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Maturidade mental e maturidade pessoal

Página de Educação e Comportâmento
escrita por Rubem Queiroz Cobra

NESTA
PÁGINA
:

Maturidade mental e maturidade pessoal

 Quociente de Inteligência ou QI

O QI do brasileiro.

Maturidade pessoal

A falta de Maturidade pessoal

Maturidade e Imaturidade das instituições.

Imaturidade Institucional Residual

Melhorando o grau da maturidade mental

Treinamento para a maturidade pessoal

O ideal de maturidade.

 

 

 

Maturidade mental e maturidade pessoal

A palavra “maturidade” é um substantivo abstrato, que nomeia uma condição de aptidão para um fim. Uma coisa que tem essa condição está madura, pronta, e a que não a desenvolveu suficientemente tem um índice ou grau de maturidade.

Por analogia, maturidade mental refere-se a uma condição madura de competência do cérebro em atuar segundo certas aptidões primárias, herdadas geneticamente, fundamento geral para tudo que diz respeito ao comportamento humano.

Estas "aptidões primárias" já foram diferentemente concebidas e propostas por vários filósofos, sob designações tais como "faculdades da alma", "primalidades do ser", "intuições", apetites, etc.

Parece-me legítimo reconhecer, nessa competência primitiva, quatro aptidões primárias – que não derivam de outras –, e que são:

I - o discernimento, que fundamenta o conhecimento, a racionalidade, o pensamento lógico e a sabedoria;

II - a força de determinação para agir, que tira o ser da inércia e lhe dá ânimo e fortaleza em cada ação, grande ou pequena –, e requer a liberdade;

III - a fome de domínio, que fundamenta a sociabilidade, é a base da concupiscência, e de sua variante sexual;

IV - o sentir, que fundamenta a sensualidade e a sentimentalidade, esta última permitindo os sentimentos, figurando entre eles o de justiça.

Não temos consciência dessas aptidões, mas conhecemos suas manifestações, as quais podem ser avaliadas. Elas se iniciam e amadurecem, alcançando níveis de desenvolvimento variáveis, maior em pessoas superdotadas, e menor a mínima no indivíduo mentalmente deficiente. Obviamente, não será "maduro" aquele indivíduo cujo comportamento é dominado por apenas uma ou por algumas dessas aptidões.


Quociente de Inteligência ou QI

Na Pedagogia – algumas décadas atrás –, a avaliação do Quociente de Inteligência, permitia reunir alunos de maior capacidade de aprendizado e lhes ministrar um ensino mais avançado. Na Psicologia Aplicada, o "QI" facilitava selecionar os mais aptos para uma função específica. Estas práticas foram abolidas, o que não significa negar que haja diferenças de aptidão mental entre as pessoas.

A medida do QI foi inicialmente o quociente entre a idade mental do indivíduo – determinada através de testes psicológicos –, e sua idade de vida, o resultado multiplicado por 100. Uma criança precoce, que tivesse 8 anos mas com desempenho no teste próprio da idade de 10 anos, teria o QI de (10/8 x 100) 125. Porém, esse cálculo, que era muito bom para revelar crianças bem dotadas, não se prestava para os adultos porque, a certa altura, a idade de vida naturalmente superava a idade mental, fazendo o QI baixar. Este problema levou a Psicometria a adotar, por volta do ano de 1940, um método matemático de uso comum na Estatística: a determinação das Medidas de Posição ditas “Separatrizes”, entre elas o Cêntil (ou Percentil, “p”).

Neste cálculo o aumento gradual de dificuldade das questões do teste guarda correspondência com o aumento do valor de 1 a 100 do percentil. O percentil médio de 50 corresponde ao ponto de dificuldade média que o indivíduo comum pode solucionar no teste. A este ponto médio é atribuído o QI 100. Quem alcança no teste 65p (15p acima da média 50) terá 115 de QI; 80p, QI 130; 95p, QI 145, etc. O que se sair mal no teste, com uma avaliação correspondente a 35p, por exemplo, estará 15p abaixo da média de 50p, ou seja,15p abaixo de 100, e terá QI 85; se estiver 30p abaixo, terá QI 70.

É curioso o fato de que o teste é validado pelos seus próprios resultados: ele só terá valor se, na sua aplicação a um grande grupo, a maioria das pessoas (em torno de 70%) de fato obtêm uma avaliação média de QI 100 ou próxima dela para mais ou para menos (entre QI 85 e QI 115). É necessário também que a distribuição das avaliações caiam em percentuais iguais, de um lado e de outro da mediana.Por exemplo, adotando-se um intervalo de 15 percentis, : 1% das avaliações no primeiro e no último intervalo; 2% no segundo e no penúltimo; 14% no terceiro e no antepenúltimo; 33% no intervalo à esquerda da mediana e 33% no intervalo à direita. Resultados assim dão uma curva assintótica regular em formato de sino (representa a distribuição gaussiana ou normal dos dados) em um gráfico cartesiano.

Outra mudança ocorreu também em relação às questões antes mais simples – levando-se em conta a rapidez das respostas –, que modernamente são mais críticas, envolvendo relações de maior complexidade, possibilitando medir com mais confiabilidade os QIs muito acima de 130 em crianças e adultos. É de se esperar que, com o enorme progresso da neurologia nas últimas décadas, brevemente os testes baseados em questionários serão substituídos por medidas eletrônicas diretas que avaliem a capacidade associativa do cérebro por meio de computadores.

O QI do brasileiro.

De acordo com os estudos muito difundidos nas páginas da Internet, realizados pelos pesquisadores Richard Lynn and Tatu Vanhanen (Vide a página “Inteligência do brasileiro”), o QI médio do brasileiro é cerca de 87 em relação ao QI médio mundial de 100 – incluídos, portanto, os países mais atrasados do mundo. Essa pontuação – que permite um afastamento negativo da média de pelo menos 10 pontos, colocará vários milhões de brasileiros no limite da síndrome de Down.

Aceitar esses números significa admitir que o brasileiro, com um QI tão baixo, não tem cabeça para manter um sistema público de saúde, não tem cabeça para manter um sistema nacional de transportes, não tem cabeça para organizar um sistema judiciário e penitenciário eficaz, não tem cabeça para evitar enchentes em cidades ainda que estejam a mais de mil metros acima do nível do mar, não tem cabeça para manter e cultivar a própria língua, não tem cabeça para honrar a Pátria fora dos pódios esportivos e não tem cabeça nem para estacionar seu carro corretamente em uma vaga de estacionamento demarcado.

Maturidade pessoal

Posto que uma criança tenha o seu grau de maturidade mental com todas as suas aptidões presentes e desenvolvidas, por força da primeira delas, o discernimento,  e por volta dos sete anos de idade – segndo Jean Piaget –, ela alcança a racionalidade. Este é o ponto de partida da sua maturidade pessoal. Ela se tornará uma pessoa madura na medida em que possa controlar racionalmente suas inclinações naturais,  e em quaisquer circunstâncias, agir com a plenitude de uma assumida nobreza do ser humano (*). A pessoa que tem maturidade pessoal não tira valores apenas do que vê, cheira, toca, degusta e ouve, como um coelho, mas tira valores do que pensa.

Note-se, portanto, que são duas coisas distintas a maturidade mental e.a maturidade pessoal que é como a pessoa é capaz de polir e aplicar esses recursos Tanto uma quanto outra pode ser avaliada e a respectiva avaliação expressa em graus.

A opinião comum possivelmente será que uma pessoa madura não mente, não comete qualquer falta anti-social; sabe sintetizar com inteligência o seu pensamento, tem opiniões que conciliam vários aspectos de uma questão; não é loquaz, não faz críticas violentas nem estabelece polêmicas; argumenta com serenidade e nunca está ociosa mas faz as coisas em tempo, com interesse e sem alarde; sabe comandar sem desrespeitar os subordinados; é amiga das pessoas de modo sincero e honra os vínculos estabelecidos com elas. Torna-se por isso alguém de quem todos falam bem e que se gabam de conhecer, e nunca está isolada. Ela induz nos outros o desejo de imitá-la, tanto nos seus modos, como na sua sensatez e objetividade. Tem um temperamento amável, como se fosse feliz por ser do modo que é, e seu agir maduro uma forma de prazer.

A falta de maturidade pessoal

A inteligência a serviço da corrupção, a covardia, o comportamento ante social, e a insensibilidade aos direitos das demais pessoas assinalam a imaturidade pessoal. Parece ser um traço comum aos tipos pessoalmente imaturos a pressa e a inconseqüência no que fazem. . Não aceitam alternativa s ou soluções em que não levem vantagem. Mentem para fugir a responsabilidades. As idéias que têm lhes infundem uma autoconfiança e uma audácia que agravam seu desajustamento social. Ao volante são motoristas provocadores e atrevidos.

Alguns promovem uma pequena guerrilha anti-social ou anti-familiar, pondo em prática um certo script de vida e certos jogos de provocação, vitimando os que com ele, ou ela, convivem. Os livros de Eric Berne e Claude Steiner, nos quais esses autores divulgaram os fundamentos da Análise Transacional, são pródigos em exemplos desses papeis em que o imaturo se faz de vítima ou é o algoz.

Líderes imaturos, sem escrúpulos em enganar o povo para alcançarem o poder, afetaram o mundo tragicamente, com suas ideologias utópicas  Devemos os conflitos na família, na sociedade e no mundo à imaturidades pessoal dos pais, das autoridades e dos líderes, dos viciados, e de cada figura da galeria de ditadores sanguinários e ideólogos fanáticos da história da humanidade.

O Dicionário do Aurélio dá como sinônimo de imaturo, a palavra “aloprado”.

Casos em que o indivíduo acrescenta ao seu preparo acadêmico uma certa bagagem de experiência, e age com profunda responsabilidade nos domínios de sua profissão, na verdade não representam maturidade pessoal e sim maturidade parcial, específica de sua atividade especializada. Haverá sempre o risco de que um aspecto não testado do seu caráter se mostre surpreendentemente fraco em um momento crucial. No entanto, esta maturidade apenas específica é a que move o mundo. Afinal, o mundo deve tanto as suas mazelas,quanto o seu progresso, a indivíduos que são bons em alguma coisa, e não à maturidade pessoal deles.

Maturidade e Imaturidade das instituições.

Por extensão, porque os indivíduos povoam as instituições, e constituem grupos para determinados fins – os quais espelham a maturidade pessoal de seus membros –, podemos falar de maturidade e imaturidade das instituições, ou de uma comunidade, maturidade política de um povo, e não apenas de pessoas. O leitor dirá que uma comunidade chega à maturidade social quando oferece oportunidades iguais para todos, as regras de convivência são inteligentes e obedecidas livremente, e ela se notabiliza pela produção material e cultural de seus cidadãos. Mas um requisito para essa maturidade social é que haja maturidade pessoal de seus- cidadãos e esta, por sua vez. depende de maturidade mental propiciada por uma genética.

Imaturidade residual institucional .

Uma Instituição que por décadas, ou até séculos, teve uma sucessão de dirigentes capazes em sua atividade específica, porém imaturos, com certeza terá resíduos da imaturidade de gestões passadas incorporados ao seu regulamento, à sua práxis, e à mentalidade de seus funcionários. Essa imaturidade residual poderá fazer com que instituições da República se transformem em cabide de empregos, se tornem lerdas e burocratizadas, que o Judiciário deixe de fazer justiça, as câmaras somente legislem em causa própria, as agências de controle não controlem, o Senado seja pura vergonha para o País.

Ao ingressar em uma instituição assim corrompida, uma pessoa madura – que não cobiçou a função pelo que esperasse lucrar ilicitamente no exercício dela –, se calará, se não tiver posição de poder para fiscalizar e punir. No entanto, fará o que estiver ao seu alcance  pelo enobrecimento dela. Mas as várias levas de imaturos que aportam a uma instituição corrompida estarão alegres e dispostas a tirar todo o proveito possível dos esquemas de vantagens la montados.
Aumentar a maturidade mental

Se o Brasil está a braços com um problema tão grave quanto o da fraca maturidade mental de larga fração de seu povo – em consequência do baixo QI da população indicado pelos pesquisadores acima citados –, os responsáveis pela Educação deveriam reconhecer a necessidade de um programa pré-eduacional com aplicação de técnicas para estimulação do crescimento da capacidade associativa requerida para o desenvolvimento mental.

Nas escolas para deficientes aplicam-se técnicas para melhorar o índice da maturidade mental. Foram criadas por cientistas famosos como, Pestalozzi, na Suíça (1746-1827), Claparède (1873-1940), Edouard Seguin (1812-1880) e Binet (1857-1911), na França, e Montessori, na Itália (1870-1952), entre outros. Com essas técnicas didáticas, na maioria dos casos algum progresso sempre é obtido.

Mas, é necessário ousar por caminhos novos!

Creio que está para surgir uma "engenharia neural"– com técnicas de manipulação dos genes –, capaz de tratar a deficiência mental. Na data que escrevo esse texto, já está em curso o mapeamento do genoma do sistema nervoso cerebral que amarrará aptidões mentais aos genes. Por isso o setor de Saúde no Brasil e as Universidades deveriam acompanhar com atenção esse gênero de pesquisas e buscar desenvolve-las também no País.

Talvez o que se possa obter com fortes emoções seja, também. algo a investigar,.uma vez que a rede associativa é não apenas a base física das ideias, mas também sofre com sua própria química, geradora das emoções (**). Pergunto se colocar um indivíduo em situações altamente emocionais, que exigissem dele a aplicação máxima de sua fraca capacidade de discernimento não poderia levá-lo a desenvolve-la.
Treinamento para a maturidade pessoal

A maturidade pessoal custará um esforço em todas as linhas que remetem às aptidões primárias da mente, mencionadas no início desta página.

Os grandes palcos para o treinamento da maturidade pessoal são a Escola e o Lar. Falo de Orientador Educacional como a pessoa que, diretamente responsável pela coordenação da aplicação de um programa educativo, não importa que cargo oficial ou designação legal ela tenha. No Lar, os pais.

A consciência de que a Educação deve abranger muito mais que apenas o campo estreito da formação profissional é de há muito tempo a principal diretriz da Educação. É intuitivo para o educador que não pode ceder à pressão de demanda por profissionais que vem do mercado, ou pela ansiedade dos candidatos a uma carreira lucrativa.

Além de algumas disciplinas fora da opção profissional existe um número grande de atividades incluídas nos currículos escolares de todos os níveis com a finalidade de levar o indivíduo ao desenvolvimento integral de sua personalidade.

Se há algum reparo ou sugestão a fazer, penso que seria apenas que o educador seja ele próprio um profissional e uma pessoa madura, e que não se esqueça das linhas fundamentais da mente humana que precisam ser igualmente trabalhadas, ou acabará por permitir que a atividade escolar se concentre de uma única delas contribuindo mais para uma deformação da personalidade do educando, em prejuízo de sua maturidade pessoal que deveria ser a sua meta educativa.

Está igualmente debilitada sua determinação, quando o indivíduo está prisioneiro de crenças irracionais, ou tolhido pelo perfeccionismo, ou se impõe uma disciplina excessiva, ou ainda por que fixou um comportamento sistemático que o impede de explorar sua liberdade.

A maturidade do sentir será resultado do esforço de equanimidade, que consiste em encontrar o equilíbrio dos sentimentos. Certamente uma raiva pode chegar a ser assassina, principalmente quando originada do ciúme, ou de ofensas sofridas. Com a equanimidade não se perde a firmeza. Ao contrário, a pessoa que é equânime sabe protestar com firmeza, sem resvalar para um revide descontrolado, e recorrem à Justiça quando uma reparação pública é cabível.. Sem dúvida, não importa o quanto difícil possa ser exercitar-se para alcançar esse equilíbrio – ele é que distingue o indivíduo que tem uma maturidade pessoal elogiável.

A própria racionalidade pode ficar sufocada por maus hábitos de raciocínio. Tirar conclusões lógicas a partir de premissas que não são verdadeiras leva a discussões infindáveis que exacerbam os ânimos. Se a pessoa atentar para a grande variedade de causas e motivos que podem existir para um dado efeito, estará combatendo o principal problema da imaturidade: a “visão estreita”, que conduz à teimosia, à intolerância, ao autoritarismo irracional e a outros males da falta de maturidade pessoal. Uma conversação conduzida com modos educados permite ouvir e compreender o pensamento dos outros e lhes responder com objetividade e consideração..

O ideal de maturidade.

Que ideal de maturidade pessoal se pode desejar atingir? Não é possível rigor nessa questão. O homem ainda é um mistério para si próprio e então, como estabelecer em termos absolutos o que seria a sua maturidade? Essa avaliação sempre foi relativa, através de comparações entre  indivíduos. Podemos apenas aspirar a levar o jovem a um grau de maturidade pessoal admirável, sem traços reprováveis de caráter. Nesse grau, cultivá-la, e colher seus frutos, lhe trará mais felicidade do que a solidão de um QI privilegiado.

(*) Sigo o esquema de "primalidades" que expus em meu livro Filosofia do Espírito, de 1997.

(**) Filosofia do Espírito, 1997.

Rubem Queiroz Cobra

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada em 26/11/2008
Revisada em 20-11-2011
Revisada em 20-12-2013 para melhor distribuição da matéria.

 

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. Maturidade mental e maturidade pessoal. COBRA PAGES: www.cobra.pages. nom.br, Internet, Brasília, 2008.
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