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Vida, época, filosofia e obras de Leibniz - II

Página de Filosofia Moderna
escrita por Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br
)

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Por essa ocasião Leibniz perde sucessivamente os seus protetores. Morreu o Barão de Boyneburg em fins de 1672 e o arcebispo eleitor de Mainz no início de 1673. Ele estava, no entanto, livre para continuar seus estudos científicos. Em Paris seu círculo de amigos estava crescendo constantemente. Arnauld o apresenta a muitos jansenistas importantes, entre eles a Étiene Périer, sobrinho do matemático, cientista e escritor francês Blaise Pascal, (1623-1662) que confiou a Leibniz trabalhos não publicados de seu tio. Buscando meios de manter-se, pratica advocacia e constroi uma máquina de calcular, um aperfeiçoamento de uma máquina desenvolvida anteriormente por Pascal, e indo à Inglaterra de janeiro a março de 1673, apresentou-a à Royal Society. Em Londres travou conhecimento com os mais avançados matemáticos, cientistas e teólogos ingleses da época. incluindo o químico Robert Boyle (1627-1691), John Collins (1625-1683), um amigo do físico Sir Isaac Newton (1643-1727) e tanbém John Pell (1610-1685) matemático e diplomata habituado a divulgar por correspondência as novidades matemáticas entre os grandes matemáticos da época e que foi professor de matemática em Amsterdam e Breda e em 1661 se radicou em Londres onde faleceu.

Novamente em Paris, outro importante personagem em seu círculo de relacionamento e debates filosóficos e científicos foi o geómetra e filósofo cartesiano, Nicolas Malebranche (1638-1715), além do matemático alemão Walter von Tschirnhaus (?-1708), que fora amigo de Espinosa (1632-1677). Este, penso que foi quem despertou nele interesse em conhecer aquele filósofo judeu.

Em 1674 escreveu Politische Betrachtung über gegenwaertigen Krieges-Zustand, swischen Frankreich und Ober- und Nieder Teutsch-Land.

Em fins de 1675 Leibniz lançou os fundamentos tanto do calculo integral quanto do cálculo diferencial. Estas descobertas o levaram, no campo da filosofia, a deixar de considerar o tempo e o espaço como substâncias ou coisas que pudessem ser estudadas em si mesmas, por conterem algo metafísico. Criticou então a formulação cartesiana do movimento, que constituia a Mecânica, substituindo-a pela noção de Dinâmica, em que o movimento não é criado por uma energia cinética, mas conservado (a força metafísica que existe nas mônadas). A permanência em Paris prolonga-se até 1676.

Retorno à Alemanha. Ainda sem renda garantida para sua sobrevivência, Leibniz é obrigado, em 1676, a aceitar um emprego na Alemanha, e deixa Paris em outubro, contra sua vontade, viajando primeiro para a Inglaterra e a Holanda. Em Londres esteve novamente com John Collins (vide nota), que lhe permitiu ver alguns trabalhos não publicados de James Gregory (1638-1675), matemático escocês, e também de Newton (vide nota). Na Holanda, em novembro, ele encontra o naturalista Jan Swammerdam (1637-1680) e o cientista Antonie von Leeuwenhoek (1632-1723) em Delft. Em Haia, teve longas conversas com o filósofo racionalista judeu Baruch (Benedicto) de Espinosa (vide página), que havia sido excomungado em 1656 pelas autoridades judaicas devido à sua explicação não tradicional da bíblia, e com quem discute problemas metafísicos. Espinosa foi visitado pelos maiores pensadores e cientistas de seu tempo, mas um ano depois desse encontro com Leibniz haveria de recolher-se ao campo para escrever sua "Ética" e outros livros, inclusive o"Tratado Político", advogando liberdade de filosofia em nome da piedade e da paz pública.

Retornando à Alemanha, Leibniz assume o emprego que havia aceito em Hanôver, onde chega em meados de dezembro de 1676. Trabalha para João Frederico, que se convertera do Luteranismo para o Catolicismo em 1651, e havia se tornado duque de Hanôver em 1665 (Duque de Braunschweig-Lüneburg, incluindo os Ducados de Zelle (ou Celle) e Hanôver, Noroeste da Alemanha, antiga Prússia ocidental) e com quem havia trocado correspondência quando em Paris.

A conversão do duque, príncipe de uma maioria protestante era uma questão política importante face às acerbas divergências religiosas da época e Leibniz encontrou assim a oportunidade para trabalhar pela causa da reconciliação entre Católicos e Protestantes. Em Paris ele havia conhecido proeminentes sacerdotes jesuítas e oratorianos da Igreja Católica e logo inicia debates sobre a união das igrejas, primeiro com o Bispo Cristóbal Rojas de Espínola, de Wiener-Neustadt, enviado do Imperador, e, através de correspondência, a partir do início de 1679, com o bispo católico francês, renomado orador e filósofo, Jacques Benigne Bossuet (1627-1704).

Com a aprovação do Duque, do Vigário Apostólico (representante do Papa) e do próprio Papa Inocêncio XI, o projeto de reconciliação foi iniciado em Hanover, no sentido de encontrar bases de acordo entre Protestantes e Católicos. Leibniz pouco depois assumiu o lugar de Molanus, presidente do Consistório Hanoveriano, como representante das pretensões dos Protestantes. Ele inclinava-se pela fórmula de um Cristianismo sincrético que havia sido proposta primeiro na Universidade de Helmstadt, a qual adotava por credo uma fórmula eclética reunindo os dogmas supostamente sustentados pela Igreja primitiva. Leibniz escreveu um documento intitulado Systema Theologicum, que, segundo afirmou, teve a aprovação não somente do Bispo Spinola, que defendia os católicos no projeto, como também do Papa, de cardeais, do Geral dos Jesuítas, e outros.

Em 1677 escreveu De Jure Suprematus ac Legationis Principum Germaniae, publicado com o pseudonimo Caesarinus Fuerstenerius. Em 1678 escreveu Entretien de Philarète et d'Eugène sur la question du temps, agitée à Nimwègue, touchant le droit d'ambassade des électeurs et princes de l'Empire.

Além de encarregado da Biblioteca e do Arquivo do Ducado, Leibniz veio a ser, a partir de 1678, também conselheiro do Duque e por depender de seu emprego para sobreviver, propõe e desenvolve uma multitude de tarefas e projetos, incluindo a melhoria da educação com fundação de academias, a inspecção dos conventos e desenvolve inúmeras pesquisas sobre prensas hidráulicas, moinhos de vento, lâmpadas, submarinos, relógios, idealiza um modo de melhorar as carruagens e uma larga variedade de equipamentos mecânicos, e faz experiências com o elemento fósforo recém descoberto pelo alquimista alemão Henning Brand (?-1669-?). Desenvolveu também uma bomba d'água acionada por moinhos de vento, que melhoraram a exploração das minas próximas, nas quais freqüentemente trabalhou como engenheiro entre 1680 e 1685. Leibniz é considerado um dos criadores da Geologia, devido a suas observações, inclusive a hipótese de ter sido a terra primeiro líquida, idéia que apresenta no seu Protogeae, que somente foi publicado após sua morte, em 1749. Conhece na ocasião a Nicolaus Steno (1638-1686), um prelado que era um cientista entendido em geologia. Em 1669 escreveu Confessio Naturae Contra Atheistas, Defensio Trinitatis per Nova Reperta Logîca e Specimen Demonstrationum Politicarum pro Eligendo Rege Polonarum.

Tantas ocupações não interromperam seu trabalho em matemática. Em 1679 aperfeiçoou o sistema de numeração binário, base da moderna computação, e ao fim do mesmo ano propôs as bases do que é hoje a topologia geral, um ramo da alta matemática. Trabalhava também no desenvolvimento de sua Dinâmica e da sua Filosofia, que se tornava cada vez mais anti-cartesiana. A essa altura, início de 1680, falece o Duque João Frederico, que é sucedido pelo irmão Ernesto Augusto (1629-1698).

A França estava cada vez mais intolerante com os protestantes e entre 1680 e 1682 ocorreram perseguições duras dos protestantes pelos católicos que levariam em futuro próximo à revogação do Édito de Nantes, garantia de coexistência pacífica das duas Igrejas. Em 1681 Luis XIV tomou Strasburgo e 10 cidades na Alsacia. Nessa mesma época Leibniz continuou a aperfeiçoar seu sistema metafísico buscando uma noção de causa universal de todo ser, tentando chegar a um ponto de partida que reduzisse o raciocínio a uma álgebra do pensamento. Continuou também a desenvolver seus conhecimentos de matemática e física, ocupando-se com a proporção entre o círculo e um quadrado nele circunscrito. Ainda neste ano fez para o Império uma análise dos negócios de estado, sugerindo meios de aumentar a produção de tecidos; propôs um processo de dessalinização da água, recomendou a classificação dos arquivos e sugeriu a publicação do periódico Acta Eruditorum, que se tornou parte do Journal des Savants. No início de 1682 publicou De vera proportione circuli ad quadratum circumscriptum in numeris rationalibus a G. G. Leibnitio expressi, no "Acta eruditorum".

Na frente política escreveu em 1683, em francês e latim, um violento panfleto contra Luís XIV, intitulado Mars Chiristianissimus (O mais cristão Deus da guerra); no mesmo ano expôs seus pensamentos a respeito da guerra com a Hungria em forma de notas; e em 1684 ele dá a público suas Raisons touchant la güerre ou l'accommodement avec la France("Razões com respeito à alternativa de guerra ou acordo com a França").

Em outubro de 1684 publicou no "Acta eruditorum" Nova methodus pro maximis et minimis itemque tangentibus, quae nec fractas, nec irrationales quantitates moratur, et singulare pro illis calculi genus, que foi a primeira publicação surgida sobre os princípios do cálculo diferencial. Newton havia também descoberto o cálculo desde 1665, mas não publicou os seus achados, os quais apenas comunicara aos amigos Gregory e John Collins. Quando se soube que Leibniz havia estado com Collins na Inglaterra e visto alguns escritos de Newton, abriu-se a questão de prioridade da invenção do cálculo, que se tornou uma das mais famosas disputas do século XVIII. Leibniz estava ainda, simultaneamente, preocupado com a resistência dos sólidos e com a natureza do conhecimento. Em 1684 escreveu Meditationes de Cognitione, Veritate et Ideis.

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Rubem Queiroz Cobra            

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada em
18/05/97
Última revisão 11/09/2000

Direitos reservados. Para citar este texto:
Cobra, Rubem Q. - Leibniz. Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2000.
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Rubem Queiroz Cobra