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GIORDANO BRUNO

Vida, época, filosofia e obras de Giordano Bruno - IV

Página de Filosofia Moderna
escrita por Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

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FILOSOFIA

 

O mínimo se identifica com o máximo e o iguala em valor: qualquer minúcia, por insignificante e desprezível que seja, na ordem do todo e do universo torna-se da máxima importância. Os contrários coincidindo na unidade e as oposições concorrendo na formação da ordem e perfeição do todo.

No entanto, a distinção que Bruno faz entre Deus e a natureza é ambígua. Bruno distingue entre Deus, unidade absoluta e transcendente à natureza (como se falasse da alma de Deus), e Deus, causa ou força ou alma universal imanente das coisas (como se falasse das coisas representando o corpo de Deus: panteísmo). O mundo é Deus, mas Deus transcende o mundo.

Os seres que Bruno distingue pelas palavras "universo"e "mundo", natura naturans e natura naturata, na verdade connstitui uma unica e mesma coisa, ora considerada do ponto de vista de existencia real, ora nominalisticamente.

O homem Um ser privilegiado que reflete em si a totalidade do Universo e é capaz, portanto, de penetrar-lhe todos os segredos. A alma humana é a evolução máxima da vida cósmica.

A mente humana seria idêntica à mente divina que compõe o cerne de todas as coisas. Exercer as faculdade de imaginação e memória (este amplo receptáculo de toda a vida espiritual) permitiria ao homem ascender a verdades ocultas do Universo. Esta era uma obrigação moral e religiosa.

A potência, a capacidade de conhecer, constitui no espírito humano aquele incentivo que o estimula a avançar sempre mais além do que possui, de maneira que o próprio progresso não produz uma satisfação em que o espírito possa se acalmar, mas que suscita sempre novas insatisfações, novas necessidades que estimulam para um movimento ulterior de conquista.

"Da maior apreensão nasce maior e mais intenso desejo" a potência intelectiva jamais se aplaca, jamais se satisfaz na compreensão já conseguida de uma verdade, mas que sempre avança cada vez mais além da verdade incompreensível. Uma tendência interior impele a intrínseca potência infinita para a própria realização.

Raiz de todo esforço de realização é a imanência da Mente divina, que se acha toda presente em todos os seres, animando-os a todos, mesmo aos que se costumam chamar inanimados.

A Cabala del cavallo Pegaseo ("Cabala do cavalo Pégaso"), de 1585, com o anexo "O asno cilênico", inclui a discussão da relação da alma humana e a alma universal, concluindo com a negação da individualidade absoluta daquela

O Conhecimento. A habilidade de Bruno como retórico o conduz a uma preocupação com a memória e tenta criar sistemas em complexas tabelas articulando tudo o que pode ser dito, conhecido, imaginado, abrangendo todas as artes, línguas, atividades e sinais, na chamada "arte combinatória". Trata-se de solucionar o problema da memória com fundamento nas leis da associação mental; e por isso Bruno apela para a união das idéias com imagens sensíveis; seus trabalhos neste campo contem coleções detalhadas de regras com base nos princípios da poesia, e descreve a construção de imagens da memória a partir da experiência de observação humana. Ele imagina um sistema, influenciado pelas órbitas dos corpos celestes, cuja rotação traz um conjunto de imagens em proximidade e justaposição sempre variável permitindo conexões que sugeririam desde associações criativas até a demência. Da variedade de todas as coisas emerge uma unicidade ou singularidade sob forma de intuição sensível ou senestésica.

A arte combinatória parecia oferecer possibilidades para melhorar a memória (mnemotécnica) e Bruno tenta explorar essa área. Depois tenta explorar seu uso aplicado-a à criatividade ou arte inventiva, na procura de conhecimentos novos.

A imaginação suprida pela memória facultaria ao observador, por simpatia analógica, o conhecimento de todas as variedades do ser. O ser cai em três categoria: Deus, natureza e arte, e é percebido em três modos: metafísico, físico e lógico, pelos seus efeitos divinos, naturais e artificiais. Quando vai para Londres, com o conde de Castelnau, publica A Arte de Recordar, A explicação dos trinta Selos e o Selo dos selos.

Estética. Bruno pretende, em seu sistema integrativo do saber e da linguagem, também a unidade de todas as formas de arte. A intuição sensível, que por vezes é estética, é base de convergência da poesia, da prosa e das artes visuais.

Moral. O Espaccio de la bestia trionfante ("Expulsão da besta triunfante") o primeiro diálogo da sua trilogia moral, é uma sátira sobre os vícios e superstições de sua época, e ao o pedantismo que encontra na cultura Católica e Protestante. Faz uma forte crítica da ética Cristã - particularmente o princípio calvinista da salvação exclusivamente pela fé, à qual Bruno opunha uma visão exaltada da dignidade de todas as atividades humanas.

À medida que a consciência se ilumina e se torna mais profunda, amplia-se e eleva-se também a esfera da ação, não menos que a do conhecimento. Portanto a ética brunense acha-se dirigida para essa plenitude de consciência que a Bruno parecia contrariada e impedida pela atitude espiritual que ele chamava de santa ignorância.

No De gli eroici furori ("Dos heróicos furores"), também de 1585, Bruno, fazendo uso da simbologia neoplatônica, trata da obtenção da união com o infinito Uno pela alma humana e exorta o homem à conquista da virtude e da verdade.

A ação e a contemplação são duas formas de atividade que provêm ambas de uma necessidade e de uma insatisfação. No obra "De Monade" se glorifica o trabalho e na Ceia das cinzas o valor do esforço, e em todos os Dos heróicos furores é exaltado infinito propósito ou caçada incessante única posse e maneira de gozo reconhecida pelo espírito, o saber.

Filosofia da História. E assim no curso da história da humanidade, Bruno vê realizar-se o infinito progresso, que para ele é um incremento contínuo, quantitativo e qualitativo ao mesmo tempo do espírito humano. O industrioso labor a que esse espírito é impelido incessantemente por sua capacidade interior de desenvolvimento e pelo aguilhão da necessidade, cria a formação do mundo e da cultura, da conquista da verdade, isto é, o processo, quase divino, do progresso humano.

Religião e Liberdade do conhecimento. Filosofia para Bruno tem o sentido de religião, como um "amor intelectual de Deus", um apelo interior à procura da verdade eterna e divina. A religião e a filosofia são formas de uma mesma religiosidade. No entanto, uma deve ser independente da outra. A religião é um conhecimento acima da natureza, em virtude da revelação; a filosofia é contemplação natural que procura a divindade dentro do mundo e no universo infinito

Em a Cabala del cavallo Pegaseo ("Cabala do cavalo Pégaso"), de 1585, com o anexo "O asno cilênico". faz da religião uma sátira amarga, apresentando-a como "santa ignorância" que condena a curiosidade ímpia da pesquisa, preferindo fechar os olhos, reprovar qualquer pensamento humano e renegar todo sentimento natural, acusando-a de renuncia e proibição do livre exercício do pensamento e da investigação filosófica. É uma discussão irônica das pretensões da superstição. O "asno", diz Bruno, pode ser encontrado em toda parte, não apenas na Igreja mas nas cortes de justiça e mesmo nas universidades.

Nunca deve valer como argumento a autoridade de qualquer homem, por excelente e ilustre que seja...É coisa irracional aceitar uma opinião devido ao número dos que nela crêem. A natureza deve ser lei para a razão humana e não esta para aquela...franca manifestação de todo pensamento livre como condição necessária à conquista da verdade...não se pode conquistar a verdade se não houver liberdade para todos no exercício e na manifestação do pensamento

Ele também formula sua visão averroísta da relação entre filosofia e religião, de acordo com a qual existe a religião dos ignorantes e a religião dos doutos. A primeira é considerada como um meio para instruir e governar o povo ignorante. É um conjunto de superstições contrárias à razão e a natureza, "útil para governar os povos incultos", que é válido enquanto a humanidade não atingir um grau superior de evolução. A religião dos doutos ou dos teólogos, que o processo histórico enriquece, é esclarecida, na qual se integra a filosofia como a disciplina dos eleitos que estão aptos a se controlar e governar os outros.

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Rubem Queiroz Cobra            
 

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada
em 28/03/1997
Última revisão 01/02/2000

parte I -  parte II

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Giordano Bruno. Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2000.
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