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BERKELEY, George (Irl.1685-Ingl.1753). Um irlandês empirista de acordo com a tradição britânica, como tal construiu a teoria da percepção visual da distância, na qual indicações procedem dos arredores (contexto) no qual os objetos são vistos. Estudou no colégio de Kilkenny, depois no Trinity Col1ege de Dublim, onde foi nomeado fellow em 1707. Desde então segundo o testemunho de seu Diário, está de posse das idéias diretrizes de sua filosofia. Em 1713. está em Londres depois viaja e visita a Franca e a Itália.

Em 1721 é nomeado decano do Dromore, depois de Derry. Projeta então fundar um colégio nas ilhas Bermudas e evangelizar a América, com a promessa de subsídios para o empreendimento. Em 1728, casa-se com Anne Forster embarca para as Bermudas, mas detém-se em Rhode Island, onde, durante dois anos, esperou em vão o dinheiro prometido. Em 1731, volta à Inglaterra, onde mantém diversas polêmicas filosóficas e científicas. Nomeado bispo de Cloyne, tomou posse de sua sé em 1734, e defendeu a causa irlandesa. Atividades filantrópicas dirigem-no para a política e a medicina; torna-se o propagandista da água de alcatrão, tida como um remédio universal. Em 1752, abandona Cloyne e segue para Oxford, onde faleceu.

Berkeley nega que fique alguma coisa, se tiramos do objeto todas as suas qualidades, tanto as primárias (extensão, consistência) como as secundárias (cores, sons, etc), considerando-as produto de nossos sentidos. E como as qualidades dos corpos dependem da nossa mente, então não podemos atribuir aos corpos mesmos a atividade de causar sensações em nós. Então, para Berkeley, é Deus que causa em nós as impressões. O que pensamos serem corpos não tem existência real, existem apenas como impressões em nossa mente.

Esse pensamento é frontalmente contrário ao que Immanuel Kant desenvolveria cerca de cinqüenta anos depois, sustentando que algum material é causa do conhecimento sensível e está investido das qualidades percebidas. Kant acredita inteiramente que os corpos existem sem nós, ou seja, existem coisas as quais, apesar de inteiramente desconhecidas para nós, sustentam as qualidades com que as conhecemos.

As principais obras produzidas por Berkeley foram: "Diario Filosófico" (na realidade um caderno de notas escritas entre 1705 e 1708); "Ensaio de uma Teoria Nova da Visão" (1709); "Tratado dos Principios do Conhecimento Humano" (1710); "Trés Diálogos entre Hylas e Philonoüs" (1713); De Motu (1721); o Alciphron (1732); "Teoria da Visão" (1733); "O Analista" (1734); "O Questionador" (1735-1737); Siris (1744).

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.

00/00/1997

 

Para citar este texto: Cobra, Rubem Queiroz - FILOSOFIA MODERNA: Resumos Biográficos. Site www.cobra.pages.nom.br, INTERNET, Brasília, 1997 ("www.geocities.com/cobra_pages" é "Mirror Site" de www.cobra.pages.nom.br).