmo, a abnegação); além disso, Leibniz crê que a vida, em suma, não é má, e que é maior o prazer que a dor.

O mal moral é simplesmente permitido por Deus, pois é condição para os outros bens maiores.

Um mal é, para Leibniz, a raiz do outro. O mal metafísico é a raiz do mal moral. O mal físico é entendido por Leibniz como conseqüência do mal moral, seja porque está vinculado à limitação original, seja porque é punição do pecado (moral).

Segundo Leibniz, o que se nos afigura como mal é conseqüência necessária do trabalho de Deus na construção do melhor mundo possível. O bem, na moral, não significa mais do que o triunfo sobre o mal e, consequentemente, para que haja o bem é necessário que haja o mal. O mal que existe no mundo é o mínimo necessário para que haja um máximo de bem.

No "Confissão do Filósofo" Leibniz diz que tudo no mundo é vontade de Deus, apesar de que sua vontade com respeito ao bem no mundo é decretatória e sua vontade com respeito ao mal é meramente permissiva . Leibniz coloca a questão se o mundo em que vivemos é realmente imperfeito, e concluiu que o mundo é imperfeito apenas diante de nossos olhos, mas que não o seria aos olhos de Deus.

VIII. Otimismo: O Mundo é o melhor possível. Para Leibniz, sendo Deus todo poderoso, infinitamente sábio e infinitamente bom, não poderia haver nenhuma coisa que o impedisse de criar o melhor mundo possível. Deus calcula vários mundos possíveis, e faz existir o melhor desses mundos. Entre tantos mundos possíveis (existentes em Deus como possibilidades) Deus dá existência a um só e a escolha advém à base do critério do melhor que é a razão suficiente do existir do nosso mundo.

Mas, em que consiste "o melhor"? O mundo seria bom apenas se cada parte dele, tomada isoladamente fosse boa? Ou o mundo seria bom apenas se todas as criaturas humanas fossem felizes nele? Isto não me parece bem compreendido pelos comentaristas da filosofia de Leibniz. Essencialmente, ele sustenta que Deus criou o mundo para compartilhar sua bondade com as criaturas da maneira mais perfeita possível e que é no seu todo, e não em suas partes consideradas separadamente, que o mundo deve ser avaliado.

Do ponto de vista metafísico o mundo seria melhor pela maximização das várias facetas de perfeição possíveis para o homem, a "maximização da essência".

Do ponto de vista físico e moral eliminar um mal pode piorar o conjunto, em lugar de melhorá-lo. Não se pode considerar isoladamente um fato. Não conhecemos os planos totais de Deus, já que seria necessário vê-los na totalidade dos seus desígnios. Ao produzir o mundo tal como ele é, Deus escolheu o menor dos males, de tal forma que o mundo comporta o máximo de bem e o mínimo de mal. Segundo alguns comentaristas, Leibniz também parece sugerir um critério algo matemático para avaliação da bondade do mundo.

Para Leibniz a vontade do Criador submete-se ao seu entendimento; Deus não pode romper Sua própria lógica e agir sem razões, pois estas constituem Sua natureza imutável. Conseqüentemente o mundo criado por Deus estaria impregnado de racionalidade, cumprindo objetivos propostos pela mente divina.

A bondade do mundo é medida pela relação entre a variedade de fenômenos que o mundo contem e a simplicidade das leis que o governam. O título da seção 5 do Discourse on Metaphysics , é "Em que consistem as leis da perfeição da conduta divina e que a simplicidade dos meios está em equilíbrio com a riqueza dos efeitos". Deus não olhou apenas a felicidade das criaturas inteligentes mas a perfeição do conjunto

O título da seção 36 do Discourse on Metaphysics é "Deus é o monarca da mais perfeita república, composta por todos os espíritos, e a felicidade dessa Cidade de Deus é seu principal propósito"

Como Deus é onipotente e bom, podemos assegurar que o mundo é o melhor dos mundos possíveis; isto é, é aquele que contém o máximo de bem com um mínimo de mal que é condição para o bem do conjunto. Assim, o mundo em que vivemos é o melhor mundo possível.

Santidade de Deus. Se o mundo, como o concebe Leibniz, é rigorosamente racional e o melhor dos mundos possíveis, então como explicar a presença do mal? A resposta de Leibniz é que existe uma razão suficiente para que seja do modo que é: Deus escolheu que as coisas fossem do modo que são, e por ser uma escolha de Deus, com certeza é o melhor dos mundos possíveis. Os ateus contra-argumentam que o mundo em que vivemos, cheio de misérias e imperfeições, não pode ser um mundo melhor possível, uma vez que são concebíveis mundos que seriam infinitamente melhores. O mundo em que vivemos não permite acreditar que exista um Deus infinitamente sábio e poderoso, e como sem esses predicados não seria verdadeiro Deus, então Deus não existe. Desde que Deus e o mal são incompatíveis, e o mal claramente existe, então não existe Deus. Ou então, como pode um ser infinitamente sábio, poderoso e bom, permitir que o mal exista? A Teodicéia trata dessa explicação, ou seja da justificação ou o porquê Deus permite o mal no mundo. Este problema é discutido por Leibniz em sua Théodicée e em muitas de suas cartas.

Os hereges Socinianos ficaram a meio caminho desse argumento, admitindo que o Criador existe, porém não é um Deus como pretendiam os cristãos. Os Socinianos sustentavam que Deus não é infinitamente sábio e que lhe falta pelo menos o conhecimento do futuro. Em termos contemporâneos, isto significaria que Deus age por tentativa e erro.

A questão fundamental é como poderia Deus continuar Santo a despeito de haver criado um mundo como o nosso, e também como poderia continuar Santo apesar de conservar a existência deste mundo e cooperar em todos os eventos que ocorrem nele. Em resumo, Deus não seria suficientemente perfeito para fazer o bem sem necessidade de causar algum mal, pois só a imperfeição de Deus faria o mal inevitável para que Ele pudesse cumprir seu dever de fazer o bem.

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Rubem Queiroz Cobra            

R.Q.Cobra
 Doutor em Geologia
 e bacharel em Filosofia.
 Lançada em
18/05/97
Última revisão 11/09/2000

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Leibniz. Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2000.
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