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KANT

Vida, filosofia e obras de Immanuel Kant - IV

Página de Filosofia Moderna
escrita por Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

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As almas, o universo e Deus. A mais séria questão "que é que existe?", problema fundamental de toda a metafísica, é com respeito ao próprio espírito, ao universo e Deus; se as almas e Deus existem, e o que podemos nós saber do universo.

A Psicologia racional. A disciplina metafísica que tem como objeto a alma e sua imortalidade é a Psicologia racional. Kant diz que essa disciplina repousa, desde Descartes, na proposição "eu penso", cuja verdade é incontestável. Não se pode, contudo, tirar dela a conseqüência de que o eu exista como um "objeto real" como uma coisa, uma substância, uma figura. Isto apenas seria possível se passasse pelo crivo das categorias, ou modo de conhecimento do real. O tempo é, juntamente com o espaço, a primeira das condições de todo conhecimento possível. Em outras palavras, não há coisa alguma no espaço e no tempo que possa ser considerado alma, não havendo, portanto, nenhuma intuição sensível, e esta é uma das condições fundamentais do conhecimento das coisas.

Conclusão: a experiência que temos de ser (experiência que se realiza enquanto pensamos), é de fato uma experiência sui generis. Se quisermos "imaginar" a alma, podemos perfeitamente imaginá-la, pensá-la, dentro da intuição de espaço e tempo, como uma coisa, e então verificamos que desse modo a alma não existe. Então temos a experiência de ser (ao modo de Descartes), sem poder fazer idéia do que somos (ao modo de Kant).

Cosmologia racional. A parte da metafísica que se ocupa da totalidade do universo é a Cosmologia racional.

O que se aplica às almas, aplica-se também à idéia do universo. As intuições e as categorias podem ser aplicadas para fazer julgamentos acerca de experiências e percepções, mas não podem, de acordo com Kant, ser aplicadas a idéias abstratas, - e universo é uma idéia abstrata, - sem levar a inconsistências sob forma de pares de proposições contraditórias, impasses que ele chama "antinomias", raciocínios sem saída, inconclusivos.

A primeira antinomia é aquela que tem a tese: "O universo tem um princípio no tempo e limites no espaço". Antítese: "O universo é infinito no tempo e no espaço". A razão tanto pode concluir que "o universo tem um princípio no tempo e limites no espaço, quanto pode afirmar exatamente o contrário: o universo é infinito no tempo e no espaço." A razão pede que tudo que existe tenha um começo. Mas, se o universo teve um começo no tempo, o que existia antes dele, obviamente também faz parte do universo, porque o universo é a totalidade das coisas.

Na segunda antinomia, a tese diz: "Tudo quanto existe no universo está composto de elementos simples, indivisíveis". A antítese diz: "Aquilo que existe no universo não está composto de elementos simples, mas de elementos infinitamente divisíveis".

A terceira antinomia refere-se a uma primeira causa do universo. Afirma, como tese: "O universo deve ter tido uma causa que não foi por sua vez causada". Sua antítese é: "O universo não pode ter tido uma causa que por sua vez não tenha sido causada"

A quarta e última antinomia refere-se à existência ou não existência de um ser necessário, dentro ou fora do universo, e diz, na tese: "Nem no universo nem fora dele pode haver um ser necessário"; sua antítese: "No universo ou fora dele há de haver um ser que seja necessário".

Os erros das antinomias. As teses e antíteses são igualmente plausíveis aos olhos da pura razão, mas não quanto às leis do conhecimento. Nas duas primeiras antinomias, que Kant chama matemáticas, o erro consiste em que o tempo e o espaço foram tomados como coisas em si mesmas, e isto é contrário às leis e condições do conhecimento. O espaço e o tempo não são coisas em si mesmas, independentes do ato de conhecer.

Nas duas últimas antinomias, a solução para Kant é a contrária. As teses e as antíteses são tomadas conforme as leis do conhecimento. Quanto às teses, as leis do conhecimento de fato pedem que, para todo ser, para toda realidade, exista uma causa determinante e esta, por sua vez, tenha uma causa; as teses são válidas no mundo dos fenômenos. Quanto às antíteses, as antíteses seriam válidas no mundo dos noumenos. Suponhamos que exista uma via para se chegar às coisas metafísicas que não seja aquela do conhecimento científico: então elas seriam válidas. As teses são válidas para a ciência fisico-matemática, e as antíteses seriam válidas para uma atividade não cognoscitiva que nos pudesse conduzir às realidades metafísicas.

Teologia racional. Em sua crítica à teologia racional, Kant analisa as provas da existência de Deus mais conhecidas. Estas são o argumento ontológico; o argumento cosmológico que vem da Antigüidade , e o argumento físico-teleológico.

O argumento ontológico, encontrado em Santo Anselmo (1033-1109) e em Descartes, afirma que o homem tem idéia de um ser perfeito, que necessariamente deve existir porque se não existisse não seria perfeito. "Eu tenho a idéia de um ser, de um ente perfeito; este ente perfeito tem que existir, porque se não existisse, faltar-lhe-ia a perfeição da existência e não seria perfeito". Kant mostra que a "existência" é uma das categorias a priori do conhecimento. A existência é uma categoria aplicável às percepções sensíveis e portanto só é valida quando aplicada a objetos do conhecimento: o que é conhecido primeiro existe, a coisa é conhecida como existente, e não o contrário, isto é, existe porque imaginado. Aplicar as categorias de existência, de substância, de causa, é o ato pelo qual estabelecemos os objetos a conhecer, os fenômenos. Não é suficiente ter a idéia de algo, há de se ter a percepção sensível correspondente, tê-la ou poder tê-la, e é isso justamente o que falta à idéia de Deus, a coisa à qual se aplique a categoria da existência.

O argumento cosmológico consiste na enumeração de causas dos fenômenos até se chegar a uma causa não causada, que seria Deus. Kant contra argumenta que não há motivo algum para se cessar a aplicação da categoria de causalidade. O argumento cosmológico é inaceitável porque consiste em ir enumerando séries de causas até deter-se, sem motivo algum, em uma causa "incausada".

O argumento físico-teleológico é de que todos os seres da natureza cumprem algum fim, servem para alguma coisa, logo deve haver um "fim último": Deus. O argumento físico-teleológico é o argumento da finalidade: só uma inteligência criadora poderia ter adequado as coisas à realização de certas finalidades. Kant diz que a teleologia é um método empregado para descrever a realidade, e de que de um simples método de organizar o conhecimento não se pode extrair qualquer outra conseqüência. Argumenta que, do conceito de fins, não podemos tirar nenhuma outra conseqüência senão que tal ou qual forma é adequada a um fim.

Mas Deus deve existir. Kant afirma que deve haver um mundo no qual a virtude traz seguramente a felicidade. "A existência de Deus...é necessária enquanto afirma um ser cuja vontade e cujo intelecto criam um mundo no qual não há abismo algum entre o real e o ideal, entre o que é e o que deve ser".

Há pois um abismo entre a consciência moral, que tem exigências ideais, e a realidade fenomênica, a qual cega para essas exigências ideais, segue seu curso natural de causas e efeitos, sem se preocupar em nada com a realização desses valores morais. Portanto, é absolutamente necessário que, após este mundo, num lugar metafísico além da presente realidade, esteja realizada esta plena conformidade entre aquilo que é no sentido de realidade e aquilo que deve ser no sentido da consciência moral.

Esse acordo entre aquilo que é e aquilo que deve ser, que não se dá na nossa vida fenomênica, porque nela predomina a causalidade física e natural, é um postulado que exige uma unidade sintética superior. A unidade sintetizadora desse "ser" com o "dever ser", representando a união do mais real que pode haver com o mais ideal que pode existir, Kant chama Deus.

A Razão prática tem a primazia sobre a razão pura, no sentido de que a razão prática, a consciência moral, pode lograr aquilo que a razão teórica não logra, conduzindo-nos às verdades da metafísica.

A razão teórica está, de certo modo, ao serviço da razão prática, porque a razão teórica não tem por função mais que o conhecimento deste mundo real, subordinado, dos fenômenos, que é como um trânsito ou passagem ao mundo essencial das coisas em si mesmas que são Deus, o reino das almas livres e as vontades puras.

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Rubem Queiroz Cobra            
 

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada em
02/06/1997

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Immanuel Kant. Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 1997.
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