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DAVID HUME

Vida, época, filosofia e obras de David Hume - II

Página de Filosofia Moderna
escrita por Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

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Ainda 1751 publicou, como dito, seu "Investigação concernente aos princípios de moral", com muito sucesso.

Apesar de que este trabalho não ataca a religião diretamente, ele o faz indiretamente por estabelecer um sistema de moralidade sobre utilidade sentimentos humanos apenas, e sem apelo a comandos morais divinos.

A doutrina de Hume foi criticada por ser sem Deus. Porém, pelo final do século Hume era reconhecido como o fundador da teoria moral da utilidade. O teórico político utilitarista Jeremy Bentham reconheceu a influência direta de Hume sobre ele. No ano seguinte Hume publicou seu "Discursos Políticos", o qual atraiu louvor imediato e influenciou pensadores econômicos até hoje populares como Adam Smith, Thomas Malthus, e o anarquistaWilliam Godwin, autor de "Uma investigação concernente à justiça política", e que polemizou com Malthus.

Em 1752 Hume foi feito conservador da biblioteca dos Advogados de Edimburgo. Lá, tendo à sua disposição um riquíssimo acervo, ele pode conceder-se um desejo de alguns anos de voltar-se para escritos históricos.

Sua História da Inglaterra, estendendo-se da invasão de César até 1688, saiu em seis volumes entre 1754 e 1762.

Seus escritos recentes começavam a faze-lo conhecido, mas esses dois, Discursos Políticos" e "História da Inglaterra" lhe trouxeram fama, no estrangeiro como em casa.

O primeiro volume, no entanto, foi mal recebido, parte devido à defesa do monarca absolutista Carlos I, parte devido a duas seções que atacavam a cristandade. Na primeira, em uma passagem Hume salienta que os primeiros reformadores Protestantes eram fanáticos em sua oposição ao domínio dos católicos romanos. Na segunda, ele rotula o catolicismo romano como superstição que "como todas as outros tipos de superstição...aumenta o medo inútil dos infelizes mortais".

O mais altissonante ataque contra a "História" de Hume veio de Daniel MacQueen em suas 300 páginas Letters on Mr. Hume's History ("Cartas sobre a História de Mr. Hume")

MacQueen escrutina o primeiro volume da "História" expondo todas as alegadas "zombarias irresponsáveis e anti-religiosas" que Hume faz contra a cristandade. Posteriormente, essa repercussão negativa levou Hume a apagar as duas passagens controversas das edições sucessivas da "História".

Disse Hume que tão abatido ficou com o insucesso do livro que, não fosse por estalar a guerra entre a França e a Inglaterra ele teria ido para o interior da França, mudado de nome e para nunca mais voltar a Inglaterra.

Por essa ocasião Hume também escreveu seus dois mais substanciais trabalhos sobre religião "Diálogos concernentes à religião natural" e "História Natural da Religião".

O "História Natural" apareceu em 1757, mas, por conselho de amigos que queriam tirar Hume fora de controvérsias religiosas, o "Diálogos" ficou inédito até 1779, três anos após sua morte. O "História Natural" levantou controvérsia mesmo antes de ser publicado.

Em 1756, um volume dos ensaios de Hume intitulado "Cinco Dissertações" foi impresso e pronto para distribuição. Os ensaios incluíam (1) "A história natural da religião", (2) "Das Paixões", (3) "Da tragédia", (4) "Do suicídio" e (5) "Da imortalidade da alma".

Os dois últimos ensaios faziam ataques diretos sobre as doutrinas religiosas comuns por defender o direito moral da pessoa a cometer suicídio e por criticar a idéia de vida após a morte. As primeiras cópias circularam e alguém influente ameaçou processar o editor de Hume se o livro fosse distribuído como estava. A impressão das "Cinco Dissertações" foi então fisicamente alterada, com um ensaio "Do Padrão do Gosto" inserido em lugar dos dois ensaios removidos. Hume também aproveitou a oportunidade para alterar dois parágrafos particularmente ofensivos do "História Natural". Os ensaios foram então encadernados com o novo título de "Quatro Dissertações" e distribuído em janeiro de 1757. O História Natural da Religião foi publicado em Londres

Nos anos que se seguiram a "Quatro dissertações" Hume completou seu trabalho literário principal, o "História da Inglaterra".

Seus inimigos acusam-no de introduzir livros ateus na biblioteca. Roma colocou todos os seus escritos no Index, a lista dos livros proibidos na Igreja Católica Romana, em 1761.

Em 1763 recebeu o convide do conde de Hertford, que disse não ser de suas relações. Porque estava com 50 anos, ele hesitou devido à idade, porém aceitou e foi depois nomeado secretário da Embaixada. Em 1765 o embaixador foi chamado para servir na Irlanda, e Hume ficou encarregado de negócios até a chegada do novo embaixador. Hume salienta a recepção que teve em Paris por ocasião de sua chegada, de homens e mulheres de todas as classes e posições. Gostou tanto de Paris que pensou em viver lá o resto de sua vida.

A sociedade em Paris aceitou-o, a despeito de sua figura tida por um tanto desajeitada e de maneiras canhestras. Ele foi reverenciado como eminente em amplidão de conhecimento, agudeza de pensamento e elegância da pena, e foi acolhido cordialmente pela sua bondade e bom humor. Os salões se abriram de para ele e lhe foi dado inclusive um distinta recepção na corte.

Tornou-se particular amigo do conde embaixador e de seu irmão o General Conway. Por quatro meses em 1765 ele atuou como encarregado de negócios na embaixada. Voltou para Edimburgo em 1766.

Um insólito episódio aconteceu, envolvendo Hume e o filósofo francês Jean Jacques Rousseau que em 1766 fora expulso da Suíça pelo governo em Berna. Hume ofereceu a Rousseau refúgio na Inglaterra e garantiu- lhe uma pensão do governo.

Quando ele voltou para Londres no início de 1766 (para se tornar, um ano mais tarde, subsecretário de Estado), ele levou consigo Jean Jacques Rousseau, o filosofo francês e autor, e conseguiu-lhe um refúgio da perseguição em uma casa de campo em Wootton, em Staffordshire. Esse gênio patético, debaixo de uma de suas alucinações, suspeitou de uma conspiração, tomou fuga secreta de volta para a França, e espalhou um relatório da má fé de Hume. Na Inglaterra, Rousseau tornou-se desconfiado de conspirações, e publicamente acusou Hume de conspirar para arruinar seu caráter, sob a aparência de ajudá-lo.

Hume ficou parcialmente magoado e parcialmente persuadido a publicar a relevante correspondência entre eles com uma narrativa pertinente Um conciso e genuíno relato da disputa entre o Sr. Hume e o Sr. Rousseau", em 1766

Em 1767 recebeu de Mr. Conway, irmão de Lord Hertfor, o convite para importante cargo público. Deixou novamente Edimburgo para servir em Londres como Subsecretário de Estado para a região Norte, nos anos 1767 e 1768

Retornando outra vez a Escócia em 1769, dizendo-se um tanto cansado da vida pública e também da Inglaterra, ele estabeleceu novamente residência em Edimburgo. Seus anos restantes foram gastos revisando e aprimorando seus trabalhos publicados, e recebendo, como intelectuais e hospedes, os amigos que tinha nos círculos intelectuais de Edimburgo. Ele lançou cinco edições seguidas de sua História entre 1762 e 1773 como também oito edições de sua coleção de escritos (Omitindo o "Tratado", História, e os efêmeros) sob o título "Ensaios e tratados" entre 1753 e 1772, além de preparar a edição final de sua coleção, a qual apareceu postumamente (1777) e "Diálogos Concernentes a Religião Natural", retido sob pressão de amigos e somente publicado em 1779.

Sua despojada autobiografia, "Vida de Davi Hume escrita por ele mesmo", que seria publicada postumamente em 1777 (o título é dele próprio), é datada de 18 de abril de 1776. Já se encontrava doente, desde o ano anterior.

Adoeceu em 1775. Esperando que uma viagem lhe fizesse bem, foi ainda uma vez a Londres no início de 1776, encontrando no caminho o amigo Adam Smith e o teatrólogo e poeta seu amigo John Home que ia visita- lo em Edimburgo. Home voltou com ele para Londres onde cuidou de sua permanência, ocasião em que Hume fez tratamento com a água das fontes de Bath, então um luxuoso balneário cujas águas termais, descobertas pelos romanos (Aquae Sulis), tinham, na época, fama medicinal. Porém retornou a Edimburgo sem resultado.

David Hume faleceu em Edimburgo em 25 de agosto de 1776, com a idade de 65 anos, e foi enterrado em Calton Hill (Old Calton), em Waterloo Place.

Boswell relatou, em uma passagem de seu "Papeis Particulares", que, quando ele visitou Hume em sua última doença, o filósofo demonstrou uma viva e bem humorada defesa de sua descrença na imortalidade. Adam Smith, seu executor literário, adicionou ao "Vida" uma carta que termina com seu julgamento do amigo como "aproximando tão de perto a idéia de um homem perfeitamente lúcido e virtuoso quanto a fraqueza da natureza humana permitirá".

Hume, que nunca se casou, teve vários endereços em Edinburgh, o último deles onde hoje é Saint David Street.

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Rubem Queiroz Cobra            

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada em
14/07/1997

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - David Hume. Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 1997.
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