Pratos. Na página
Roteiro de um jantar completo está detalhada a
seqüência de pratos de uma refeição completa à francesa. O restaurante
em geral oferece todos os pratos que integram uma refeição completa. Mas, é comum o
cliente limitar seu pedido a no máximo dois, os chamados primeiro e
segundo pratos (O primeiro prato pode ser uma massa, por exemplo, ignoc;
o segundo prato, por exemplo, escalopinhos ao molho madeira com arroz à
grega) precedidos por um serviço de salgadinhos
como azeitonas, fatias de pão com patê ou manteiga, etc. Nos restaurantes mais
sofisticados, a quantidade de comida de cada prato é diminuta, prevendo-se que o
cliente pedirá a refeição completa ou uma seqüência de pelo menos dois pratos. Os
pratos são preparados levando-se em conta a qualidade, não a quantidade, e são
verdadeiras criações artísticas do Chefe da cozinha, tanto como pratos individuais
no serviço à americana, como em bandejas, nos demais serviços.
Em geral, no Brasil os restaurantes oferecem opões, com pratos
preparados em quantidade que vale por uma refeição, prevendo-se que o cliente pedirá
apenas um prato, Existe também o prato único suficiente para 2 pessoas. Isto pode
ser perguntado ao garçon. Se este for o caso, um casal pode solicitar um primeiro
(por exemplo peixe) e um segundo prato (por exemplo filé) servidos sucessivamente
uma metade para cada um, e assim organizarem sua seqüência.
O garçom anota o pedido dos dois pratos como primeiro e segundo,
e os apresentará na seqüência, o segundo depois de retirar e repor a louça e os
talheres utilizados no primeiro.
No restaurante, é uma boa norma o convidado
perguntar ao seu anfitrião que prato ele recomendaria. Conforme o que ele
recomendar, você ficará sabendo quanto ele pensa despender e poderá escolher o
indicado ou qualquer outro na mesma faixa de preço. É grosseiro pedir um prato caro
sem que o anfitrião encoraje você a fazê-lo. Se ele não sugerir nada, o convidado
procura entre os pratos de preços médios: não salta prontamente para um prato de
lagosta, por exemplo, sem que lhe seja explicitamente recomendado.
. Somente depois de freqüentar o
mesmo restaurante um certo número de vezes, o cliente descobrirá o que ele tem de
melhor a oferecer e como fazer com mais proveito o seu pedido.
É necessária clareza ao fazer o pedido, e que se repita pelo menos uma vez o nome e
o número do prato desejado, para garantia de que o garçom fez a anotação certa. O
mesmo com o vinho.
*
Aparelhamento-da-mesa.
Os talheres estão postos pelo garçom na ordem em que deverão ser usados pelo
cliente em uma refeição completa. As facas e colheres, à direita do prato que marca
o lugar; e à esquerda, os garfos. A colher a ser usada com a sopa, que constitui ou
é parte da entrada, estará na posição mais afastada, à direita. Depois de usada será
deixada dentro do prato de sopa vazio que será retirado pelo garçom. O talher
seguinte será a faca mais externa, a que antes tinha a colher ao lado. Será usada
juntamente com o garfo mais externo no lado esquerdo do prato, para o primeiro
prato. Se o primeiro prato for peixe, o garçom trocará esse jogo de talheres pelo
que é próprio para peixe. Depois de usados, esses talheres serão deixados sobre o
prato, na posição que é indicada na figura que está na página
Pratos e Talheres. Com os talheres para o
segundo prato, que poderão ser um pouco maiores, o procedimento é o mesmo. Os
talheres para a sobremesa são normalmente posicionados na frente do prato, do lado
oposto ao da borda da mesa.
O pratinho para o pão é colocado à esquerda, acima dos
garfos e do guardanapo. Sobre ele é colocada uma faca pequena para manteiga ou outro
revestimento que seja servido. É um erro deplorável a pessoa apropriar-se do
guardanapo e do pãozinho que estão à sua direita, e que não são os seus, porque os
que lhe cabem estão do lado esquerdo.
O prato de serviço, quando corresponde ao tamanho dos
pratos maiores é mais conhecido por sous-plat (do francês, significando
"debaixo ou sob o prato"; pronuncia-se "suplá"). Funciona como uma bandeja para os
pratos da refeição, e é retirado ao final, para dar lugar ao prato de serviço
pequeno, próprio para a taça de sobremesa. O talher da sobremesa, depois de usado, é
deixado sobre esse pratinho e não dentro da taça.Os demais talheres e utensílios são
a faca de manteiga sobre o prato de pão, o guardanapo, e o prato de serviço ou
sous plat.
Pãozinho,. Um pratinho para o pão é colocado à
esquerda, acima dos garfos e do guardanapo, mas pode também estar no sous-plat.
Sobre ele é colocado o pão e uma faca pequena para manteiga ou outro revestimento
que seja servido. Hoje, por ser mais prático, o pão fatiado é colocado em uma cesta
no centro da mesa. É um erro deplorável a pessoa apropriar-se do guardanapo e do
pãozinho que estão à sua direita porque os seus são os que estão à sua esquerda.
Para evitar que o vizinho se aposse do seu prato de pão, quer por distração ou por
ignorância, a pessoa pode, logo que desdobra o guardanapo, remover seu pãozinho e
deixá-lo provisoriamente sobre o sous-plat ou sobre o forro da mesa, enquanto
não for servido o primeiro prato. Quando o pão é oferecido fatiado em uma cesta,
cada convidado retira seu pedaço, coloca-o no pratinho de pão ou sobre o forro, e
passa a cestinha ao comensal ao seu lado. O pão não é cortado com faca, mas tira-se
dele porções de cada vez, mando-o seco, passando-se a manteiga apenas no pedaço que
será levado à boca.
Se
o restaurante é francês, ou de outro país europeu continental, ou um país
culturalmente influenciado ou colonizado pela França, deve-se respeitar o uso do
garfo na mão esquerda, com os seus dentes voltados para baixo. Se, diferentemente, o
restaurante está em um país colonizado ou influenciado culturalmente pela
Inglaterra, o uso do garfo é na mão direita
e com os dentes para cima;
é
trocado para a mão esquerda apenas no momento de cortar a carne.
No
Brasil, pessoas que estão sob a influência do neo-colonialismo francês do final do
século XIX e início do século XX usam o garfo na mão esquerda, como os franceses. A
maioria dos brasileiros, porém, segue o hábito herdado de Portugal – que por sua vez
o assimilou através de seu relacionamento com a Ingleterra –, de usar o garfo na mão
direita, excetuado no momento de cortar a carne (Veja mais sobre o assunto na página
Pratos e Talheres).
O próprio Brasil teve intenso relacionamento comercial
e cultural com os ingleses, principalmente no interior do pais, com a implantação do
transporte ferroviário no país, e nas capitais devido ao comércio marítimo, nos
séculos XVIII e XIX.
Copos. A utilização dos copos segue a mesma
regra dos talheres, quanto à ordem em que são usados. O primeiro à direita, que
também é o menor, será para o vinho branco que acompanha o primeiro prato
(geralmente carnes brancas). O do meio, de tamanho médio, para o vinho tinto que
acompanha o prato principal (geralmente carne vermelha), e o terceiro e último, o
maior dos três, para água. Mas a ordem em que são cheios pelo garçom é um pouco
diferente, porque o primeiro servido é o maior à esquerda, o copo para água , e
depois, acompanhando o primeiro prato, é servido o menor, que é o primeiro à
direita.
Os pratos, copos, garfos e facas, devem estar limpos,
e os guardanapos e o forro da mesa não podem dar qualquer sinal de que foram
utilizados na mesa de outro cliente: devem mostrar os vincos de passados a ferro de
engomar. O cliente deve solicitar ao garçom a substituição de qualquer desses itens
que esteja sujo ou amarfanhado. Se está na mesma mesa que o anfitrião, caso seja um
convidado, deve dar conhecimento a ele antes de reclamar, ou esperar que ele próprio
reclame.
Indumentária. Não se senta à mesa de um restaurante
vestindo um casaco de frio. A guarda do casaco será providenciada por um
recepcionista logo à sua chegada, e a blusa de lã ou blazer que o cliente tiver por
baixo dele poderá ser tirada depois, se mais tarde sentir calor e mantida no colo ou
deixada sobre um assento vago,. Poucos restaurante ainda requerem que o cliente use
paletó e gravata. No mundo inteiro jeans, camiseta e tênis passaram a ser um casual
chique durante o dia. A qualidade e a marca passaram a ser o mais importante, porém
para um jantar em um restaurante fora da praia é recomendável uma vestimenta mais
tradicional.
No restaurante é boa norma cumprimentar de longe, quando o
conhecimento não é mais íntimo. Quando a aproximação é inevitável, os homens da mesa
levantam-se para cumprimentar a senhora ou o senhor que chega. Esta ou este deve
pedir que todos voltem a sentar-se.
|
|
|
|
|

|
|
|
Fig. 1 |
O vinho. O garçom, - ou o somellier nos
restaurantes que tem esse profissional -, apresenta o vinho ao anfitrião
voltando-lhe o rótulo da garrafa. Confirmado que é o vinho desejado, a garrafa é
aberta e lhe é apresentada a rolha. Ele deve examinar se a rolha está ressecada, ou
se tem cheiro diferente do vinho (cheiro de vinagre ou cheiro de mofo) dois fortes
indícios de que o vinho pode estar estragado. Nada encontrando, um pouco do vinho é
vertido em sua taça e ele fará discretamente o teste do aroma
(se diz buquê para os vinhos tintos) e a prova do paladar
(degustação). Como dito, se o Sommelier apresentar-se com a
testevin (Q. vd.), o anfitrião pode pedir que ele experimente e aprove o vinho,
em seu lugar.
Se o vinho satisfaz, autoriza o garçom a servi-lo a seus
convidados. A propósito desse ritual, o leitor encontrará mais detalhes na página
sobre escolha do vinho e na página sobre
garrafas, rótulos e rolhas. O cliente não se
serve do vinho que está no balde com gelo. Deve solicitar o garçom a servi-lo.
*
Um prato que esteja frio, ou que não é
o escolhido, pode ser devolvido. Mas devolver o prato atrasará o jantar, e poderá
ser preferível o cliente aceitar o que está à sua frente. Mas deve dizer ao garçom,
ou ao maitre, sem necessidade de ser rude, que não foi atendido corretamente.
É comum, porém, que o cliente não identifique o prato que recebe como sendo o que
pediu, se não presta atenção à descrição do mesmo, apresentada no menu, ou se na
carta não vem nenhuma explicação. Por isso é interessante que peça ao garçom uma
descrição do prato, antes de fazer o pedido, e certifique-se de que o “filé” é
filé-mignon e não bife de contrafilé ou alcatra.
Em um restaurante de boa categoria, o cliente
é servido pela esquerda, e os pratos são retirados pela direita. Este é um
procedimento padrão.
As senhoras são servidas antes dos
homens, primeiro as convidadas de mais importância, à direita e à esquerda do
anfitrião – a anfitriã por último. Os homens são servidos
por ordem a partir do convidado de honra o qual estará sentado à direita da anfitriã
– o anfitrião por último. Para cada novo prato a ser
servido, deve ser colocado um prato limpo diante do cliente.
Crianças. Os pais
devem escolher restaurantes que tenham atendimento para crianças, e onde podem se
distrair com desenhos, futebol de mesa, escorregos, etc. Levar crianças ao
restaurante é sempre pouco aconselhável, e à noite é impróprio, a menos que seja um
com recursos para distraí-las sem perturbar a clientela.
Cliente-solitária. Cada dia mais mulheres comem sozinhas
em restaurantes caros..Uma cliente solitária pode despertar em outro cliente
solitário a idéia de convidá-la para compartilhar sua mesa. O modo correto de fazer
o convite é com a ajuda do garçom. Uma recusa deve ser recebida com naturalidade,
pois ela pode estar justamente buscando descanso de compromissos de trabalho
excessivamente envolventes. A mulher, para evitar receber um convite dessa natureza,
deve comentar com o garçom que está feliz por estar sozinha.
Enviar uma bebida, uma flor, mandar pelo garçom o recado
de que a música que está sendo executada foi uma solicitação para homenageá-la podem
não surtir outro efeito senão provocar um sorriso: ela não tocará no drinque e ao
sair deixará para traz a flor.
Sobras.
Quando se come a parte principal e mais deliciosa do prato, as sobras serão, talvez, de
acessórios com valor gastronômico desprezível. Porém, não é incorreto solicitar ao
garçom que faça a embalagem do que sobrou nas bandejas (nunca da sobra no prato de
comer), ou que feche a garrafa de vinho ainda cheia, para levar para casa. Não
significa necessariamente que o cliente é uma pessoa muito econômica ou de poucos
recursos, pois pode haver várias razões de conveniência para quem mora sozinho, ou
come e bebe pouco e não quer ver desperdiçada uma comida de boa qualidade nem deixar
um bom vinho do qual uma dose comedida. Mas deve-se evitar ao máximo tal
procedimento. Pede-se a quantidade que se tem certeza de consumir, ou então
consome-se a parte de maior valor gastronômico e o restante de pouco valor é deixado
na travessa.
Gorjeta.
Gratificação que o garçom recebe do cliente como expressão de agrado
pelo atendimento, e até constitui, muitas vezes, a parte mais significativa de seus
rendimentos. O costume no nosso país é uma gorjeta de 10 % da despesa efetuada nos
restaurantes e bares. Em geral essa percentagem vem indicada ao final da nota e na
maioria das vezes já está incluída no total a ser pago.
Ocorre, porém, uma distorção, O percentual implica que uma
garrafa de vinho pode representar uma grande diferença na gorjeta, sem que um vinho
caro dê ao garçom qualquer trabalho a mais que um vinho de menor preço. Opostamente,
10% parecerá irrisório, se a despesa foi relativamente pequena (um chope e um
pratinho de salgados, ou mesmo apenas um cafezinho e uma água mineral) e o cliente
foi servido com eficiência e cortesia,. Em tal situação seria justo gratificar o
garçom com um pouco mais, pelo menos 20%, e o cliente terá que lhe dar a diferença
em moeda e diretamente em sua mão. Em outros países a gorjeta mínima é comumente de
15% ou 20%, e mesmo que não esteja incluída na nota da despesa, seu pagamento é
esperado pelo garçom e constitui quase uma desonestidade deixar de pagá-la.
.
Não é considerada gorjeta mas sim uma propina e suborno, a
importância que o garçom aceita para sentar um cliente que lhe interessa antes dos
que chegaram primeiro.
O cover [ do
fr. Couvert ] é uma taxa que o restaurante cobra em acréscimo sobre o custo
da refeição e bebida consumidas pelo cliente. Refere-se ao custo do atendimento que
a casa oferece ao cliente. Inclui o aparelhamento da mesa(perdas que ocorrem de
cristais, louça, baixela; iluminação, decoração, e toda a despesa de manutenção do
estabelecimento) tem três significados distintos: custo de salgadinhos que o cliente
consome como acompanhamento de uma bebida, enquanto aguarda o prato solicitado e que
não é obrigatório; e custo cobrado pelo luxo do restaurante, bar ou boite ou pela
alta procura que tem; e terceiro, custo correspondente a numero de arte como piano,
apresentação de cantor ou pianista.
Fatias de pão, rissine,
azeitonas, cubinhos de queijo são oferecidos para justificar simbolicamente o
couvert.
*
Um jantar formal para muitas pessoas em um restaurante deve ser
combinado previamente com o gerente da casa. É imperativo ter um contacto prévio com
o maitre,
ouvir suas sugestões e discuti-las, escolher quais pratos constituirão a
seqüência a ser servida, os vinhos para cada etapa, as
sobremesas, aperitivos e licores; verificar
o melhor posicionamento para a mesa única, se for o caso, e providenciar as
flores para sua decoração. É oportunidade também para se combinar a colocação dos
cartões indicadores do lugar de cada convidado, assunto da página
Lugares à mesa. Esta indicação pode ser uma boa medida, para evitar que o
anfitrião precise definir na hora onde cada convidado deverá sentar-se. É medida
imprescindível nos jantares altamente formais, para evitar ferir susceptibilidades.
Quanto à ocupação
Finalmente combina-se o modo de pagar, para que o acerto seja
feito de modo discreto, depois da saída dos convidados. É uma boa idéia oferecer
previamente ao gerente uma parte do pagamento à guisa de caução. É provável, no
entanto, que ele não aceite, mas o fato de ter sido feita a proposta positivamente
já será motivo de maior confiança para ele adiantar providências como o tempero
prévio de grandes porções de carne, de legumes, etc., de modo a reduzir o tempo de
espera do serviço de mesa.
Nas páginas sobre
boas maneiras à mesa, apresentações,
conversação,
discursos e brindes, lugares à mesa,
pratos e talheres,
refeição completa, e inclusive vinhos, o leitor
encontrará matéria que complementa com detalhes o conteúdo desta página.
Q-29
Refeição à francesa ou refeição completa
·
Antepasto ou Hors-d’oeuvre. É o estágio
preparatório; em português ou italiano: o antepasto. Do antepasto não se
espera que seja particularmente nutritivo, mas que excite o aparelho digestivo, e
aguce o apetite. Por isso no antepasto servem-se alimentos de aspecto atraente, que
excitam o apetite, que estimulam as glândulas salivares e gástricas: folhas de
alface, tomates, limões fatias de ovos, escargots, pãezinhos, que são
precedidos ou acompanhados de pequena dose de aperitivos: caipirinha, Campari com
suco de laranja (se vão além de uma pequeníssima dose, os aperitivos fazem efeito
contrário: anestesiam e paralisam as glândulas digestivas, embotam o paladar e matam
o apetite, e causam dor de cabeça!...).
·
Sopa. A refeição propriamente começa com uma pequena
quantidade de sopa que continua o trabalho de preparação iniciado com o hors d’oeuvre:
destina-se a dilatar, com seu calor, os vasos sangüíneos da boca e estômago, e a
estimular as glândulas e, principalmente, fornecer o volume de líquido que o
processo digestivo irá consumir. Um caldo quente, o consommé, tem o mesmo
papel e finalidade da sopa.
·
Entrée. Etapa da refeição entre o hors d’oeuvre e
o prato principal. Tudo preparado para a degustação e a digestão do alimento, é
apresentado o “primeiro prato” ou entrée, de alimento um pouco mais leve que
o do prato principal, que se lhe haverá de seguir. Carnes mais leves como soufflé,
peixes e aves, ostras, siris, servidos com alcachofras, aspargos, etc. Este prato é
acompanhado de um vinho mais leve que o vinho que depois acompanhará o prato
principal. Geralmente é servido vinho branco seco, nunca vinho doce, nem mesmo os
suaves. Há mesmo quem prefira o vinho verde, para aguçar ainda mais o apetite para o
prato principal. Pão branco e manteiga pode ser parte do acompanhamento. Em longos
jantares de cerimônia podem ser servidas duas ou três entradas.
·
Prato-principal. O prato principal (le plat de
résistance ou plat principal, para os franceses e “entrée” para os
americanos) é o que representa realmente a refeição, ou seja, contem o alimento que
irá ocupar de modo integral todas as funções digestivas do organismo e do qual este
irá obter os principais nutrientes de que necessita: carboidratos, proteínas e
gorduras (As vitaminas já adquiriu com a alimentação mais leve e estimulante dos
pratos precedentes).
·
NOTA. O prato principal é em geral à base de carne vermelha (carne de
gado) ou carne de porco e de animais de caça, que fornecem proteínas completas.
Podem ter por base carnes de aves mais densas, como a de pato, ganso e peru. As
carnes são acompanhadas de legumes como arroz, batata e feijão, e verduras mais
consistentes como a couve: farofa com passas e castanhas ou pasteis de carne são
outros tantos acessórios. O prato principal é acompanhado de um vinho mais denso
(encorpado), geralmente vinho tinto, que alguns preferem que seja bastante rascante.
·
Prato de queijos. Após o prato principal vem o prato de queijos
(le plateau de fromages). Os cheiros e sabores fortes do prato principal
precisam ser dissipados e os queijos se prestam para isso. Duas ou três variedades
podem ser oferecidas para atender as preferências de cada um. As variedades mais
consistentes são preferíveis porque precisam ser mastigados fortemente e formam um
bolo um pouco áspero que limpa a língua e também a garganta ao ser deglutido. Ainda
de quebra, seu poder nutritivo não deixa de enriquecer a alimentação. Para quem não
aprecia queijos ou está proibido de comê-los, algumas frutas podem substituí-lo
muito bem na sua função. Três a quatro uvas, ameixas ou morangos, meia maçã ou pêra,
e nozes, têm bom efeito.
·
Sobremesa. Removidos os vestígios da fase salgada da
alimentação, esta prossegue com a fase doce, que tem lugar ainda à mesa da refeição:
a sobremesa (le dessert). Compotas, sorvetes, mousses, etc.
·
Finalização. Fora da mesa de refeições, no living, são servidos
o café, os licores (pelo menos duas variedades), e o cognac, cuja função é
ajudar a digestão das gorduras e cortar a sonolência uma refeição tende a causar.
Podem ser servidos ainda à mesa da refeição, quando se deseja abreviar o encontro
social ensejado pela refeição, o que geralmente acontece quando se trata de um
almoço. No caso do jantar, porém, é mais freqüente o propósito de prolongar o
encontro, estimular a Conversação e por esta razão o living ou uma biblioteca
ampla será o local mais próprio para o café, os licores e o cognac exercerem
seu poder de estimular e excitar a imaginação. Saber se servir adequadamente quando
uma refeição completa é servida é importante questão em Boas-maneiras à mesa.
Serviço-à-inglesa.
Não se caracteriza por uma variedade de pratos
servidos em uma seqüência estudada, como o serviço à francesa. Em sua versão
familiar, para poucas pessoas sentadas à inglesa, toda a refeição é colocada de uma
vez sobre a mesa, em travessas, excetuada a sobremesa. O anfitrião trincha a carne,
e prepara o prato, e o passa ao conviva ao seu lado direito, que o repassa ao seu
vizinho, de modo a chegar à anfitriã, no outro extremo da mesa, que é a primeira a
ser servida. Faz o mesmo para o seu lado esquerdo, para que o prato chegue ao
convidado de honra, sentado à direita da anfitriã, ou serve a convidada de honra à
sua direita. A distribuição continua, com a colaboração dos próprios convivas, e
segundo a ordem de precedência, e todos esperam que a anfitriã inicie a refeição,
para começarem a comer.
Modificações são
introduzidas, quando o anfitrião é ajudado por garçons, ou por uma copeira. Este
auxiliar traz a comida em uma bandeja e apresenta-a ao anfitrião – sentado à
cabeceira da mesa – e com sua aprovação, começa a servir a anfitriã e a convidada
mais importante, que está à direita dele, prosseguindo conforme a regra de
precedência.
As carnes vêm em
peça inteira e o anfitrião trincha ou corta as porções, e em seguida o garçom toma a
travessa na palma da mão esquerda enquanto com a direita, segurando juntos dois
talheres que funcionam como uma garra, serve cada um dos convivas, sempre pela
esquerda, conforme a praxe Fig. 66. Depois de servir, poderá deixar as bandejas sobre a mesa, para que os convidados se sirvam
uma segunda vez, ou deixá-las sobre um aparador, ao lado do qual aguarda para
atender durante toda a refeição.
Nesta variação,
o serviço à inglesa ainda é um tipo de serviço essencialmente doméstico. Porém pode
ser adotado por um anfitrião com seus amigos em uma sala privativa do restaurante ou
do clube, auxiliados por garçons.
Em um
restaurante, o ritual de servir será o mesmo que o doméstico com garçom, porém o
serviço da carne não mais tem a interferência do anfitrião; ela vem fatiada e é
servida em porções fixas do mesmo modo que os pratos acessórios.
Rubem Queiroz Cobra
Lançada em 01/10/2001
Parte I -
Parte II