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CONTOS: REDAÇÃO

Página escrita por
Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

Veja também:

Escrever Contos - Elementos do Diálogo - Estruturação - Mini Aportes Temáticos - Uso do "Como"

Existem inúmeros livros– alguns são clássicos –, que ensinam como escrever um conto. Também na Internet existem muitos textos sobre como escrever uma  narrativa na forma de conto. Portanto, seria dispensável publicar páginas sobre o assunto, não fosse pela oportunidade de reunir ao tema alguns tópicos laterais, que  – eu creio – servirão para o escritor iniciante formar o seu estilo.

 Em sua generalidade, o processo de escrever um conto, e lhe imprimir qualidades interessantes para o leitor, é o mesmo de se escrever um romance. Parece-me que não há qualquer outra diferença salvo, é óbvio, a de abreviar, podar, limitar o texto, porque somente será um conto uma narrativa que for curta, de poucas páginas. É na habilidade de abreviar – sem que a história perca sentido, de encurtá-la sem que se torne grosseira e confusa, que está o talento do contista.

O escritor poderá ser bom para escrever um longo romance, e mau para escrever um conto. Igualmente, o escritor autor de belos contos, poderá não saber como explorar sua história dividindo-a em 300 capítulos de telenovela.

Eu abordo em minhas páginas alguns tópicos comuns ao romance e ao conto, que me parecem os mais críticos e problemáticos quando se trata de reduzir a extensão da narrativa, como exige o conto .

Se estivesse a escrever um romance, o autor poderia deter-se em descrever detalhadamente os personagens de sua história logo que ele entrasse em cena. Mas, em um conto – que é uma narrativa curta –, a descrição também precisa ser breve e resumida.  O recurso é falar primeiramente de modo geral, em poucas linhas, por exemplo, da sua vestimenta: "usava calças jeans", ou "uma saia branca rodada". No decurso da história os detalhes serão acrescentados conforme as oportunidades se apresentarem como: “apalpou o bolso da calça justa para certificar-se de que trazia a chave” (sua calça jeans era justa); ou “fez o gesto habitual de estender, com ambas as mãos, a parte de trás da saia plissada, enquanto se sentava” (sua saia branca era pregueada).

O mesmo pode ser feito quanto à descrição da personalidade, da condição social, da cultura do personagem. Exemplo: “era um homem culto” – qualidade primeira a ser ressaltada –, e depois: “O seu conhecimento dos hábitos senegaleses ajudou os demais a entenderem melhor a questão” (havia lido muito sobre os senegaleses, incorporando o conhecimento dos hábitos daquele povo à sua cultura).

O fato é que apenas no teatro e no cinema raramente se faz nos diálogos uma referência às roupas, à personalidade, aos hábitos do personagem, uma vez que esses dados constarão das instruções para a representação em cada cena. Mas em uma narrativa, todas as ideias a esse respeito terão que ser passadas ao leitor no próprio texto, para que ele, em sua imaginação, construa o cenário em que a trama se desenvolve. Sem essa informação – mínima que seja sobre o personagem e o local, o narrador estará escrevendo uma mera reportagem de fatos, não um conto.

 

*

O diálogo pode contribuir também para a abreviação da narrativa. É preciso aproveitá-lo como veiculador de informações que, em uma novela, poderiam ser desenvolvidos de modo mais extenso, ocupando mais espaço. Como exemplo, faço, abaixo, o desdobramento do conteúdo de um diálogo de conto “Metzengerstein”, de Edgard Alan Poe (A Carta Roubada e outras histórias de crime e mistério. . Trad. de William Lagos – L&PM, Porto Alegre, 2010, p. 45) a fim de demonstrar ao leitor o que foi sintetizado nele com o fim de reduzir espaço:

No conto de Poe:
 

"— E como morreu ele?

— Em seus esforços imprudentes para resgatar uma parte dos animais favoritos de sua equipagem de caça, ele próprio pereceu miseravelmente entre as chamas." (*)

 

Esse conteúdo poderia aparecer em um romance, desdobrado-se deste modo:

 

"— E como morreu ele? – perguntou o barão, chocado com a notícia. Sentou-se e se abanou com o chapéu.

"— No incêndio do matagal, por imprudência dele.

O criado narrou em pormenores como ocorrera o acidente. Metzengerstein tentara abrir caminho para que parte de seus cães de caça fugissem ao fogo que se alastrava à sua volta. Fracassou em seu intento. Ele e seus pointers pereceram miseravelmente entre as chamas do capinzal ardente."

 

Para o melhor aproveitamento dos recursos do diálogo é necessário um bom emprego da pontuação, incluindo-se como tal o uso dos seus elementos gráficos. Utilizando-me de exemplos colhidos na obra de alguns autores, demonstro sua utilização na página Contos: traço, travessão e outros elementos peculiares do diálogo.
 

*

Outro recurso importante para o contista em seu afã de reduzir a narrativa ao essencial são as orações subordinadas adverbiais comparativas. Eu exemplifico seu uso na página Contos: o uso do "como".  Com ele pode-se substituir uma longa descrição por uma observação comparativa, breve, com a mesma força de expressão do pensamento extenso próprio da novela.

*

Outro acessório é o que chamo "mini-aporte temático" (na página Contos: o emprego dos mini-aportes temáticos). Equivale ao chamado sub-tema de um romance. O sub-tema é impossível de ser desenvolvido em um conto por dificultar o encurtamento  coerente da história. Porém podemos incluir no conto, em um ponto estratégico, algum comentário resumido  que "concorra"  para clarear o caráter de um personagem, ou explicar, de maneira breve, suas ambições, sem competir ou disputar com o tema principal a atenção do leitor.

 É importante ressaltar que o emprego destes mesmos elementos sintáxicos (o uso do como e dos aportes elucidáticos) que ajudam a abreviar, pode atrasar a redação, prolongando-a, caso qualquer deles seja utilizado em demasia.

Trato também da "estrutura" do conto na página Contos: estrutura. A estruturação correta permite um desenvolvimento racional da história e influi na dinâmica da narrativa. O autor precisa escolher entre fazer sua narrativa na "primeira pessoa" ou na "terceira pessoa",  antes de criar as cenas em que o conto poderá se dividir estruturalmente.

 

*

Um recurso a mais para redução do texto escrito é a ilustração. Claro que desenhos e fotos são pensados no sentido da valorização do volume, como arte impressa, e muitos pintores e desenhistas ficaram conhecidos pelas magníficas ilustrações que fizeram para livros de contos, principalmente quando se trata de história infantil.

Porém aqui nos interessa ver a ilustração pelo seu lado econômico, quando um desenho meticuloso dispensa uma longa descrição sobre uma pessoa, sobre um lugar, sobre um fato, contribuindo para que o texto ilustrado fique menor. Uma vez que o principal problema do contista está relacionado à necessidade de condensar sua narrativa, uma ilustração sempre será um auxílio importante para isto. O desenho de uma praça substitui o que poderia ser uma longa descrição das ruas, das casas, da igreja e dos passantes. Os dois exemplos abaixo são de ilustrações de uma edição simplificada de dois contos de Guy de Maupassant –. “Le papa de Simon" e "La Fisselle”.(Cinq contes. Librairie Hachette, Paris, 1974, p. 30 e 51).

 

 

As ilustrações de um conto não são numeradas, nem têm legendas que as descrevam. Elas são apresentadas através da repetição de algumas palavras do texto a que se referem. As palavras do texto são repetidas como legendas das imagens.

Além desses elementos, exemplifico o uso da pontuação com base em trechos de romancistas e contistas consagrados (página Contos: traço, travessão e outros elementos peculiares do diálogo).

 

Rubem Queiroz Cobra

 

R.Q.Cobra
 Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
Lançada em
20-11-2012

 

Direitos reservados. Texto impresso original depositado na Biblioteca Nacional.
Para citar este texto da Internet:
Cobra, Rubem Q. - Contos: redação. COBRA PAGES: www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2004.
(“www.geocities.com/cobra_pages” é “Mirror Site” de COBRA.PAGES)

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