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Vida, época, filosofia e obras de Francis Bacon - IV

Página escrita por
Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

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Outra crítica é que Bacon não coloca os estudos sociais como campo senão para o exercício do bom senso, sem considerar que observação sistemática poderia adicionar conhecimentos científicos a esse campo do conhecimento.

Humanismo. A corrente estóica influenciou, através dos trabalhos de Lipsius, o pensamento de Bacon. Na contínua luta contra o aristotelismo prevalecente, as doutrinas estóicas influenciaram muitas figuras proeminentes na época do Renascimento e da Reforma. Em 1603 a Moralia foi pela primeira vez traduzida para o inglês diretamente do Grego. Sua influencia pode ser vista na edição de 1612 dos "Ensaios" de Bacon, os quais contem conselhos de moralidade pública e virtude individual reconhecidamente derivados de Plutarco.

Educação. Bacon escreveu pouco sobre educação, mas seu formidável assalto contra a escolástica frutificou na teoria de Comenius, o qual reconhece a influência de Bacon em seu argumento de que as crianças deviam estudar coisas concretas tanto quanto os livros.

Bacon se opunha ao sistema de então, baseado na contratação particular de tutores, e achava que a educação deveria ser data aos jovens na escola. No entanto criticava os mestres das escolas de seu tempo, acusando-os de não oferecer nada senão palavras e correntes estreitas de pensamento. Obviamente, achava que o método indutivo e empírico que defendia haveria de trazer conhecimentos que dariam poder ao homem e a possibilidade de reorganizar a sociedade. Por isso exigia que as escolas fossem locais de trabalho científico e que devia colocar em primeiro lugar, antes da lógica e da retórica, as disciplinas científicas.

Psicologia. Ao falar da retórica como disciplina, Bacon sugeriu um estudo científico da gesticulação. Devido a esse despertar que deu à questão, começaram a surgir estudos (John Bulwer foi o primeiro a responder com sua Chirologia, em 1644) das expressões físicas não verbais vinculadas a idéias e sentimentos, culminando com os trabalhos de Charles Darwin, que considerava as emoções e suas expressões incorporadas à genética do homem no decorrer da evolução das espécies.

História. Apesar de ser o criador do método científico, Bacon não aplicou rigor científico ao seu trabalho como historiador. Como de hábito então, escreveu sem desenvolver pesquisa detalhada. Em sua biografia de Henrique VII da Inglaterra, ele não deu muita importância à precisão de datas, antedatando a morte do rei em um ano. 

Shakespeare. Devido a muitas semelhanças de estilo, durante algum tempo suspeitava-se que as obras de Shakespeare seriam na verdade de Francis Bacon. As referências bíblicas e clássicas, e às Leis, eram em ambos escolhidas e apresentadas de modo muito semelhante. Segundo alguns, Bacon seria um Rosacruz. Um retrato seu, cujo original se diz que está na Sede Soberana da Ordem Rosacruz, quando se lhe sobrepõe o retrato de William Shakespeare, parece tratar-se do mesmo retratado. Comparações grafológicas feitas por técnicos no século 20 desencorajaram essa idéia.

Filosofia Política. Bacon era a favor dos poderes totais do monarca, contra o poder feudal que subsistia da idade média. Em sua obra política justifica o absolutismo. O autoritarismo é exercido também na sua utopia, uma república cuja felicidade vem de ser administrada por uma instituição científica, a Casa de Salomão, onde vivem e trabalham os sábios da "Nova Atlântida". Segundo Bacon, "conhecimento é poder".

Direito. Ao tempo de Bacon era razão de forte controvérsia o direito dos Reis de promover julgamento próprio em assuntos de interesse da coroa, podendo contrariar decisões da justiça comum. Bacon, no seu ensaio Of Judicature (escrito em 1612), coloca-se a favor do direito do rei considerando conveniente que, tanto o rei consultasse os juizes como também que os juizes consultassem o monarca conforme os interesses envolvidos nas questões. Esta posição era fortemente contestada pelo jurista e Chefe da Justiça Sir Edward Coke, o grande rival de Bacon, e que recusou concordar com os desejos de James I em vários julgamentos em que essa prerrogativa real. O Rei várias vezes arengou aos juizes sobre seu dever de respeitar as prerrogativas e o poder real.

Tecnologia. Bacon enfatizava que a ciência deveria ser em favor do alívio da condição humana. Foi Bacon o primeiro a proclamar que o destino da ciência não era somente aumentar o conhecimento mas também melhorar a vida do homem na terra. Ele próprio exaltava as tres grandes inovações tecnológicas de seu tempo: a bússola, a imprensa e a pólvora.

Um diário íntimo que foi encontrado entre seus papeis e que contem notas, agendamentos, débitos, as fraquezas dos rivais, e até advertências a si mesmo, revela que Bacon incumbia nobres inteligentes que estavam presos na Torre de trabalhar em experiências científicas úteis.

O grupo de homens que, inspirados nos princípios de Bacon fundaram a Royal Society em Londres, em 1660, estavam determinados a dirigir a pesquisa científica para fins úteis primeiro melhorando a navegação e a cartografia e a estimular a inovação industrial e a busca de recursos minerais.

Influência sobre o desenvolvimento do empirismo. Além da escolástica aristotélica, três outros sistemas de pensamento prevaleciam na Inglaterra quando Bacon começa a escrever: o ocultismo, que vinham da Idade Média, e o humanismo estético, por influência da Itália.

O ocultismo ou esoterismo, busca de poderes mágicos sobre os processos da natureza e de relações de poderes cósmicos com a vida humana, como as esperanças dos alquimistas da descoberta de elixires e segredos da obtenção do ouro. Parece que nenhum filósofo do início da idade moderna escapou de Ter alguma crença ou preocupação com a possibilidade de existirem tais forças ocultas e Bacon inclusive, pretendendo porém que tais forças fossem "naturais".

O humanismo cristão de Petrarca, Lorenzo Valla, e Erasmo influíam, conduzindo a uma valorização do mundo, da beleza da arte e da natureza, e dos prazeres como uma nova era em contraste com o ascetismo ortodoxo com menos importância para as especulações teológicas.

O pensamento de Bacon com respeito à natureza tem afinidade particular com o de Bernardino Telesio, Francesco Patrizzi, Tommaso Campanella, e Giordano Bruno embora não haja menção a esses autores nos escritos de Bacon e tinha em comum com eles a convicção de que ao conhecimento da natureza deve vir da observação e não do raciocínio abstrato.

Bacon via a si mesmo como o inventor de um método que lançaria uma luz sobre a natureza - "uma luz que eventualmente haveria de revelar e tornar visível tudo que fosse o mais escondido e secreto no universo" Tal método compreendia a coleta de dados, sua cuidadosa interpretação, a realização de experiências, para assim conhecer os segredos da natureza por meio de observações sistemáticas de suas Leis. As propostas de Bacon tiveram uma poderosa influência sobre o desenvolvimento da ciência no século XVII na Europa.

O empirismo não começa com Bacon, mas dele recebeu seu instrumento vital: o método experimental ou método científico. As bases do empirismo estão no pensamento de Bernardino Telésio segundo o qual a Natureza devia ser estudada de modo natural, segundo seus próprios princípios, ou seja, pela investigação e observação. Seguiu-se a Telésio uma fase especulativa não sistemática. Por isso o fato mais decisivo foi a colocação de Francis Bacon, que, apesar de reconhecer a existência do conhecimento a priori, argumentou que, na verdade, o único conhecimento que valia a pena ter (para o fim de melhorar a existência humana) é o conhecimento de base empírica do mundo natural, o qual devia ser buscado através de procedimentos sistemáticos, mecânicos, do arranjo das informações colhidas na experiência e observação, que podiam ser melhor conduzidas em pesquisa cooperativa e impessoal. Foi na verdade o primeiro a formular o princípio da indução científica.

Propondo a observação isenta dos preconceitos, afastando os ídolos, coletando dados e interpretando-os judiciosamente, conduzindo experimentos para, com todo esse método, aprender os segredos da natureza e sistematizar o que nela parece desordenado e irregular, Bacon estava convicto de que havia inventado um método que levaria os homens além das colunas de Hércules. Na dedicatória do seu livro The Advancement of Learning para o Rei Jaime I, Bacon recorre a essa metáfora, a de que seu método permitirá a passagem do conhecimento para além das Colunas de Hércules, - o estreito de Gibraltar, - que simbolizavam para os antigos os limites da possibilidade da exploração humana. Significava romper com o aristotelismo, e passar a um oceano sem limites para o avanço do conhecimento.

Bacon foi um ídolo para Robert Hooke e Robert Boyle, cientistas fundadores da Royal Society em Londres. O filósofo Immanuel Kant dedicou a Bacon sua famosa obra "Crítica da Razão Pura"

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Rubem Queiroz Cobra            

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada em
01/03/1997
Última revisão 12/04/1999

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Francis Bacon. Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 1999.
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