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Cerimonial, Protocolo, Etiqueta e Boas-maneiras - Definições

Página escrita por
Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

 

Ao apresentar nesta página as minhas definições de Cerimonial, Protocolo, Etiqueta e Boas-maneiras, e outros termos correlatos, busco sanar uma lacuna, que é a inexistência de definições precisas dessas disciplinas e da demonstração clara das relações entre elas. As definições estão aqui resumidas a partir do livro no qual as publiquei em 2002.(*)  Anexei o meu organograma explicativo, o Quadro de Definições abaixo, para detalhar com clareza as relações entre as disciplinas envolvidas.
 

Quadro de definições

 

 

Auto-estima

Entendo por “auto-estima” o sentimento resultante do conhecimento comparado do próprio valor, em relação a valores pessoais respeitados no meio social ou a que o próprio indivíduo aspira como valores ideais, e do qual a pessoa tem consciência por autocrítica ou pelo reconhecimento social que recebe. É referência natural para sua felicidade e decisão de existir, e fundamento para o seu bom comportamento social. Cp.c.. amor-próprio. A auto estima do outro é respeitada quando ele é reconhecido em tudo aquilo a que empresta valor e fundamenta sua própria auto-estima.

Boas-maneiras

Boas-maneiras é uma disciplina que reúne normas relativas ao comportamento respeitoso nos vários episódios possíveis do relacionamento social tais como os modos de saudar, à necessidade de retribuir provas de consideração, ao comportamento em lugares públicos e no clube; às precedências por idade e situação social, ao dever de agradecer serviços gratuitos recebidos, etc.

Como tais atitudes são voluntárias, encontramos seu motor na auto-estima (V.p.f.) do indivíduo que as valoriza, e que tem prazer em abraçar uma atitude digna da condição humana conforme ensina a Ética (superação dos instintos primitivos do homem), e seguir os preceitos apontados pela Civilidade (cooperação e mútuo entendimento, amizade, generosidade e respeito como condição de vida social). Como uma disciplina prática, Boas maneiras tem por auxiliares as regras técnicas da Etiqueta e do Protocolo.

Sinônimos populares de Boas-maneiras: Graciosidade; Cavalheirismo; Galanteio; Urbanidade, etc .

Celebrações.

Permita-me o leitor fazer um contraponto entre celebração e comemoração, para encontrar mais facilmente como defini-las.  Em meu modo de ver, celebrar consiste em assinalarcelebração de um aniversário se fazem votos de muitos anos de vida ao aniversariante, ou que a data se repita. Na comemoração de um aniversário, enfatiza-se o histórico, o caminho vencido até aquela data festiva. 

Me parece que isto deveria ser lembrado na proposta de um brinde e nas palavras de um discurso. Enquanto em uma comemoração se dá ênfase ao passado, nos pronunciamentos feitos nas celebrações se põe esperança no futuro.

NOTA. As celebrações têm as suas dimensões, representadas pelo número de eventos que as compõem, quantidade de participantes e assistentes, espaço em que se realizam e extensão do seu programa no tempo. Os casamentos compreendem um número variável de eventos, conforme a dimensão que se deseje dar à sua celebração.

Cerimônia

A Cerimônia é um evento social solene, constituído da integração coordenada de ações carregadas de um sentimento especial (sentimentos de patriotismo, respeito, fé religiosa, etc.) coerente com seu objeto e com sua natureza (celebração ou comemoração solene), estimulado pelo Ritual que o integra, e tem a finalidade de solenizar (tornar indeléveis perante a sociedade) acontecimentos sociais significativos.

Em uma cerimônia fúnebre, na qual está inserida uma missa de corpo presente, o sentimento é de luto e tristeza. Em uma solenidade de formatura, com o ritual da entrega dos diplomas, eu diria que os formandos e a assembléia estão imbuídos de sentimentos de alegria e esperança.

A Cerimônia segue um Protocolo ao qual incumbe, como se verá abaixo, cuidar da integração dos diversos participantes nas várias etapas do evento, com a preocupação de respeito à importância social relativa de cada um e às regras de Boas-maneiras e Etiqueta,

O estudo e a organização das cerimônias cabe ao Cerimonial.  

Cerimonial

Cerimonial é a disciplina cujo objeto é o conhecimento relativo às cerimônias (V.p.f. cerimônia), quanto às finalidades a que se prestam, à sua oportunidade, seu planejamento e execução, sua adequação aos sentimentos que se propõe exaltar, mediante o conhecimento pertinente da história, da ritualística, das tradições culturais folclóricas e religiosas envolvidas, e quanto ao protocolo de precedências a elas respectivo.  

Cerimonialista.

Especialista em organização de cerimônias e de recepções. Consultor de eventos.  

Civilidade

A abrangência do termo é vasta, e o seu significado às vezes confuso. Por isso acho melhor começar por tentar dirimir os equívocos, antes de falar da relação entre Boas-maneiras e Civilidade.

A Civilidade é uma disciplina subordinada à Ética. Tem por fundamento o sentimento de solidariedade, de  respeito espontâneo entre as pessoas, e a busca permanente da harmonia social. Suas prescrições não são obrigações da lei moral ou determinações externas porque resultam de consenso e convenção entre as pessoas quanto ao que se pode voluntariamente fazer em prol da convivência pacífica e prazerosa entre os cidadãos.  Segui-las é altamente meritório, perante a Ética.

Acredito que o maior problema com o significado do termo Civilidade é ser frequentemente confundido com Moral Social. Contribui para tanto o fato de que um preceito de Civilidade, quando é muito desrespeitado, pode ser transformado em Lei, passando sua obediênccia a ser obrigação moral de todos os cidadãos.

Por exemplo: – Votar é um princípio de civilidade a ser respeitado conscientemente e de boa vontade por todo bom cidadão. Mas,  se este não vota, votar pode tornar-se obrigatório por Lei, e então passará para a esfera da obrigação Moral, e deixará de ser meritório. Abster-se de votar passa a ser uma falta contra a Moral Social que poderá ser castigada, não propriamente devido ao indivíduo não votar, mas por deixar de cumprir uma Lei. A transformação de princípios de civilidade em determinações legais da Moral Social é tão maior quanto menos educada é a população.  

Vários outros exemplos existem de princípios de civilidade que passaram a ser cláusulas da Lei, como a consideração com as pessoas idosas ou  portadoras de deficiências, o preconceito, o bulling, a agressão às mulheres e o assedio delas no transporte coletivo, etc. Quanto maior o desrespeito aos princípios da Civilidade, maior o número das leis necessárias para evitar que a sociedade se torne selvagem.

A civilidade tem em seu campo Boas-maneiras e as outras disciplinas a ela diiretamente vinculadas porque são necessárias ao convívio entre as pessoas, e mesmo entre os povos, por via da diplomacia.

A Enciclopédia Larousse (1926) informa, sob o verbete Civilité, que Erasmo de Roterdã, notável intelectual holandês do século XVI, se preocupava em fazer que seus educandos assimilassem desde criança, normas fundamentais de Boas-maneiras. Ele escreveu, o De civilitate morum puerilium (Da civilidade dos costumes das crianças), um pequeno livro de Boas-maneiras publicado em 1530, muito procurado e lido na Época Moderna.

Comemorações.

São as festas e demais eventos sociais, populares, informais, formais ou solenes, que expressam júbilo por algum fato auspicioso ocorrido em passado imediato, recente ou longínquo. Exemplo: “Com esta festa comemora­mos o bi-centenário de nascimento do grande poeta”.

Em comparação com celebração verificamos que não são termos sinônimos. Diz-se, por exemplo: “o Brasil comemora o penta campeonato conquistado no ano passado”. No caso, seria incorreto dizer “celebra” em lugar de “comemora”, porque “celebrar” consiste em assinalar, com algum tipo de evento social, um acontecimento do presente.

Em outros casos o emprego de um ou de outro termo pode ocorrer, dependendo de qual a perspectiva que se deseja adotar. Por exemplo, “Deu uma grande festa para comemorar as bodas de ouro”, é comemoração porque lembra um casamento ocorrido há 50 anos. Mas, por outro lado, as “bodas de ouro” têm, por si mesmas, grande significação, e se realizam no presente. Sob esse segundo aspecto são uma celebração (V.p.f.)..

Ao propor um brinde, me parece que o proponente deveria levar em conta as nuances da diferença entre “comemorar” e “celebrar”, valendo-se de recordações e exemplos de luta do passado que conduziram à situação presente ou, no segundo caso, enaltecendo o que acontece no presente com votos para o futuro.

Estética.

A Estética, disciplina que remonta à filosofia grega, ocupa-se com o estudo teórico do belo, buscando entendê-lo, explicá-lo e avaliá-lo nos objetos ideais, na natureza e na obra de arte.
O que é pretendido por Boas-maneiras através de sua relação com a Estética é conhecer e evitar aquilo que, esteticamente considerado, possa agredir e afastar as pessoas por ferir sua sensibilidade, e procurar os meios de agradar, no sentido de aproxima-las. Como já disse, eu penso que, no convívio social, somos naturalmente objetos estéticos uns para os outros, e isto faz nossa aparência ser tão importante. Por isso é norma de Boas-maneiras o vestir-se bem, ter os cabelos limpos e bem penteados, usar jóias com adequação, etc.

Ética

A Ética é, hierarquicamente, a primeira disciplina filosófica quando o agir humano é considerado. O comportamento ético é aquele digno dos atributos transcendentais da natureza humana, ou seja, o comportamento que é condizente com sua racionalidade, sua liberdade, sua sociabilidade e sua sentimentalidade (ou afetividade). A Ética se vincula à Antropologia Filosófica, que trata dos valores humanos e do compromisso do indivíduo e da sociedade com esses valores. Abaixo da Ética, estão a Moral e a Civilidade, a primeira diz respeito à liberdade, à justiça, e ao dever. A segunda prescreve o que se pode voluntariamente fazer em prol da convivência pacífica e prazerosa entre os cidadãos. A Civilidade alcança boa parte dos seus objetivos por meio de Boas-mneiras e Etiqueta, e das outras disciplinas a elas vinculadas.

Civilidade (V.p.f.).

Etiqueta

Etiqueta é, para mim, uma disciplina técnica, e me parece um grande erro tomá-la como sinônimo de Boas-maneiras. É da alçada da Etiqueta indicar as formas mais práticas e adequadas para que o conforto seja o maior possível e o respeito ganhe a máxima expressão em cada aplicação das normas de Boa-maneiras, e isto implica detalhes técnicos como: arrumação da mesa para o jantar sentado formal com ou sem garçom, como organizar almoços e jantares com buffet, roupas adequadas aos eventos, formas para convites e agradecimentos, escolha e entrega de presentes, etc.  Como visto, a Ética tem princípios; não têm normas nem regras. A Civilidade tem preceitos derivados de princípios éticos. Boas-maneiras tem normas, e Etiqueta têm regras técnicas.

As regras da etiqueta para a distribuição de pessoas à mesa são úteis para a melhor interação entre a família do anfitrião e os convidados, ou simplesmente entre os convidados, o que é uma norma de cordialidade à mesa de Boas-maneiras. Essas regras permitem também o reconhecimento pelo anfitrião do grau de importância que a sociedade atribui a cada um dos seus convidados.  Esta é uma evidência de que a Etiqueta é uma disciplina que se ocupa das técnicas para a bom transcurso dos eventos sociais no que diz respeito a Boas-maneiras.  

Eventos sociais

Embora se fale de recepção, festa, comemoração e celebração, como sinônimos, a consideração atenta dos significados destes termos, de acordo com sua etimologia e com o emprego que usualmente deles se faz, mostra que se referem a situações sociais de natureza diversa, Têm em comum serem eventos que reúnem pessoas movidas por um sentimento de solidariedade  e um propósito socialmente saudável, de educação  da sua autoestima e de respeito à auto-estima alheia, no que seguem os princípios da Civilidade.  Embora possam ser definidos como eventos  de natureza diferente, Evento social ou acontecimento social, ou ainda sucesso, são termos  que podem reunir todos eles. Os Eventos sociais, quanto à sua natureza, podem ser celebrações ou comemorações e, quanto à sua forma, podem ser informais, formais, e solenes (V.p.f.).

Eventos sociais formais

Compreendem Jantares, Chás, Coquetéis, etc. que são recepções comandadas por um anfitrião que faz os convites e recebe os convidados à porta. Têm um protocolo menor que chamo Pauta protocolar para diferencia-lo do Protocolo mais rigoroso das solenidades (V.p.f.).

Alem das Recepções existem as reuniões formais, que igualmente obedecem a uma pauta protocolar, a qual diz, por exemplo, quais devem ser os componentes da mesa, o tipo de saudação e a ordem da convocação para participação na mesa ou para as citações na saudação ao plenário, os termos do encerramento, etc. Ex: “reunião de empresários”, “reunião da irmandade”, “reunião do condomínio promovida pelo síndico”. “Reunião de professores concovada pelo Conselho”, etc.

Eventos sociais Informais.

Existem pelos mais variados motivos. As normas de Boas-maneiras e as regras de Etiqueta não são desprezadas, mas não existe uma Pauta protocolar. Os promotores convidam os amigos ou os interessados pessoalmente, ou o fazem por e-mail ou telefone. São deste tipo os debates, conferências, bailes, jogos, manifestações políticas, O promotor pode não conhecer boa parte dos participantes no evento que promoveu. Uma reunião informal é o mais simples dos eventos sociais. Acontecem com a finalidade de distração ou de discussão de negócios, promovida por um ou mais dos participantes. Ex.: “reunião de amigos para um chopp”. “Reunir amigos para um churrasco”. “Reuniu amigos para comemorar com queijos e vinhos”.

Eventos sociais solenes. V.p.f. solenidade.

Festa

Evento social informal para fim de divertimento, marcado por alegria, júbilo, regozijo,; festa muito anima­da; festa de arromba; festão, festança. Dará uma festa no seu dia de aniversá­rio. Tem um significado coletivo, quando se refere a um conjunto de cerimônias com que se celebra ou com que se comemora qualquer acontecimento como em Festa do Natal, reunindo ceia, celebração da missa do galo, amigo oculto, almoço de Natal, etc. Festa da cumeeira. Na liturgia, festa em honra de Santo Antônio. De festa deriva festival, acontecimento artístico  para mostra de grandes realizaçõs concorrentes a prêmios, como o festival de cinema de Brasília, etc.

Pauta protocolar

Plano geral ou esquema resumindo de etapas para um evento social formal que não é solene. Pauta, como organizar eventos formais que não requeiram um Protocolo rigoroso. Pauta as medidas para o bom transcurso de recepções como almoços e jantares, o Chá, coquetéis, e eventos onde, em geral, não haja necessidade de pormenorizações quanto a ordens de precedência pela posição social dos convidados nem entrosamentos com rituais e outros eventos, que cabe ao Protocolo solucionar. 

Protocolo.

Protocolo é o termo que designa o plano para a execução de uma cerimônia com previsão de suas etapas, de seu ritual, se houver, e das precedências a serem observadas entre seus participantes. Ele se aplica à organização das cerimônias, como instrumento do Cerimonial (V.p.f.)

Ao promover uma cerimônia o Cerimonial já terá previsto a organização que ela terá, o modo de abertura e encerramento, sua data e duração, o ritual a adotar, as autoridades e os convidados a participar, a cronometragem das etapas, etc. O registro ou assento desse planejamento é o Protocolo da cerimônia, e o serviço encarregado de executá-lo é o próprio Cerimonial.

O Protocolo, como a Etiqueta, é essencialmente técnico. Não se orienta pelo respeito à pessoa humana em si – preocupação que cabe ao Cerimonial na sua avaliação geral da organização da cerimônia –, porém pelo respeito ao status ou condição de importância do indivíduo como elemento político ou religioso em um determinado contexto, ou em uma relação de contextos, na solução que é pedida para a realização das cerimônias e dos seus rituais.

Porém não é uma arte, como a Etiqueta, e sim uma disciplina ordinária do conhecimento, que tem vínculo com a Administração, a Diplomacia e a Sociologia, e que interessa aos profissionais promotores de eventos e ao Cerimonial em geral, onde quer que possa ser aplicado. Como disciplina compreende conhecimentos administrativos, diplomáticos e sociais, e se vincula à Etiqueta, à Ritualística, à Estética, e a outras disciplinas auxiliares importantes para o assessoramento que lhe compete dar ao Cerimonial, cabendo-lhe conhecer e obedecer aos regulamentos e normas que dispõem sobre critérios de precedência de acordo com hierarquias militares e religiosas, graus de importância do parentesco da nobreza, ordem de antigüidade, etc.

Recepção

Evento social formal – se organizado segundo uma Pauta protocolar –, ou solene –, se coordenado por um Cerimonial e regido por um Protocolo –, em que existe a figura de um anfitrião que convida e recebe seus convidados para algum tipo de entretenimento como um jantar, um chá, um coquetel, etc. Os diversos episódios da recepção como os cumprimentos à entrada, o coquetel que  antecede um jantar, a distribuição dos convidados à mesa, o serviço, o aparelhamento da mesa de refeições, etc., constituirão a Pauta do evento e obedecem a Boas-maneiras e Etiqueta. Pessoas que gostam de recepcionar têm vida social intensa. V.p.f. o verbete respectivo na letra "R".

Ritual

A observação atenta de alguns rituais pode nos levar a uma idéia com certeza bastante correta do que eles são. São as seqüências de procedimentos distribuídos em vários papeis que são fixos, e têm suas vestimentas e instrumentos próprios. Observamos também que o objeto do ritual é uma ação afirmativa relativa a alguma coisa que é o seu objeto, por exemplo, ações que simbolizam o voto de união perene no casamento, ou enfatizam, celebram ou comemoram a passagem a um novo status, ou simbolizam uma homenagem como nos rituais de cerimônias cívicas. Cabe ao Ritual, na sua encenação, nas suas palavras, e no uso de seus objetos e vestimentas, promover a exteriorização e estimular o sentimento afim com o significado social da Cerimônia de que ele é parte, Sabemos que por traz do ritual existe uma cultura, e que as culturas se mantêm vivas graças aos seus rituais. Finalmente observamos algum grau maior ou menor de manifestação de sentimentos pelos participantes da cerimônia, que é estimulada pelo ritual em relação ao seu objeto. Cerimônia e ritual portanto, não se confundem, mas se mesclam. Um ritual pode ser inserido em todo tipo de evento social, mas uma cerimônia não pode existir sem compreender um ritual. O ritual segue a Liturgia que o estabeleceu, quanto às pessoas que tem um papel nele, mas a ordem de preferência na distribuição dos lugares entre os participantes da cerimônia enquanto assistem ao ritual é do Protocolo. O ritual, quando realizado solitariamente, é praticado, e não celebrado. Ex: Todo dia pratica um ritual matinal de orações.

Sociabilidade

Podemos distinguir dois campos quando falamos de deferências, posturas e disposições corretas na conduta pessoal sob a égide de Boas-maneiras e Etiqueta. A nossa preocupação não é mais com a descrição dos tipos e formas dos eventos sociais, mas com o comportamento pessoal tanto o que diz respeito à participação nesses eventos quanto o comportamento pessoal externo aos salões, em público. Reservaríamos ao primeiro campo o termo Sociabilidade. Ao segundo, que trata da conduta pessoal fora dos eventos, o termo Urbanidade (V.p.f.). São questões afetas à sociabilidade, como a conversação, a aparência pessoal que tem por objeto agradar, os modos corretos da pessoa se servir à mesa, etc.

Solenidade.

No meu quadro das definições, uma solenidade é um evento social que obedece a um protocolo, sujeito a um Cerimonial. Além das cerimônias (V.p.f.), entre os eventos sociais solenes contam-se também as reuniões solenes. São as reuniões que obedecem a um protocolo quanto à forma de convidar, quanto ao traje a ser usado, quanto ao seu transcurso e encerramento, mas não contam com um ritual.

Urbanidade.

Se esquecemos a origem similar que têm os termos "civilidade" e "urbanidade" (civitatem e urbis significam cidade), e nos detemos apenas na diferença de sentido que há entre eles em seu emprego atual, podemos concluir que não são sinônimos. Deles derivam respectivamente civismo e urbanismo, coisas muito diversas, uma da outra. Então, podemos empregar urbanidade para designar a parte de Boas-maneiras cujas normas se aplicam a circunstâncias e episódios que têm lugar nas ruas, parques, lojas, áreas de circulação, e demais lugares públicos da cidade. Seriam matéria da Urbanidade o comportamento das pessoas nas calçadas, nos elevadores, no transporte coletivo, no trânsito dos veículos, na preservação da limpeza das vias públicas, etc.
 


(*) Cobra, Rubem Queiroz - Boas-maneiras, Etiqueta e Cerimonial:suas definições e seu lugar na Filosofia, Ed. Valci, Brasília, 2002 (V.T. a página Boas-maneiras e a Filosofia - 09/06/2009).

Rubem Queiroz Cobra

Página lançada em  23-01-2013

Direitos reservados.
 Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. -  Cerimonial, Protocolo, Etiqueta e Boas-maneiras - Definições. Site www.cobra.pages.nom.br, INTERNET, Brasília, 2013. 
("www.geocities.com/cobra_pages" é "Mirror Site" de www.cobra.pages.nom.br).

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