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Vida, época, filosofia e obras de Leibniz - V

Página de Filosofia Moderna
escrita por Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br
)

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Pontos fundamentais de sua filosofia. O trabalho filosófico de Leibniz, feito em meio a uma variedade de outras tarefas, não poderia ser sistemático: a sistematização de seu pensamento, que permitiu que se tornasse conhecido no Iluminismo alemão, deveu-se a seu seguidor, Christian Wolff (1679-1754), que difundiu sua doutrina.

O propósito de Leibniz foi criar uma doutrina compatível com os postulados de todas as correntes filosóficas, desde os modernos como Francis Bacon, Thomas Hobbes, e René Descartes, até aos aristotélicos e escolásticos. Para isso, além de formular novas idéias, busca aclarar questões confusas e enganos nos sistemas filosóficos, - principalmente na filosofia de Descartes, - reconciliando-os pela união de seus pontos comuns, descendo a detalhes para descobrir concordâncias de idéias ou remover contradições. Os principais tópicos da filosofia de Leibniz inclueam a doutrina das mônadas (o universo é constituído de unidades espirituais e materiais indivisíveis e incomunicáveis entre si), a doutrina da harmonia preestabelecida (Deus preestabeleceu o caminho das mônadas de modo a concorrerem independentemente para um mesmo fenômeno) e o otimismo (Deus criou o melhor dos mundos possíveis).

Uma só linguagem. Filósofo e matemático, Leibniz é conhecido tanto pelo seu pensamento inovador sobre a natureza do universo, quanto por haver criado, simultaneamente com o físico e matemático inglês Isaac Newton, o cálculo infinitesimal ou de limites de funções, que é base para o cálculo diferencial ou cálculo de derivadas de funções. No entanto, a julgar pela ordem de sua produção intelectual, a arte combinatória foi sua primeira preocupação. Esta é a famosa Ars magna combinatoria que seduziu filósofos desde Raimundo Lúlio (c.1235-1316) e de Giordano Bruno (1548 - 1600); de Bruno Leibniz aproveitou também a expressão e o conceito de mônada, como acima comentado. O que há de sedutor nessa idéia é a promessa de que, uma vez que o pensamento é uma combinação de palavras, se forem montadas todas as possíveis combinações de todas as palavras se chegará ao conhecimento de todas as idéias, verdades e descobertas possíveis.

Leibniz considera que certas formas de pensamento são básicas, pois de suas combinações resultam todas as idéias ("Sobre a Ciência Universal: Característica"). Desta concepção Leibniz mais tarde procurou desenvolver o que ele chamou uma "linguagem característica universal" (lingua characteristica universalis). Atribuiu símbolos a esses conceitos mais básicos de que os demais conceitos eram compostos, símbolos que puderiam ser compreendidos por todos, independentemente de qualquer língua falada, na tentativa de criar um sistema simbólico formal, uma álgebra ou cálculo do pensamento. Mediante a combinação dos símbolos segundo regras lógicas para o seu emprego as controvérsias seriam acertadas por meio de cálculos. A totalidade desses símbolos teriam uso universal como uma lingua ideal na qual os conceitos seriam perfeitamente representados e sua composição perfeitamente transparente. Ele estava impressionado com os caracteres figurativos da lingua chinesa e egípcia e certamente também pelas idéias de Spinoza, que havia tentado dar tratamento "geométrico" à Ética.

II. Computação. Por sua vez a lógica simbólica de Leibniz resultou de seu interesse pela arte combinatória. A "arte combinatória" é o germe da idéia da computação. Leibniz pensou que os seus símbolos poderiam ser operados por máquinas, mecanicamente, ou com a utilização de logarítimos, de modo que não estariam sujeitas ao erro humano. Essa idéia seria uma antevisão dos computadores construídos no século XX. Ainda em seus primeiros estudos cita Hobbes dizendo "Thomas Hobbes, em tudo um profundo investigador de princípios, corretamente afirma que tudo que nosso espírito faz é uma computação" (On the Art of Combinations (1666); G IV, 64 (P, 3)). A lógica simbólica que Leibniz criou em 1680 é semelhante à desenvolvida por George Boole em 1847 - não se sabe se Boole inspirou-se em Leibniz, porque os escritos deste somente em 1903 seriam divulgados. Matemático inglês (1815-1864) autodidata, Boole foi colaborador do Cambridge Mathematical Journal e do Philosophical Transactions da Royal Society, e autor de "Leis do Pensamento" (Laws of Thought-1854) e "Tratado das Equações Diferenciais" (Treatise on Differential Equations-1859). Ajudou a estabelecer a lógica simbólica moderna e pretendia que a lógica fosse parte da matemática e não da filosofia. Sua álgebra da lógica, hoje chamada algebra boleana, é fundamental no projeto dos circuitos de computadores.

III. Substância ou mônada. Para Leibniz, para que uma coisa seja realmente um ser - uma substância - ela precisa ser verdadeiramente única, precisa ser uma entidade dotada de genuína unidade. Unidade substancial requer uma entidade indivisível e naturalmente indestrutível.

Ora, a matéria, como nós a percebemos, é extensa e infinitamente divisível, logo não pode ser a verdadeira substância. O ser verdadeiro deve possuir unidade, e como os corpos são extensos e divisíveis, eles não representam essa unidade. Então Leribniz cria as mônadas. A unidade está nas mônadas que são pontuais e indivisíveis, e assim respondem pela realidade das coisas, e unidas constituem a matéria extensa e divisível que conhecemos nos corpos.

A palavra "Monada" vem do Grego monas "unidade". O termo foi usado primeiro pelos pitagóricos como o nome do número inicial de uma série de números. Giordano Bruno empregou o termo com sentido de "substância real", emprego que ele teria copiado de Plotino e passado a Leibniz, que certamente leu os seus escritos.

Mas, de que são feitas as mônadas? De dois elementos: um elemento material e um elemento espiritual e dinâmico, que formam sua natureza mesma, são inseparáveis, e variam quantitativamente, isto é, cada mônada tem uma relação de quantidade diferente entre o que possuem de material e de espiritual, dependendo de qual corpo constituem, se um corpo bruto de uma pedra ou o corpo de um ser vivente.

Todas as mônadas são eternas, imortais. Porém, toda mônada conserva sempre certo grau de passividade, sua imperfeição, da qual a mônada criada não pode jamais libertar-se. A matéria prima (concebida em abstrato pois não existe sem a matéria segunda, a forma) é a matéria em si mesma, de todo passiva, sem nenhum princípio de movimento. A matéria segunda ou vestida é aquela que tem em si um princípio de movimento, que é o princípio vital nos seres mais avançados. Assim, à matéria prima, de todo passiva, dotada apenas de extensão (como queria Descartes), Leibniz contrapõe a matéria segunda, espiritual, dotada de ação. O elemento material na mônada corresponde à passividade da materia prima, e o elemento imaterial corresponde à atividade da forma da substância; matéria e forma, como em Aristóteles, e mesmo como em Platão, pois cada mônada resulta de uma matéria prima ou princípio passivo, que é a sua imperfeição, e de um elemento ativo, uma alma, que busca a perfeição.

Frente a Spinoza e Descartes. Assim como de certo modo se aproxima de Aristóteles e mesmo de Platão, Leibniz também se aproxima, com simpatia, de Spinoza, porém contesta veementemente a Descartes.

Em sua visita feita a Spinoza em Amsterdã, Leibniz com certeza ouviu atentamente do filósofo judeu a sua idéia de substância. Spinoza julgava impossível existirem duas substâncias com os mesmos atributos. Ora, como Deus tem todos os atributos, então não sobrava possibilidade de existir qualquer outra substância senão Deus mesmo. Qualquer outra substância teria algum atributo que já estava em Deus, logo haveria de confundir-se com Deus. Portando, tudo é Deus, o universo e toda a natureza, material e espiritual, são faces de uma substância única que é Deus. Leibniz parece concordar que, de fato, substâncias com os mesmos atributos se confundiriam, na verdade seriam uma substância só. Daí Leibniz tira seu princípio dos "indicerníveis", concordando com Spinoza. Porém, não pensa igual com o filósofo judeu com respeito à necessidade de que haja um ser único. Existem vários seres. Ora, toda substância é mônada, todos os corpos são feitos de mônadas, e estas são unidades rigorosamente indivisíveis e, portanto, inextensas, porque a extensão é sempre divisível. Estas mônadas simples não podem deteriorar-se, nem serem dissolvidas, e também não derivam de qualquer composição. Constituem a verdadeira substância, porém variam em si mesmas, no seu grau de espiritualidade, e assim podem constituir substâncias diversas de Deus e próprias de cada coisa.

Aproximando-se conciliadoramente da idéia de Spinoza, ele propõe que o mundo consiste somente de um tipo de substância, porém existe uma variedade infinita de substâncias desse tipo. A dualidade interna das mônadas, em parte materiais e em parte espirituais, faz com que participem ao mesmo tempo de um mundo espiritual e de um mundo físico, o que é parecido com a idéia de que o material e o espiritual são "as duas faces de uma mesma substância", como pretendia Spinoza.

Leibniz faz, no entanto, o contrário de Spinoza: enquanto este reduz a substancialidade a um ente único, um único verdadeiro ser que é a Natureza ou Deus, ele restitui à substancia aquele caráter de coisa individual que teve desde Aristóteles. A substância, dizia Aristóteles, é o que é próprio de cada coisa (no pensamento de Leibniz, um tipo de mônada é próprio de cada coisa). A substância ou natureza torna a ser o princípio do movimento nas próprias coisas, como em Aristóteles.

A Descartes, Leibniz contesta sob dois aspectos. Diz que os cartesianos erraram em supor duas substâncias isoladas, a substância estensa e a substância espiritual, e erraram também por reduzirem a matéria simplesmente à extensão. Quanto ao primeiro aspecto, nas mônadas, que são a única substância, coexistem as duas naturezas, a material e a espiritual, de modo que tudo contem seu grau de materialidade e espiritualidade, sem que isto represente uma dualidade radical, como pretendia Descartes. Quanto ao segundo, Descartes não se ocupa da força, mas apenas do movimento, mera mudança de posição de um móvel em relação às coordenadas. A noção de substância sempre foi essencialmente de coisa inerte que não explica a resistência que a matéria oferece ao movimento. Esta resistência é uma "força"..

Leibniz muda essa física estática e geométrica; apresenta a idéia nova de que a substancia é essencialmente coisa ativa, ser é atuar, agir. O movimento visível não é simples movimento local observado, ele deve ser o resultado de uma força; é produzido por uma força viva, que está na mônada. Era uma formulação na qual, ao contrário da concepção da Mecânica cartesiana, o movimento não é criado por uma energia cinética, mas conservado como parte da mônada A chamada matéria, na sua essência, é força. A ideia de uma natureza estática e inerte é substituída por uma idéia dinâmica; em contraste com uma física da extensão ele retoma o pensamento grego de que a natureza é princípio de movimento. Ao contrário de Descartes, explica os seres como forças vivas, não como máquinas. Leibniz tornou-se, assim, em 1676, o fundador de uma nova formulação teórica conhecida como Dinâmica, que substitui a energia cinética pela conservação do movimento.

Assim como rejeita a posição dualista cartesiana da independência entre uma substância material e outra espiritual, Leibniz rejeita igualmente a posição monista materialista de que o pensamento e a consciência estão no campo puramente material e mecânico. No seu Hypothesis Physica Nova (1671), ele diz que o movimento depende, como havia sustentado o astrônomo alemão Johannes Kepler, da ação do espírito (Deus. Além do princípio de que as mônadas compõe todas as coisas do mundo exterior, existe a experiência interior, a experiência de consciência, a qual não pode ser explicada por números ou movimento.

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Rubem Queiroz Cobra            

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
 Lançada em
18/05/97
Última revisão 11/09/2000

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Leibniz. Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2000.
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