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DAVID HUME

Vida, época, filosofia e obras de David Hume - IV

Página de Filosofia Moderna
escrita por Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

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Deus

A existência de Deus seria provada, seja pelo argumento de que todas as coisas têm uma causa portanto, deve haver uma causa primeira que é Deus –, seja pela análise da idéia de perfeição.

Hume não admite tais provas porque o primeiro raciocínio supõe a lei da causalidade como inerente ao mundo físico, quando na verdade ela só pode existir no nível de significados, no mundo das idéias, e o segundo está fundado, como em Descartes, na existência de idéias inatas, isto é, originadas da própria razão, ao passo que Hume coloca a origem das idéias inteiramente na experiência.

Milagres: Hume traz o tema para a filosofia, embora ele próprio não o tenha desenvolvido no campo genuinamente filosófico. O que ele contradiz é a doutrina teológica. Ele certamente recorreu a Tomás de Aquino de quem toma parte de sua definição; e ele nega a verdade da Eucaristia louvando-se em outro teólogo, John Tillotson, que foi depois Arcebispo de Canterbury. A muito citada definição de "milagre" dada por Hume no "Investigações" é que este significa "a transgressão de uma Lei da natureza por uma vontade particular da Divindade, ou pela interposição de algum agente invisível". Ocorre que uma característica do que é chamado milagre é precisamente o contrario, ou seja, representa um fato natural que Deus coloca numa ordem de possibilidades conforme Lhe é pedido. Por exemplo, um indivíduo em dificuldade pede socorro a Deus e imediatamente recebe uma dádiva espiritual ou material que para ele faz sentido como solução de seu problema e que só para ele é uma resposta de Deus ao seu pedido, um milagre –, sem que nenhuma Lei da natureza tenha sido transgredida. Fatos sobrenaturais que transgridem as leis da natureza não são milagres mas "testemunhos" que não dependem da fé porque são atos espontâneos de Deus, e este é o caso de Cristo caminhando sobre as águas, e essa distinção Hume não fez.. Uma terceira categoria de fato relacionável a Deus é a Eucaristia, que não é nem milagre nem testemunho. A questão é que se por algum caminho filosófico se chega a que Deus existe, então a discussão do milagre, do testemunho e da eucaristia entra no mesmo escaninho filosófico.

Hume associa o milagre à ignorância, o que é inócuo, porque Deus pode se reconhecer em qualquer forma em que seja pensado pelo homem, desde que como fonte do bem e da perfeição como a própria filosofia o coloca. O texto de Hume é dirigido mais ao que chamo "testemunho", embora ele exemplifique indistintamente milagres e testemunhos. No entanto, Hume, tendo negado a Deus, não precisava ter se dado ao trabalho de negar o milagre. E como poderia o milagre ser, para Hume, causa de alguma coisa, se ele considera "causa" uma ilusão devido ao hábito de se ver certos fatos ocorrerem juntos? Não seriam então os milagres, segundo seu próprio pensamento, apenas o hábito de se ver, infinitas vezes, as pessoas fazerem preces e em seguida acontecer, sem uma relação necessária de causa e efeito, que sejam suas preces atendidas?

Ética

Moral. Definindo moralidade como aquelas qualidades que são aprovadas, (1) em quem quer elas acontecem estar e (2) por virtualmente todo mundo, Hume se dispõe a descobrir o fundo ou base mais ampla das aprovações. Essa base ele a encontra, - como ele encontra as bases da crença -, nos "sentimentos" e não nos "conhecimentos". As decisões morais são baseadas em sentimento moral.

Qualidades são valorizadas seja pela sua utilidade ou por sua "agradabilidade", em cada caso, tanto para seus possuidores como para os outros. O sistema moral de Hume objetiva a felicidade dos outros (sem qualquer fórmula do tipo "maior felicidade para o maior número possível de indivíduos") e a felicidade do próprio eu. Mas a preocupação com os outros responde pela maior parte da moralidade.

Sua ênfase é em altruísmo: os sentimentos morais que ele reivindica encontrar no homem, ele os traça, na maior parte, a um sentimento ou uma simpatia por alguém. É da natureza humana, ele sustenta, rir com o riso, e entristecer com os entristecidos e procurar o bem do outro tanto quanto o seu próprio.

Não existe um bem supremo ao qual deva se conformar o comportamento humano, nem idéias morais inatas. A moralidade é um conjunto de qualidades aprovadas pela generalidade das pessoas. Essas qualidades seriam aprovadas conforme sua utilidade, ou o prazer que proporcionam (utilitarismo). A justiça deve todo o seu mérito à utilidade pública.

Outras virtudes (p. ex. a honestidade e a sinceridade) são úteis ao indivíduo que as possui. Outras, tanto ao público quanto ao indivíduo (p. ex. a modéstia e as boas maneiras). Estes conceitos fazem da doutrina moral de Hume um utilitarismo altruísta, independente de qualquer revelação e fé.

Política e Economia

A legitimidade do governo não está nas formas de contrato social, mas apenas na utilidade que o governo possa ter no presente. Considerado o governo do ponto de vista da sua utilidade, seria possível modificá-lo de maneira racional.

Aparece como economista no "Discursos Políticos" incorporado no "Ensaios e Tratados" como parte 2 dos "Ensaios Moral, Político e Literário". Foi seguramente uma grande influência para seu amigo Adam Smith, 12 anos mais novo que ele. Apesar da semelhança de pontos de vista entre os dois, Hume no entanto não construiu um sistema econômico, como fez Adam Smith.

O nível de sua visão dos problemas econômicos pode ser percebida pelos suas principais discussões: que a riqueza consiste não de dinheiro mas de mercadorias; que o total de dinheiro em circulação deveria ser mantido em relação ao montante de bens no mercado (esses dois pontos já levantados por Berkeley); que uma taxa baixa de juros é um sintoma não de superabundância de dinheiro mas de prosperidade do comercio; que nenhuma nação pode ir exportando somente por "bullion"; que cada nação tem vantagens especiais de matéria prima, clima, e habilidade, de modo que um intercâmbio livre de produtos (com algumas exceções) é mutuamente benéfica; e que as nações pobres empobrecem o resto exatamente porque elas não produzem suficiente para serem capazes de tomar muita parte nesse intercâmbio. Ele deu boas vindas ao avanço além da economia industrial e agrícola como uma precondição para qualquer uma que não as mais despojadas formas de civilização.

História

Principalmente, em sua época, sua História da Inglaterra representava uma inovação. Era rica e com um alto padrão de imparcialidade. Não se ateve à história das lutas políticas, mas dedicou atenção e valorizou interesses intelectuais como literatura e ciência. Tudo em narrativa bem entrosada e leve.

Influência

Juntamente com Francis Bacon e John Locke, David Hume é considerado um dos maiores filósofos ingleses e uma das maiores figuras do seu século.

Sua mais próxima influência pode ter sido sobre o amigo Adam Smith, se bem que, excluído o que concerne à sua teoria do conhecimento, a semelhança de pontos de vista entre os dois não permite sequer discernir quem mais influiu sobre quem. Hume vê fundamento da moral apenas no sentimento e Adam Smith que fala da "moral da simpatia". Hume no entanto não construiu um sistema, como fez Adam Smith.

Como é sabido, Kant atribuiu a Hume grande influência sobre suas idéias.

Sua influência é também exemplificada em Jeremy Bentham, um jurista e filósofo inglês do início do século XIX, que confessamente foi levado ao Utilitarismo (a teoria moral de que a conduta correta deve ser determinada pela utilidade de suas conseqüências ) pelo Livro III do "Tratado".

Em Locke e Hume tem suas raízes o chamado "empirismo psicológico" e o "empirismo lógico": O primeiro é a teoria do conhecimento baseada na análise das funções subjetivas nele envolvidas. O empirismo lógico, por sua vez, fundamenta-se no empirismo psicológico: consiste na afirmação de que as palavras só têm significado na medida em que se referem a fatos concretos.

Obras principais

  • Filosofia e Religião: A Treatise of Human Nature ("Tratado da Natureza Humana"), 1739-40; Philosophical Essays Concerning Human Understanding (1748) mudado para An Enquiry Concerning Human Understanding ("Uma Investigação Concernente ao Entendimento Humano"), 1758, principalmente uma revisão do Livro I do "Tratado"; Four Dissertations ("Quatro Dissertações"), 1757, incluindo a revisão do Livro II do "Tratado"; Dialogues Concerning Natural Religion ("Diálogos Concernentes à Religião Natural"), 1779.

  • Política e Moral: Essay, Moral and Poltical (Ensaio, Política e Moral), 2 vol., 1741-42 e um posterior Three Essays, Moral and Political, 1748; An Enquiry Concerning the Principles of Morals ("Uma investigação concernente aos princípios morais"), 1751, uma revisão do Livro III do "Tratado", e; Politícal Discourses ("Discrusos Políticos"), 1752.

  • História: The History ot England ("História da Inglaterra"), 6 Yol., 1754-62.

  • Outros trabalhos: Of National Characters ("Sobre tipos nacionais"), 1748; A Conciese and Genuine Account of the Dispute Between Mr. Hume and Mr. Rousseau ("Um relato conciso e genuíno da disputa entre o Sr. Hume e o Sr. Rousseau"), 1766; The Life of David Hume, Written by Himself ("A vida de David Hume escrita por ele mesmo"), 1777.

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Rubem Queiroz Cobra            

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada em
14/07/1997

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - David Hume. Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 1997.
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