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Vida, época, filosofia e obras de Francis Bacon - II

Página escrita por
Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

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Entregou-se ao trabalho intelectual, para o que agora lhe sobrava tempo. Preparou para o Rei um resumo de leis, a história da Grã Bretanha e a biografias dos monarcas Tudor. Em 1622 dedicou ao jovem príncipe Carlos o The Historie of the Raigne of King Henry the Seventh ("História de Henrique VII"). De um plano de seis trabalhos de história natural, dois foram escritos: o Historia Naturalis et Experimentalis ad Condendam Philosophiam: Sive Phaenomena Universi, também conhecido por Historia Ventorum ("Historia dos Ventos") que apareceu em 1622, e o Historia Vitae et Mortis ("Historia da vida e da morte") publicado no ano seguinte. De Dignitate et Augmentis Scientiarum, uma tradução para o latim, com acréscimos, do Advancement of Learning ainda em 1623 e em 1624 Apothegms. Mantinha correspondência com intelectuais estrangeiros enviando-lhes suas obras. Preparou nova edição aumentada dos seus Ensaios, publicada em 1625. Gradualmente foi readquirindo amizades, inclusive a do Rei, e já em 1623 lhe foi permitido comparecer ao beija-mão real, porém nunca recebeu um perdão total.

Em março de 1626 quando sua carruagem atravessava a neve próximo a Highgate (um distrito ao norte de Londres) decidiu fazer um experimento com o efeito do frio sobre a deterioração da carne. Mandou parar o carro, comprou uma galinha e a encheu de gelo. Na operação pegou um resfriado que se agravou em bronquite e possivelmente pneumonia, morrendo em 9 de abril, aos 65 anos em casa do Conde de Arundel, onde hoje fica a St. Michael's Church, em Highgate.

Postumamente foi publicado o seu Sylva Sylvarum; ou, A Natural Historie ("História Natural") (1627, com o não concluído The New Atlantis).

Thomas Hobbes trabalhou como o último secretário de Bacon. 

FILOSOFIA:

Bacon considerava a filosofia como uma nova técnica de raciocínio que deveria restabelecer a ciência natural sobre bases firmes. Seu plano de ampla reorganização do conhecimento a que chamou Instauratio Magna ("Grande Instauração"), era destinado a restaurar o domínio do homem sobre a natureza que se acreditava ele havia perdido com a queda de Adão. O núcleo da filosofia da ciência de Bacon é o pensamento indutivo apresentado no Livro II do Novum Organum, sua obra mais famosa, assim intitulada em alusão ao Organon de Aristóteles. Publicada em 1620, como parte do projeto da Instauratio Magna.. Continha, segundo Bacon, em oposição a Aristóteles, "indicações verdadeiras acerca da interpretação da Natureza".

Para Bacon, o verdadeiro filósofo natural (cientista da natureza) deveria fazer a acumulação sistemática de conhecimentos mas também descobrir um método que permitisse o progresso do conhecimento, não apenas a catalogação de fatos de uma realidade supostamente fixa, ou obediente a uma ordem divina, eterna e perfeita." O saber deveria ser ativo e fecundo em resultados práticos.

O plano compreendia 6 partes ou Seções. A Primeira Seção promoveria uma classificação completa das ciências existentes; a segunda, a apresentação dos princípios de um novo método para conduzir a busca da verdade; a terceira, a coleta de dados empíricos; a quarta, uma série de exemplos de aplicação do método; a quinta uma lista de generalizações de suficiente interesse para mostrar o avanço permitido pelo novo método; a sexta, a nova filosofia que iria apresentar o resultado final organizado num sistema completo de axiomas.

Divisão do conhecimento. A primeira parte da "Grande Instauração" é o De Augmentis Scientiarum, que apareceu em 1623 e é a versão latina, aumentada, do trabalho anterior Advancement of Learning, publicado em 1605. É considerado o primeiro livro filosófico realmente importante publicado na Inglaterra. O Livro II do Advancement of Learning e os livros II a IX do De Augmentis Scientiarum contêm a divisão das ciências, uma sistematização minuciosa de todo o conhecimento humano, a primeira depois de Aristóteles. Bacon começa com uma distinção das três faculdades --memória, imaginação e razão --às quais consigna respectivamente Historia, "Poesia", e filosofia. História tem um sentido particular significando todo o conhecimento, todas as disciplinas da ciência. "Poesia" são as crendices ou "falsa História" e é considerada irrelevante.

A História supre a matéria prima para a Filosofia, em outras palavras, para o conhecimento que pode ser indutivamente derivado dela, das descrições em que ela consiste. Aqui Bacon faz duas distinções gerais. A primeira entre o conhecimento divino e o secular. O divino vem da revelação e corresponde a teologia natural ou racional, e seu objeto são as provas da existência de Deus. A outra é entre disciplinas teóricas e práticas, ou seja, entre ciência pura e ciência aplicada ou tecnologias, ou ainda "arte".

A classificação de Bacon é extremamente detalhada para que possa ser exposta em poucas linhas.

O método experimental. A segunda parte do esquema de Bacon, o Novum Organum, fornece as normas para a observação da natureza.

O Novum Organon ocupa-se do método de sistematização e padronização da observação e da experimentação. Para sistematizar a observação e a experiência Bacon propõe a construção de "tabelas de descoberta". Ele distingue três tipos: tábuas de presença, de ausência e de grau (por exemplo: no caso de quaisquer duas propriedades, como calor e fricção, as condições em que aparecem juntos, condições em que uma aparece sem a outra, condições em que suas quantidades variam proporcionalmente). A finalidade última dessas tábuas era ordenar os fatos de tal modo que as verdadeiras causas dos fenômenos (objeto da física) e as verdadeiras "formas" das coisas (objeto da metafísica -- o estudo da natureza do Ser) poderiam ser estabelecidas indutivamente

História Natural. Em terceiro lugar, havia a História Natural, o registro dos fatos naturais observados., a matéria prima indispensável para o método indutivo. Neste sentido Bacon escreveu "histórias" do vento, da vida e morte, do denso e do diáfano e ao fim de sua vida estava trabalhando no seu Sylva Sylvarum ("Floresta das florestas ") ou A Natural Historie, uma miscelânea de assuntos.

Nesta parte do plano Bacon adotava um estrutura em três partes: "Natureza externa" (cobrindo a astronomia, meteorologia, geografia, espécies minerais, vegetais, e animais), "O Homem" (cobrindo anatomia, fisiologia, estrutura, poder, e ação), e "Ação do homem sobre a natureza " (incluindo medicina, química, as artes visuais, os sentidos, as emoções, as faculdades intelectuais, arquitetura, transporte, imprensa, agricultura, navegação, aritmética, e numerosos outros assuntos).

Em quarto lugar tem a "escada do intelecto" consistindo de exemplos cuidadosamente trabalhados da aplicação do método, sendo o mais impressivo o relato, no Novum Organum, do como suas tabelas indutivas mostram o calor ser um tipo de movimento de partículas.

Em quinto lugar há os "pioneiros" ou peças de conhecimento científico a que se havia chegado no passado, por via do bom senso.

Finalmente em sexto há a nova filosofia, ou ciência propriamente dita, que caberia às futuras gerações desenvolver utilizando o seu método, avançando em todas as regiões de possíveis descobertas apontadas na primeira parte, a sua classificação do conhecimento apresentada no Advancement of Learning.

Essa divisão passou a orientar o arranjo do conteúdo das enciclopédias nascentes em seu tempo facilitando aos enciclopedistas de então buscar cobrir, de modo sistemático e organizado, todos os ramos do conhecimento e das atividades do homem da época. Essa contribuição de Bacon foi tão importante que mesmo 130 anos depois, Diderot reconhecia com gratidão seu débito (1750) quanto ao planejamento da edição de sua Encyclopédie.

A experiência escriturada. No método indutivo, Bacon distingue a experiência vaga e a experiência escriturada. A primeira é a observação feita ao acaso. A segunda corresponde à observação metódica e aos experimentos. Ambas servem para o preparo das acima mencionadas "tábuas de investigação" que são três:

  • Presença. A tábua de presença registra o fenômeno em todas as circunstâncias em que ele se manifesta. O calor, por exemplo: deveriam ser anotados todos os casos em que ele se apresenta: luz do sol, labaredas do fogo, no sangue humano, etc.

  • Ausência. A tábua de ausência ou da negação, anota os fenômenos paralelos contrários: raios frios do luar, sangue frio de certos animais, etc.

  • Graduações. A tábua das graduações ou comparações anota possíveis correlações entre as modificações nos fenômenos em questão.

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Rubem Queiroz Cobra            

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada em
01/03/1997
Última revisão 12/04/1999

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Francis Bacon. Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 1999.
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