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A timidez:
uma nova visão - II

Página escrita por
Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

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A timidez camuflada.

Em algumas pessoas a timidez não se mostra à primeira vista: ela é mascarada por um comportamento na aparência normal. Essa timidez camuflada me parece ser mais comum no adulto, e se distingue muito bem da timidez ressentida, abordada na página precedente, mais comum entre crianças e adolescentes.

O tímido camuflado distingue dois mundos: o seu próprio, que é povoado por pessoas iguais ou inferiores a ele, e um outro mundo, do qual se sente excluído, de pessoas socialmente normais e entrosadas em acontecimentos sociais importantes, e pelas quais sente mal disfarçado desprezo.  Uma característica importante desse tipo de timidez é que o tímido mascarado se Impõe um limite modesto para suas iniciativas, estabelece inconscientemente um nível máximo que pode alcançar  seu progresso social, e nuca avança além dele. É critico e  solitário. Devido a se excluir do mundo social, não tem encontros que pudessem resultar em namoro ou novas amizades. Sua autolimitação lhe permite apenas oportunidades com mulheres de classe social igual ou inferior à sua. Não é atraente por não valorizar o trato de seu físico, de suas vestes, de seus modos.

Tem muita dificuldade para se expressar, para proporcionar carinho, e comumente se queixa de ter sido criado em um ambiente carente de afeto, em meio a brigas e maus tratos. Geralmente é um grande problema para o tímido receber pessoas, falar em público, ou progredir além do seu "limite" como, por exemplo, se lhe é oferecida uma posição de mando no trabalho, é provavel que recuse. Se aceita, em pouco tempo se verá a necessidade de que seja destituído. Sempre que é exposto a situações desse tipo, recua, e então sente-se infeliz e perdedor e volta contra si próprio sua crítica e sua agressividade.

O que a pessoa com essa timidez mascarada deveria desejar seria a sua cura. Mas sua timidez já se transformou em preguiça social, e o que ela quer é evitar situações que poriam à prova as deficiências de sua personalidade.
 

Formas de compensação.

 

O tímido encoberto ou mascarado tem uma personalidade na aparência bastante equilibrada, uma vez que consegue aparentar normalidade em seu relacionamento social e é capaz até de atrair a simpatia.das pessoas. Estas o acolhem e podem  tê-lo na conta de inteligente e muito capaz, e não entendem o porque do seu comportamento evasivo e seu problema de falar em público.

É típico do tímido mascarado que as pessoas não percebam sua timidez. São as formas de compensação que adota que afastam nos outros a impressão de que seja tímido. Um desses recursos pode ser não perder nenhuma oportunidade de se mostrar inteligente e prestativo. Mas, se não tem a aptidão para isso, poderá buscar o comportamento oposto ao da timidez, cultivando seu físico e praticando algum esporte individual em que possa se mostrar destemido.

A pior forma de compensação da timidez, na infância e na adolescência, talvez seja o  "bulling"  Assim é chamada a perseguição que crianças mais atrevidas, com a experiência de agredir que trazem da rua, fazem a outras crianças e adolescentes mais retraídos, inteligentes e sensíveis, buscando quebrar a influência que possam ter junto aos colegas. Buscam forçar a vítima ao isolamento principalmente por ridicularizá-la, criticar seu modo de vestir ou de falar, aspetos de seu físico colocando-lhe apelidos com origem em peculiaridades de suas feições,  da sua etnia, religião, deficiências de movimento ou de expressão verbal. Parecerá ao leitor um paradoxo consideram o autor do bulling um tímido que quer romper com a timidez intimidando os outros. Mas, para mim, isto é o que acontece com toda pessoa violenta. A minha página Boas-maneiras na Escola contém mais matéria sobre o bulling.

 

Acabar com a timidez camuflada.

Sua mascara de normalidade se sustenta até que ele entre em uma crise, como perder a voz quando é pedida sua opinião em um seminário ou é convidado a fazer um discurso em uma solenidade. Nessa hora se instala o pânico, denunciado pelos seus olhos muito abertos, fixados em alguma pessoa presente, e pela sua palidez e bloqueio da sua voz. Não consegue se lembrar das palavras de uso comum em uma saudação, ou na abertura de uma apresentação e, depois de balbuciar alguma coisa, não sabe como concluir sem que alguém venha em seu socorro.

Para vencer a timidez, no caso, remover primeiro a camuflagem. Mesmo que seja boa, ela ilude ao próprio tímido e não lhe permite uma visão honesta da sua personalidade.Partir em seguida para o aprendizado que possa dar ao tímido a segurança que lhe falta, e acabar com o limite entre dois mundos que é a progem da sua timidez.

Combater o medo de falar em público requer conhecimento da língua, do modo de respirar enquanto fala, da postura do corpo adequada, de quais momentos e circunstâncias pedem um discurso, um brinde, uma opinião, ou um aparte, etc. Algumas pessoas têm um talento natural para tudo isto, e aprendem por si mesmas começando por discursar em aniversários, por opinar nas reuniões da escola, etc. Esse aprendizado natural pode no entanto levar a certos vícios, por exemplo, saber falar bem em público somente quando tem alguma coisa a censurar, ou alguém a quem agredir, sendo incapaz de falar quando se trata de elogiar, dizer palavras carinhosas a um homenageado, etc. Pode ainda repetir ou voltar sempre a um mesmo tema, ou falar com certo nervosismo e hesitações.

Melhor, portanto que haja uma preparação consciente, tanto técnica quanto intelectual, para que a pessoa perca o medo de falar em público. Adquirido o conhecimento indispensável, resta então praticar para chegar à espontaneidade e perfeição desejadas. Talvez a minha página Brindes e Discursos possa ajudar, com algumas noções preliminares, aos interessados.

 

Comparação entre o tímido ressentido e o camuflado.

As diferenças entre o tímido ressentido e o tímido mascarado são claras. O primeiro quer ser aceito, o outro quer fugir ao contacto social. O tímido mascarado tem um horizonte definido e nem lhe passa pela cabeça ultrapassá-lo, enquanto o tímido ressentido não estabelece nenhum limite, apenas amarga não saber como tirar as peias que o retêm longe dos demais.

Enquanto o tímido ressentido se ressente de ser tímido e não ter coragem diante do outro – e seus sintomas de sua timidez são mais variados, o tímido mascarado tende a ver sua timidez como um problema psicológico restrito, que o incapacita para um procedimento específico. Compartilha com o ressentido o medo de falar em público.

.Tem alguma coisa em comum com o tímido ressentido; por exemplo, o mesmo embaraço para caminhar em frente a uma assembléia, ou sentir-se incapaz de ocupar os primeiros bancos em um templo. A principal diferença entre o tímido ressentido e o tímido mascarado talvez seja esta, que o primeiro é de pronto reconhecido como tímido, enquanto o segundo passa por normal e inclusive é  tido por líder inteligente e diligente, até o momento da sua crise de timidez

 

A timidez paranóica.

Acredito ainda na existência de um terceiro tipo de Timidez, aquela que apresenta traços mais fracos ou mais fortes de paranóica. Ao contrário do ressentido, o tímido paranóico afasta-se das pessoas e se isola acreditando que se aproximam dele apenas por interesse, e será enganado e traído caso experimente uma amizade com estranhos. Pode sempre demonstrar essa sua verdade relatando casos em que não recebeu reconhecimento proporcional pela sua solidariedade. Acredita que é objeto discriminação sistemática sem motivo algum e essa crença é fundamental em todos os aspectos de sua vida. Na política está convencido de que há uma classe de indivíduos que exerce opressão cruel sobre outra menos favorecida,. e torna-se uma voz dissidente em praticamente qualquer circunstância. É caso para estudo psicólógico. 

O tímido paranóico se equilibra através de alguma forma de militância cujo objetivo e ação extrema é uma revolução. A idéia de que uma situação de inferioridade decorre de uma forma de perseguição é tão boa para convencer pessoas menos preparadas que o ativista sempre logra êxito. Na política consegue aprovação para sua tese pelo menos o suficiente para se fazer autoridade municipal, e dai a níveis intermediários do governo. O êxito em alcançar as culminâncias do poder em sua sociedade não é raro. Cativa não apenas uma multidão de paranóicos mas também seduz os tímidos e limitados em geral.

 

Conclusão

.As duas principais causas da timidez são, em minha opinião:

  • o desconhecimento do modo de proceder em uma situação;

  • o fato da pessoa ver na outra uma grandeza elevada muito acima da sua,  colocando-a, como se costuma dizer, em um pedestal, enquanto descrê de si mesma e obstrui seu próprio desenvolvimento pessoal.

Para atacar a primeira causa é preciso aprender as técnicas envolvidas no procedimento que atemoriza o tímido, e para acabar com o sentimento de inferioridade e a timidez diante dos outros, é preciso refletir sobre a vulgaridade das pessoas, ou melhor, sua igualdade.

A superioridade de posses, de riqueza, ou de poder não confere a uma pessoa superioridade essencial sobre outra. Não importa o quanto gastem com seu bem estar nem quanto poder tenham, ou a santidade da sua função, como ser humano ela é essencialmente igual aos demais. Em sua posição ou função social, as pessoas apenas representam um papel ordinário qualquer, papeis já catalogados na história da civilização. As coisas que usam – colares, anéis, roupas de grife, carros esportivos –, são coisas que estão nas vitrines e são compráveis por qualquer indivíduo. Cargos importantes também são compráveis com moedas especiais: indicações de amigos, cotas partidárias negociadas com o governo, etc. Não se pode respeitar uma pessoa por um papel que ela representa ou pela grande quantidade de coisas que ela compra para usufruir.

Pode ser útil mas não me parece que seja o caminho para afastar a timidez, análises para mostrar à pessoa o que no passado lhe faltou para o amadurecimento normal de sua personalidade. Ela pode conseguir  sua cura agora, através de um aprendizado, sem nenhum custo. Não precisa fazer análise de traumas infantis, mas deve simplesmente se concentrar em aprender  o que lhe falta para sua absoluta segurança em seu comportamento social.

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Rubem Queiroz Cobra

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
26-01-2012

 

Direitos reservados. Texto impresso original depositado na Biblioteca Nacional. Para citar este texto:
Rubem Q. Cobra - A Timidez. COBRA PAGES: www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2004.
(“www.geocities.com/cobra_pages” é “Mirror Site” de COBRA.PAGES)

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