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Vida, época, filosofia e obras de Leibniz - IV

Página de Filosofia Moderna
escrita por Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br
)

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No início do novo século a fama de filósofo e cientista de Leibniz já havia se espalhado pela Europa; mantinha correspondência com os mais importantes eruditos europeus de então. Em 1700 mais uma vez pôs-se a trabalhar arduamente pela união das igrejas: em Berlim tratava-se de unir luteranos e calvinistas; em Paris havia que vencer a oposição do bispo Bossuet; em Viena, para onde retorna naquele ano, consegue o apoio do Imperador, o que tinha grande peso, e na Inglaterra são os anglicanos que precisavam ser convencidos.

A guerra da sucessão espanhola começou em março de 1701 e só terminou realmente em 1714, com o tratado de Baden. Conhecido em toda a Europa, Leibniz e se posiciona, como patriota, contra Luís XIV, que a havia fomentado. Porém, a partir de então publicou pouca coisa porque estava ocupado escrevendo o Théodicée, que seria publicado em 1710. Foi eleito membro estrangeiro da Academia de Ciências de Paris em 1700 ainda nesse mesmo ano, com a ajuda da jovem princesa eleitora Sofia Carlota, que logo seria a primeira rainha da Prússia (janeiro de 1701), ele convenceu Frederick III da Prussia a criar a Sociedade de Ciências de Brandenburg, que veio a ser depois a Academia de Ciências de Berlim (Capital da Prússia, correspondente ao norte da Alemanha atual e parte do norte da Polônia) em julho de 1700. Foi ele próprio indicado presidente vitalício. Os projetos de criação de Academias alemãs se sucederam com rapidez. A Academia de Berlim, no entanto não teve suporte financeiro senão tempos depois, quando Frederico II, o Grande, tornou-se rei da Prússia em 1740.

Novo estudo histórico. Na Inglaterra, Jaime II (1685-88), irmão e sucessor de Carlos II, havia tentado sufocar a igreja anglicana. O Parlamento reagiu e o depôs, e chamou Maria Stuart, sua filha protestante (Maria II da Inglaterra 1689-94), que reinou conjuntamente com seu marido Guilherme de Orange, da Holanda (Guilherme III da Inglaterra, duque de Gloucester). Jaime II fugiu para a França. Com a morte de Guilherme III em 1700, George Luís, por ser um bisneto de James I, é um possível herdeiro do trono. Cabe a Leibniz, jurista e historiador, desenvolver os argumentos com respeito aos direitos da Casa de Braunschweig-Lüneburg ao trono inglês.

A nova atividade deu a Leibniz oportunidade para comunicar-se com muitos intelectuais ingleses importantes, como o deísta John Toland, que vem acompanhando o embaixador da Inglaterra enviado a Hanôver em 1702; Gilbert Burneti bispo de Salisbury, chefe da Igreja Anglicana; o poeta e ensaísta Joseph Addison, e Lady Darnaris Masham em cuja casa o empirista John Locke viria a falecer em 1704. Em 1702 escreveu Considérations sur la doctrine d'un esprit universel unique. e em 1703 Manifeste contenant les droits de Charles III, roi d'Espagne, et les justes motifs de son expédition.

Leibniz continuou a publicar os resultados sobre o novo cálculo na Acta Eruditorum e começou a desenvolver suas idéias em extensa correspondência trocada com outros eruditos. Aos poucos ele estimulou um grupo de pesquisadores a divulgar os seus métodos incluindo os irmãos Johann e Jakob Bernoulli, em Basel, e o padre Pierre Varignon e Guillaume-François-Antoine de L'Hospital, em Paris.

Em 1705 Leibniz completou seu Nouveaux essays sur l'entendement humain, cujas notas vinha compilando desde 1696, mas, porque essa obra era uma resposta ao Essay Concerning Human Understanding de Locke, com a morte do filósofo inglês em 1704 Leibniz deixa de publicá-la, e só veio a lume após sua morte, publicada em Oeuvres philosophiques latines et françaises de feu M. de Leibnitz, por R. E. Raspe, em 1765.

É de 1707 a edição de Scriptores rerum Brunsvicensium, 3 vol., e de 1709 o Dissertatio de Numis Gratiani.

Em 1710 Essays de Théodicée sur la bonté de Dieu, la liberté de l'homme et l'origine du mal é publicado anonimamente em Amsterdam. O Théodicée, um tratado de filosofia teológica ou teologia natural escrito em 1709, sete anos antes de sua morte, refutava os enciclopedistas em geral, particularmente a Pierre Bayle, que afirmavam serem incompatíveis a fé e a razão. Nele trata da questão de Deus, do mal e expõe seu otimismo. Nesta obra ele lança suas idéias sobre a justiça divina: o mal metafísico é inevitável porque ele não é nada senão a natureza finita própria da criatura; cada criatura é autônoma e, se está munida com a razão, é livre. Cada uma é definida pelo seu lugar independente na criação e por tudo que foi destinada experimentar de acordo com sua própria natureza, sem o menor obstáculo por parte dos demais, com os quais está sintonizado em uma harmonia universal; O mal, físico ou moral, não é de modo algum positivo: é uma falta que, como a dissonância na música, aumenta a beleza do conjunto. Finalmente ele sustentou que Deus, ao criar o mundo, escolheu fazer o melhor de todos os mundos possíveis. São ainda de 1710 Bericht über die Reunionssache an Clemens XI, a edição de Miscellanea Berolinensia ad incrementum Scientiarum e Causa Dei Asserta per Justitiam Ejus, cum Caeteris Ejus Perfectionibus Cunctisque Actionibus Conciliatam

Últimos anos. Leibniz estava impressionado com as qualidade do Czar russo, Pedro o Grande, e viaja à Rússia levando um plano de organização civil e moral. Foi recebido a primeira vez pelo Czar em outubro de 1711. e depois novamente em 1712, quando sugeriu a criação de uma sociedade científica em São Petersburgo.

Uma guerra entre matemáticos leibnizianos e newtonianos a respeito da precedência na invenção do cálculo diferencial, e a acusação de que Leibniz havia visto os originais de Newton, levou o filósofo a escrever em 1713 Historia et origo calculi differentialis defendendo-se da acusação de plágio.

Após a visita ao Czar Leibniz ficou em Viena até o outono de 1714, ocasião em que o Imperador nomeou-o Reichhofrat (conselheiro do império) e lhe deu o título de Freiherr (Barão). Retornando a Hanôver, incompatibilizado com o novo príncipe, mal educado e desagradável, Leibniz viveu virtualmente sob prisão domiciliar, e se pôs novamente a trabalhar no Annales Imperii Occidentis Brunsvicenses (Anais braunsvicenses do Império Ocidental). Ainda nessa época (1714) escreveu Principes de la nature e de la Grace fondés en raison cujo objeto é a harmonia pre-estabelecida entre essas duas ordens, e Principia philosophiae, More Geametrico Demanstrata geralmente conhecido por "Monadologia" ou La Monadolagie, onde sintetiza a filosofia da "Teodicéia", ambos impressos após a sua morte: o primeiro no "Europe savante" de 1718 e o outro no "Acta eruditorum", em 1721.

O trabalho de Leibniz fundamentando os direitos de George Luís à sucessão inglesa revelaram-se de grande importância histórica e política. A revolução contra Jaime II havia posteriormente ensejado Act of Settlement, de 1701, que visava garantir que o trono inglês fosse ocupado por um rei protestante, oposto assim à linha católica do rei deposto. Isto colocou George Luís como terceiro sucessor, após a princesa Anne, que havia reinado de 1702-14, e sua mãe Sofia. Quando esta morreu em 1714, ele tornou-se o herdeiro do trono inglês e foi coroado como George I. Esse homem, que fora um problema para Leibniz, também o seria para o povo inglês. Não aprovavam a punição que dera à sua mulher e reprovavam ter ele duas ambiciosas amantes alemãs. Como não fosse capaz de falar inglês, tentava comunicar-se em francês e logo desistiu de participar das reuniões de gabinete. Ele e as amantes foram suspeitos de desvio de fundos da "Companhia dos Mares do Sul" e porque os ministros Walpole e Townshend conseguiram contornar o problema perante o Parlamento, George deu-lhes amplos poderes no governo. Morreu de um infarto durante uma viagem a Hanôver. Teve por sucessor seu filho, coroado George II, e teve uma filha, Sophia Dorothea (1687-1757), mulher do Rei Frederico William I da Prussia e mãe de Frederico o Grande.

Ainda de 1714 é Remarques sur le discours de Mr. H. S.... touchant la manière de gouverner les horloges à pendule et les montres à spirale. De 1715 são De Origine Francorum Disquisitio, Dissertatio de Variis Linguis e Entretien de Philarète et d'Ariste.

Em 1715 Leibniz ocupou-se também de com extensa e um tanto áspera correspondência com Samuel Clarke, um associado próximo de Newton, sobre os conceitos de espaço e tempo. Em Bad-Pyrmont ele encontrou Pedro o Grande pela última vez em junho de 1716. A partir de então ele sofria muito de gota e ficou confinado ao leito. Faleceu em Hanôver em 14 de novembro de 1716, relativamente esquecido e isolado dos assuntos públicos. 

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Rubem Queiroz Cobra            

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada em
18/05/97
Última revisão 11/09/2000

Direitos reservados. Para citar este texto:
Cobra, Rubem Q. - Leibniz. Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2000.
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